Mais amor, por favor - São Paulo São

User Rating: 0 / 5


Por Leno Silva.

Presenciei no sábado uma cena triste em um coletivo biarticulado que seguia em direção ao Terminal Santo Amaro.

Mesmo equipado com direção hidráulica, não deve ser muito simples conduzir o ônibus com 27 metros de comprimento e, principalmente, fazer manobras rápidas.

Um casal deu sinal para descer depois que o veículo cruzou a Rua Joaquim Nabuco, no Brooklin, mas demorou a se dirigir à porta traseira, e nesse breve intervalo, o motorista fez uma curva para ultrapassar outro coletivo. Ao perceber que o ônibus se distanciava, o jovem gritou, mas o condutor não ouviu, e só parou no ponto seguinte.

Ao descer do “Busão”, o marido, mesmo alertado pela esposa para “deixar para lá”, foi tirar satisfação com o motorista. Bateu no vidro; o insultou e esbravejou.

Eu já havia me distanciado quando ouvi gritos, e a constatação de que ambos estavam brigando. Pelo que pude perceber à distância, tudo aconteceu muito rápido, porque logo avistei o coletivo seguindo a viagem.

Naquela fração de segundos, o estado de ira que aflorou poderia ter provocado uma tragédia, resultado da intolerância e da falta de compreensão diante de um fato que, a meu ver, merecia compreensão, visto que durante todo o trajeto a condução do motorista era correta.

Tomara que os marmanjos, os quais foram incapazes de controlar as suas raivas, tenham aprendido algo de positivo com o episódio deprimente que colocou em risco a vida dos dois e de outras pessoas que ali estavam.

Quiçá um dia, ao invés de agressões verbais e físicas, sejamos capazes de exercitar o diálogo e a comunicação não violenta para resolver divergências, principalmente em casos de incidentes os quais, na maioria das vezes, um pedido de desculpas, uma fala respeitosa e educada talvez sejam suficientes para apaziguar os ânimos à flor da pele. Por aqui, fico. Até a próxima.

***
Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.