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O Carnaval é, sem dúvida, um dos espetáculos mais bonitos do planeta. Do Rio de Janeiro a Veneza, de Nova Orleans a Santa Cruz de Tenerife, a explosão de cores, formas, ritmos e fantasias encanta e atrai pessoas de todas as culturas e idades, que se unem em torno da alegria e da celebração da vida.

Falta pouco para o Carnaval, essa festa pagã que acontece ano sim e o outro também, e que todos, por diferentes razões, aguardam ansiosamente, assim que o dia primeiro de janeiro amanhece.

Fiquei uma semana em João Pessoa sem mergulhar nas águas verdejantes de suas praias, mas desfrutei de alguns sabores gastronômicos da capital da Paraíba, oferecidos pelos restaurantes Mangai, Seu Portuga e Dona Branca. Além disso, fui bem recebido por amigo de longa data e por gente bacana que conheci nesse breve refúgio.

O grafite está associado à imagem de qualquer metrópole ocidental, ocupando importante lugar na cultura contemporânea. E embora sua história seja mais frequentemente contada a partir do cenário norte-americano do final dos anos 60, sua essência remonta à Antiguidade.

Pintura rupestre em caverna de Lascaux no sudoeste França. Imagem: Reprodução.Pintura rupestre em caverna de Lascaux no sudoeste França. Imagem: Reprodução.A palavra 'grafite' tem origem na palavra italiana graffiti (plural de graffito), que por sua vez vem de graffiare, que significa gravar, arranhar. O termo, que ao longo do tempo adquiriu outras dimensões, nasceu para designar desenhos e escrituras feitos com arranhões ou pigmentos sobre muros e paredes. Para alguns estudiosos, o grafite teria surgido ainda no período Paleolítico, nas paredes de cavernas como Lascaux (França) e Altamira (Espanha); outros creditam sua origem à Grécia e à Roma Antiga, em cujos edifícios os moradores rabiscavam seus nomes (e também xingamentos, declarações de amor, palavras e figuras obcenas etc.). Independentemente da precisão cronológica, é fato que, desde o Homem de Cro-Magnon, passando por gregos, romanos, vikings e 'manos', o grafite vem relatando caças, guerras e invasões, propagando aventuras sexuais, demarcando territórios, difundindo religiões e disseminando prosa, protestos e poesias por todo o mundo.

A partir do final da década de 60, com os muros de Paris convertidos em suporte para expressões poético-políticas, e os trens da Filadélfia em suporte para artistas em busca de novas linguagens, o grafite foi ampliando sua presença na paisagem urbana e consolidando seu papel protagonista na cultura pop. Menos de uma década depois, grafiteiros como Keith Haring e Jean-Michel Basquiat saíam dos trens e ruas de Nova Iorque para entrar em galerias – e o que até então era uma atitude política e, em diferentes medidas, transgressora, adquiria dimensão artística.* 

Desenho de Keith Haring (1958-1990) em Nova York nos anos 80. Foto: Reprodução.Desenho de Keith Haring (1958-1990) em Nova York nos anos 80. Foto: Reprodução.Mais ou menos na mesma época, e desafiando as restrições impostas pelo governo militar, Alex Vallauri – talentoso designer, pintor, gravador e desenhista etíope radicado em São Paulo – imprimia sua ironia e sua crítica pelos muros de nossa cidade, fazendo de telefones, botas pretas e frangos assados importantes aliados contra a ditadura. (Triste similaridade, os três artistas morreram precocemente: Haring aos 32, Basquiat aos 27 e Vallauri aos 37 anos). 

Rainha do Frango Assado, grafite de Alex Vallauri na década de 1980. Foto: Acervo Estadão.Rainha do Frango Assado, grafite de Alex Vallauri na década de 1980. Foto: Acervo Estadão.
Amanhã, 25 de janeiro, o CCBB inaugura em São Paulo uma grande exposição com cerca de 80 trabalhos de Basquiat (Jean-Michel Basquiat da Coleção Mugrabi). O conjunto, pertencente ao acervo particular de um colecionador norte-americano, foi produzido a partir de 1979, quando o artista abandonou os grafites. São pinturas, desenhos, gravuras e cerâmicas que revelam uma obra sofisticada, colorida, vibrante e repleta de referências autobiográficas, em que formas humanas, citações literárias, símbolos químicos e elementos musicais traduzem um universo interno complexo, erudito e irreverente.

E embora produzida há mais de 30 anos, em outro contexto e outra cultura, a obra de Basquiat nos chega de maneira próxima, quase afetiva e familiar, pois nela podemos identificar a mesma linguagem pop e transgressora ainda hoje presente em muitos muros de nossa cidade.

* Aqui talvez caibam algumas considerações: a discussão sobre o valor artístico do grafite persiste até hoje, assim como persistem divergências sobre o que sejam grafite, pixação e muralismo, inclusive entre estudiosos e acadêmicos. Pessoalmente, entendo que o grafite, por definição, carrega essa atitude política e transgressora, podendo ou não adquirir dimensão artística. Em outras palavras, toda obra de arte é também uma atitude política, mas nem toda atitude política é também obra de arte.

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Valéria Midena, arquiteta por formação, designer por opção e esteta por devoção, escreve quinzenalmente no São Paulo São. Ela é autora e editora do site SobreTodasAsCoisas, produtora de conteúdo e redatora colaboradora do MaturityNow.

A minha busca e pesquisa sobre a felicidade, teve origem numa fase da vida em que vinha acumulando perdas e em que a minha capacidade de resiliência foi realmente colocada à prova. Desde então, tenho-me deparado com todo o tipo de perspectivas e conceitos sobre o que é a felicidade.

Dentre as pessoas que têm cruzado comigo para falar de felicidade, os dois grupos mais comuns são: os incrédulos ( a felicidade não existe, a felicidade é utopia) e os que não acreditam quese possa ser feliz o tempo todo, mas que a felicidade só pode ser vivida pontualmente, ou seja, defendem que não há vidas felizes. Há momentos felizes.

Bom, também há um outro grupo, que me parece ser também bem representativo,grupo esse que nunca parou para pensar sobre a felicidade e não tem opinião sobre o assunto.

Pergunto-me qual será o conceito de felicidade do primeiro grupo e quais as suas crenças e experiências que os terão trazido até este ponto. Não consegui ainda entender com clareza, mas de uma forma geral, associam a crençana felicidade a algo ingênuo, pueril e em alguns casos consideram tolo.

Já o segundo grupo, que diz fazer experiências momentâneas de felicidade,tenho para mim que se referem a momentos de alegria, momentos de alto grau de contentamento.

Esta distinção entre felicidade e alegria é muito comprometida, porque usamos correntemente o termo “estou feliz” como sinônimo de “ estou contente” ou “estou alegre” ou se a emoção for realmente intensa, dizemos “ estou eufórico”, e isso leva a que se confunda felicidade com alegria.

No meu entendimento a felicidade pode levar-nos a sentir a emoção da alegria, mas a felicidade não é uma emoção.

Sempre que tomamos consciência que somos felizes, dependendo das circunstâncias do momento,  brota junto a emoção da alegria por nos sentirmos plenos e privilegiados e somos tomados por uma vontade de agradecer e celebrar por termos conquistado este status, mas a alegria é uma consequência da felicidade, não é a felicidade.

A felicidade é um estado criado a partir da conexão do indivíduo à sua essência. Ela gera comportamentos e escolhas que promovem a expressão desse ser da forma mais genuína possível, criando uma energia de paz e serenidade perante os desafios da vida.

Quem se aproxima desta conexão descobre o que é ser feliz e sabe que isso não o impede ou protege de viver e experimentar todas as emoções, sejam elas positivas ou negativas.

O medo, a raiva, a tristeza são vividas por todos os seres humanos saudáveis.

Momentos de dor sempre vão existir na vida de todo mundo. Todas as pessoas têm perdas importantes em alguma ocasião, seja perda de saúde, de emprego, de familiares, até da liberdade. Se isso fosse impeditivo de sermos felizes, então aí o primeiro grupo estaria  certo, a felicidade seria uma utopia porque não existe vida humana sem essas emoções.

Mas se entendermos a felicidade como estar num caminho que é o que permite o nosso ser interior se manifestar, o bem-estar e força que emana deste estado tem a ver com algo bem mais profundo que as emoções e os acontecimentos da nossa vida.

A felicidade é esta certeza que estamos no trilho certo, não sabemos o quê nem quem nos vai saltar no caminho, as adversidades podem ser muitas ou poucas, cada um se exercitará a desenvolver competências para as enfrentar.

Mas o pior que nos pode acontecer é nos perdermos na escolha do trajeto e nos sentirmos a divagar na vida, vazios, inquietos, ansiosos, sem objetivo. Mesmo, muitas vezes, tendo tudo, sentimos o abismo à nossa volta. Neste estado procuramos desenfreados momentos que nos devolvam a esperança na alegria.

Um nascimento ( de um filho, de um amor), uma promoção, um presente...e por breves instantes, enquanto a emoção dura, confundimos a alegria desse momento com felicidade.

Estar feliz não é mesma coisa que ser feliz.

Estar feliz tem a ver com o momento, ser feliz tem a ver com o caminho que estamos a trilhar.

Descubra o caminho, descubra a felicidade!

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Eduarda Oliveira é criadora do International Happiness Forum e das Viagens com Propósito, mestranda em Turismo de Interior e uma eterna apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Escreve quinzenalmente para o São Paulo São.