O maior estêncil do mundo está em São Paulo! - São Paulo São

Greenpeace Brasil lançou um concurso de Street Arte para sensibilizar a opinião pública sobre os riscos da construção de uma barragem no rio Tapajós, o maior afluente do Amazonas.

Para divulgar e repercutir, o projeto ganhou o maior estêncil do mundo (1000 folhas de estêncil) da artista brasileira Simone Sapienza Siss em duas fachadas de prédio da Rua Santo Antonio com o viaduto 9 de Julho na região central de São Paulo. São 37 metros de altura por 10 metros de largura!

O estêncil representa uma menina indígena da Tribo Munduruku (Rio Tapajós, Amazonas). Segurando um pássaro na mão esquerda ela parece querer sair do ambiente urbano como sendo sufocada pela cidade. 

Uma frase de Simone Sapienza Siss que gosta de misturar linguagem e representação visual, na obra monumental, define também um pouco das características humanistas da artista: "Achei o último Igarapé no fundo do meu coração... Nele lavei minha alma". A frase e a obra lançam um grito de alarme sobre as ambições excessivas de canalizar os rios e prejudicar os povos indígenas.

Ela conta que “O Greenpeace fez algumas ações para preservar o Rio Tapajós, um dos últimos rios vivos da Amazonia. Estavam querendo construir uma hidrelétrica que iria devastar a fauna, a flora e a tribo dos índios Munduruku. Eles me disponibilizaram algumas fotos da tribo e escolhi essa menininha com olhar expressivo.

Foto: Katia Lombardo.Foto: Katia Lombardo.

Foto: Katia Lombardo.Foto: Katia Lombardo.

Foto: Katia Lombardo.Foto: Katia Lombardo.

Quanto a frase, recebi a visita de um Índio da tribo e perguntamos para ele qual a primeira impressão que ele teve de São Paulo e ele respondeu: "Quantos Igarapés não estariam soterrados embaixo desse concreto?!!" Daí cheguei em casa e não tinha água..onde moro ainda esta tendo racionamento. E tive a idéia para frase“, completa ela. 

O projeto

O projeto Arte Tapajós, que tem como objetivo aproximar das grandes cidades a luta do povo Munduruku pela demarcação de suas terras e contra a construção de hidrelétricas no rio Tapajós, vem espalhando suas cores por diversas cidades brasileiras. Em outubro, São Paulo recebeu a obra da artista Simone Siss, que doou seu trabalho para fortalecer a luta do povo Munduruku: https://br.heartoftheamazon.org/

Assista o video de Thomas Mendel sobre o projeto da instalação.

Sobre Simone 

Foto: Katia Lombardo.Foto: Katia Lombardo.

A história do envolvimento de Simone com a street art começou em 2010, quando ela teve contato com o stencil. A partir desse encontro, Simone Sapienza virou Siss, a artista urbana rapidamente reconhecida pelo seu trabalho de alta qualidade recheado de toques ácidos de humor.

A artista utiliza o stencil e a serigrafia (lambe-lambes) em quase todas as suas obras e usa diversos tipos de suporte. Teve seus trabalhos expostos no Brasil, Hungria, Paris e Alemanha. Foi a artista escolhida pela cantora Madonna para fazer a capa do single Superstar.

***

Por Gaelle Pierson do Sampa Escale em parceria de conteúdo com o São Paulo São.