Eterna Elis - São Paulo São

Elis Regina se foi em 19 de janeiro, no mesmo dia em que a minha mãe morreu, só que três anos mais tarde, em 1982. Saudades das duas.

Elis (1945-1982) foi uma cantora perfeita. Voz, dicção, técnica e afinação impecáveis. E uma intérprete fabulosa, da dimensão de Edith Piaf, Amália Rodrigues ou Ella Fitzgerald. 

Assisti neste final de semana ao filme inspirado na vida dela, e foi bom conhecer um pouco mais suas características, inquietações e os “demônios” que vinham à tona de vez em quando.

Para o meu gosto, o diretor privilegiou, acertadamente, os aspectos pessoais, emocionais e os relacionamentos, e utilizou as músicas em ocasiões decisivas que marcaram a sua estupenda e curta carreira.

Determinada, dura, sentimental, e apaixonada por cantar, a “pimentinha” fez de sua voz um recurso por meio do qual se posicionou politicamente, foi contra a ditadura nos anos de chumbo, ousou gravar músicas de novos compositores, e algumas canções, como “O bêbado e o equilibrista”, são obras-primas de interpretação. 

Estreou como produtora no show “Falso brilhante”, junto com o marido César Camargo Mariano, correndo riscos financeiros, mas como queria fazer aquilo por amor ao seu trabalho e à sua arte, foi recompensada.

Entre 1975 e 1977 esse espetáculo, que estreou no Teatro Bandeirantes, somou mais de 1200 apresentações, transformando-se em enorme sucesso de crítica e de público.

É de arrepiar ouvir as músicas na sala escura do cinema, com os recursos Dolby Stereo. O repertório escolhido é todo muito bom, como aliás era o repertório de Elis Regina em todas as fases de sua carreira. Há algumas ausências como poderão notar os fãs, mas nada que tire o brilho do que foi escolhido, lógico.

No final da sessão, parte do público bateu palmas por tudo: pela cantora que foi, pelo ser humano que viveu com toda a intensidade, e pelo filme: bem feito, bem acabado e com atores impecáveis nos seus papéis. 

Elis Regina é eterna. A força e a beleza de sua voz estarão sempre presentes entre nós nesta e nas futuras gerações. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço

Título: Elis.
Gênero: Drama – Biografia.
Direção: Hugo Prata.
Roteiro:Hugo Prata, Luiz Bolognesi, Vera Egito.
Elenco/Personagem: Andreia Horta (Elis Regina), Caco Ciocler (César Camargo Mariano), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli), Lúcio Mauro Filho (Miéle), Natallia Rodrigues (Beth), Zecarlos Machado (Romeu), Júlio Andrade (Lennie Dale), Rodrigo Pandolfo (Nelson Motta).
Duração:110 minutos.
Classificação: 14 anos.
Assista o trailer aqui!

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve toda semana no São Paulo São.
 
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