Oscilações de uma cidade que é o seu avesso - São Paulo São

Perambular pelas ruas de Sampa é um convite para prestar atenção nas diversidades desta metrópole.

Tudo é passível de ser fotografado ou de se transformar em texto, poesia ou num mero registro que ficará guardado na memória.

A cidade, como a nossa vida, muda o tempo todo. E não apenas as alterações climáticas, comuns nesta capital, as quais permitem que vivenciemos no mesmo dia as quatro estações do ano.

Por isso tem gente que sai de casa com um kit básico de sobrevivência contendo guarda-chuva, blusa, óculos de sol, galocha e alguns sacos plásticos para acondicionar separadamente os itens a fim de evitar a mistura de categorias.

Na semana passada, voltando de uma reunião na Vila Olímpia, percebi que o céu estava carregado. Na medida em que eu me aproximava do ponto de ônibus para descer, as nuvens ficavam mais cinza escuro.

O trecho a pé até o meu apartamento dura 15 minutos. Acelerei os passos para não ser pego pelo temporal e, felizmente, a tempestade que apontou no meu caminho caiu em outros bairros.

Nesta época do ano sabemos que as chuvas nos visitam com dimensões, intensidades e durações distintas. E dependendo onde São Pedro decide abrir as torneiras, as consequências são imprevisíveis.

Como falta pouco para o verão acabar é provável que ainda role muita água e, talvez, um pouco de outono, primavera e inverno.

Quando se caminha, tem-se contato mais direto com as oscilações metereológias, o que nos permite perceber como cada uma delas impacta nas pessoas e nas paisagens, como nesta foto da Zona Sul, que de certa forma traduz o que disse Caetano Veloso, “É o avesso, do avesso, do avesso, do avesso”, e foi um dia a terra da garoa. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.