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Muita gente tem se manifestado dizendo que não vê problemas em incluir carne de cabeça de porco em embutidos. Eu sou um deles. Outros, que a tal "vitamina C", mesmo em excesso, não é cancerígena. Outros ainda, que o tal "papelão" é na verdade celulose - necessária para estruturar o produto, podendo se usar, alternativamente, algum amido e glúten. Há muitos embutidos cuja tripa é feita de celulose, material que o organismo não absorve.

São Paulo se faz a cidade que é pelos Zés e Marias, anônimos e famosos que a movimentam. Abrindo-se para todos os que vêm morar por aqui, cada qual com sua essência e paixão, tal como Nega, a alagoana Ângela Uchoa que no final dos anos 80 trabalhou no melhor da noite paulistana, o bar Lei Sêca, templo dos insiders de então. Sua essência, o amor pela noite e a arte de fazer amigos. Gerenciou casas de responsa como Muller & Godard e Charles Edward, reergueu o Tomtom Jazz e fez a festa no Drosophila. Boêmia, diz que vive de vender sonhos, a tal felicidade.

Tem razão a querida amiga Nina Horta quando escreve:“agora, depois que passou a moda das máquinas novas, aquelas que nunca cabiam nas nossas cozinhas passamos para a idolatria do ingrediente. Li nessa semana mesmo (…) coisas desse chef americano tão orgânico e obsessivo, que colhe um tomate e sai correndo com ele com as duas mãos protegendo como se fosse um bebezinho recém-nascido. Me poupem, estamos exagerando”. Todo assunto muito malhado enche; a gente lê, e come, à busca de novidades capazes de nos alegrar.

Um exercício recorrente em nosso tempo de criança era imaginar o que os meninos superprotegidos, criados em apartamentos e com a vida pautada pelas festas do salão do condomínio, fariam se fossem jogados de paraquedas no centro de uma cidade conflituosa como, digamos, São Paulo. A resposta de um tempo para cá poderia ser: os piás criados em prédio um dia viram prefeitos.