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Encontrar uma família para Truman, o cão companheiro, enquanto o seu dono ainda não partiu dessa existência é o mote apropriado para se discutir vida, amizades, morte e outros detalhes das relações humanas.

A película em cartaz nas principais salas de cinema do país traz o excelente Ricardo Darín no papel de Julian, um ator de teatro argentino, que mora em Madrid, e trata daquela doença que normalmente se evita pronunciar o seu nome, visto que na maioria dos casos o óbito é apenas uma questão de tempo.

Trata-se de um drama com toques de comédia, pois o desafio de Julian é encontrar um novo lar para o fiel amigo Truman, uma tarefa não muito simples em função de alguns pré-requisitos exigidos para que a adoção garanta uma vida tranqüila ao cachorro já com idade avançada, e com certas manias alimentadas pelo dono.

A visita de um amigo de longa data, Thomas, interpretado pelo ótimo Javier Cámara, vindo direto do gélido Canadá, é o amparo que Julian necessita para resolver os seus problemas enquanto administra a morte que virá.

Os quatro dias em passam juntos os dois aproveitam cada segundo. Às vezes satisfazendo prazeres simples como saborear boas refeições e vinhos; e outras dançando e passeando pela cidade. Como dinheiro não é problema para Thomas, ele não poupa recursos para satisfazer os desejos do verdadeiro amigo.

Sabe-se desde o início que o filme é de despedida de um guerreiro, que depois de um ano de tratamento seguindo o protocolo para a doença, declarou conscientemente que iria interromper os medicamentos para viver bem e se preparar para uma partida digna, mas só depois que o Truman tivesse garantida a sua nova casa.

Vendo as expressões do cão, até você toparia ficar com ele. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço:

Título: Truman (Espanha, Argentina).
Direção: Cesc Gay.
Elenco: Ricardo Darín, Javier Cámara, Dolores Fonzi.
Gênero: Comédia dramática.
Duração: 1h46min.
Assista o trailer aqui

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Uma pausa para a fotografia, expressão artística que tem como principal diferencial a possibilidade de captar com precisão o instante único e definitivo de uma determinada situação. Dependendo do enquadramento, do equilíbrio entre as diferentes nuances, do contexto e da perspectiva do autor, um registro fotográfico pode promover transformações e despertar sentimentos.

Nos dias de hoje, a fotografia é uma atividade acessível a praticamente todas as pessoas, graças ao avanço tecnológico que coloca à disposição dos usuários equipamentos simples que tornaram o ato de fotografar em uma ação automática, que produz imagens pasteurizadas, mas que garantem a publicação instantânea por meio das diversas redes de relacionamento da web.

Além disso, quase que a totalidade dos aparelhos celulares dispõem de câmeras, elevando significativamente o número de situações passíveis de registros. Da foto 3x4 para documento de identidade até ensaios artísticos; passando pela função política e de entretenimento do fotojornalismo, somos abastecidos a cada segundo por milhões de acontecimentos de interesse público e outros tantos "particulares".

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, usemos a força e a democratização da fotografia para dar visibilidade e revelar facetas da nossa sociedade e do nosso tempo como inspiração para a construção de um mundo mais solidário, mais equilibrado e único para vivermos em paz e harmonia. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Em tempos de ódio, de intolerância, de violência, e de confronto, falemos, façamos e pratiquemos mais amor.

Amor de mãe, amor de pai; amor de homem, amor de mulher, amor de LGBT; amor de amigo, amor de amiga; amor de irmão, amor de irmã; de tio; de tia, de avô, de avó, de primo, de prima; de sobrinhos e de sobrinhas, e amor de um desconhecido que te percebeu com afeto naquela esquina.

Amor azul, amor vermelho, amor verde; amor de paz, amor em solidariedade; amor de índios, amor de pretos, amor de amarelos, amor de albinos; amor verbal, amor em Libras, amor em áudio-descrição, amor falado; amor no cinema, amor da TV, amor no rádio, amor na mídia impressa, amor na Web e, de preferência, amor ao vivo, olho no olho, toque no toque, com afagos em todos os sentidos.

Amor de dentro para fora e de fora para dentro; amor por você e por todos; amor individual e coletivo; amor para os filhos e vice-versa; amor pelas esposas, maridos, netos, sogros e sogras; amor pelos namorados e pelas namoradas; amor pelos flertes sinceros, de curta e de longa duração.

Amor pelo que é seu e pelo que é de nós todos; amor pela natureza de cada um e pelas naturezas dos nossos ecossistemas; amor pelo céu, pelos mares, pelas montanhas, pelo fogo, pelo ar, pelo vento, pelos rios e lagos; amor pelas estradas e pelas picadas; amor pelos sem terra, pelos que tem terra e por todos os seres vivos.

Amor pelos antepassados, pelas relações do presente e do futuro. Amor pelos acertos e pelos erros. Amor pelas oportunidades, pelas dúvidas e pelos aprendizados. Amor pela capacidade de sonhar e pela coragem de realizar. Amor pelo sorriso, amor pelo choro, amor pela alegria, amor pela tristeza e amor pela felicidade construída a cada instante apesar do desamor tão vil.

Amor por estar aqui, o que nos dá a possibilidade de agir, interferir e transformar o meu, o seu e o nosso viver. Por tudo isso, mais amor, por favor, em tudo o que você pensar, decidir e fazer. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.


Inspirado pelo filme do italiano Paolo Sorrentino, a tal da juventude me fisgou hoje. Segundo o nosso popular dicionário Aurélio, “Juventude” é a quadra da vida em que se é jovem. Por sua vez, “Jovem” é: a) relativo à juventude ou a quem está na juventude; b) que existe há pouco tempo; c) que ou quem tem pouca idade; que ainda não é adulto; e d) que ou quem está na juventude.

Encontro-me na terceira juventude, com idade avançada, próxima daquela faixa que permitirá gratuidade na utilização do transporte público. Apesar dos anos inevitáveis, minha disposição e energia são de um jovem que batalha o tempo todo para aprender e identificar novos caminhos que nutram a vida.

Enquanto assistia a bela fita estrelada por Michael Caine e Harvey Keitel, respectivamente Fred Ballinger e Mick Boyle, dois amigos de longa data, ambos na casa dos 80 anos, que decidem passar as férias num luxuoso hotel na Suíça, pensava com os meus botões sobre as juventudes que ficaram e aquelas que ainda pretendo desfrutar.

Das experiências que vivi, sou muito grato porque elas me permitiram chegar até aqui. E não posso me queixar de como cheguei. Sinto-me feliz, forte, com saúde, disposição, energia, garra e entusiasmo para continuar agindo e ocupando os espaços os quais me permitam colocar em prática crenças, realizar sonhos, ser um agente de transformação e contribuir para a construção do bem comum.

Da primeira juventude mantenho o ímpeto idealista em lutar por uma sociedade mais justa e mais digna para todos. Da segunda juventude guardo o equilíbrio e a sabedoria as quais me permitem enfrentar quaisquer situações com tranqüilidade.

Para a terceira juventude, recém iniciada, me proponho continuar sonhando e me desafiando o tempo todo para não deixar que o passar dos anos pesem. Para isso é fundamental manter o corpo são, a mente viva, o coração aceso, a língua em ação, os ouvidos atentos, os olhos focados, as caminhadas permanentes, a alimentação saudável e saborosa, a pressão e o colesterol sob controle, a próstata bem cuidada e o vigor ativo.

Estou na juventude e com ela pretendo completar o meu ciclo nessa existência. Independente da idade, por dentro o espírito jovem estará sempre presente, como a lenha que faz o fogo acender, o amor que movimenta os sentidos e a coragem, essa força que nos impulsiona no sentido de enfrentar quaisquer situações. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço
'A Juventude' (Youth).
Direção: Paolo Sorrentino.
Elenco: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Jane Fonda.
Gênero: Comédia dramatica.
Nacionalidade: Itália, França. Suíça, Reino Unido.
Duração: 124 minutos.
Classificação: 14 anos.
Trailer aqui! 

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Muito se discute sobre a formação de lideranças para o mundo corporativo. Centenas de artigos pipocam nas redes e nas revistas especializadas todos os dias.

Porém, não vi, e me perdoem se estiver errado, qualquer menção aos líderes naturais que florescem em comunidades ao redor do globo, cuja experiência de liderança intrínseca pode contribuir de forma efetiva para  o aprendizado.

Recentemente conheci um senhor que luta há anos para transformar uma área da periferia de São Paulo em parque ecológico, um dos muitos ganhos que o seu movimento trouxe para comunidade foi a educação ambiental. Os resultados disso poderão ser observados e medidos ao longo do tempo, disse ele. Contudo, envolver a comunidade no projeto é o resultado de muita paciência e a certeza de estar fazendo a coisa certa.

"- Foram muitos anos de trabalho, alguns de forma solitária, mas, depois, as pessoas começaram a chegar."

Quando perguntei qual a sua motivação, respondeu muito rapidamente:

"- O benefício de um futuro melhor pra todo mundo, nunca poderia deixar de fazer isso, eu comecei a trabalhar com sete anos. Fiz e vi muita coisa pelo Brasil. Agora todas as coisas são diferentes, mas, mesmo assim eu faço questão de levar todas as crianças da comunidade no parque e explicar tudo o que eu posso, porque daqui a pouco eu posso morrer, não vou estar mais aqui, mas, o parque precisa continuar."

A conversa não se prolongou muito, mas me chamou atenção o fato de em pouco tempo identificar questões básicas.

A primeira delas é a resiliência, a segunda, a sustentabilidade, e a terceira é o propósito, para ficar apenas em três.

Considero importante lembrar que o desgaste dessas palavras pelo massacre midiático e pelos mecanismos do marketing, muitas vezes criam uma abismo entre o nosso entendimento e os verdadeiros significados.

Resiliência vem da física, passou a ser usada pela psicologia na década de 70. Hoje tem sido amplamente difundida através de disciplinas do desenvolvimento humano, como o Coaching.

Na definição do dicionário, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retomar a forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Pode ser usada também para definir a capacidade de se recuperar facilmente ou se adaptar a má sorte e às mudanças.

Por que essa palavra é tão presente?

As chuvas e as tempestades são cada vez mais frequentes, e a resiliência é a capacidade de sobreviver e se fortalecer a cada intempérie

Mas como ser, e ou manter-se resiliente?

A lição que podemos extrair da história acima é a clareza de objetivo. Uma liderança precisa antes de qualquer coisa ter muita certeza sobre si mesma.

E principalmente ter um propósito forte, ou seja, um desejo de alcançar algo com paixão. O desejo, e a paixão contaminam fortalecendo a determinação da conquista.

O conceito da sustentabilidade é indissociável do homem  contemporâneo.

Voltando ao dicionário; sustentável é um substantivo derivado do verbo transitivo sustentar, significa manter o equilíbrio, evitar a queda, apoiar, aguentar, segurar por baixo, auxiliar, amparar, impedir que alguma coisa caia, etc.

O princípio básico da liderança é o conceito da sustentabilidade, seu maior desafio é conjugar o verbo sustentar como a equação possível para criar resultados em qualquer área, a curto, médio e longo prazos.

Pensamento a longo prazo é vital para a qualquer iniciativa, o personagem acima tem isso muito claro, entende que a transmissão dos seus conhecimentos é vital para uma maior permanência da sua óbra. E a base deste entendimento está ao significado de outra palavra, sobre a qual ainda não falei. Trata-se da palavra valor.

Porém, se você estiver interessado em saber o significado, eu quero te propor um desafio, o que você acha de começar descrevendo quais são os seus principais valores?

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Adi Leite é coach, jornalista e fotógrafo.

 


Assisti recentemente na programação do Cabaré da III Mostra Internacional de Teatro de São Paulo a uma apresentação inesquecível do Coral de Haitianos, do espetáculo Cidade Vodu.

Sensíveis, verdadeiros e talentosos os jovens, quatro homens e uma mulher, nos presentearam com interpretações belas de canções do seu país, as quais me tocaram profundamente.

No palco do galpão do Centro Compartilhado de Criação, incrustado no bairro da Barra Funda, os cantores tiveram a possibilidade de expressar músicas da sua terra que, por razões sociais e econômicas, tiveram que deixar em busca de oportunidades no Brasil.

Em determinado momento do show um dos intérpretes tentou nos dizer qual era o contexto do seu país relatado na canção. Contudo, a emoção e talvez a saudade, não permitiram que ele seguisse adiante.

A performance durou quase uma hora mas a sua intensidade foi tanta que ela reverbera em mim até agora. E, no final, com total merecimento, o coral foi ovacionado pela platéia.

Naquele instante desejei que muitas das pessoas que hostilizam os refugiados do Haiti tivessem ali para presenciar o grupo, conhecer os talentos daqueles seres humanos, nossos irmãos, que estão no Brasil em função das circunstâncias, e que vieram para aprender, ensinar, dialogar, trabalhar e compartilhar suas histórias de vida com a nossa gente, ofertando o que eles têm de melhor como, por exemplo, as lindas canções que tive o privilégio de ouvir sentado na mesa do gargarejo. Por aqui, fico. Até a próxima

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.