Causas - São Paulo São

São Paulo São Causas

De todas as formas de arrogância que a cidade de São Paulo apresenta, a vocação para uma vanguarda artística talvez seja a mais próxima de algo palpável. Da semana de 1922 até o nascimento do Teatro de Arena, passando pelo TBC, a cidade parece ter mesmo algo de vanguardista no aspecto cultural. E é bem verdade que a mesma arrogância que coloca São Paulo em alta conta cultural {{Mário de Andrade, Pagu, Plínio Marcos, dos mais acadêmicos aos mais populares, sem esquecer nunca de Adoniran, por exemplo}}, produz uma elite financeira alheia a qualquer coisa que contenha em si uma brasilidade ou latinidade. Qual paulistano não ouviu falar dos musicais internacionais do Teatro Abril ?

Mário de Andrade, famoso como escritor, tem um lado menos famoso {{mas não menos importante}}. Foi também gestor público, dos bons.

A educação infantil também foi tema de Mário de Andrade. E o que hoje é pensado como moderno, espaços integrados de educação, cultura e lazer, já havia sido idealizado por ele na década de 30.

Em 1936, Mário de Andrade foi além e pensou em bibliotecas itinerantes. A ideia de que a formação do leitor passa, necessariamente, pela disponibilidade de livros é tão simples quanto genial.


O legado de Mário de Andrade e o PMLLLB

Por acaso a prefeitura petista, ainda na gestão de Marta, criou os CEUs {{Centros Educacionais Unificados}}. Que, à época, foram criticados pelo alto custo. Espaços onde piscina, quadra, teatro e escola se unem, na periferia. Coisa moderna? Necessária, de fato.

Mas São Paulo, pós Mário de Andrade, só concretizou a ideia de bibliotecas ambulantes em 1979 e permaneceu até 2008 com a incrível frota de 1 {{um}} ônibus-biblioteca. Em 2008, a SPTrans resolve reformar a frota e entrega logo 4 {{quatro}} ônibus circulantes {{não acredite em mim – Prefeitura de São Paulo}}.

Já em 2015, nova gestão petista, desta vez com Haddad, a prefeitura triplica esse número para incríveis 12 {{doze}} ônibus-biblioteca.

Mas nem tudo é tristeza no leitmotiv político da cidade; eis que, em 2012, se iniciam discussões acerca do Plano Municipal de Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca {{PMLLLB}}.

Iniciativa da sociedade civil, mais especificamente pela Bel Santos, 48 anos, educadora social da Literasampa:

"Nós vínhamos acompanhando a luta de Porto Alegre pelo plano municipal e nós do Literasampa fomos instigados a fazer a mesma provocação em São Paulo. Nós participávamos de muitos eventos literários e cada vez que havia um debate sobre políticas de livro e da leitura, as pessoas nos perguntavam: ‘como estão as coisas em São Paulo?’. Tinha uma hora em que a gente ficava morrendo de vergonha, São Paulo tem de tudo… e não tem uma discussão sobre livro e a leitura?"

O ponto de partida foi o Plano Nacional de Livro e Leitura, cujo Secretário Executivo é José Castilho Marques Neto.

O Plano Nacional de Livro e Leitura dá, digamos assim, os parâmetros, as diretrizes para a feitura dos planos estaduais e municipais de livro e leitura. Desta maneira, ele é um plano que aponta os caminhos e horizontes e os instrumentos que precisam ser construídos para que isso aconteça.

Basicamente, ele trabalha com dois grandes alicerces: União da Cultura e Educação na elaboração e implantação deste plano; e por outro lado a presença forte do Estado e da Sociedade.

No último dia 13 de junho, aconteceu a apresentação e discussão do plano final do texto que será projeto de lei, de autoria do Vereador Antônio Donato {{PT-SP}}.

Donato já havia apresentado em 2010 um projeto de lei sobre livro e leitura. Ele passou em 1ª votação {{são necessárias duas, mais a aprovação do Executivo, na melhor das hipóteses}}. A ideia agora é que esse texto entre como substitutivo do projeto apresentado em 2010. Isso dará celeridade ao processo, já que ele entraria como aprovado em 1ª votação também.

Sobre o PMLLLB, Ricardo Queiroz {{Assessor do vereador Donato e um dos responsáveis pelo plano}} diz:

Um dos movimentos fortes em São Paulo, ligados à área transversal Educação/Cultura é o movimento dos Saraus.

Normalmente ligados à periferia da cidade, os Saraus conseguem unir populações de diferentes classes sociais em torno de uma dimensão cultural e filosófica {{por que não?}}, coisa importante sob qualquer aspecto, exceto talvez, o econômico.

Ruivo Lopes, artista ligado a este movimento cultural, ressalta a importância do PMLLLB na integração entre periferia e centro. “Há uma imensa e reconhecida manifestação cultural própria das periferias da cidade de São Paulo e que ficaram à margem das políticas públicas ao longo destes anos. Acho que numa gestão que se propõe ao diálogo como é a gestão Haddad, esses anseios tendem a surgir com mais intensidade. Então, acho que a gente está nesse momento, quando a gente discute os Planos de Leitura, Diretor, de Educação, e nada mais justo que a periferia paute essas discussões”.

São Paulo, a cidade, continua sua vocação de vanguarda. Falta{{va}} o entendimento de que esse pensamento inovador saiu há muito dos cafés centrais onde meia dúzia de intelectos super desenvolvidos fomentam a Cultura.

Que bom que há, hoje, uma prefeitura com alguma {{e é pouco, ainda muito pouco}} capacidade para ouvir sua periferia e ser pautada por ela. É ainda mais inovador, ainda mais vanguarda e sem a menor dúvida, muito mais divertido.

 no ImprenÇa.

 

O projeto Wikipraça está em uma nova fase. Começou como projeto independente no Rio de Janeiro no final do ano 2012. Rodou como código urbano participativo da prefeitura de São Paulo, sendo um dos três projetos pilotos da Secretaria de Direitos Humanos.

Mas em fevereiro do 2015 acabou essa fase institucional, que ainda vamos avaliar publicamente em este site. A Wikipraça volta a ser um projeto independente e autônomo, característica que nunca perdeu. A Wikipraça, como método de participação e mediação dos espaços urbanos, foi aprimorando o seu código nessa última fase Wikipraça Arouche, desenvolvida no largo do Arouche de São Paulo. A parceria com a Secretaria de Direitos Humanos foi vital: mostrou a importância da escuta do poder público mas também os limites do institucional. O método participativo da Wikipraça – uma mistura de ferramentas digitais e mecanismos analógicos- é um método aberto, incompleto e imperfeito. Por isso, a Wikipraça continua como projeto e processo coletivo. Seguiremos incentivando a participação cidadã no largo do Arouche de São Paulo, onde a WikiHorta (horta urbana colaborativa) ainda é uma referência. Mas também queremos que o método Wikipraça circule por outros espaços da cidade de São Paulo e do Brasil.

Aqui, algumas das novidades dos últimos meses do projeto Wikipraça.

Cartografia afetiva. 

O projeto #WikipraçaSP – #Wikipraça Arouche começou há uns meses um novo caminho cartográfico para o largo do Arouche: uma cartografia viva, afetiva, emocional, para achar espaços comuns para todos os públicos do Arouche. Depois de vários encontros (o próximo é sábado 13 as 13 horas), estamos chegando no ponto da cartografia em formato digital. Nas próximas semanas vamos enriquecer ela com os diferentes inputs recebidos.

WikiHorta. 

A horta comunitária que surgiu no final do ano passado no largo do Arouche foi uma experiência coletiva marcante. Depois da assembleia para discuti-la, a parceira Júlia Álvarez desenhou uma planta de como imaginava a construção. Criamos uma planilha aberta na internet, cutucamos digitalmente muitos que poderiam ajudar (Hortelões Urbanos, por exemplo) e desenvolvemos alguns mutirões. A horta se transformou em um dos espaços mais agregadores e transversais do largo do Arouche e do projeto Wikipraça.

LabCidade. 

O projeto Wikipraça foi convidado para participar no Laboratório da Cidade. O objetivo do Lab é compartilhar pesquisas e projetos para a capital paulista. As mais de 40 iniciativas participantes pretendem criar uma rede aberta e multidisciplinar. Por enquanto, alguns colaboradores da Wikipraça participam em alguma reunião e frequentam o espaço do Lab Cidade, na Vila Madalena.

Fonte: #Wikipraçahttp://bit.ly/1BZ78xv

 

Um projeto que tem como essência o espírito de colaboração entre coletivos criativos e o objetivo de derrubar barreiras culturais entre as zonas de São Paulo, espalhando boas ideias, fazendo a criatividade fervilhar e deixando um legado para a cidade.

A transformação é um processo. Não acontece da noite para o dia, mas durante um período decorrente de diversas ações. E só quando se reúne cada pequeno detalhe é possível construir algo maior. Transformar, hoje, é necessário, para que se possa melhorar a cidade em que vivemos. Por isso, Absolut Vodka criou o projeto Transform Your City, convidando toda sorte de artistas e reunindo linguagens para que, juntos, resgatem a identidade cultural da cidade de São Paulo e impactem positivamente na vida das pessoas que habitam a metrópole.

Passamos os últimos meses acompanhando encontros entre coletivos de artistas em cada região da cidade, realizadas com o propósito de estimular a troca de experiências entre os participantes e de resgatar o legado de cada zona de São Paulo. Para cada zona da cidade foi identificada a linguagem artística mais expressiva e chegou-se ao veredito: a zona sul trabalharia a poesia; azona norte, a estética; a zona leste, a performance; e a zona oeste, a música.

Ao final dos encontros, cada grupo de coletivos criou uma forma de impactar a comunidade local destas regiões com ações e intervenções pontuais, além de planejarem ações para uma grande celebração no centro da cidade, onde todas as formas de expressão artística seriam unidas pelo propósito da transformação.

O movimento Venga Venga, junto com Nelson Triunfo, ensaiou uma batalha de dança assimilando passos de diversas etnias, brasileiras e internacionais, ensaiados na quadra da comunidade de Perus, na zona leste. O coletivo Metanol, por sua vez, criou junto com a galera do Quilombaque, um curso de capacitação em produção musical na periferia da zona oeste e realizaram uma intervenção da Orquestra Fantasma de percussão na grande festa.

Na zona sul, o Coletivo Pi promoveu um cortejo com o coletivo Sobrenome Liberdade pelas ruas do Grajaú e, durante o evento, conceberam intervenções performáticas de poesia marginal, além de um espaço de descanso e reflexão repleto de varais poéticos. Por fim, na zona norte, o coletivo Bijari, junto com o coletivo C.I.C.A.S e a escola de samba Acadêmicos de São Jorge, inspirados na estética da escola de samba, criaram uma estrutura móvel capaz de gravar, reproduzir e projetar áudio e vídeo. Na festa, projeções mapeadas coloriram e deram ainda mais vida ao ambiente.

Todos estes encontros, trocas de experiências e concepções resultaram em uma identidade genuinamente paulistana, permeada por registros de todas as regiões do país e do mundo, tal qual é esperado de uma metrópole do porte de São Paulo.

Para registrar os legados que foram deixados, o Instagrafite - galeria colaborativa de arte de rua - foi recrutado para escolher seis artistas com diferentes linguagens. A partir de visitas e vivências nos encontros dos coletivos nas periferias, cada um dos 6 artistas se inspirou para registrar os legados em praças, muros, bueiros e ruas, que ganharam uma nova cara em cada um dos pontos escolhidos da cidade. Entre as plataformas, estão diversos tipos de tintas, criação de mobiliário urbano, entre outras manifestações artísticas. O resultado foi uma rede de intervenções urbanas artísticas que, se conectadas, formam uma garrafa de Absolut, como nas velhas brincadeiras de ligar os pontos da infância.

Agora, a cidade de São Paulo já pode perceber o potencial transformador da arte e da cultura inseridos em seu cotidiano. A quebra de barreiras culturais foi iniciada, e os habitantes da metrópole já podem se deliciar com novos pontos de vista, fusões de linguagens e novas formas coloridas de enxergar o cinza paulistano.

Conteúdo patrocinado na Revista Trip: http://bit.ly/1FCvnby

A agricultura urbana ajuda a promover o acesso de todos à alimentação e ainda é uma ferramenta para trabalhar diversos valores transmitidos através do cuidado com a terra. Diante disso, a Organização Cidade Sem Fome lançou o projeto Horta nas Escolas, que pretende levar o acesso ao plantio a dez escolas públicas em bairros carentes da cidade de São Paulo.

O plantio escolar tem como objetivo aproveitar espaços vazios nas instituições, dando a eles novo sentido e função. As hortas servem como instrumento de educação ambiental e alimentar, ajudando também a diversificar a merenda escolar e a promover o convívio social entre a escola e a própria comunidade em que está inserida.

A ONG responsável pelo projeto Hortas na Escola já possui onze anos de experiência em ações que promovem a agricultura urbana em áreas periféricas da capital paulista. Os trabalhos, liderados pelo fundador Hans Dieter Temp, estão centralizados, principalmente, na zona leste da cidade, que concentra os maiores índices de pobreza em todo o município. Através do plantio, é possível promover a integração social, a alimentação saudável e o desenvolvimento da comunidade local.

Nas escolas, a iniciativa ganha ainda mais funções. “O projeto Horta nas Escolas também atuará como instrumento de fortalecimento pedagógico, uma vez que as atividades ali desenvolvidas ajudam o professor a co-relacionar diferentes conteúdos e coloca em prática a interdisciplinaridade com os seus alunos. A matemática pode ser um exemplo, com o estudo das diferentes formas dos alimentos cultivados, além disso, o estudo do crescimento e desenvolvimento dos vegetais pode ser associado com o próprio desenvolvimento”, esclarece a descrição do projeto no site Kickante, de financiamento coletivo.

De acordo com o informativo, o contato das crianças com os alimentos que elas mesmas plantam, colabora para transformar a relação delas com os vegetais, promovendo uma alimentação mais saudável. “Na infância é que o ato alimentar pode ser vastamente explorado, pois é nesta fase que a curiosidade é extremamente aguçada, os preconceitos ainda não foram adquiridos e onde surge a possibilidade de formação de um senso crítico mais amplo”, diz o site.

A Cidades Sem Fome pretende inserir as hortas em dez escolas públicas em bairros carentes de São Paulo. A proposta é aproveitar áreas inutilizadas, oferecendo novas oportunidades a alunos e professores. Para que isso seja possível, a organização busca angariar 15 mil reais, que serão usados no financiamento de toda a estrutura e mão de obra necessária para a aplicação do projeto. O valor mínimo para doações é R$ 10 e a ajuda pode ser feita através deste link.

Fonte: Ciclo Vivo. Mais fotos: http://bit.ly/1L4VGWp

O bem sucedido movimento Parque Minhocão, que já conseguiu transformar a ideia de desativar progressivamento o elevado Costa e Silva para carros em lei, aprontou mais uma de suas estratégias criativas.

Agora, quem passeia pelo elevado nos horários em que a passagem dos carros já é vedada (a partir das 21h30 e aos domingos e feriados) pode navegar na internet usando sinal wi-fi grátis instalado no apartamento sede do movimento, que fica no edifício triangular na esquina da avenida São João com a alameda Glete. Em breve, pinturas e placas indicativas no minhocão vão tornar mais fácil saber onde acessar. O sinal tem 200 MB de potência e comporta até 300 usuários ao mesmo tempo. Pode ser captado em um raio de até 100 metros do apartamento do Parque Minhocão.

A rede se chama freewiman. Wiman é a empresa italiana que cedeu gratuitamente a instalação, os roteadores e paga também pelo sinal de fibra ótica. Ao acessar a rede, o usuário deverá optar pela conexão via Facebook ou Google+. Depois, será convidado a curtir a página do movimento no Facebook, mas pode pular essa etapa. Segundo membros do Parque Minhocão, alguns moradores do entorno já descobriram o sinal e estão usando o wi-fi nos dias de semana. O sinal foi pensado para os usuários do elevado, mas fica aberto permanentemente. 

Vanessa Correa, blog 'Seres Urbanos' na Folha de S.Paulo. 

 

 

O "Garagem Fab Lab" é o primeiro e mais ativo Fab Lab independente do Brasil!

Fab Labs são plataformas / laboratórios de fabricação digital que fazem parte de uma rede mundial nascida em 2001 no MIT e que hoje conta com mais de 490 labs nos cinco continentes!

Através do uso de ferramentas de fabricação digital como impressoras 3D, cortadoras a laser e fresadoras CNC - além de recursos de eletrônica e programação - somos capazes de construir (quase) qualquer coisa, além de tirar idéias, sonhos e projetos do papel.

O Garagem faz parte dessa rede é independente, começou a coragem de investir em um negócio sem modelos prontos e com uma pegada de inovação social, onde o lucro exerce um papel importante, mas é secundário.

Os protagonistas da iniciativa estão alterando o contrato social da empresa inicial para se tornarem uma entidade sem fins lucrativos. Precisam mudar para um outro espaço físico onde possam fazer mais coisas e tenham mais liberdade para experimentar, trabalhar com outros materiais e técnicas. Enfim, fazer coisas normais de um laboratório de inovação que não são compatíveis com o ambiente de escritório em que estão hoje.

O São Paulo São recomenda o apoio à iniciativa através do sistema de crowdfunding.  No Catarse é possível saber mais e ajudar a erguer a nova casa Fab Lab: http://goo.gl/5cnOPj