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Viva a imperfeição que nos permite enxergar e aprender com as nossas falhas, os nossos erros e os nossos acertos.

Errar e acertar são facetas que caminham juntas e, muitas vezes, são distintas e produzem resultados diferentes dependendo do ponto de vista e da maneira como uma determinada realidade ou acontecimento estão abrigados dentro de você e das leituras pelas quais a sua órbita gira nesse mundo.

Nos processos industrializados, por meio dos quais é possível produzir em série, por exemplo, um aparelho celular, a perfeição é indispensável e mesmo nesses casos alguns escapam do controle rigoroso e saem de fábrica com defeito.

Nas atividades humanas e inter-relacionais, nas quais existem intensas interações com pessoas, gente de carne e osso, as possibilidades de falhas e erros são tamanhas e nem sempre provocam prejuízos ou são passíveis de punições.

Os modelos punitivos de erros estão ligados às estruturas de poder as quais desconsideram as sutilezas inerentes às relações entre seres humanos e às forças positivas ou negativas as quais emanam e se impõem em determinados ambientes ou situações.

Ser imperfeito, a meu ver, oferece a cada um de nós oportunidades infinitas de aprimoramentos para viver melhor cada instante e, com equilíbrio, serenidade e compaixão, fazer as escolhas as quais somos convidados a decidir em nossa existência para estar bem consigo, com as pessoas e com o universo. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.
 


"A melhor maneira de mudar o jogo é trocar a
moldura..." William Ury.

Há algum tempo tenho pensado em como seria um texto sobre abundância em tempos de escassez.

Entretanto, foi após a leitura do livro  “Como chegar ao sim com você mesmo” do William Ury que decidi encarar o desafio.

Abundância,  significa entre outras coisas, grande quantidade e profusão. Escassez, significa falta, carência e privação.

São exatamente opostas em seus significados, e interdependentes entre si, certo?

O livro de Ury trata da mediação de conflitos, especificamente conflitos internos, partindo do princípio que a melhor forma de se chegar a uma solução é o sim. O sim consigo mesmo.

O autor estabelece que a raiz de todos os conflitos é a escassez. Na base da escassez está o medo da perda. Nosso apego transforma o medo em ameaça.  Diante da ameaça, nos tornamos intolerantes.

E para contrapor essa ideia, propõe uma reflexão  a partir da pergunta feita por Einstein no início da segunda guerra:

"Somos capazes de pensar, agir e conduzir nossos relacionamentos  como se o universo fosse basicamente um lugar amistoso e como se a vida estivesse de fato do nosso lado?"

O fato é que nosso presente está marcado pelo discurso da escassez. Todos os dias somos bombardeados por notícias  sobre a falta de água, sobre a fome, sobre as mudanças climáticas, sobre a fuga em massa de populações, sobre o enriquecimento de alguns e o empobrecimento de muitos, etc.

Com efeito nos colocamos em posição de alerta. Seja porque precisamos cuidar da água para que não fiquemos com sede, seja para impedir que outros entrem em nossos territórios nos obrigando a dividir o que tememos que nos falte.

Focados na ameaça da perda, nos defendemos do lado de dentro de nossas caixinhas e assim vamos nos tornando escassos.

Focados em ganhar sempre, repetimos velhas fórmulas e propagamos o desespero.

Somos parte de um sistema. E o resultado do funcionamento desse sistema está ligado a forma como nos relacionamos com ele.

Temos a exata consciência das consequências causadas por nossas ações?

Valores como, conservação, compartilhamento, cooperação e parceria, estão na pauta para a construção de uma vida abundante.

O físico Fritjof Capra afirma que a interdependência entre os seres vivos é a responsável pela teia da vida.

O que precisaríamos fazer, ou como deveríamos agir para que nossa palavra de ordem e nosso foco fosse a abundância?

Será que a solução para nossos problemas está em nos isolarmos em nossas caixinhas nos separando dos outros?

Será que ainda faz sentido nos colocarmos no mundo apenas como observadores  fundamentados em nossas ideias, crenças e teorias, sem nos preocuparmos com nossa forma de atuação?

E você? Já parou para pensar de que forma gostaria de responder a pergunta de Einstein?

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Adi Leite é Life & Career Coaching certificado pela sociedade brasileira do coaching, fotógrafo e jornalista. Escreve quinzenalmente no São Paulo São como colunista.

 


Cada um de nós que aqui está traz na bagagem características que recebemos dos nossos ancestrais. Aceitar, honrar e saber lidar com esse conjunto de influências é o caminho para compreender quem somos, como agimos e de que maneira nos instrumentalizamos para construir uma vida equilibrada, sendo capazes de enfrentar com sabedoria quaisquer circunstâncias.

A nossa ligação com os nossos pais; os pais deles, os pais dos pais deles e até o início de tudo é permanente e nos fortalece. Reverenciar o que fizeram sem julgamento, compreendendo que o viver é um processo interminável, e que tudo o que fazemos causará algum impacto nos nossos filhos e nos filhos deles como, nessa existência, somos reflexo do que recebemos dos nossos antepassados.

Realizamos o presente cada instante. E sempre podemos lançar mão das forças e das vibrações que temos com os que vieram antes de nós para reencontrar o nosso eixo, aquele fio condutor que nos permita agir, decidir e avançar rumo ao futuro breve; que faça sentido e que nos estimule todos os dias, o estabelecimento de relações e de atitudes conscientes, as quais nutram o bem comum, uma vida saudável e digna nos seus distintos aspectos.

E sempre agradecer a tudo o que nos permite ser o que somos, como somos e de que maneiras nos transformamos para cumprir cada vez melhor a nossa missão de vida nessa existência e na eternidade. Até a próxima.

Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


O ENEM de 2015 demonstra que o analfabetismo funcional não atinge apenas os estudantes, mas a Nação inteira.

É constrangedor ver a quantidade de gente que não consegue interpretar um texto.

Um povo que não consegue distinguir “sentido denotativo” de “sentido conotativo” num texto é um povo funcionalmente analfabeto.

E povo, aqui, não é usado no sentido conotativo de “gente pobre”, “gente humilde”; povo, aqui, é usado no sentido denotativo de “conjunto de pessoas ligadas por laços territoriais, culturais ou religiosos”.

Ou seja, o povo brasileiro, nós todos, somos incapazes de discutir um texto a partir do sentido que esse texto tenha ou possa ter.

É constrangedor ver a quantidade de gente que acredita que, na citação feita a obra sua no ENEM, Simone de Beauvoir renegava a genitália como elemento de distinção entre homem e mulher.

É constrangedor ver que o texto de Simone de Beauvoir foi interpretado como se referido ao debate sobre homossexualidade.

Como hoje é sábado e segunda é feriado, lá vai:

Antes de tudo: pronuncia-se “Bovoárr”.

Agora, ao texto.

Beauvoir não fala ali de homossexualidade.

Beauvoir não fala ali que a sexualidade é algo que se escolhe ou que, ao contrário, é algo que não se escolhe.

Beauvoir não fala ali que ninguém nasce com o sexo ou a sexualidade definido ou indefinido.

Beauvoir não fala ali de opção sexual.

Beauvoir ali está falando disto e só disto: do papel social imposto à mulher.

Quando Beauvoir diz que “ninguém nasce mulher”, ela quer dizer que ninguém nasce sendo o que a sociedade espera que seja o papel de uma mulher:

*ninguém nasce submisso;
*ninguém nasce para cuidar da casa;
*ninguém nasce para casar, ter filhos e dedicar-se exclusivamente a isso;
*ninguém nasce para ganhar menos do que os outros só por ser homem ou só por ser mulher.

Ao dizer que “ninguém nasce mulher”, Beauvoir está afirmando que de ninguém se pode exigir desde o nascimento que faça isto ou aquilo, assim ou assado, apenas por ter nascido com este ou aquele sexo.

Ela quer dizer que uma mulher tem a liberdade de decidir:

*se quer ou não se casar,
*se quer ou não ter filhos, se quer ou não ter uma casa,
*se quer ou não cuidar dessa casa ou de qualquer outra casa,
*se quer ou não estudar, trabalhar, ir pelo mundo afora,
*se quer aprender a cozinhar,
*se quer cozinhar em casa ou num grande restaurante – ou até mesmo num pequeno restaurante, ou
* se prefere assistir TV comendo pipoca de pantufas num sábado de carnaval.

O debate que cabe aqui, portanto, é sobre o valor que a nossa sociedade dá ou pretende dar à ideia de que cabem ao homem e à mulher papéis na sociedade que são específicos e determinados de antemão.

Querem debater sobre o que Beauvoir realmente quis dizer?

Caio Leonardo Bessa Rodrigues é advogado e sócio do Escritório Mattos Muriel Kestener, faz parte da Associação Brasileira dos Profissionais de Relações Institucionais e Governamentais. É conselheiro do São Paulo São.

*Este texto foi escrito, sábado, 31 de outubro de 2015.


A obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka, completa 100 anos. Por aqui esse substantivo feminino que define a nossa capacidade de se transformar ganhou tons Pop quando Raul Seixas cantou: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

A vida nos convida a exercitar transformações. Quanto mais conscientes somos dos nossos papéis e das nossas responsabilidades, mais nos sentimos livres para revisitar escolhas, opiniões e práticas, na busca de aprimorarmos a maneira de ser e estar nesse mundo.

O mundo encontra-se conturbado, repleto de conflitos, guerras, disputas, intolerâncias, concentração de riquezas, êxodos crescentes, sistema  econômico em colapso, esgotamento das matrizes energéticas fósseis, riscos de aquecimento global e práticas de corrupção reveladas em distintos países envolvendo governantes, empresários e até representantes de instituições tidas como padrão de excelência, como a FIFA.

Que tal aproveitar o centenário de “A Metamorfose” para cada um refletir sobre o que é e o que fazer para se transformar e contribuir para as mudanças que muitas vezes apontamos no outro, mas que não somos capazes de imprimir em nós mesmos. Por aqui, fico. Até a próxima.

Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


Por Adi Leite.

Esses dias revi o filme The Sheltering Sky (1990), ou na adaptação brasileira, “O Céu Que Nos Protege”, uma novela de Paul Bowles, estrelado por Debra Winger (Kit Moresby) e John Malkovitch (Port Moresby) com direção de Bernardo Bertolucci.

A história se passa em 1949, logo após a segunda guerra. Um casal de americanos viaja pelo norte da África acompanhado por um amigo.

Apesar da trama não estar circunscrita apenas no triângulo amoroso que envolve o casal e o amigo, vou fazer um recorte muito pessoal onde o que pretendo é estabelecer um jogo entrelaçando o primeiro diálogo e a natureza dos personagens sob o ponto de vista do life coaching, com o intuito de trazer a tona uma reflexão sobre questões que envolvem o autoconhecimento. 

“... Nós não somos turistas, somos viajantes.

- Qual a diferença?

- Turista é a pessoa que pensa em voltar para casa no momento em que chega em seu destino, enquanto o viajante não pensa na volta ...”

Na definição dos personagens, o turista é aquele que está sempre pensando em voltar para casa enquanto o viajante está aberto ao mundo e suas possibilidades não importando a volta, sempre olha para a frente.

Quase como uma obviedade da condição humana a mulher se envolve com o amigo e a vértices do triângulo adquirem a tensão como elemento de ligação.

A percepção instaurada no marido de que a mulher possa ter se envolvido com o amigo cria um novo elemento ao filme. O fugitivo.

Num ímpeto passional o marido decide seguir juntamente com sua mulher por um caminho diferente do amigo. Passando a investir irracionalmente no desencontro.

Instaura então a natureza do fugitivo.

O medo.

O medo da perda.

O medo de enfrentar a realidade.

Vamos então trazer para nosso cotidiano essas definições:

O que seria o turista no dia a dia?

Pessoas que nunca assumem muito o que são ou o que fazem e estão sempre de olho em algo que as possibilite não estar em lugar nenhum, como se estivessem o tempo inteiro de olho no horário da saída da escola ou do trabalho e que no final do dia regressam para suas zonas de conforto; e, ao longo do tempo somam algumas frustrações pelo não realizado.

Os viajantes seriam aqueles que se entregam aos seus projetos, são capazes de criar um roteiro para suas vidas e acreditam que estão seguindo pelo caminho que os levará ao encontro de seu desejo.

Agora chegamos aos fugitivos. Quem seriam e como classificá-los?

Os fugitivos são os donos do não.

Eles até entram na viagem, compram as passagens, mas estão sempre vinculados a seus passados e consequentemente dizendo não ao presente.

Os fugitivos são a representação do medo que sabota o movimento.

A negativa é sua defesa. Não quero. Não posso. Não, não tem cabimento.

O fugitivo é o não da história.

Embasado em seus medos segue negando qualquer possibilidade de mudança mesmo quando elas já aconteceram. E assim se torna aquele que foi há muitos lugares, mas, ao regressar para sua casa, e sua bagagem é sempre pesada. Repleta de críticas.

E você? Qual seria o seu personagem?

Viajante?

Turista?

Ou fugitivo?

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Adi Leite é Life & Career Coaching certificado pela sociedade brasileira do coaching, fotógrafo e jornalista.