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Aos 79 anos é difícil encontrar testemunhas vivas para confirmar histórias de décadas atrás e que tem vindo à minha memória cada vez com mais frequência. Elas vêm de manhã, às vezes embaralhadas com o último sonho da noite.

Sem a pretensão de fazer literatura, vou contar algumas dessas minhas aventuras - e principalmente desventuras, da minha infância mais remota.

Vi um ciclista cruzar as avenidas Paulista e Consolação em velocidade média, e sem aguardar o farol abrir. Naqueles segundos em que ele, audacioso, rompeu o caminho, tive a impressão de que os automóveis, as motos e os ônibus pararam para ele seguir convicto de que tudo estava sob o seu controle.

Eram 21h30min quando, ao término da conferência proferida em São Paulo, Mario Vargas Llosa foi perguntado sobre seus próximos projetos. Com a elegância e o humor de sempre, respondeu: "Se eu começar agora a falar sobre meus próximos projetos, não sairemos daqui antes que o dia amanheça." Era 2016, e Vargas Llosa tinha 80 anos.

Tem sido comum, desde que chegamos em Portugal, há pouco mais de cinco meses, ouvir os amigos perguntarem como é a vida por aqui, se é melhor, quais as principais diferenças e por aí vai.