Hashtag #MeToo expõe a magnitude mundial do assédio sexual - São Paulo São

Depois de ganhar as redes sociais do Brasil com a hashtag #MeuPrimeiroAssedio e #MeuAmigoSecreto, as denúncias de abuso sexual sofrido por mulheres ganharam o  mundo a partir da hashtag #MeToo ("eu também").

Essas duas palavras vêm sendo compartilhadas nas redes sociais por mulheres e homens que sofreram algum tipo de agressão sexual. A iniciativa teve início depois das alegações de estupro contra o poderoso produtor cinematográfico americano Harvey Weinstein.

Weinstein, um dos mais poderosos nomes de Hollywood, foi acusado de estupro e agressão sexual por mais de duas dezenas de mulheres - incluindo as atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Rose McGowan. O produtor alega que todas as relações sexuais que teve foram consensuais.

Desde que as acusações vieram a público, várias personalidades usaram as redes sociais para falar sobre o assunto, algumas detalhando o assédio que sofreram.

Atriz Alyssa Milano pediu a vítimas de assédio que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. Foto: Getty Images.Atriz Alyssa Milano pediu a vítimas de assédio que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. Foto: Getty Images.

A hashtag, porém, surgiu quando o jornal The New York Times publicou um artigo de opinião assinado por Mayim Bialik, da série The Big Bang Theory, afirmando que as mulheres são assediadas com base em um “nível hierárquico” de beleza, além da forma como se vestem.

O termo ganhou força depois de a atriz Alyssa Milano pedir as vítimas de assédio sexual que se pronunciassem, em demonstração de solidariedade. O caso teve ainda maior repercussão com a participação da senadora democrata Elizabeth Warren, que publicou em sua conta no Facebook um pedido semelhante para que vítimas de assédio utilizassem a hashtag em seus perfis. A hashtag já foi mencionada mais de 1.7 milhões de vezes nas redes.

Celebridades responderam, incluindo Debra Messing, Anna Paquin, Lady Gaga e Monica Lewinsky.

Milhares de outros usuários nas redes sociais, inclusive no Brasil, compartilharam histórias de quando foram vítimas de assédio.

No Twitter, uma usuária, que decidiu permanecer anônima, escreveu: "Tinha 19 anos. Ele me encheu de álcool, forçou um beijo de língua e tocou meus seios. Me culpei por estar bêbada. #MeToo."

Homens e transexuais também expressaram apoio à campanha, incluindo o ator e cantor Javier Munoz.

Alguns deles chegaram, inclusive, a falar sobre suas experiências pessoais.

A usuária Cortney Anne Budney postou no Facebook: "O 'eu também' é para os homens também. Não devemos nos esquecer dos homens e dos meninos. O eu também deles é igualmente importante e muitas vezes frequentemente encoberto."

 Já para o escritor Charles Clymer, que foi vítima de estupro, afirmou que, embora ambos os gêneros sofram abuso, "há um componente misógino específico na cultura do estupro".

"Faz sentido gastar tempo para destacar a misoginia especificamente e amplificar a voz das mulheres", postou ele.

Os principais argumentos falam sobre a importância de não responsabilizar a vítima de assédios e abusos sexuais, além de ressaltar que todas as mulheres estão passíveis de sofrer esse tipo de agressão. 

Campeã olímpica em Lodres-2012, a ginasta americana McKayla Maroney também usou a hashtag para contar sua própria história de abuso e mostrar que o assédio e o abuso sexual contra mulheres não se restringem a Hollywood.

"Começou quando eu tinha 13 anos, em um dos primeiros campeonatos nacionais, no Texas, e não parou até que eu me aposentasse", afirmou a jovem de 21 anos, que parou de competir em 2016. O acusado, o médico Larry Nasser, é apontado como o abusador de dezenas de atletas, homens e mulheres, ao longo de duas décadas de carreira.

"Nosso silêncio deu poder às pessoas erradas por muito tempo. É a hora de retomarmos nosso poder. E lembre-se: nunca é tarde para denunciar!"

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Fonte: BBC Internacional.