É para frente que se anda? - São Paulo São

Cada vez mais as pessoas não olham para frente. Na ânsia de saber o que ocorre no mundo virtual, muita gente caminha como se fosse corcunda.

Será que a raça humana está regredindo? Talvez nesse aspecto, sim. Caminho muito pelas ruas, e é comum cruzar com gente que avança metros sem deixar o pescoço reto um só segundo.

Talvez daqui a alguns anos pesquisas científicas constatem que o homo sapiens atrofiou, e as gerações futuras tenderão a ser mais baixas do que essa juventude que hoje supera com facilidade o 1,80 m de altura.

Gostaria de saber também quantos acidentes acontecem, por exemplo, na região central de São Paulo, em função da desatenção das pessoas em atravessar as ruas, subir e descer das calçadas; trombar com gente que anda na direção contrária, ou que tropeça num cão manso que resolveu parar ao lado do poste sem avisar.

Desde bem pequeno ouço a frase “É para frente que se anda”. É provável que a pós-geração Smart Phone revele para nós que “É para baixo que se enxerga”.

O Google, por sua vez, me revelou a sabedoria do site “Frases do bem” e o seu conceito mais ampliado: “É pra frente que se anda, é pra cima que se olha e é lutando que se conquista.”

Já o genial Ary Barroso nos apresentou essa canção: “Tudo acabou / Mal começou / Amor, / Agora é a sorte quem manda / Você não quis / Me fazer feliz / Seja o que Deus quiser / Ë pra frente que se anda.” Além de talentoso, ele foi um visionário!

Encerro as versões por aqui. E como essa é uma questão de interesse coletivo, de grande impacto na sociedade, tudo indica que em breve esse hábito de olhar para o chão tem chance de se transformar em caso de saúde pública, e em teses de mestrado e de doutorado nas melhores universidades do País e, quiçá, do mundo. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.