Shopping de Blumenau é pioneiro em SC ao mudar imagem de representação para idosos - São Paulo São


Você que tem mais de 60 anos se identifica com a imagem de uma pessoa curva e com bengala usada para identificar a prioridade de vagas para pessoas da sua idade? Se a resposta foi não, vai ficar satisfeito ao saber que desde 2011 há o movimento Nova Cara da Terceira Idade, que propõe a mudança do pictograma no Brasil.

Adepto do movimento, o Neumarkt Shopping foi o primeiro empreendimento catarinense a aderir ao novo símbolo nas nove vagas de estacionamento reservadas aos clientes da terceira idade e em breve na sinalização interna.

Em comemoração ao Dia do Idoso, celebrado em 1 de outubro, o shopping, em parceria com a Revivecer, entidade voltada a essa faixa etária, promoveu ações para o público com mais de 60 anos ao longo da semana, entre elas a palestra com o publicitário e idealizador do movimento, Max Petrucci. Confira a entrevista com ele:

Qual foi o pontapé inicial do movimento Nova Cara da Terceira Idade?
A iniciativa surgiu de um briefing de um cliente, um banco, que pediu para minha agência uma ação, uma campanha para falar com este público. Confesso que foi um Deus nos acuda porque a gente não estava acostumado a falar com este público. Na verdade, nenhuma agência fala. No início foi um choque, mas aí surgiu a necessidade de se conectar de verdade com estas pessoas, com esta situação e com este contexto. De cara surgiu uma certa indignação na forma como estas pessoas eram representadas e ao invés de só responder ao briefing do cliente, a gente achou que tinha que responder ao briefing da sociedade. Percebemos que tínhamos que ajudar a significar o "ter 60 anos" e como é ser retratado na vaga preferencial, na fila do banco etc.

Como foi feita a escolha do novo pictograma?
Com a ideia de mudar isso surgiu a co-criação e então jogamos a ideia na internet. Foi um processo longo para a escolha. De primeira foram feitas 450 sugestões e depois recebemos 1,6 mil inspirações da sociedade. Foram fotos, desenhos e tudo que representava o bom envelhecer. Delas, dois designers fizeram os primeiros seis, selecionamos três e abrimos para a comunidade votar na internet. Foram 6,5 mil votos, e de lavada foi este que ganhou.

Muitos locais já aderiram?
É algo que está sendo feito de forma aberta. Nosso propósito foi colocar um pouco de luz na questão, chamar a atenção, estimular a mudança comportamental. Claro que a mudança do símbolo a gente leva muito à sério e queria que tivesse o Brasil inteiro já mudado, mas não é bem assim na vida. Na prática a gente está fazendo força para ver se consegue eventualmente ter a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) fazendo também esta mudança, mas por enquanto ela é orgânica e pode ser feita por cada indivíduo, empresa ou setor da sociedade.

De onde surgiu o antigo pictograma?
Esta história é muito interessante. Parece que na década de 1970, quando surgiu o metrô em São Paulo, em algum momento alguém que cuidava do local precisava designar aqueles assentos preferenciais e precisava de um símbolo, então mandou fazer o que existe até hoje. Engraçado que só agora a gente questionou o porquê do símbolo se manter.

Como você se sente ao ser o idealizador deste movimento?
Na verdade, pra mim foi uma grande transformação. Este projeto me ajudou a reentender o meu trabalho, o papel que a propaganda tem na sociedade de hoje. O que é propaganda? É vender sonhos? Ou será que cada vez mais as pessoas estão procurando coisas mais verdadeiras e mais atreladas ao seus problemas de verdade? Ao invés de ficar vendendo só jovialidade, será que vender o conceito de um novo direcionamento não é altamente desejável, engajador e prazeroso? Assim como esta causa há tantas outras que podem ser destacadas e alteradas de forma coletiva. Com certeza, pra mim, foi uma grande renovação profissional esta experiência.

Pamyle Brugnago no Diário Catarinense.