Que tal um sanduíche de mortadela? - São Paulo São

Às vezes da vontade de comer um sanduíche de pão francês com mortadela. Dos frios disponíveis, ela é a mais popular, e que oferece a melhor relação custo X benefício.

Fria ou aquecida; acompanhada de café com leite, chocolate quente, refrigerante ou cerveja, o  pãozinho crocante, quando a recebe com recheio, se transforma numa deliciosa refeição que satisfaz o apetite no café da manhã, no almoço, no jantar e até de madrugada.

Existem mais de 26 opções de sanduíches de mortadela no Mercadão. Foto: Zildda Brandaoh. Existem mais de 26 opções de sanduíches de mortadela no Mercadão. Foto: Zildda Brandaoh.

No Mercadão Municipal de São Paulo, o Bar do Mané conquistou clientes fiéis ao oferecer o sanduba mais democrático da cidade com generosas fatias desse embutido que quase nos obriga a comer de garfo e faca.

Como o seu sabor é muito marcante, adoro acrescentar ao miolo fofinho do pão uma boa quantidade de geleia de laranja ou abacaxi. Para o meu paladar, esse mistura é divina.

Segundo a Wikipédia, mortadela é um embutido ou enchido feito de carne de bovinos, suínos, de aves e de cubos de gordura. Os temperos geralmente usados incluem pimenta preta, murta, noz moscada e coentro. É a primeira vez que tenho acesso à sua receita original, à base de um mix de carnes bem temperadas, que garantem o sabor e o aroma inconfundíveis.

A história segundo o São Paulo in Foco

Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané. Foto: Divulgação.Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané. Foto: Divulgação.

Um dos símbolos da gastronomia paulistana é o famoso sanduíche de mortadela do Mercadão. Tudo começou no ano de 1933, em um pequeno bar aberto, chamado Bar do Mané, no Mercado Municipal de São Paulo por alguns imigrantes portugueses da família Loureiro.  A ideia era atender às necessidades dos feirantes, quintadeiros e de alguns clientes que passavam pelo Mercadão e precisavam de uma opção de refeição rápida e que os sustentasse pelo resto do dia.

Além disso, durante muitos anos, a SUNAB (Superintendência Nacional de Abastecimento), antigo órgão regulatório de alguns segmentos comerciais da cidade de São Paulo, tabelava o preço dos sanduíches e afins,  o que deixava as opções praticamente iguais e com pouquíssimo recheio.

Após anos servindo lanches dos mais diversos tipos, no ano de 1970 um cliente ficou revoltado com a pouca quantidade de recheio do seu lanche.Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Foi então que um dos donos do estabelecimento resolveu encher o lanche de mortadela para que o cliente não reclamasse mais. Entretanto, diz a lenda, que o cliente que estava ao lado do “reclamão” também quis seu lanche com o recheio extra e assim foi criada a tradição do enorme lanche do Mercadão.

A iniciativa deu certo e a iguaria começou a ficar famosa na cidade. No dia 10 de julho de 1979, o guia do Estadão falou pela primeira vez do sanduíche em uma matéria de página inteira. A chamada era “O Lanche de mortadela dá fama ao boteco”. A fama se consolidaria no ano de 1995, quando o bar apareceu na novela A Próxima Vítima, da TV Globo. Em algumas estimativas feitas pelos donos do “Bar do Mané” dão conta que o bar chega a vender 1.200 lanches em um dia, o que resulta em 3.100 kgs de mortadela em um mês.

Bateu uma fome daquelas? Que tal um sanduíche de mortadela? Bom apetite e até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.