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Sempre que um ano chega ao fim, multiplicam-se as esperanças que no próximo ano, sim!

No próximo ano é que eu vou ser feliz, que eu vou concretizar os meus planos. 

Eu vou perder peso, eu vou mudar de emprego, eu vou mudar de estado civil, eu vou ter um filho, eu vou comprar uma casa, são tudo planos que acreditamos nos fazem alcançar a tão desejada felicidade. 

Mas  então por que tantas pessoas que tem tudo isso se consideram ainda em busca da felicidade? 

A felicidade tem mesmo a ver com TER?  

Ter o peso certo, ter o emprego certo, ter a pessoa certa ao nosso lado? 

Existem vários caminhos, mas apenas um destino através do qual atinges o estado de felicidade.

O primeiro passo para encontrares a felicidade, é descobrires a tua essência, o teu ser interior que foi camuflado ao longo do tempo pelas crenças que herdaste, que foste construindo e que te fizeram esquecer de quem realmente és. 

O caminho é curto. Só tens de mergulhar dentro de ti com coragem para retirar todas as camadas que te separam dessa semente que anseia por germinar. 

Mais cedo ou mais tarde, o apelo dessa energia interna que se quer manifestar, vai dar-te força para romperes com todas as barreiras. 

Cada um tem o seu tempo para se preparar para a viagem e é assim que está certo. 

Não adianta forçar. Fiquemos atentos aos sinais e abertos a ir à descoberta. 

Por vezes, antes de viajarmos para dentro, precisamos nos afastar do nosso cotidiano para ganharmos perspectiva e prepararmos a viagem.

Neste período atrevemos-nos a pôr em causa verdades que nos foram transmitidas, ouvimos novas correntes de pensamento, frequentamos novas práticas, vamos fazendo algumas experiências fora da nossa zona de conforto e percebendo que o mundo é muito maior do  que o que pensávamos e a pouco e pouco vamos vislumbrando que afinal já estamos no trilho certo.

Chegar à nossa essência pode demorar mais do que demorou afastarmo-nos dela. O importante é colocarmo-nos a caminho a partir do ponto em estamos hoje. Um passo será suficiente para mudar a direção do nosso percurso. Não vais precisar de mapa, basta que te deixes guiar pela intuição e aceites que a certeza de estares no caminho certo te chega pela sensação de estares nesse caminho. 

Mesmo sem teres uma explicação racional, quando te perguntares: é por aqui? Vais sentir a resposta. E lembra-te que ser feliz, não significa ausência de problemas ou de dor. A felicidade é a consequência de quem vive alinhado com a sua essência, de quem escolhe e se comporta a partir dela. Isso não evita os desafios e as perdas, não evita momentos de tristeza, mas evita que te sintas perdido no meio das tempestades que irás atravessar. Aí, na turbulência, quando antes te afogavas em sofrimento, agora podes sentir dor mas apesar disso vais também sentir que és uma pessoa feliz a atravessar uma tormenta, e isso faz toda a diferença.

Se gostas de tomar resoluções de ano novo, ou de te ofereceres presentes, escolhe fazer uma experiência de autoconhecimento, algo que te coloque na trilha que te há-de levar a ti. Pode ser algo bem suave (ler um livro), ou desafiador (fazer uma viagem sozinho), o que importa é que sintas que é por aí!

Apesar do receio não sucumbas ao medo. Tomando as palavras do mestre Oswaldo Oliveira: “o medo leva à sobrevivência, o coração leva à evolução!“ Escolhas felizes e transformadoras em 2018!

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Eduarda Oliveira é criadora do International Happiness Forum e das Viagens com Propósito, mestranda em Turismo de Interior e uma eterna apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. *Artigo escrito com exclusividade para o São Paulo São.

A cidade de São Paulo, o Brasil e o mundo vivem a atmosfera de Natal, uma celebração cada vez mais comercial, quase que restrita a troca de presentes, que nos faz relembrar o valor monetário da vida, do consumo e das relações.

Uma das datas muito celebradas pelos centros de compra em função do investimento promocional pesado versos expectativas de grandes volumes de faturamento nesse derradeiro mês, principalmente por que em 2017 a maré não esteve para peixes.

Para quem é assalariado, o dia 20 de dezembro representa a entrada do último recurso financeiro do período: a tão esperada segunda parcela do 13º salário, que cai na conta bancária quase que totalmente comprometida com as lembrancinhas para a família e a aquisição das bebidas e dos quitutes para a ceia de Natal e, se sobrar, para o champagne da passagem de ano.

Nesse clima de adeus, prepare-se para o que já sabemos que acontecerá e será matéria na mídia televisiva previsível: as compras de última hora na Rua 25 de Março; os principais shoppings centers da cidade superlotados; entrevistas com crianças sentadas nos colos dos Papais Noéis; congestionamento na região do Parque do Ibirapuera para ver a fonte do lago e a árvore; e o sucesso “Então é Natal”, interpretado pela Simone, tocando nas rádios sem parar.

Os amigos-secretos e as festas de confraternização estão em todo lugar: churrascarias, buffets, pizzarias, refeitórios, baladas; com versões para todos os estilos e todos os bolsos. Nessas festividades, inimigos fazem as pazes; paqueras se concretizam; novos amores são descobertos e desencontros também acontecem. Será uma versão não profana do Carnaval?

Mas lembro que o sentido do Natal é muito maior que aquilo que nossos olhos veem: mesmo os ateus e agnósticos percebem o Natal como algo extraordinário e transcendente que, por intermédio dos valores da simplicidade, amizade e solidariedade soa como um recado íntimo que fala ao coração.

Se praticamente tudo o que acontecerá até o dia 31 é previsível, relaxe e faça você outras escolhas. E, como diz o ditado popular: cada um colhe o que planta. Então, quais são as suas sementes de agora, e o que você quer colher nos próximos anos, não esquecendo que nutrir todos os dias é imprescindível? Boas Festas e que venha 2018. Por aqui, fico.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

Uma das imagens mais associadas à ideia de liberdade é a imagem de alguém descalço. Além de parecer uma certa forma de irreverência e não-obediência a padrões estabelecidos, caminhar sem sapatos é, de fato, um ato capaz de proporcionar sensações muito prazerosas de bem-estar físico, conforto e relaxamento. As explicações são inúmeras, das científicas às místicas.

Nossos pés são estruturas complexas e repletas de terminações nervosas que se conectam, por meio de ramificações, a diversos órgãos do corpo, à coluna vertebral, à cabeça e aos membros superiores e inferiores. A prática de cuidar do corpo pelo ato de tocar e estimular essas terminações tem o nome de reflexologia e vem sendo utilizada nas culturas orientais há milhares de anos.

Caminhar sem sapatos, especialmente sobre superfícies mais irregulares (areia, pequenas pedras, grama), nos faz massagear diferentes pontos do pé e estimular diferentes partes do corpo, favorecendo o bom funcionamento do organismo e estimulando a capacidade de concentração, a coordenação motora, a mobilidade e o equilíbrio.

Outros dizem que, ao pisarmos sobre solo úmido com pés descalços, descarregamos na terra o excesso de eletricidade estática corporal acumulada, obtendo dessa forma a sensação de relaxamento.

Já os mais místicos falam que ao caminhar descalços aumentamos o fluxo de nossa energia vital (ou nosso Chi, Qi, Prana, Baraka ou Orenda, entre outros sinônimos), pelo contato direto que estabelecemos com a Terra, uma de suas fontes naturais – e o prazer que sentimos viria justamente do restabelecimento dessa conexão com o universo natural a que pertencemos.

Não sei se pela sensação de liberdade, pelo relaxamento, pela conexão com o universo ou por tudo isso junto, andar descalça é algo que me proporciona imenso prazer. E não falo apenas de caminhar sobre a areia ou a grama... Desde muito criança, tirar os sapatos é a primeira coisa que faço ao chegar em casa – e calcá-los é a última, um minuto antes de sair e já à porta. Garantir, no meu dia-a-dia, momentos com os pés no chão, é para mim um jeito simples de garantir momentos de prazer.

E isso me faz pensar que, muitas vezes, mais importante do que entender ou discutir sobre as fontes dos nossos prazeres é saber identificar essas fontes, para assim poder ampliar o espaço que elas ocupam em nossas vidas. Nem sempre importam suas origens ou a decodificação de seus processos… importa estarmos atentos às suas manifestações, garantindo que continuem vivas e presentes em nosso cotidiano.

Andar sem sapatos, tomar um sorvete, dançar, ler um bom livro, abraçar uma pessoa querida... Identificar e ampliar os nossos prazeres na vida é, na maioria das vezes, bem mais simples do que a gente pode pensar.

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Valéria Midena, arquiteta por formação, designer por opção e esteta por devoção, escreve quinzenalmente no São Paulo São. Ela é autora e editora do site SobreTodasAsCoisas e sócia do MaturityNow.

A vida nos ensina a cada segundo. Aprendemos em quaisquer situações porque tudo é passageiro: alegria e tristeza; amor e ódio; fartura e escassez; frio e calor, e tantas outras dualidades.

Por isso é fundamental nutrir sempre o equilíbrio interno para saber lidar com as alterações de fora, porque nelas interferimos pouco, e não as controlamos.

Também não temos qualquer ingerência nas decisões dos outros. Às vezes somos surpreendidos por determinados comportamentos inexplicáveis, sem noção como diz a juventude de Sampa, e isso ocorre o tempo todo.

E por falar em tempo, as variações da meteorologia nos ensinam diariamente que essas transformações serão cada vez mais rotineiras. Acorda-se na primavera; na hora do almoço a sensação é de inverno; ao final da tarde somos surpreendidos com os ventos outonais, e quando o sono chega é verão.

Para suportar essas mudanças, além de bom humor e uma saúde bem cuidada é preciso iluminar os estados de vida para enfrentar essas e outras surpresas com leveza, amor, generosidade e espírito servidor.

Tal como nas intempéries, as relações com as pessoas são oportunidades de aprendizados. Um dia ouvi que cada um oferece o que tem. Por isso é imprescindível que sejamos conscientes de quem somos para, com discernimento, sabermos agir em relação aos outros e os seus comportamentos imprevisíveis. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

São Paulo se faz a cidade que é pelos Zés e Marias, anônimos e famosos que a movimentam. Abrindo-se para todos os que vêm morar por aqui, cada qual com sua essência e paixão, tal como Nega, a alagoana Ângela Uchoa que no final dos anos 80 trabalhou no melhor da noite paulistana, o bar Lei Sêca, templo dos insiders de então. Sua essência, o amor pela noite e a arte de fazer amigos. Gerenciou casas de responsa como Muller & Godard e Charles Edward, reergueu o Tomtom Jazz e fez a festa no Drosophila. Boêmia, diz que vive de vender sonhos, a tal felicidade.

A alagoana Ângela Uchoa (centro) que no final dos anos 80 trabalhou no melhor da noite paulistana, o bar Lei Seca. Foto: Arquivo Pessoal.A alagoana Ângela Uchoa (centro) que no final dos anos 80 trabalhou no melhor da noite paulistana, o bar Lei Seca. Foto: Arquivo Pessoal.

Fazendo contra-ponto com as baladas, a cearense Elizabeth Chagas, outra habitante de SP, foi a primeira mulher a dirigir um terminal portuário no país, no Grupo Rodrimar. Figura de simpatia ímpar, seu nome é expressão na área do Agronegócio. Sua essência é a alegria e a feminilidade aliada à competência. Superprofissa, mãe de duas filhas e avó babona é estudiosa de Kabbalah. 

Quem saiu de SP foi Bento Masshiko Koike. Ele nasceu em Curitiba, filho de imigrantes japoneses que vieram para o Brasil para escapar da recessão do pós-guerra. Sua essência, ser empreendedor e acreditar em si. Foi ele quem fez do Brasil a segunda potência mundial em pás para turbinas de energia eólica. Esse engenheiro aeronáutico apaixonado por filosofia e arte acreditou no seu taco, e daí surgiu a Tecsis. Ao redor de Sorocaba é lindo ver caminhões transportando aquelas pás eólicas que mais parecem escultura ou a vértebra de um dinossauro. 

Fábio Zarvos. Foto: Zarvos.Fábio Zarvos. Foto: Zarvos.No outro extremo, preocupado com a urbanização da cidade, Fábio Zarvos, outro engenheiro paulistano, descendente da tradicional família do imigrante grego Nicolau Zarvos, que no século passado se tornou fazendeiro e empreendedor de sucesso. A essência de Fábio é saber relacionar o espaço urbano com a comunidade. Ele trouxe para Vila Madalena e arredores um novo conceito de morar com a sua Ideia Zarvos. Preocupação: melhoria da vida nos bairros onde atua.

Perambulando pelas ruas do Alto da Lapa, Vila Madalena e Pinheiros, o pernambucano Arnaldo é amolador de facas, tesouras, canivetes, alicates e há mais de 15 anos circula nesta região. Sobrenome? “Põe Arnaldo Amolador que é como me conhecem.” Veio menino de Recife, trabalhou como pedreiro e quando se viu desempregado, influenciado pelo seu cunhado amolador, aprendeu o novo ofício, que adora. Tem como essência a arte de se comunicar. Através do toque de sua gaitinha de plástico dá o sinal de sua presença sempre útil por onde passa. É amigo das domésticas, patroas, chefes de cozinha, açougueiros e manicures.  O que o atrai na profissão é o conversê com os clientes e ser dono de seu horário, livre das quatro paredes.

Luciana Chinaglia Quintão, economista e administradora de empresas, sabe bem como somar vocação e solidariedade. Na sua essência, o prazer e empenho em evitar o desperdício e fornecer alimentos de qualidade para população carente. Luciana criou o Banco de Alimentos. Lá, o descarte in natura em bom estado é resgatado dos supermercados e sacolões e mais de 30 toneladas de alimentos/mês são distribuídas para cerca de 22 mil crianças e idosos de 40 instituições beneficentes.

Outro tipo interessante da cidade trabalha nos Jardins e sua essência é a paciência. Trata-se de José Lima, seu Zé, que empalha cadeiras na esquina da José Lima tem 61 anos e nasceu no Sertão da Paraíba. Há 25 anos empalha cadeiras no mesmo endereço. Foto: Felipe Canale.José Lima tem 61 anos e nasceu no Sertão da Paraíba. Há 25 anos empalha cadeiras no mesmo endereço. Foto: Felipe Canale.Franca com Alameda Campinas. Esse ofício, que aprendeu com conterrâneos há 28 anos ensinou para cinco irmãos, sendo que dois deles são seus concorrentes e trabalham nas esquinas da Alameda Lorena com Ministro Rocha Azevedo e o outro na Rua Bela Cintra com Oscar Freire. Palhinha sintética ou a legítima palhinha indiana, não falta serviço para ninguém, diz ele e afirma que seu trabalho exige perfeição, não pode ter um erro, e disso tem muito orgulho.

Já faz um bom tempo que não vejo outro personagem raro da cidade: Seu Antonio, que há mais de 20 anos vende balas no farol da Rua Alemanha, em frente ao MUBE. Sua essência: a educação e respeito ao outro. Com quase 80 anos, esse baiano de Tremendau vive há 50 em SP.  Ex-mordomo de casas da elite, como as das famílias Roberto Scaff e João Bordon, Seu Antonio – sempre com um jaleco alvo de branco, seu bonezinho característico e uma cestinha forrada com pano de prato branquinho – é de uma elegância solene ao oferecer as balas no trânsito, como se estivesse servindo uma mesa à francesa. Na última vez que o vi, estava animado: “Este preto velho vai se casar com uma loura linda, de 71 anos, filha de alemães”. Figuraça, Seu Antonio.

Marina. Foto: Arquivo pessoal.Marina. Foto: Arquivo pessoal.Há os que vêm de outros países para se encontrar com a vida em São Paulo. É o caso de Marina Pipatpam, chefe tailandesa que mora na cidade e tem em sua essência o respeito às tradições e o gosto por explorar os cinco sentidos através da gastronomia. Ela, que é uma autêntica embaixatriz da Tailândia no Brasil, junto com seu marido, o brasileiro Cyro Sá, trouxeram para São Paulo o jeito Tay de se colocar no mundo. Foi sócia, com ele, do restaurante Mestiço e depois montaram o Tian Restaurante - deixaram a sociedade há pouco -, onde aromas e paladares de especiarias distintas propiciam ao cliente uma ótima experiência gastronômica.

São Paulo é assim, vive as diferenças, recebe pessoas dos quatro cantos. E elas, somadas, fazem a cidade acontecer diferente em cada bairro, em cada esquina, com experiências de vida únicas. Diversidade é a cara de nossa urbe, com vida pulsante 24hs. 

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Marina Bueno Cardoso, jornalista, trabalhou na imprensa em São Paulo e na área de Comunicação Corporativa de empresas. É autora do livro “Petit-Fours na Cracolândia”, Editora Patuá. Publica crônicas quinzenalmente no São Paulo São que são replicadas no site literário www.musarara.com.br

Às vezes da vontade de comer um sanduíche de pão francês com mortadela. Dos frios disponíveis, ela é a mais popular, e que oferece a melhor relação custo X benefício.

Fria ou aquecida; acompanhada de café com leite, chocolate quente, refrigerante ou cerveja, o  pãozinho crocante, quando a recebe com recheio, se transforma numa deliciosa refeição que satisfaz o apetite no café da manhã, no almoço, no jantar e até de madrugada.

Existem mais de 26 opções de sanduíches de mortadela no Mercadão. Foto: Zildda Brandaoh. Existem mais de 26 opções de sanduíches de mortadela no Mercadão. Foto: Zildda Brandaoh.

No Mercadão Municipal de São Paulo, o Bar do Mané conquistou clientes fiéis ao oferecer o sanduba mais democrático da cidade com generosas fatias desse embutido que quase nos obriga a comer de garfo e faca.

Como o seu sabor é muito marcante, adoro acrescentar ao miolo fofinho do pão uma boa quantidade de geleia de laranja ou abacaxi. Para o meu paladar, esse mistura é divina.

Segundo a Wikipédia, mortadela é um embutido ou enchido feito de carne de bovinos, suínos, de aves e de cubos de gordura. Os temperos geralmente usados incluem pimenta preta, murta, noz moscada e coentro. É a primeira vez que tenho acesso à sua receita original, à base de um mix de carnes bem temperadas, que garantem o sabor e o aroma inconfundíveis.

A história segundo o São Paulo in Foco

Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané. Foto: Divulgação.Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané. Foto: Divulgação.

Um dos símbolos da gastronomia paulistana é o famoso sanduíche de mortadela do Mercadão. Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané, no Mercado Municipal de São Paulo por alguns imigrantes portugueses da família Loureiro.  A ideia era atender às necessidades dos feirantes, quintadeiros e de alguns clientes que passavam pelo Mercadão e precisavam de uma opção de refeição rápida e que os sustentasse pelo resto do dia.

Além disso, durante muitos anos, a SUNAB (Superintendência Nacional de Abastecimento), antigo órgão regulatório de alguns segmentos comerciais da cidade de São Paulo, tabelava o preço dos sanduíches e afins,  o que deixava as opções praticamente iguais e com pouquíssimo recheio.

Após anos servindo lanches dos mais diversos tipos, no ano de 1970 um cliente ficou revoltado com a pouca quantidade de recheio do seu lanche.Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Foi então que um dos donos do estabelecimento resolveu encher o lanche de mortadela para que o cliente não reclamasse mais. Entretanto, diz a lenda, que o cliente que estava ao lado do “reclamão” também quis seu lanche com o recheio extra e assim foi criada a tradição do enorme lanche do Mercadão.

A iniciativa deu certo e a iguaria começou a ficar famosa na cidade. No dia 10 de julho de 1979, o guia do Estadão falou pela primeira vez do sanduíche em uma matéria de página inteira. A chamada era “O Lanche de mortadela dá fama ao boteco”. A fama se consolidaria no ano de 1995, quando o bar apareceu na novela A Próxima Vítima, da TV Globo. Em algumas estimativas feitas pelos donos do “Bar do Mané” dão conta que o bar chega a vender 1.200 lanches em um dia, o que resulta em 3.100 kgs de mortadela em um mês.

Bateu uma fome daquelas? Que tal um sanduíche de mortadela? Bom apetite e até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.