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Chico Buarque de Hollanda está à vontade no documentário em cartaz nos cinemas de todo o País. Falante, desenvolvo e sincero, passa a limpo a sua carreira e boa parte de sua vida.

Em quase duas horas, o documentário privilegia as manifestações do cantor-escritor que solta o verbo como se estivesse conversando com cada um dos espectadores no sofá do seu apartamento na cidade maravilhosa.

O filme resgata cenas dos festivais da canção e de suas apresentações em shows com Caetano Veloso e Gilberto Gil; trechos do período em que, por razões políticas, ele morou na Itália, mais registros bem humorados de histórias com João do Vale e, ainda, depoimentos de Ruy Guerra, Hugo Carvana, Edu Lobo, Miúcha  e Maria Bethânia.

As rugas e olhos azuis estão presentes o tempo todo, como também o sorriso e a leveza de um brasileiro que vive só, e que está aprendendo, como avô dedicado, a se relacionar pessoal e musicalmente com a trupe de netos.

Como um show dividido, as músicas que compõem a trilha sonora são interpretadas por consagrados nomes da MPB e por outros desconhecidos do grande público, como duas patrícias portuguesas. Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto, Mart’Nália, Péricles, dentre outros, emprestam as suas vozes para as suas maravilhosas canções.

Cada vez mais escritor, Chico encontra-se feliz e vivendo do presente. Para quem conhece as suas letras, as suas sensíveis e engajadas canções, o documentário é uma oportunidade de ver mais o homem do que o artista. Por aqui, fico. Até a próxima.

Ficha Técnica

Título: 'Chico – Artista Brasileiro'.
Diretor: Miguel Faria Jr.
Gênero: Documentário.
Produção: Brasil.
Duração: 116 minutos.
Classificação: livre.
Trailer: https://youtu.be/tmX0SU_4hU4

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

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O que mais dizer sobre Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que desafiou o Talibã denunciando a destruição de escolas e a proibição, imposta por esse regime que controla o país, das mulheres estudarem?

Por esse ato de coragem ela foi baleada, e depois de um período de recuperação se transformou numa líder em prol do direito à educação plena para as meninas; percorre o mundo defendendo essa causa e apóia iniciativas que garantam a formação de crianças, adolescentes e jovens.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2014, a mais jovem a receber essa distinção, fazer um filme que fosse além do obvio foi, a meu ver, o desafio do diretor Davis Guggenheim. Nesse sentido, considero positivo o resultado, porque ele construiu uma narrativa que nos permite compreender a trajetória e as escolhas dessa menina, ainda adolescente, que apesar de sua projeção internacional tem uma vida de certa forma comum: freqüenta escola, e por ser a filha mais velha, às vezes é considerada um pouco dura pelos dois irmãos.

A menina Malala é sensível, forte, determinada e consciente de suas responsabilidades. Pelo que nos é apresentado, administra bem o seu cotidiano intenso dividido entre compromissos de uma liderança que foi aplaudida por todos após o seu discurso na sede da ONU e de uma garota em formação.

Ao utilizar recursos de animação, imagens de arquivo e cenas inéditas, o documentário agrada, emociona, e toca o coração de todos aqueles que ainda confiam no ser humano, e acreditam que as decisões de uma única pessoa podem transformar, inspirar e promover mudanças em toda a sociedade.

Procure não perder a chance de conhecer a história de Malala, antes que o filme saia de cartaz. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço

Título: 'Malala'.
Diretor: Davis Guggenheim.
Gênero: Documentário.
Produção: EUA.
Duração: 87 minutos.
Classificação: livre.
Trailer "
He Named Me Malala (2015)".

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

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Com a aproximação do final do ano começamos a nos preparar para a festa de réveillon. Palavra francesa de origem latina, deriva do verbo reveiller que tem como significados, vigília, vigiar, acordar.

Tradicionalmente, entramos num compasso de espera onde é comum ouvirmos, não vejo a hora do ano acabar.

Indiscutivelmente nos aproximamos do fechamento de mais um ciclo de vida. Neste momento são inevitáveis os balanços.

O clima de retrospectiva é implacável.

Igualmente inevitáveis são as projeções de sonhos e desejos para o ano vindouro.

Impossível não lançarmos mão de simpatias e crenças; as sementes da romã, as sete ondas, a lingerie branca, e por aí vai.

Mas o que queremos realmente?

Um carro novo?
Uma casa nova?
Ganhar na loteria?
Um bom emprego?
Mudar de trabalho?
A viagem dos sonhos?
Fazer sucesso?
Ter mais qualidade de vida?

A lista pode ser infindável, entretanto, o que será que está por trás de tantos desejos?

Segundo Mathieu Ricard, doutor em biologia pelo Instituto Pasteur, e monge budista orientado pelo Dalai Lama, nossos desejos estariam na raiz do sonho da felicidade. Entretanto, é preciso estabelecer uma atenção maior na forma como desejamos essa felicidade para não nos tornarmos obsessivamente preocupados conosco, correndo assim, o risco de nos imobilizarmos entre a esperança e o medo.

Em seu livro “Felicidade, a prática do bem estar”, Ricard cita dois estudos complementares aprofundando o assunto. No primeiro, Keith Magnus conclui ser a felicidade a capacidade de se afirmar e de demonstrar extroversão e empatia. O segundo é o conceito da inteligência emocional; desenvolvido por Perter Salowey e difundido por Daniel Goleman, onde a capacidade de perceber corretamente os sentimentos dos outros e levá-los em conta é também a capacidade de identificar com rapidez e clareza nossas próprias emoções, concluindo que a consciência desses fatores diferenciaria as pessoas felizes das pessoas infelizes.

Portanto, sinaliza o monge, quanto mais capazes de nos abrirmos para o mundo, mais aptos estaremos para estabelecer o controle de nossas vidas gerando uma quantidade maior de acontecimentos positivos, e, criando assim as circunstâncias necessárias para alcançarmos nossos desejos.

Poderíamos dizer então que o sucesso das nossas conquistas estaria ligado a forma como decidimos alcançá-las?

O fato é que se atrelarmos nossas vidas a cotação do dólar ou aos índices da bolsa, talvez tenhamos que enfrentar um caminho mais tortuoso.

Porém, o que está em jogo na verdade é o equilíbrio emocional. E, o quanto somos capazes de estabelecer um propósito para nossas vidas, afim de que nossos objetivos ou desejos não funcionem como objeto de nossas prisões.

Mas, como desenvolver o equilíbrio emocional então?

Que tal começarmos por entender o significado das palavras: vigília, vigiar e acordar?

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Adi Leite é Life & Career Coaching certificado pela sociedade brasileira do coaching, fotógrafo e jornalista. Escreve quinzenalmente no São Paulo São como colunista.

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Assisti “Pasolini” de Abel Ferrara. Quem incorpora o papel do polêmico diretor italiano é Willem Dafoe, ator prestigiado que se impõe nos distintos personagens que já representou.

O filme narra os passos dos últimos dias de vida de Pier Paolo Pasolini, um homem de hábitos simples, que morava com a mãe, trabalhava em casa, e circulava pela cidade por bares, restaurantes e em alguns deles era chamado carinhosamente de “professor”.

Com uma certa timidez, Pasolini foi vítima de sua opção sexual e da intolerância. Em 2 de novembro de 1975, Dia de Finados, saiu com um garoto de programa. Depois de alimentar o rapaz faminto com um espaguete servido numa cantina da qual era freguês eles seguiram para a praia de Óstia que parecia deserta. Ao deixarem o veículo foram surpreendidos por quatro “machões”. Imobilizado foi atacado com socos e pontapés e sem qualquer possibilidade de reação, um golpe na cabeça com um pedaço de madeira o fez cair e agonizar no chão.

A vida de um dos mais importantes cineastas do século passado acabou ali e perdemos todos nós. De lá para cá, embora tenham ocorridos alguns avanços nos direitos LGBT, o preconceito, a truculência e a violência ainda estão presentes em nosso cotidiano, o que nos faz constatar que o respeito às diversidades para que possamos ter uma convivência pacífica entre os seres humanos que habitam este Planeta ainda é um desafio permanente, e que deve ser debatido e colocado em prática a cada momento por todos nós. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.
 
 

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Viva a imperfeição que nos permite enxergar e aprender com as nossas falhas, os nossos erros e os nossos acertos.

Errar e acertar são facetas que caminham juntas e, muitas vezes, são distintas e produzem resultados diferentes dependendo do ponto de vista e da maneira como uma determinada realidade ou acontecimento estão abrigados dentro de você e das leituras pelas quais a sua órbita gira nesse mundo.

Nos processos industrializados, por meio dos quais é possível produzir em série, por exemplo, um aparelho celular, a perfeição é indispensável e mesmo nesses casos alguns escapam do controle rigoroso e saem de fábrica com defeito.

Nas atividades humanas e inter-relacionais, nas quais existem intensas interações com pessoas, gente de carne e osso, as possibilidades de falhas e erros são tamanhas e nem sempre provocam prejuízos ou são passíveis de punições.

Os modelos punitivos de erros estão ligados às estruturas de poder as quais desconsideram as sutilezas inerentes às relações entre seres humanos e às forças positivas ou negativas as quais emanam e se impõem em determinados ambientes ou situações.

Ser imperfeito, a meu ver, oferece a cada um de nós oportunidades infinitas de aprimoramentos para viver melhor cada instante e, com equilíbrio, serenidade e compaixão, fazer as escolhas as quais somos convidados a decidir em nossa existência para estar bem consigo, com as pessoas e com o universo. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.
 

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"A melhor maneira de mudar o jogo é trocar a
moldura..." William Ury.

Há algum tempo tenho pensado em como seria um texto sobre abundância em tempos de escassez.

Entretanto, foi após a leitura do livro  “Como chegar ao sim com você mesmo” do William Ury que decidi encarar o desafio.

Abundância,  significa entre outras coisas, grande quantidade e profusão. Escassez, significa falta, carência e privação.

São exatamente opostas em seus significados, e interdependentes entre si, certo?

O livro de Ury trata da mediação de conflitos, especificamente conflitos internos, partindo do princípio que a melhor forma de se chegar a uma solução é o sim. O sim consigo mesmo.

O autor estabelece que a raiz de todos os conflitos é a escassez. Na base da escassez está o medo da perda. Nosso apego transforma o medo em ameaça.  Diante da ameaça, nos tornamos intolerantes.

E para contrapor essa ideia, propõe uma reflexão  a partir da pergunta feita por Einstein no início da segunda guerra:

"Somos capazes de pensar, agir e conduzir nossos relacionamentos  como se o universo fosse basicamente um lugar amistoso e como se a vida estivesse de fato do nosso lado?"

O fato é que nosso presente está marcado pelo discurso da escassez. Todos os dias somos bombardeados por notícias  sobre a falta de água, sobre a fome, sobre as mudanças climáticas, sobre a fuga em massa de populações, sobre o enriquecimento de alguns e o empobrecimento de muitos, etc.

Com efeito nos colocamos em posição de alerta. Seja porque precisamos cuidar da água para que não fiquemos com sede, seja para impedir que outros entrem em nossos territórios nos obrigando a dividir o que tememos que nos falte.

Focados na ameaça da perda, nos defendemos do lado de dentro de nossas caixinhas e assim vamos nos tornando escassos.

Focados em ganhar sempre, repetimos velhas fórmulas e propagamos o desespero.

Somos parte de um sistema. E o resultado do funcionamento desse sistema está ligado a forma como nos relacionamos com ele.

Temos a exata consciência das consequências causadas por nossas ações?

Valores como, conservação, compartilhamento, cooperação e parceria, estão na pauta para a construção de uma vida abundante.

O físico Fritjof Capra afirma que a interdependência entre os seres vivos é a responsável pela teia da vida.

O que precisaríamos fazer, ou como deveríamos agir para que nossa palavra de ordem e nosso foco fosse a abundância?

Será que a solução para nossos problemas está em nos isolarmos em nossas caixinhas nos separando dos outros?

Será que ainda faz sentido nos colocarmos no mundo apenas como observadores  fundamentados em nossas ideias, crenças e teorias, sem nos preocuparmos com nossa forma de atuação?

E você? Já parou para pensar de que forma gostaria de responder a pergunta de Einstein?

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Adi Leite é Life & Career Coaching certificado pela sociedade brasileira do coaching, fotógrafo e jornalista. Escreve quinzenalmente no São Paulo São como colunista.