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Visitei rapidamente a Feira do Empreendedor Sebrae-SP 2016, no Centro de Convenções do Anhembi. O grandioso evento que acabou hoje reuniu centenas de expositores e milhares de visitantes.

Em tempos bicudos, estimular o potencial criativo, a coragem, as boas idéias e, ao mesmo tempo, oferecer diversas formas de capacitação, possibilidades distintas de articulação, de acesso a recursos e, ainda, uma variedade de  negócios e de oportunidades ao alcance dos interessados, tudo junto no mesmo local, pareceu um modelo acertado.

A programação dos quatro dias foi extensa, distribuída, dentre outras, em Salas do Conhecimento e de Capacitação; Desafio da Moda, Sustentabilidade e Startup World; Espaço e Escola de Negócios e, para relaxar, uma sala de cinema com sete sessões diárias com direito a pipoca.

Um evento de fôlego para movimentar a cidade de São Paulo, e instigar na população que se dispôs a circular pelas alamedas da Feira, para conhecer um mundo de oportunidades ao vivo, a cores e com experimentações para todos os gostos.

No meu caso, não resisti e comprei um conjunto de seis deliciosas queijadinhas cremosas “Da Li Delicatessen”, numa embalagem charmosa e com os seguintes alertas: 1) Consumir em até cinco dias se você aguentar; 2) Recomenda-se consumir em silêncio para saborear lentamente todo o creme da forminha; 3) E mais: Muito bem feitinhas; Dos Deuses; Cuidado: Risco de Alta Paixão; Tradicional e Hummmmmm!!!!.

Boa de marketing essa empreendedora Lígia Warzée, me fisgou com a queijadinha Gourmet, de sabor, cremosidade e textura que me transportaram de volta para a infância. Adorei! Por aqui, fico. Até a próxima.

Ps: assista o video que conta um pouco da história da Dalí Delicatessen fundada pela Lígia.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Acabou o Carnaval e já estamos na segunda quinzena de Fevereiro, um mês curto por natureza, em um ano que ainda não começou.

Teremos pela frente pouco mais de 300 dias para superar as dificuldades e encontrar alternativas para transformar esse período de péssimas perspectivas numa etapa favorável, que permita a cada um de nós vencer, identificando e promovendo as mudanças necessárias para atingir as metas estabelecidas.

Sem desconsiderar os fatores externos, notadamente o político, o econômico, o social e o ambiental, os quais estão longe de serem solucionados a contento no decorrer desse exercício, é na esfera individual que as lutas devem ser alimentadas, na busca de força, de sabedoria e de equilíbrio imprescindíveis para enxergar as soluções adequadas que, individual e coletivamente, sejamos capazes de incorporar aos distintos aspectos do viver.

Para além do que 2016 nos reserva, e dos pesados prognósticos que ouvimos de variados especialistas, as revoluções que cada um produzir serão capazes de inspirar mudanças de atitudes e de comportamentos na sociedade.

Diferente da festa de Momo, que é efêmera, a vida é para sempre, e temos a possibilidade de construí-la e aprimorá-la a cada segundo, em um permanente exercício de aprendizados e de transformações aplicados cotidianamente a partir da consciência de quem somos, e de quais caminhos estamos dispostos a percorrer para lidar com as diferentes situações que vivenciamos. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Há sempre muito o que equacionar entre os sonhos e a realidade. Sobretudo no início de um novo ano. Muitas promessas e desejos assumidos, quando colocadas sobre a mesa, parecem fora do alcance.

Muitas vezes nosso primeiro pensamento é: e agora, o que  é que eu vou fazer? Não é raro perdermos o sono.

As respostas nos escapam. Mesmo assim, insistimos e continuamos nossa toada. E, ano após ano amargamos a sensação de paralisia.

Mas, o que será que nos falta?

Porque esta situação permanece?

Vamos lá, quem de vocês saberia me dizer quando foi que parou para planejar vida; quem de vocês, em algum momento sentou à mesa com  caneta e papel e registrou seus planos e depois criou uma estratégia focada com um objetivo determinado? Quem?

Não entendeu?

Você não sabe como planejar?

Planejar é tarefa difícil, porém, permite colocar as ideias em perspectiva proporcionando o entendimento de qual seria a melhor forma para desenvolver um projeto.

Vamos supor que seu nome é João. E, você decidiu que este ano vai realizar o sonho de sua vida. Você vai abrir um café. Ótimo. Inclusive já viu até o ponto. Vai abrir no shopping. Perfeito.

Não precisa nem me dizer; você investigou sobre o ambiente econômico e social, sabe exatamente quem são seus potenciais clientes e quanto eles estão dispostos a pagar por um café. Provavelmente você também investigou qual será o custo financeiro; funcionários, equipamentos, água, energia, tecnologia, impostos etc. Aposto que você sabe inclusive,  qual é a estratégia desenvolvida pelos seus concorrentes e por conta disso já decidiu a sua. Fez até um cálculo para saber quantos cafés precisará vender por dia, por semana, por mês, por ano, para pagar suas despesas e ainda conseguir recuperar o seu investimento. E mais, vou te dizer, mais do que tudo isso, você também já determinou que vai viver muito melhor daqui pra frente, não é mesmo?

Mas, será que faltou alguma coisa nesse planejamento?

Já se perguntou qual a razão que te move para abrir um café?

Pesquisas de comportamento de consumo comprovam que hoje em dia o consumidor estaria orientado para comprar o “porquê”.

Acha estranho?

Pois é, dizem que daqui pra frente a tendência de consumo está focada nas razões por trás do produto. As pessoas não pagarão apenas pelo que você faz, mas também, pela intenção embutida nele.

O significado disso é que os valores podem ser determinantes para um sucesso comercial daqui pra frente. E, além disso você precisará determinar a sua missão para esclarecer onde quer chegar. E, se você inda acredita que missão e valores são apenas estratégias de marketing ou de negócios, eu posso te dizer que é muito mais do que isso: quando você expõe sua missão e valores publicamente, cria automaticamente um compromisso, incialmente com você mesmo e na sequência com as pessoas alinhadas a sua forma de pensar. O resultado disso? Você cria o DNA do seu produto, e estabelece uma relação de engajamento com seus clientes ou público.

Estar engajado em algo maior se tornará o tempero do seu negócio que precisa ainda ter qualidade, e por último mas, não menos importante, ser sincero e transparecer.

O que? Ah, você não se chama João e nem mesmo quer abrir um café?

Desculpe, mas então quando você estiver tentando equacionar todas as dificuldades do seu dia a dia, olhando pra você e se questionando porque não sai do lugar,  tente imaginar como seria se você pudesse mudar o quadro, e ao invés de perguntar e agora, perguntasse onde eu é que eu gostaria de estar.

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Adi Leite é Life & Career Coaching certificado pela sociedade brasileira do coaching, fotógrafo e jornalista. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.

 


Prestes a viver a folia do Carnaval brasileiro, São Paulo ferveu no último final de semana, com mais de 400 mil pessoas espalhadas pelos blocos, numa demonstração de que ocupar os espaços públicos nessa época do ano pode ser uma opção saudável, barata e democrática de festejar.

Circulando no último sábado pelas ruas do bairro, na hora do almoço encontrei um grupo de meninas que passaram pelo Restaurante Higienópolis para um “esquenta” antes de seguirem em direção à Av. Faria Lima. Disponíveis e ávidas por encontrar um amor, as garotas estavam fantasiadas de noivas, seguravam cartazes atraentes, com frases como, por exemplo, “Cadê meu Boy Magia” e “Sabe de nada, inocente!”

No início da noite peguei a raspa de tacho da farra promovida pelos proprietários da Rota do Acarajé. Com uma trilha sonora que misturou marchinhas antigas e canções dançantes da MPB, o povo dançou à vontade no asfalto, e montou uma barraca na calçada especialmente para vender cerveja e, no outro lado, dois banheiros químicos estrategicamente posicionados para aliviar os apertos.

Um pouco mais adiante, num pequeno trecho da Rua Fortunato, um carro de som alegrou a juventude mais “alternativa”. Não consegui ouvir uma só música porque passei por lá no final do baile, quando a multidão já dispersava. Contudo, o aroma do ar e a fumaça eram sinais de que aquela erva venenosa estava sendo consumida com liberdade.

Naquela mesma tarde, na Rua Haddock Lobo, o Tubaina Bar, recebeu amigos, clientes e simpatizantes no Bloco Soviético. Só não sei se rolou vodca, ou se a rapaziada mergulhou mesmo na cerveja e na cachaça. Tudo isso sem mencionar a “frevura” comandada por Alceu Valença nas alamedas e sob as árvores do Parque Ibirapuera.

Fontes confiáveis me disseram que no domingo à tarde o Bloco Rolezinho das Crioulas, iniciativa do Instituto Feira Preta, percorreu com muita gente preta as estreitas vias da Vila Madalena, reunindo pessoas de diferentes faixas etárias e muitas crianças, com a participação dos músicos e intérpretes do Samba da Vela, do Samba da Laje e do Samba Delas, cantando o repertório do gigante e multi-artista Pakuera, nosso eterno presidente, e o Samba Exaltação composto especialmente para homenageá-lo.

Nesse ritmo, tudo indica que o Carnaval de Rua em Sampa chegou para ficar e vem se firmando como uma alternativa para quem gosta de brincar na cidade que tanto ama, com os amigos, a família, os vizinhos e quem mais você encontrar, conhecer e, quem sabe, se apaixonar e até casar. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


Onde está a violência? Nesse nosso mundo a violência está banalizada. Virou produto, mercadoria, estampada nas páginas de jornal e de revistas; em imagens coloridas das TVs e da internet, e nos programas radiofônicos mais sensacionalistas.

A violência está nas diversas classes sociais. O que varia é a sutileza ou não da sua manifestação. Se todo o ser humano nasce bom e é a sociedade que o transforma, escolhemos uma terrível pedagogia. A violência não se faz presente apenas em crimes covardes, como o de um grupo de policiais que espancou um motoqueiro até a morte ou do assassinato recente do cartunista Glauco e de seu filho Raoni. Na semana passada, duas mulheres brigaram no ônibus lotado por um lugar para sentar. Enquanto isso, duas outras passageiras discorriam sobre a validade dos bancos reservados para idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Uma delas disse que não respeitava a preferência do idoso porque o ônibus sempre estava cheio e, se o vovô (ou a vovó), não agüenta ficar em pé, deveria esperar o próximo coletivo ou não sair de casa.

O recorte dos acontecimentos citados não pode ser generalizado. Considerando as dimensões do Brasil é muito provável que, todos os dias, tenhamos muito mais exemplos de boas iniciativas do que de péssimos acontecimentos. Mas parece que fazer o bem não vende e não atrai audiência. Os principais veículos de comunicação reservam horários nobres para mostrar violências e tragédias e, quase sempre, deixam para as madrugadas a apresentação de programas mais educativos, com bons exemplos para inspirar.

Por outro lado, o nosso modelo de sociedade pouco instiga a cooperação. O mote disseminado é o da competição feroz, por meio da qual, você só será bem-sucedido se vencer todos os seus concorrentes. Num filme europeu que assisti há alguns anos um pai de família desempregado levou isso ao pé da letra, assassinou os demais candidatos e conseguiu o emprego. Nesse contexto, somos todos potenciais inimigos e devemos usar dos diversos recursos para vencer o outro. Mas o que é vencer? Qual a sensação de conquistar algo e saber que centenas ou milhares de pessoas com necessidades parecidas e desejos semelhantes ficaram de fora? Como garantir condições de trabalho que ofereçam dignidade aos demais competidores?

Estimular a cultura da não violência; cultivar a vida em harmonia, e disseminar valores como cooperação e solidariedade, talvez sejam formas de construirmos uma outra plataforma social. Além disso, é preciso mudar o foco da comunicação, principalmente a de massa. Toda violência deve ser punida e repudiada na exata medida. Toda boa iniciativa deve ser valorizada e ampliada para se multiplicar. Com tanto conhecimento, tecnologia e recursos financeiros; é razoável considerar que temos a responsabilidade de deixar para as próximas gerações um mundo com esperanças e regido pela paz. Por aqui, fico. Até próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


Foi antes que o Brasil se declarasse oficialmente em crise mas creio que o cenário não deve ter mudado muito.

Trabalhando em Brasília, e morando em Indaiatuba, a 9 km do aeroporto de Viracopos, tem sido raras as oportunidades em que dou uma esticada até a capital. 

Como eu dizia, foi um pouco antes da  “crise”. Vinha de Indaiatuba de onibus pela Bandeirantes. A simples aproximação do morro do Jaraguá foi suficiente.  Mais uma vez, ouvi o ronco surdo da cidade que não para durante as 24 horas do dia.

Ia a São Paulo, em media, uma vez por mês. A cada visita a cidade me surpreendia. Quem for a São Paulo com olhos para ver, tenho certeza que ainda se surprenderá.

São os novos (e dezenas) de cafés tipo bistro parisiense que brotam do dia para a noite…

Pode ser na Vila Madalena, na região de Santana ou na nova Móoca onde antigamente o que se via eram galpões industriais.

A Móoca de hoje  está tomada de por edificios residenciais, apartamentos de quatro dormitório. Até outro dia era  um ponto ideal para lançamentos de aptos com duas, às vezes três, vagas na garagem.

E como os cafés tipo bistro, brotavam  também do dia para a noite, as academias de ginástica, os cursos de ingles, os supermercados e os templos maiores do consumo, os shopping center.

Do Morumbi aos extremo da antiga e proletária Zona Leste, a  cidade se contorcia  em congestionamentos, mas agora, com uma vantagem

São Paulo não pode ser repartida ao meio, entre ricos e pobres, como foi um dia no passado.

Certa vez, ainda nos anos 30, o velho conde Matarazzo subiu no então prédio mais alto da America do Latina, o hoje decadente Edifício Martinelli,  para mostrar São Paulo ao celebrado Fiorello La Guardia , prefeito de Nova York por três mandatos consecutivos, entre 1934 e 1945.

Como se tratavam em italiano, sua língua de origem, o Conde Matarazzo apontou na direção dos chamados “jardins” e disse: “Qui se mangia”.

Em seguida mostrou o lado da Penha e da Moóca, e completou: “Qui se lavora”.

Hoje, em São Paulo se mangia (se come) seja de que lado da cidade você olhar. E tambem se lavora (trabalha) olhando para a direita ou para esquerda.

Ou se preferirem, do alto do Martinelli olhando para baixo, no centro velho, verá uma da cidade que renova a cada vez que nasce o sol.

Isso não impede de voce encontrar, nos Twitteres e Facebooks da vida referências ao “conservadorismo” do morador dessa cidade.

Uma cidade que abriga, entre outras ousadias, a maior passeata gay do mundo, um cidade onde criminosos e bandidos estão em guerra declarada, se matando uns aos outros, onde grupos de viciados em crack se espalham, talvez espontaneamente ou por ordem de alguem, para muito além dos antigos limites da cracolândia.Uma cidade que tenta, desesperadamente, resolver seus problemas de mobilidade urbana experimentando ideias que deram certo em outras partes do planeta.

Um cidade entre aspas conservadora que é a capital nordestina do Brasil, que recebe gente de todos os continentes, inclusive milhares de nigerianos, com um bairro chines hoje ocupado por japoneses, enfim uma cidade de um vida intensa, que eu definiria, como estupenda nas suas contradições.

O que não impede a insistência em se reafirmar seu conservadorismo. Até o Mino Carta (isso eu ouvi) disse numa conferência que São Paulo era a cidade mais reacionária do Brasil. Minha longa convivência com o Mino me impediu de pedir  um aparte. 

Uma cidade onde edifícios com varanda e piscina estão literalmente debruçados sobre a maior favela do Brasil pode ser chamada de tudo, menos de reacionária.

São Paulo pode ter sido reacionária no passado. Hoje, é progressista, e é inevitável que seja cada vez mais progressista. Só então sua face verdadeira vai aparecer para poder, então,  ser adjetivada.

Querem um exemplo? O autor deste comentário é paulistano até a alma. Mas não admite ser chamado de conservador. Muito menos de reacionário.

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Tão Gomes Pinto é jornalista e escritor. Atuou nos principais veículos da imprensa.