Projeto espalha ‘florestas de bolso’ por São Paulo - São Paulo São

No dia 21 de setembro, quando se comemora o dia da árvore, dois grupos bem distintos faziam plantios em São Paulo. No meio dos Jardins, uma das áreas mais nobres da capital, um grupo de moradores, com apoio de uma loja de móveis, plantava mudinhas no canteiro central da Avenida Brasil. A menos de 10 km dali, um grupo de 50 presos em regime semiaberto fazia o mesmo na beira do Rio Pinheiros, perto da usina de Traição.
 

Em comum, um projeto: espalhar mudas de árvores nativas da Mata Atlântica pela capital, formando pequenos bolsões verdes, ou “florestas de bolso”, como apelidou o idealizador do plano, o botânico Ricardo Cardim.

Assim como preconiza a Organização Mundial da Saúde, Cardim também está divulgando o projeto com um viés de saúde pública. “Vai além do resgate da biodiversidade, da busca do equilíbrio ecológico, mas também para aumentar a qualidade de vida das pessoas que vivem em um ambiente tão urbanizado.

Mapeamento dos remanescentes de Mata Atlântica na capital, lançado pela Secretaria do Verde no final de junho, apontou que fragmentos do bioma cobrem 30% da área da cidade de São Paulo, mas a grande maioria está nos extremos sul e norte. No miolo, onde de fato as pessoas vivem, há poucas e pequenas manchas, como os parques Trianon e Alfredo Volpi, e o que foi denominado como bosques heterogêneos, como a Praça da República.

Cardim está empenhado em melhorar esse percentual. Para isso, tem feito mutirões com a população e buscado parcerias com o setor privado para ajudar a financiar as mudas, e com o setor público para conseguir os espaços para o plantio.

Foi o caso do Pinheiros, que pela primeira vez viu árvores sendo plantadas exatamente onde elas deveriam existir, nas margens do rio, formando matas ciliares. Ali, houve autorização do Estado. Na Avenida Brasil, da Prefeitura. Mas os dois governos não entraram com dinheiro.

Desde o início do ano, já foram plantadas oito florestas de bolso, de 15 a 500 metros quadrados. A maior é a do Parque Cândido Portinari, um anexo do Villa-Lobos que foi criado para servir de parque, mas praticamente não tinha vegetação. Foram plantadas 700 árvores, de araucária a pitanga.

“Até três anos atrás, ali era um depósito de material de construção do metrô, havia tubos de concreto de toneladas em cima da terra. Transformaram em parque, foi ótimo, mas ficou pelado. Nosso sonho é que fosse o parque da biodiversidade paulistana, um museu vivo da natureza de São Paulo”, contou aoEstado.

“Com mais floresta de bolso, teremos um amortecimento da poluição urbana. Tem um viés de educação ambiental e as pessoas vão melhorar fisicamente e mentalmente”, defende.

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Por Giovana Girardi no Blog Sustentabilidade do Estadão.