Vida: um evento passageiro que dura para sempre - São Paulo São

Quando março acabar, faltará apenas nove meses para o final de 2018, um ano ainda imprevisível sob muitos aspectos para um País que, parece, vive como se tudo o que presenciamos diariamente fosse normal.

Para ser exato, isso não é sintoma do Brasil, mas resultado da apatia que rege a imensa maioria dos mais de 200 milhões de habitantes que compõem esta nação.

Tocamos a vida em função dos eventos, os quais como sugere a denominação, são efêmeros. Alguns duram segundos ou minutos; outros um dia ou mais, e existem aqueles que se repetem por determinados períodos.

Pensamento, por exemplo, é um evento instantâneo que quando captado, às vezes gruda na mente, e a partir daí se transforma em uma realidade nem sempre verdadeira.

Aniversário, Natal, Reveillon; Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, dos Namorados, são previsíveis e renovados a cada ano. Já as estações, embora se repitam no mesmo período, devido às mudanças climáticas e ao desequilíbrio ambiental provocado pelo ser humano, há ocasiões em que experimentamos temperaturas de Primavera, Verão, Outono e Inverno em 24 horas, o que nos obriga a ter uma saúde de ferro ou, no mínimo, fortalecida para dar conta das bruscas variações metereológicas.

Outros acontecimentos têm ciclos mais longos como, por exemplo, a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, que parecia distante, mas acontecerá em menos de 100 dias, lembrando que a última edição foi sediada no Brasil, o maior fornecedor de craques desse esporte, que lidera o ranking de campeonatos conquistados, e que até agora não conseguiu sagrar-se vencedor na sua casa.

Como trata-se de um assunto polêmico, e um dos mais graves a ser enfrentado pela sociedade brasileira, neste ano teremos mais uma eleição para Presidente, Governador e Deputado Federal, num contexto incerto e repleto de lances espetaculares comandados pelas trupes que hoje ocupam as instâncias de poder.

Para não me prolongar nesse assunto, sugiro assistir ao documentário “Imagens do Estado Novo 1937-45”, dirigido por Eduardo Escorel, e com produção de Cláudio Kahns. O filme reavalia a herança do período ditatorial de Getúlio Vargas, a censura, as conspirações subversivas, e as contradições entre o apoio ao nazismo ou aos países aliados, além da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Uma verdadeira aula de história para quem quer entender como funciona a política no Brasil.

Viver é o que mais importa nessa existência. Ninguém sabe o prazo de validade e, por isso, pode-se considerar que é o evento passageiro com a maior possibilidade de renovação, desde que cada um de nós esteja disposto a se transformar continuamente, fazendo o que for necessário para valorizar o “ser” e o “estar” por aqui, fico. Até a próxima.
Leia também: Documentário ‘Imagens do Estado Novo 1937-45‘, reavalia as contradições da era Vargas

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

 



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