São Paulo São é tão plural, que agora tem espaço para discutir sexualidade - São Paulo São

O São Paulo São tem um compromisso com as coisas boas que são tão nossas e com a pluralidade. Hoje damos boas vindas ao jornalista João Luiz Vieira, e abrimos espaço para tratar, sem preconceito, das questões ligadas a sexualidade. Com isso, o São Paulo São pretende propor diálogos com você, eternamente em dúvida, como nós, sobre o que somos hoje e, mais forte, que nós fomos no passado e quais certezas teremos daqui para frente.

Na dúvida, pergunte! João vai tentar responder, mas, por enquanto, somente sobre o que ele tem estudado: sexualidade. Em outras palavras, o que nos difere de todos os demais animais que, temos certezas, são limitados. E vamos começar com o básico: sexo e sexualidade são a mesma coisa?

 

João Luiz Vieira o novo colunista do São Paulo São. Foto: Bianca Vasconcellos.João Luiz Vieira o novo colunista do São Paulo São. Foto: Bianca Vasconcellos.

João dá o recado para vocês na estreia de sua coluna quinzenal no São Paulo São onde passa a escrever toda segunda-feira.

“Estamos combinados: vamos propor umas inflexões sobre sexualidade, suas hipóteses e variáveis a partir desta segunda. Não precisa ler escondido do seu amor, do chefe ou do parceiro de botequim. Não haverá uso extravagante do idioma, muito menos fotos comprometedoras. Eu proponho a reflexão, você concordará ou discordará e, se quiser, manda e-mail que a gente tira dúvidas pontuais.  Por que sexo e por que eu? Às preliminares. 

Para muita gente, falar de si é motivo de pânico. Para mim, não, porque o que escrevo sobre mim ou sobre algo pode ser repensado no mês que vem ou mesmo aqui, no ponto final. Isso, o repensar, não me constrange, afinal estamos em processo e, como sempre digo, o fim da estrada é apenas o caminho. Nada gruda, porque não existe cola para o tempo, a única medida que nos justifica enquanto matéria. 

Desde o descobrimento da primeira célula, que se dividiu em duas, o único propósito legítimo da vida tem sido passar adiante o que foi apreendido. Ao morrer, em condições favoráveis, as células encaminham as informações primordiais para a posteridade, ou seja, para a célula seguinte, que passa à seguinte, e assim vai. A autogestão ou autossuficiência, sim, acontece, mas em condições desfavoráveis. Assim, conhecimento e aprendizagem precisam ser transferidos para nos ratificar e sempre através dele, do tempo. 

Para mim é missão como comunicador. Estudo sexualidade, empiricamente, há algumas décadas e, de maneira sistemática desde que lancei um site de comportamento, o www.paupraqualquerobra.com.br, há cinco anos. Nessa vírgula de tempo, concluí uma pós-graduação como educação sexual, publiquei dois livros, estou para lançar outros dois, escrevi 11 peças de teatro e tenho em pré-produção projetos audiovisuais. Tudo envolvendo esse tema complexo e incontornável para a espécie em que estamos inseridos: a sexualidade.

Aqui, pretendo propor diálogos com você, eternamente em dúvida, como eu, sobre o que somos hoje, o que nos foi forjado do passado e o que é certeza amanhã. Somos muito limitados enquanto seres, por isso informação é uma forma relativamente segura de ter conforto ou, na melhor das hipóteses, controle. A coluna que estreio aqui na São Paulo São, Sexo São, tem tudo a ver com a proposta do portal, de multiplicidade: vamos propor travessões que vão do amor ou da solidão em sexualidades ditas convencionais às questões que propõem a recolocação de nossos pilares de convicções.

Volte algumas horas do seu dia. Você acordou, olhou-se no espelho. Encarou o próprio rosto, analisou o percentual de gordura no abdome, mediu os bíceps ou as ancas. Pensou no que precisa fazer para melhorar sua apresentação pública.

Depois disso você terá pouco tempo para se conferir porque espelhos somente em visitas eventuais a banheiros, em acessórios de automóveis ou nos elevadores. Você, então, não se preparou para você. E, sim, para o outro.

O de fora passa mais tempo o observando que o contrário. Quem lhe deseja, portanto, é sua presa e, na igual proporção, seu caçador. É sedução o que interessa nesse jogo de seta e alvo. Como dizia o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), tudo no mundo está relacionado a sexo, exceto o próprio sexo, que é uma representação de poder. A primeira investida, na semana que vem, será, precisamente, o que nos difere dos demais animais: essa tal de sexualidade. Abra sua cabeça e seu coração, o resto deixa com a gente.“

***
João Luiz Vieira é jornalista profissional há 30 anos, roteirista de TV, autor de teatro, coordenou os livros Sexo com Todas as Letras (e-galaxia, esgotado) e Kama Sutra Brasileira (Planeta), é sócio-proprietário do site Pau Pra Qualquer Obra, e pós-graduado em Políticas Culturais e Educação Sexual.
Para falar com ele: [email protected]