Como nossos pais em dose dupla - São Paulo São

Letra articulada de Belchior e canção maravilhosamente interpretada por Elis Regina, “Como nossos pais” foi um hino no período de redemocratização do Brasil.


Muitos sabiam a letra de cor, e repetiam um os seus refrões em coro nos encontros regados a rodadas de cerveja após os debates infindáveis nas reuniões dos Centros e Diretórios Acadêmicos, ou em seguida às mobilizações e assembleias universitárias.

“Você pode até dizer que eu tô por fora, ou então que eu tô inventando. Mas é você que ama o passado e que não vê. É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. A meu ver, essa é uma das melhores estrofes da música do gênio com aquele bigode e sotaque inconfundíveis que partiu dessa existência neste ano, mas que viverá sempre entre nós.

Com o mesmo mote e em linguagem cinematográfica, temos a possibilidade de mergulhar numa dinâmica familiar vivenciada por muitos na vida real no filme “Como nossos pais”, dirigido por Laís Bodanzky.

Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

Recentemente o drama foi o grande vencedor no Festival de Cinema de Gramado 2017, recebendo os Kikitos de melhor diretora, melhor filme, melhor atriz principal e coadjuvante, de melhor ator e de melhor montagem.

Com roteiro convincente, escrito a quatro mãos com o marido Luiz Bolognesi, e interpretações poderosas, o drama é um retrato contemporâneo das relações entre pais e filhos; das emoções e dos sentimentos que movem os diferentes relacionamentos.

Dos pais herdamos os genes, e os primeiros ensinamentos. Depois passamos pelos conflitos, construímos as nossas próprias identidades e, mais tarde, com maturidade e generosidade, compreendemos como eles foram; e, por meio das nossas transformações, conseguimos aceitá-los e fazer as pazes com nós mesmos como somos. Por aqui, fico. Até a próxima!

Rosa (Maria Ribeiro) e Clarice (Clarice Abujamra) em cena de ‘Como nossos pais‘. Foto: Divulgação.Rosa (Maria Ribeiro) e Clarice (Clarice Abujamra) em cena de ‘Como nossos pais‘. Foto: Divulgação.Serviço

Como nossos pais (Brasil)
Direção: Laís Bodanzky.
Roteiro: Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi.
Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Sophia Valverde, Annalara Prates, Paulo Vilhena, Felipe Rocha, Jorge Mautner.
Classificação: 14 anos.
Duração: 106 minutos.
Trailer aqui!

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.