Em vídeo, estudantes da Poli / USP dão recado importante contra o machismo nas universidades - São Paulo São

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Frequentar a universidade, para alguns, é privilégio. Mas nem por isso é fácil ser estudante.

Algumas alunas de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo resolveram fazer de uma gincana interna algo realmente impactante.  

As mulheres representam apenas 27% do total de uspianos que ingressaram nos cursos de engenharia nos últimos cinco anos.

Historicamente reconhecido como um mercado majoritariamente masculino, as engenheiras da USP quiseram mandar um recado claro: lugar de mulher é onde ela quiser.

Na última sexta-feira (7), as alunas do curso de engenharia civil publicaram um vídeo em que reproduziam a versão da música Survivor interpretada da por Clarice Falcão.

Com objetos e expressões fortes, as meninas utilizaram seus corpos para enviar mensagens contra a desigualdade de gênero na universidade.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Catherine Miyazaki, uma das participantes do vídeo, conta que a produção foi comandada pela aluna Mariana Meletti.

No centro acadêmico da universidade, elas criaram um espaço de segurança e conforto para que as meninas pudessem contar suas histórias e vivências dentro da própria USP.

"A ideia era fazer as cenas serem mais autênticas possíveis, e por isso a Mari falou pra gente escrever coisas no corpo que já tínhamos ouvido antes ou pelas quais passamos. Cenas que nos marcaram. Ou levar objetos que de alguma forma representassem algum sentimento que gostaríamos de expressar. Eu por exemplo levei uma bola de rugby, a professora Liedi Bernucci [vice-diretora do curso] usou um capacete de obra, uma outra menina levou uma fita métrica", compartilha.

Catarina Scacciota também é aluna de engenharia civil. Para ela, participar do vídeo foi uma forma de se sentir acolhida e representada.

"Na Poli infelizmente ainda tem muitos comentários e atitudes machistas, vindos tanto de alunos como de professores. Parecia que todas as mulheres que estavam lá filmando se entendiam. A maioria das frases que as meninas do vídeo escreveram já foi ouvida por quase todas nós! Coisas como 'Nossa, você faz Poli? Nem parece', 'Você vai desistir' ou 'Já pegou a Poli toda'. Naquele mini estúdio dentro, a gente ouviu histórias umas das outras e parece que encontramos mais força juntas", compartilha.
Com objetos e expressões fortes, as meninas utilizaram seus corpos para enviar mensagens contra a desigualdade de gênero na universidade. Imagem: Youtube / Reprodução.Com objetos e expressões fortes, as meninas utilizaram seus corpos para enviar mensagens contra a desigualdade de gênero na universidade. Imagem: Youtube / Reprodução.O vídeo impactou a comunidade estudantil. As alunas acreditam que, por ter sido produzido em uma faculdade de engenharia, houve ainda uma repercussão maior.

"Pouca gente espera esse comportamento empoderador de alunas de exatas, talvez por acharem que quase não tem meninas no curso", comenta Scacciota.

De acordo com Miyazaki, elas receberam mensagens de muitos alunos que se consideravam céticos em relação às pautas feministas dentro da própria universidade.

"Ficamos muito contentes com o resultado, estamos tendo um retorno bastante positivo. Alguns amigos da Poli são céticos em relação ao machismo e vieram dizer o quão importante o vídeo foi para eles perceberem que a violência contra a mulher acontece também com pessoas próximas. Parecem situações pontuais, mas são muito mais comuns do que eles pensavam. E o legal é que conseguimos transmitir essa mensagem sem usar nenhum tipo de agressividade", finaliza.

Assista o vídeo: https://youtu.be/FOF7Twtovxg

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Por Ana Beatriz Rosano no HuffPost Brasil.