‘E agora?‘ estreia de Zoca Moraes, o nosso novo colunista - São Paulo São

Então, de repente, nossa cidade fez mais uma curva fechada.

Daquelas que fazemos a cada quatro anos.

Detestamos a obviedade da linha reta.

Apreciamos os riscos contidos no zigzag.

E não dá para dizer que foi uma curva inesperada, ou por falta de placas que indicassem o resultado mais do que anunciado pelas pesquisas, até por que São Paulo deve ser uma das megalópoles mais sinalizadas do mundo.

E uma das mais surpreendentes em suas escolhas.

Adoramos o sistema “self service”, implantado pioneiramente por nós décadas atrás.

Gostamos de escolher e, principalmente, gostamos de variar.

Como diria Chacrinha, vamos racionar em bloco: da indicação indireta do grande Mario Covas para prefeito, em 1983, seguido pelo populista matogrossense e ex-presidente Jânio Quadros, substituído pela combativa paraibana socialista, Luiza Erundina, e de volta aos tempos de Maluf que, logo depois emplacou o carioca Celso Pitta, sucedido pela aristocrata de esquerda, Marta Suplicy, que entregou os pontos para Serra e Kassab e esse para outro paulistano de origem libanesa, Haddad, não há o que discutir, Doria foi eleito com o voto tão democrático quanto surpreendente do povo que mora aqui, que constrói e reconstrói, diariamente essa que já foi a pequena Vila de São Paulo de Piratininga e hoje é uma das dez maiores cidades do planeta. Maior do que a Nova York que tanto invejamos e nos inspira. 

São Paulo vive surpreendendo, é de sua vocação.

Como diz o filósofo mineiro, aqui radicado, Antonio Auxiliador Batista, “São Paulo não escolhe, São Paulo acolhe”.

A maior cidade italiana fora da Itália, a maior cidade japonesa fora do Japão, a maior cidade nordestina do país, onde os mais de 300 mil migrantes latino americanos trazem sua língua, costumes, culinária e cultura para enriquecer a nossa, some-se o francês falado por haitianos e camaroneses recém chegados, além dos dialetos que soam familiares, quase que cantados por ganenses e nigerianos que colorem as ruas do centro, a cosmópole fundada em 1554 pelos jesuítas, não se deixa impressionar por governos.

Temos nossa própria dinâmica que faz de nós a mais internacional cidade do Brasil. Não importa onde tenha nascido, paulistano é todo aquele que adotou ou foi adotado por São Paulo. Enquanto que em outros lugares, as pessoas reclamam, se lamentam e procuram culpados, nós os paulistanos, apenas procuramos trabalhar por uma cidade melhor, mais humana, mais inclusiva, procuramos seguir em frente. Nosso destino é o futuro. Sempre foi e sempre será.

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Zoca Moraes, é redator de propaganda, roteirista e contador de histórias. Agora, novo colunista e também conselheiro do São Paulo São.



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