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Se eu te contasse que sei como vai ficar aos 60 e aos 70 e poucos anos, você não acreditaria, não é mesmo Adalberto? Pois te vi, juro por minha mãe que te vi ontem e hoje na rua, cada dia com uma idade, é isto mesmo. Tudo em cima. Ontem foi perto do largo da Batata, perto do metrô. Mas era, era você aos setenta e pouquinhos. Os seus cabelos que agora começam a salpicar um grisalho estavam totalmente branquinhos e ralo, fininho fininho como o quê.

Junho está apenas no começo. Mês de festividades caipiras que acontecem pelo país inteiro. Mês do dia dos namorados e das celebrações dos Santos Antônio, João e Pedro; e, no nordeste, mês para aquecer os corações com forrós e quadrilhas.

No que consiste bem manipular uma yanagiba (faca japonesa, comprida e com ponta fina, de Kansai, região de Osaka) ou uma takohiki (faca retangular, de Kantô, região de Tóquio), própria para descascar e cortar legumes? Segundo  Shin Koike, “uma faca japonesa exige uma formação muito específica para o seu manuseio”. E podemos imaginar que essa formação signifique empenhar certos músculos, dosar a força, sequenciar gestos, de modo a obter um resultado conhecido, descrito nos detalhes como “perfeito”, talvez consagrado pela tradição e repetindo ao infinito um mesmo resultado. 

Foi na semana passada, caminhando próximo ao Mercado de Pinheiros, que encontrei Seu Aranda. Alegre e sorridente, veio perguntando por onde eu andava, já que não me via mais. Expliquei-lhe que havia me mudado já há algum tempo.

Na minha infância e adolescência participei de vários rachas na rua ou no campo de futebol do Vera, o time do nosso coração.