Bom cinema com sotaque francês - São Paulo São

50 são os novos 30 é um dos filmes em exibição no festival. Foto: Divulgação / Festival Varilux.50 são os novos 30 é um dos filmes em exibição no festival. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

É prazeroso ir ao cinema e se emocionar com histórias da vida, as quais ganham dimensões marcantes vistas na telona, e principalmente quando nós saímos mexidos da exibição; sensibilizados, incomodados ou com qualquer outro sentimento que nos mobilize e nos faça pensar.

Aproveitando a maratona do Festival Varilux de Cinema Francês 2018, vi três belas produções, nessa ordem: “50 são os novos 30”, “Promessa ao Amanhecer” e “Marvin”. Sem apelar para acrobacias tecnológicas, efeitos especiais assustadores em som Dolby Stereo nem piadas forçadas.

Com um mix de roteiros certeiros, interpretações poderosas e direções seguras, por visões particulares, as três ficções mergulham pelas diferentes facetas das relações familiares, ora com boas pitadas de humor, como na comédia romântica “50 são os novos 30”, em que a cinquentona Marie-Francine (Valérie Lemercier) é abandona pelo marido e, sem outra opção, volta a morar com os pais, e tem que se reencontrar pessoal e profissionalmente… aos 50 anos! Apesar de infantilizada por eles, é numa pequena lojinha de cigarros eletrônicos da qual vai tomar conta, que ela vai conhecer Miguel que, sem ousar confessar, está na mesma situação que ela.

Adaptação do livro de Romain Gary, Promessa ao Amanhecer (La promesse de l´aube), um dos relatos mais comoventes já escritos sobre o amor materno. Foto: Divulgação / Festival Varilux.Adaptação do livro de Romain Gary, Promessa ao Amanhecer (La promesse de l´aube), um dos relatos mais comoventes já escritos sobre o amor materno. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

O drama “Promessa ao amanhecer” é inspirado na novela autobiográfica de Romain Gary, publicada na frança em 1960, na qual ele, no filme vivido por Pierre Niney, narra a sua asfixiante relação com a mãe superprotetora, Nina, interpretada pela excelente Charlote Gainsbourg. Desse relacionamento materno de amor verdadeiro e profundo, Romain jamais se recuperou de algumas marcas, e as enfrentou como lhe foi possível. Essa adaptação muito variada, tão avassaladora quanto o relato original, respeita a memória e a vida de Gary (…) O personagem da mãe, Nina, feito por Charlotte Gainsbourg, nos impressiona do início ao fim.

Já em “Marvin” somos convidados a percorrer os caminhos do sensível menino chamado de “bicha” pelos colegas da escola, que utiliza a sua história de vida e a sua experiência familiar como nutrientes para se transformar num artista criativo e bem sucedido, e que encontra na linguagem teatral a via para se encontrar consigo mesmo, e para ocupar o seu lugar nesse mundo. Marvin Bijou está em fuga: primeiro de seu vilarejo em Vosges, depois da família, da tirania do pai, da renúncia da mãe e por último da intolerância, rejeição, humilhações as quais era exposto por tudo que faziam dele um rapaz ”diferente”. 

"Marvin" é um retrato fragmentado e constantemente comovente de um jovem que consegue ir além do espelho. Foto: Divulgação / Festival Varilux."Marvin" é um retrato fragmentado e constantemente comovente de um jovem que consegue ir além do espelho. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

O Festival Varilux está em cartaz até 20 de  junho de 2018 nas principais cidades do Brasil. Mais informações em http://www.festivalvarilux.com.br/. Por aqui, fico. Até a próxima!

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.



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