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Minha implicância com o açúcar não é pequena. E nem é de hoje. Me explico: apesar de, em excesso, ele fazer tão mal à saúde, chefs, cozinheiros amadores e donas de casa são bastante indiferentes a isso, considerando-o um mero ingrediente como outro qualquer.

Mira Schendel. Foto: Pinterest.Dentre os artistas europeus que imigraram para o Brasil durante ou logo após a 2ª Guerra Mundial, e que tanto contribuíram para o enriquecimento da linguagem das nossas artes plásticas, Mira Schendel (Myrrha Dagmar Dub: 1919 -1988) é sem dúvida o nome de maior importância.

Nascida em Zurique, viveu também em Berlim, Milão, Sarajevo, Zagreb e em Roma, até imigrar para o Brasil em 1949, instalando-se em Porto Alegre. Não há registros de qualquer produção européia sua; deduz-se que, ao imigrar, ela tenha interrompido sua formação universitária em filosofia na Itália, e tenha iniciado sua produção artística apenas aqui, como autodidata. Como explicou Geraldo de Souza Dias em 2001, no prefácio do catálogo da exposição da artista no Jeu de Paume, Paris, “sua infraestrutura intelectual, alimentada por inquietudes filosóficas e religiosas, encontrou aqui um ambiente cultural muito mais propício ao estímulo da criatividade artística do que ao rigor científico do pensamento filosófico.

Os escritos de Schendel são fundamentais para o entendimento da singularidade de sua obra. Sem se ocupar da história da arte, ela se referenciava na psicologia, na ciência, no conhecimento, na teologia e na filosofia para produzir seus trabalhos, sempre balisados por seus próprios pensamentos e princípios estéticos. Predominante na filosofia ocidental pós Platão, a ideia da cisão inerente à natureza humana – corpo vs. alma, matéria vs. espírito – é central em sua obra, muitas vezes permeada por indagações existenciais ou expressões de origem religiosa.

‘Objeto gráfico‘ (1967). Obra exibida em exposição na Pinacoteca. Acervo: Daros Latinamerica Collection, Zurique, Suíça. Foto:  Peter Schälchli.Das naturezas mortas do início, Mira Schendel rapidamente evoluiu para o abstracionismo e em seguida para os escritos – caligrafias de imensa beleza por meio das quais registrava seus pensamentos e inquietudes. Sem abandonar a palavra como expressão do pensamento, Mira foi depois incorporando a esses escritos as letras autocolantes (Letraset), apropriando-se assim dessas letras não apenas como veículos do significado, mas como elementos gráficos de inúmeras possibilidades plásticas. As experimentações com transparências, que permitem que o espectador contemple as 2 faces das monotipias, são exemplos máximos da profundidade e da sensibilidade presentes nessa sua investigação.

Letra articulada de Belchior e canção maravilhosamente interpretada por Elis Regina, “Como nossos pais” foi um hino no período de redemocratização do Brasil.

Ao longo da História ocidental, o conceito de Beleza sempre esteve associado à ideia da perfeição. Na Grécia Antiga, a definição do belo estava estruturalmente ligada às noções de ordem, simetria e clareza, e à presença de proporções definidas como harmônicas.