Vivências nos coletivos - São Paulo São

User Rating: 0 / 5

Estive no Rio de Janeiro a trabalho, e usei transporte coletivo. Para ir do Leblon à Barra, o Metrô é a melhor opção. Da estação Antero de Quental até a Jardim Oceânico, são entre 15 a 20 minutos de absoluta tranquilidade.

Desconhecendo as dinâmicas do lugar não sabia que no sábado o Metrô fechava às 22 horas. Perdi o trem e tive que pegar um ônibus de linha. O mesmo trajeto levou mais de 40 minutos, mas ganhei as vistas noturnas da cidade maravilhosa.

Perguntei ao motorista se o coletivo passava pela Gávea e ele disse que sim. O condutor apenas não falou que o seu caminho era pela avenida da praia. Intuitivamente e atento ao percurso, fiz a pergunta no momento exato e desci na esquina da rua que me levou ao prédio em que estava hospedado. Deu tudo certo.

De volta a São Paulo, entrei num coletivo na Avenida Angélica e conheci o Carioca, um senhor que pelas características vive em situação de rua. Com certa proximidade com o cobrador, ele comentou ser um homem de sorte por ter saúde, e estar de bem com a vida.

Carregando umas três sacolas com resíduos contendo plásticos e latas de alumínio, o quase ancião desceu logo para as suas andanças do dia. E o cobrador completou: “O Carioca é gente boa, não faz mal a ninguém, e todo dia pega este ônibus”.

Duas situações distintas, vivenciadas nesse meio de transporte que permite algum contato e ter certa proximidade humana com as pessoas que circulam para lá e para cá. Por aqui, fico. Até a próxima.

***
Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.