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São Paulo São Ensaios

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São Paulo é uma cidade suja.

Sempre foi.

Sempre tem cara de suja, cinza, poeira de asfalto misturado com borracha de pneu de automóvel, uma poeira fina que penetra nas frestas; limpa de manhã, de tarde já está sujo.

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É com muita tristeza que a população paulista recebe as notícias da morte de pessoas em situação de rua em decorrência do frio. Mais graves ainda são as denúncias feitas contra a Guarda Civil Metropolitana – GCM -, que estaria retirando cobertores dessas pessoas. Questionada, a Prefeitura avisou que irá investigar a denúncia e punir os culpados.

Tendo essa realidade em vista, é importante nos atentarmos e, principalmente, nos questionarmos sobre outro ponto extremamente crucial: o urbano, nos moldes em que cresceu, se desenvolveu e vem sendo planejado em praticamente todas as cidades ocidentais é caótico, é desigual e segrega. Por quê? Porque esse é o sistema em que vivemos. A violência faz parte da cidade e faz parte do urbano, em uma ação perversa que se inicia com a base do modelo capistalista de cidade: a privatização da terra, onde uns tem direito à ela e outros não. A prioridade da terra enquanto valor de troca, e não valor de uso. A privatização dos espaços acaba por selecionar aqueles que tem direito à cidade, à memória e à representatividade. E não se trata de uma política municipal, estadual ou federal. É um movimento econômico pautado pela financeirização da terra e do solo urbano e explorado por diversos autores e autoras do mundo inteiro.

Por um lado, a imprensa, e isso é sempre importante lembrar, bem como uma importante parcela da elite paulistana, não se importa com a população em situação de rua. Nunca se importou e não mudou de ideia em função de um inverno rigoroso ou a perda de vidas humanas. São aqueles que lutaram contra o IPTU progressivo e contra uma cidade mais democrática no acesso a terra. São aqueles que lutam contra as ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) nas áreas centrais e nobres da cidade de São Paulo. Eles (sim, eles, os que sustentam e lucram com esse modelo de financeirização da terra) não querem uma solução progressista para esse problema inerente ao cotidiano paulistano. Querem, na realidade, o que queria para a chamada “cracolândia”: arrasar o bairro, não importa se pessoas vivem lá. O repentino interesse da imprensa pelo tema é movido só e somente só por motivos eleitorais. Caso contrário, um debate maior sobre o tipo de cidade em que vivemos estaria sendo proposto.

É importante também ressaltar que essa visão não diminui a importância sobre o tema – seja por parte do poder público ou por parte da população. Lembremos que, a última pauta da esquerda comprada pela grande mídia e pela direita gerou um movimento de dimensões gigantescas no ano de 2013 em todo o Brasil, tendo começado justamente na cidade de São Paulo.

Deixarmos de nos sensibilizar, entristecer e indignarmos com notícias desse tipo significaria a nossa falência da sociedade. Uma vida é uma vida, e como disse a própria prefeitura em uma peça publicitária veiculada recentemente, “Quem salva uma vida salva o mundo inteiro”. Não podemos aceitar, e devemos, sem dúvida, cobrar a atual gestão. Isso é essencial para a evolução dessa São Paulo em uma cidade que queremos, mais igualitária, democrática e acessível.

Devemos fortalecer o debate em termos que realmente signifiquem e sinalizem uma mudança para São Paulo. Aqueles se identificam como progressistas e com o campo de esquerda devem, neste momento, impulsionar e fomentar um debate que resulte em uma mudança concreta para a cidade. Que contemple a crítica contra a GCM, mas que vá além nesta discussão e proponha também o debate sobre o urbanismo que há séculos produz uma cidade como a nossa. Que condene o poder público que arranca o cobertor de uma pessoa em situação de rua, mas que acima de tudo se questione: porque essa pessoa está na rua?

Não devemos apenas cobrar vagas em albergues no inverno paulistano. Não podemos nos contentar com a falsa sensação de que uma campanha do agasalho, por mais louvável que seja, vá representar alguma mudança social. Devemos fomentar cada vez mais medidas como o “De Braços Abertos”, que busquem alternativas sociais – e não policiais – para problemas de saúde, apoiar o IPTU progressivo, importante ferramenta no combate à especulação imobiliária, exigir a implantação de ZEIS em toda a cidade, bem como devemos cobrar medidas de assistência e inclusão social para aqueles tão marginalizados em nossa sociedade.

O problema é complexo, a indignação é profunda e extremamente necessária. Mas não podemos nos deixar levar por uma imprensa que, mais uma vez, tentar se apropriar de uma pauta progressista com um viés eleitoral. Aqueles que controlam a grande imprensa paulista não lutam pela inclusão, tem horror a uma cidade mais democrática e lucram com a financeirização do solo urbano. Cabe à esquerda, seja ela no âmbito das eleições, do dia a dia ou das redes sociais, fomentar o debate no nosso campo, da crítica construtiva e propositiva para nossa São Paulo. O nosso adversário não é um partido, uma gestão ou uma pessoa. É um modelo de crescimento. E precisamos estar atentos a isso.

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Por Jornalistas Livres.
 

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Uma das mais inspiradoras conversas que tive sobre criatividade na semana passada foi com um motorista do Uber. O rapaz era sócio de uma pequena agência de mídia digital, um empreendimento focado no entendimento de padrões e algoritmos do negócio, com grandes chances de decolar. Nos momentos de desaceleração da agência, que afirma serem cíclicos, ele e os sócios desconstroem a experiência do Uber. Monitoram e analisam o serviço como monitoram seus leilões de mídia, sabem a que hora devem sair e onde devem estar na rua em cada dia da semana. Trabalham três horas por dia e fazem mais que qualquer motorista que eu já tenha conhecido. O objetivo do time é entender o ecossistema proposto pela plataforma e criar serviços agregados, o que eles já estão experimentando com algum sucesso.

Alguns dos motoristas que conheci encaram o trabalho de um jeito interessante. Um senhor bem-sucedido, empresário de cantinas italianas mata a saudade do tempo em que era motorista de táxi pilotando um Acura novinho pelas manhãs, enquanto seus negócios estão se preparando para o almoço. Um jovem com corte de cabelo bacana, meia-direita profissional no interior de São Paulo, que dirige um X nas férias, enquanto aguarda a documentação que vai resgatá-lo de volta ao seu antigo clube na Romênia.

Mas o assunto aqui não é o Uber, pelo menos não completamente. É sobre como nossa mente encara a realidade, elabora situações criativas a partir dela e como transformamos imaginação em novas realidades.

Desde criança, fui educado para cultuar a capacidade criativa da nossa gente, um talento sem pares principalmente na hora de encontrar soluções inesperadas e, de certa forma, improvisadas. Embora nosso raciocínio seja sempre meio circular e um tanto longo, somos mestres dos atalhos criativos — eles são como um jogo que dominamos melhor que ninguém e para o qual nos dedicamos com intenso prazer. Assim, nosso destino criativo está traçado desde o berço: numa centelha no momento exato vai nos trazer aquela ideia genial. Somos criativos, pronto.

Os norte-americanos, curiosamente, se enxergam de um ponto de vista ligeiramente diferente. Eles falam de invenção como falamos de criatividade. Parece o mesmo, mas não é. Eles têm um raciocínio mais direto e objetivo (talvez monótono para nosso gosto). Curtem bem mais pensar como suas ideias desdobram em sistemas do que procurar aquele fio solto nas coisas. Depois de criarem as regras, as seguem muito bem até criarem regras novas que mudam tudo, inventando tudo de novo. Um jogo diferente.

John Kao, mestre da inovação da Harvard Business School e consultor em Silicon Valley, falou da cultura de invenção naquele país em uma entrevista para o Smithsonian. Segundo ele, a receita cultural que levou a sucessivas ondas de renovação criativa é baseada em três pilares: o perdão pelo fracasso, a aceitação do risco e um apetite por ideias excêntricas. A avaliação dele é interessante e pode nos ajudar a entender onde a noção de criatividade daquela cultura começa divergir da nossa. Lá existe um sistema inteiro esticando aqueles valores ao máximo, cada parte sendo sustentada por outra numa dança que empurra a economia de invenção para seus limites.

A palavra que eu mais ouvi na época em que trabalhei em San Francisco foi mindset — mentalidade.

Para mim, o conceito se traduz na capacidade de perceber e entender o que está rolando neste processo gigante de transformação. O clique na cabeça que faz a gente perceber a nova ordem onde muitos enxergam o ruído.

É aí que a história dos meninos do Uber faz o maior sentido, na percepção das plataformas de negócio em que operam. Por isso, acredito que a agência deles vai acontecer, enquanto outros negócios aparentemente sólidos vão continuar perdendo energia: eles não querem reinventar o sistema, querem se agregar por um período e continuar aplicando o raciocínio serialmente em outros empreendimentos.

Em algum lugar entre a descoberta do atalho e a invenção das regras, moram milhões de possibilidades criativas, mesmo para aqueles que dirigem no trânsito louco de São Paulo.

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Mauro Cavalletti é head of creative shop do Facebook. *Artigo publicado originalmente no Meio & Mensagem.
 

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Hilaine Yaccoub, doutora em Antropologia do Consumo pela UFF, chegou nessa conclusão após quatro anos de pesquisa na favela Barreira do Vasco, na cidade do Rio de Janeiro: "A favela está na vanguarda da economia de compartilhamento e no consumo colaborativo. É um valor intrínseco que deveria servir de exemplo para muitas sociedades. Estaria eu diante de uma resposta ou alternativa para o “consumismo” moderno e individualista?", questiona.
 
 
“Muita empresa olha quem mora na favela como se essas pessoas fossem índios urbanos. Uma gente exótica”. Foto: Acervo pessoal.
 

Lições da Favela

Sobre o que vivi e aprendi ao conviver “de perto e de dentro” com moradores de uma favela carioca

A maior parte dos antropólogos realiza o chamado “trabalho de campo” para observar e apreender dados sobre os fenômenos que se propões estudar. Dentro desta metodologia, denominada Etnografia, convivemos com o grupo, moramos no lugar, participamos de sua vida cotidiana, criamos laços de amizade e confiança para só então entrar na lógica de pensamento daquele público. Comigo foi assim ao vivenciar por quase 4 anos a vida cotidiana de uma rede social de moradores de uma favela no Rio de Janeiro. Aqui eu conto duas situações que me inspiraram a escrever minha tese e mudaram minha forma de ver minha profissão, meu estilo de vida e sobretudo a função da minha existência. Ninguém passa pelo “campo” imune. A gente se transforma, não há dúvidas.

Estava sentada na copa da casa de Vaninha quando o telefone tocou e ela atendeu: “claro, venha, eu tenho leite aqui, não precisa trazer não, mas aveia eu não tenho (risos). Tá bom, vem que tô te esperando”. Ela desligou e perguntei o que houve. “A moça que trabalha lá na banca de Crê (apelido de Cleonice, sua irmã mais velha que vende doces e água de coco na praça) está precisando fazer um mingau de aveia e o gás acabou, aí ela pediu (emprestado) minha boca do fogão, então ela vem a essa hora fazer o mingau”. Era sábado à noite (bem tarde) e isso a impossibilitava de comprar um botijão.

Durante o tempo que permaneci em contato íntimo com a rede social na qual me inseri percebi que esta era uma prática corriqueira. Os pedidos de ajuda ou suporte em emergências cotidianas aos vizinhos e integrantes da rede chegava a ser prosaico. Era visto por eles como algo “natural”, algo que fazia parte da vida cotidiana e precisava ser resolvido na ordem do dia, sem dramas. Na verdade, fazer parte da rede era saber lidar com situações desse tipo com “bastante naturalidade”.

Eu tinha, portanto, um cenário: a rede social na qual de alguma forma eu fazia parte ou pelo menos era assim que meus interlocutores me percebiam. Consciente disso, precisava então juntar as peças do quebra-cabeça e perceber como suas ações recíprocas traduzem uma forma própria de agir, que pode, sob vários aspectos, convergir para um estilo de vida que se insere numa perspectiva de vanguarda do mundo contemporâneo. A favela está na vanguarda da economia de compartilhamento e no consumo colaborativo. É um valor intrínseco que deveria servir de exemplo para muitas sociedades. Estaria eu diante de uma resposta ou alternativa para o “consumismo” moderno e individualista? Meu primeiro passo para responder a esta pergunta foi compreender bem a dinâmica dessas práticas.

De fato, há um valor por trás dessas práticas: a empatia. Para eles, os “favelados” (como costumavam se autodenominar), esse valor é “colocar-se no lugar do outro” constantemente. Isso fica evidente nos discursos e nas explicações que meus interlocutores me deram, pois todos me responderam que, dependendo das circunstâncias, todas aquelas situações ou pedidos de ajuda poderiam partir deles próprios, sendo assim “obrigatório” ajudar, emprestar e se doar – formas de valorização do coletivo que se sobrepõe ao indivíduo. No caso, por exemplo, dos “mais abastados” (e a rede social é heterogênea em relação às posições socioeconômicas locais), essa empatia vem acompanhada da memória, uma vez que ao auxiliarem outros integrantes, lembram do seu próprio passado de escassez e dificuldades quando não tinham alimentos em abundância ou não podiam presentear seus filhos, por exemplo. Nesse caso, a “batalha da vida” nunca é esquecida e os que estão à volta pedindo remetem aos problemas pelos quais todos já passaram. Os dramas do presente, vividos por outrem, relembram os dramas próprios e, desse modo, motivam a performance dos atores, pois estes conhecem os sentimentos e expectativas que caracterizam os papéis sociais em cena.

Lembro de uma ocasião em que uma moça (uma jovem senhora de aproximadamente 45 anos) estava indo para a festa de formatura de sua filha. Ela demonstrava ansiedade e inquietação. Era empregada doméstica e sua aflição tinha uma razão: não teve tempo de arrumar o cabelo e fazer a maquiagem para uma ocasião tão importante. Ela passou na Associação e contou em tom dramático que não poderia ver sua filha se formar no colégio porque não queria fazer a menina “passar vergonha”. Vaninha, mais que depressa, mandou Fafá correr até sua casa e pegar o estojo de maquiagem e disse veementemente: “você vai sim, é uma conquista dela e sua, você não pode perder”. Fafá saiu correndo pela rua Darcy Vargas para pegar o estojo de maquiagem de Vaninha. Enquanto isso, deu-se início a um tipo de interrogatório entre Vaninha e a mulher: se havia roupa adequada, sapatos, bolsa etc, se além da maquiagem precisava de mais alguma coisa, como faria o penteado do cabelo etc. Quando a moça deixou a sala, Vaninha virou-se para mim e disse: “Eu sei muito bem o que é isso, a gente ter vergonha, não ter uma boa roupa para botar e deixar de ir nos lugares porque dá vergonha mesmo. Imagine você perder a formatura de um filho, é uma coisa que quase não se vê, é uma conquista dela também, ela precisa estar persente, e ainda mais para filha não ter a mãe do lado nessa hora!? Não pode ser assim, ela tem que ir e a gente dá um jeito”.

Não pude acompanhar todo o desenrolar da história, mas em outra ocasião perguntei à Vaninha qual tinha sido o desfecho e ela me disse que a mulher foi à formatura, tal como devia.

Estamos diante de muito apego e sim, é preciso rever nossos valores. O que de fato importa para você se soubesse que amanhã às 19:45h você irá morrer? Sair correndo e comprar uma bolsa? Foque nas pessoas, foque nas emoções, foque nas experiências. As coisas são apenas meios.

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Hilaine Yaccoub é doutora em Antropologia do Consumo (UFF- RJ), Mestre em Antropologia do Consumo (UFF- RJ), pós graduada em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais (ENCE-IBGE) e formada em ciências sociais (UFRJ). Consultora independente, pesquisadora e palestrante. É Professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Instituto Europeu de Design (IED) e Instituto Infnet (RJ). Co-criadora do MBA em Estratégias e Ciências do Consumo da ESPM RJ.

*Este texto é parte da tese de doutorado intitulada “Lições da Favela: As economias de compartilhamento de bens e serviços na Barreira do Vasco – RJ", defendida em janeiro de 2015 pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFF, linha de pesquisa Antropologia do Consumo.

 

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No Dia das Mães de 2013, primeiro ano da atual gestão da Prefeitura de São Paulo, convidamos mães a irem ao Vale do Anhangabaú para participarem do diálogo "Ser Mãe em São Paulo" e trocarem experiências sobre a maternidade no dia a dia da cidade.
 
Os múltiplos olhares -de mães em situação de rua, mães de filho com deficiência, mães imigrantes, mães empresárias, cineastas, jornalistas, professoras, servidoras públicas- trouxeram propostas e ideias, com a marca sensível da diversidade, para a melhoria da qualidade de vida em nossa cidade.
 
Compartilhamos ali fortes emoções e a vontade de que esses afetos pudessem contagiar mais paulistanos e se propagar por nossa cidade.
 
"Se milhares de Alices como a minha mãe tivessem aprendido a ler, a escrever, nós teríamos hoje no Brasil muito mais Clarices, Cecilias, Adélias, Pagus, Nélidas e Lígias, seríamos um país com mais justiça e mais autonomia", disse a escritora Simone Paulino.
 
"O que é decidir ser mãe e ser artista sem abrir mão de nenhuma das coisas? Como seria importante para uma mãe contar com escola integral, com transporte público (...) O transporte na madrugada, pensando nos jovens (...). As pessoas precisam sair, precisam se divertir", comentou a cineasta Tata Amaral.
 
Foi significativo voltar a esses e outros depoimentos, três anos depois, ao fazer o balanço que será publicado no livro "São Paulo Carinhosa: O que Grandes Cidades e Políticas Intersetoriais Podem Fazer pela Primeira Infância". Podemos afirmar que o compromisso público foi transformado em ação governamental, beneficiando milhares de pessoas.
 
Entre 2013 e 2016, a educação infantil em São Paulo aumentou em 90.455 o número de matrículas gratuitas. Foram construídas 370 creches, maior expansão já registrada: 491.780 crianças têm matrículas garantidas na rede municipal.
 
Os programas de educação integral (São Paulo Integral) e de extensão de jornada (Mais Educação Federal) estão em 382 escolas.
 
Avançamos na qualidade da alimentação escolar, ampliando de 1% para 22% o percentual de aquisição de produtos da agricultura familiar, entre 2013 e 2015, e reduzindo o teor de açúcar, gordura trans, conservantes e sódio.
 
A educação alimentar como parte do projeto pedagógico foi introduzida por meio de diversas ações, com destaque para o Prêmio Educação Além do Prato e o programa Na Mesma Mesa.
 
Ampliamos a rede de proteção às mulheres vítimas da violência, que agora conta com quatro centros de referência na cidade. Mais de 250 mil pontos de iluminação pública foram remodelados, substituindo lâmpadas de vapor de mercúrio por LED, e quase 50 mil novos foram criados em locais onde não existia luz.
 
São Paulo caiu 51 posições no TomTom Trafic Index, o mais importante ranking mundial sobre congestionamentos. Dentre as 295 metrópoles de 38 países analisadas, saltou da sétima cidade mais congestionada do mundo, em 2013, para a 58ª, em 2015.
 
O trânsito da cidade ficou menos perigoso: estudo produzido pela CET apontou queda de 20,6% no número de mortes em acidentes de carro em 2015. Numa cidade mais móvel, o cuidado com as pessoas ganha qualidade e segurança.
 
Na saúde, destaca-se a sanção da lei que protege a amamentação em espaços públicos, a ampliação das Casas de Parto e do número de leitos para parto humanizado nos hospitais. A publicidade infantil terá atenção no novo Procon Paulistano, tratando do desestímulo à propaganda enganosa e abusiva e do fomento a campanhas de educação.
 
Priorizar o bem comum, o coletivo, o lugar do individual e do privado, cuidar de quem cuida, reduzir desigualdades, tudo isso nos move a participar da construção da política pública na cidade brasileira mais influente no cenário global.
 
Como bem disse Mário de Andrade: "Abandonei, traição consciente, a ficção em favor de um homem de estudo que fundamentalmente não sou. Mas é que eu decidira impregnar tudo quanto fazia de um valor utilitário, um valor prático de vida, que fosse alguma coisa mais terrestre que ficção, prazer estético, a beleza divina".

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Ana Estela Haddad, primeira-dama do município de São Paulo, é coordenadora da São Paulo Carinhosa, política municipal de desenvolvimento integral da primeira infância. *Artigo publicado originalmente na Folha de São Paulo.