Em Paraisópolis horta comunitária estimula produção sustentável de alimentos e dieta saudável - São Paulo São

O cinza do concreto e o marrom dos tijolos estão prestes a ganhar o verde das plantas em Paraisópolis, comunidade na zona sul paulistana. As lajes dos cerca de 120 mil habitantes que lá vivem devem ganhar muitas hortaliças em breve, graças ao projeto “Horta na Laje”.

Com a missão de estimular a produção sustentável de hortaliças e promover a alimentação saudável, o Instituto STOP Hunger, mantido pelo Grupo Sodexo, lançou na última semana o projeto, sediado na União dos Moradores da Comunidade de Paraisópolis.

Com o apoio da Associação das Mulheres de Paraisópolis, do Instituto Escola do Povo e da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, o projeto prevê a formação de jovens e mulheres em técnicas de plantio no vaso, para que possam desenvolvê-las em suas casas, com o objetivo de garantir a autonomia, do empoderamento e da autorrealização e do estímulo à participação ativa na comunidade.

“Mais do que trabalhar no combate à fome e à má nutrição na comunidade, o projeto pretende dar a oportunidade para que estas pessoas desenvolvam habilidades paraFoto: Divulgação.Foto: Divulgação. plantar, cuidar e semear horta em vaso e/ou em espaços adaptados, a fim de que tenham acesso à alimentos mais saudáveis para consumo próprio e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida”, afirma Fernando Cosenza, presidente do Instituto STOP Hunger.

“O projeto nasceu para estimular, através da educação ambiental, a criação de pequenos espaços verdes dentro das lajes e das casas na comunidade, que podem ser utilizados para produzir alimentos mais saudáveis e criar espaços de interação e lazer para as famílias”, complementa Gilson Rodrigues, presidente do Instituto Escola do Povo.

O projeto Horta na Laje é uma extensão do Programa Hortaliças, uma iniciativa STOP Hunger criada em 2003, em parceria com a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, nos campos da instituição em Jaboticabal (desde 2003) e Botucatu (desde 2010). O Programa Hortaliças consiste na criação e cultivo de hortas comunitárias mantidas pelos próprios estudantes da faculdade de agronomia, que recebem uma bolsa de estudo para auxiliar na manutenção do plantio. Por ano, são produzidas mais de 48 toneladas de alimentos, que são doados à 16 organizações beneficientes dessas regiões.

Empoderamento feminino

Para Elizandra Cerqueira, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, o projeto vai além da sustentabilidade ou da alimentação saudável. “O ‘Horta na Laje’ é uma oportunidade para as mulheres da comunidade gerarem renda a partir da troca ou venda alimentos”, diz.

Atualmente, 53% da população de Paraisópolis é composta por mulheres, sendo que 20% delas são chefes de família. Foto: Marina Demartini.Atualmente, 53% da população de Paraisópolis é composta por mulheres, sendo que 20% delas são chefes de família. Foto: Marina Demartini.

Segundo Cerqueira, a associação promove um projeto de gastronomia, em que as mulheres são ensinadas a cozinhar para buffets e incentivadas a empreender no ramo: “Com as hortas, elas poderão utilizar os alimentos colhidos para a criação de pratos. Assim, as moradoras poderão oferecer um serviço sem precisar gastar com a matéria-prima”, explica.

Atualmente, 53% da população de Paraisópolis é composta por mulheres, sendo que 20% delas são chefes de família, de acordo com a associação. “Por isso, o projeto deve beneficiar as mulheres que precisam sustentar seus filhos, ao mesmo tempo que providencia uma alimentação saudável”, diz a presidente. “Além disso, uma mulher que tem educação, trabalho e se sente empoderada, dificilmente irá aceitar viver em uma situação de violência.”

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Fontes: Exame e CicloVivo.