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Do litoral ao interior, o Estado de São Paulo possui uma imensa riqueza arquitetônica espalhada por seu território. É o que se constata ao folhear o recém-lançado livro Vestígios da Memória – Fotografias do Patrimônio Arquitetônico Paulista, organizado pela mestranda do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP Ana Lúcia Queiroz, em parceria com a fotógrafa Márcia Zoet.

A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá, com a orla de Santos ao fundo. Foto: Marcos PifferO livro traz fotografias em preto e branco de 34 obras arquitetônicas na ordem cronológica em que esses monumentos surgiram, desde a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, no Guarujá, que começou a ser erguida em 1584, até o Auditório Beethoven, em Campinas, datado de 1976. Produzidas por 19 fotógrafos, as imagens são acompanhadas de textos que contam a história de cada edificação. “A ideia é que as imagens e informações deste livro, como os cartões-postais de lugares não visitados, sejam mensagens a despertar a curiosidade, convites para que se desbravem os vestígios da cultura material paulista”, escreve na introdução a arquiteta Silvia Ferreira Santos Wolff, doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, que atua na Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A Chácara do Visconde de Tremembé, em Taubaté. Foto: Chico FerreiraJá entre as obras arquitetônicas instaladas na capital paulista, Vestígios da Memória destaca a Vila Penteado, na rua Maranhão, número 88, no bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo. Projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman para ser utilizada como residência de Eglatina Álvares Penteado Prado – filha do conde Antônio Álvares Penteado -, então recém-casada com o engenheiro Antonio Prado Júnior, ligado a uma das mais tradicionais famílias da cidade, a obra lançou o estilo art nouveau em São Paulo e hoje é considerada um dos seus mais representativos exemplares. “Construída com mais de 60 cômodos, distribuídos em dois pavimentos ricamente decorados com pinturas, estátuas, mobiliário, vitrais e mármores europeus, ocupava um grande terreno com jardins, quadra de tênis, lago, cachoeira e horta”, descreve o livro. 

A Vila Penteado, no bairro de Higienópolis, na capital paulista. Foto: Márcia Zoet

“Uma monumentalidade que exibia aos passantes e visitantes, no dia a dia ou em festas e recepções, os valores culturais da alta burguesia cafeeira de São Paulo.” Ainda de acordo com o livro, a residência de dona Eglatina foi utilizada pela família Penteado de 1903 a 1938, permaneceu desocupada por dez anos e em 1948 foi doada pelos herdeiros à USP, a fim de sediar a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). A foto que acompanha o texto sobre a Vila Penteado é de Márcia Zoet.

Templos religiosos também fazem parte do patrimônio arquitetônico paulista, como mostra Vestígios da Memória. Um deles é a imponente Catedral de Assis. “Como na maioria das cidades brasileiras, o povoamento de Assis se iniciou em torno de uma Igreja Católica: uma capela de pau a pique coberta por sapé. Nesse mesmo local, lembrando a fundação da cidade, está erguida a catedral.” Em 1914, a Estrada de Ferro Sorocabana chegou a Assis, abrindo caminho para o café e dizimando o que restava dos povos nativos. 

A Catedral de Assis. Foto: Mauricio Simonetti.

Além da modernidade, os trilhos levaram à cidade a dinamização da economia e novos católicos. “A capela de madeira que havia substituído a primeira construção de pau a pique já não representava nem comportava essa comunidade em constante crescimento.” A paróquia deu início, então, à construção de uma igreja maior, inaugurada em 1926, retratada, no livro, por Mauricio Simonetti.

O Auditório Beethoven, em Campinas. Foto: Mauricio Simonetti

Sobre o Auditório Beethoven, também conhecido como Caixa Acústica de Campinas – um dos equipamentos do Parque Portugal, às margens da Lagoa do Taquaral -, Vestígios da Memória informa que ele foi concebido pelo arquiteto Igor Sresnewsky, especialista em acústica para teatros ao ar livre, que em seu projeto se inspirou no auditório do Parque Damrosch, em Nova York, e em estudos da acústica dos teatros da Grécia antiga. “O arquiteto inovou construindo bancos de concreto ressonantes, ou seja, ocos e com combinações variadas, permitindo a reverberação perfeita dos sons.” A foto é de Mauricio Simonetti.

Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo em São Paulo (1920). Foto: Marcia Zoet.

Outros patrimônios arquitetônicos paulistas contemplados por Vestígios da Memória são o Complexo Ferroviário de Paranapiacaba, em Santo André, de 1867, o Theatro Municipal de São João da Boa Vista, de 1914, as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em São Paulo, de 1920, e o Depósito de Locomotivas de Araçatuba, de 1921. O livro destaca ainda a Estação Ferroviária de Araraquara (1912), o Hotel Cariani, de Bauru (1921), o Matadouro Municipal de Presidente Prudente (1929), o Edifício Martinelli, em São Paulo (1929), e a Igreja Santa Rita de Cássia, em Fernandópolis (1960), entre outras obras.


Serviço

Livro: Vestígios da Memória – Fotografias do Patrimônio Arquitetônico Paulista.
Ana Lúcia Queiroz e Márcia Zoet (organizadoras).
Ilumina Imagens e Memória, 86 páginas.

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Por Roberto C. G. Castro no Jornal da USP.

Imortalizada na música *‘O Trem das Onze‘, de Adoniran Barbosa, a Tramway da Cantareira norteou o crescimento e o desenvolvimento de bairros da zona norte, como Santana, Mandaqui, Jaçanã e Tucuruvi.

A extinta linha ferroviária, construída em 1893, ligava o centro de São Paulo ao reservatório de água da Cantareira. Inicialmente a linha transportava somente materiais de construção, mas a partir de 1895, começou a transportar passageiros.

Anterior ao Trem da Cantareira é a Fazenda Sant’Ana, que originou o distrito de Santana. A fazenda foi citada pela primeira vez em 1560 pelo padre José de Anchieta e pertencia à Companhia de Jesus. Pela fazenda, onde muitos índios foram catequizados, passava o Caminho do Guaré, que nasceu de uma trilha indígena e ligava São Paulo a Atibaia e Minas Gerais.

No século 19 a área era chamada de Solar dos Andrada, sede da fazenda da família Andrada. Lá foi redigida a representação paulista, carta que contribuiu para os eventos do “Dia do Fico”, em nove de janeiro de 1822. Hoje os remanescentes dessa construção situam-se no quartel do Exército, onde funciona o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR), de 1948. Pode-se dizer que a ocupação da região se desenvolveu nos arredores dessa antiga fazenda.

Santana mantém algumas edificações que ajudam a contar sua história. O conjunto de residências em estilo normando, construído na chácara que pertenceu a Francisco Antônio Baruel é um deles. Compõe-se do Palacete Baruel e da sede da Biblioteca Narbal Fontes, da Prefeitura, que foi residência de Maria Galvão Bueno Rodrigues, neta de Francisco Baruel.
Antiga Fazenda Sant’Ana, por volta de 1916. Foto: Autor Desconhecido.

Junto com Pedro Doll, a família financiou a construção da Capela de Santa Cruz, aberta em 1895. Um dos párocos desta capela foi o padre Roberto Landell de Moura, que realizava experiências radiofônicas e é apontado como inventor do rádio por alguns pesquisadores.

A Escola Estadual Padre Vieira é uma construção do período da Primeira República, quando se iniciou o primeiro grande projeto de educação pública no Brasil. Sua arquitetura eclética possui inspirações art nouveau e art déco, e é característica desse programa educativo. Construída na década de 1950, no âmbito do extensivo programa do Convênio Escolar, com edifícios em arquitetura moderna, tem-se a Escola Estadual Doutor Octavio Mendes, também conhecida como Cedom.

Biblioteca Narbal Fontes, 1954. Foto: Gabriel Zellaui / Acervo PMSP.Santana abriga também outros equipamentos que, apesar de serem construções mais recentes, contam parte da história da cidade. O Campo de Marte foi o primeiro e principal aeroporto de São Paulo até 1936, ano de inauguração do Aeroporto de Congonhas. O Parque da Juventude está localizado no antigo Complexo Penitenciário do Carandiru. Após sua desativação foi construído um grande parque com biblioteca, escola técnica e áreas de lazer. No centro do Parque foi conservada uma parte da estrutura do presídio, envoltas por trepadeiras e árvores.

O conjunto do Parque do Anhembi é outra área marcante, construída às margens do Tietê, onde havia antigos campos de futebol de várzea. Inclui o grande Pavilhão de Exposições, do arquiteto Jorge Wilheim, e o Sambódromo, projeto de Oscar Niemeyer, construído em 1991 e que marcou a consolidação e promoção do carnaval de São Paulo.

Vista aérea do Parque Anhembi em 1973. Foto: Edison Pacheco Aquino / Acervo PMSP.

Outro bairro que remonta à época inicial da colonização do Brasil é o Mandaqui. A primeira referência ao local data de 1615, quando o bandeirista Amador Bueno autorizou a construção de um moinho de água na região. Já no século 19 o local foi procurado por imigrantes europeus que se instalaram em algumas chácaras, pois a proximidade com a serra da Cantareira remetia às suas terras natais. O trem da Cantareira também cortava o bairro e, a partir de 1928, os herdeiros de Alfredo Zumkeller lotearam a antiga fazenda de seu antepassado.

O Jaçanã, bairro onde mora a personagem da música de Adoniran Barbosa, recebeu este nome somente na década de 1930. Até 1870 era conhecido como Uruguapira, pois os bandeirantes acreditavam haver ouro na região. No entanto, as buscas foram frustradas e a área voltou a ser chamada pelo nome dado pelos índios: Guapira. O distrito foi loteado em 1934 pelos irmãos Mazzei e abrigou o primeiro estúdio cinematográfico de São Paulo, a Cia Cinematográfica Maristela.

Igreja do Menino Jesus. Ilustração: Luiz Rubello / Acervo PMSP.Além do patrimônio cultural, o Jaçanã ficou por muito tempo conhecido como zona hospitalar, pois lá havia o Asilo de Medicina Municipal, hoje o Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II, administrado pela Santa Casa de São Paulo. A construção em pavilhões, de 1911,  inicialmente recebia os inválidos de qualquer idade, abandonados e doentes crônicos. Outro conjunto importante é o Hospital São Luiz Gonzaga, antigo Hospital dos Lázaros, da Santa Casa, inaugurado em 1904; abriga em alguns de seus ambientes painéis artísticos de Alfredo Volpi, Aldo Bonadei, Tarsila do Amaral, e um painel em mosaico de Sansom Flexor.

Tremembé e Tucuruvi se desenvolveram principalmente a partir da construção da Tramway da Cantareira. O Tremembé surgiu em 1820, a partir do desmembramento da Fazenda Vicente de Azevedo. Inicialmente a fazenda fora dividida em chácaras e glebas médias. Já na década de 1910 os filhos de Pedro Vicente criaram a Cia Villa Albertina Terrenos e lotearam o bairro. Este situa-se no limite do Parque Estadual da Cantareira e do Parque Estadual Alberto Löfgren, também conhecido como Horto Florestal. Os parques são unidades de conservação da Mata Atlântica.

O Tucuruvi, por sua vez, se originou em 1903, quando o inglês William Harding comprou uma grande gleba na área, de onde surgiu um primeiro núcleo residencial. O bairro cresceu lentamente e em 1918 foi inaugurada a Escola Beneficente do Tucuruvi e a Igreja do Menino Jesus. O antigo Grupo Escolar Silva Jardim foi projetado por José Maria da Silva Neves, no início da década de 1930, com elementos da arquitetura proto moderna e art déco.

*Trem das Onze

A mãe de Adoniran Barbosa com certeza não teria dormido se tivesse esperado o filho pegar o trem das 23h para o Jaçanã. Isso porque não havia função na ferrovia nesse horário. Tampouco Adoniran morava no bairro. Apesar disso, a Tramway da Cantareira foi eternizada pelo sambista na canção “Trem das Onze”.

Em 1965, após sete décadas de serviço e milhões de passageiros transportados, toda a linha Tramway foi desativada. Dois mil passageiros eram transportados por dia, em média, mas o movimento não era suficiente para cobrir as despesas mensais da companhia.    

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Fonte: Blog do DPH / PMSP. 

Você ama o seu local de trabalho, mas odeia o deslocamento até lá. Seja por causa de meios de transporte público superlotados ou pelo trânsito interminável. Isso acaba desgastando sua vida pessoal e, consequentemente, a profissional também.

O site Science of Us reuniu diversos fatos científicos sobre o deslocamento diário e, acredite, ele está acabando com você! Antes de ler, aqui vai uma dica: a solução é trabalhar de casa.

1. A pior parte do dia é o deslocamento matinal para o trabalho

Cientistas americanos realizaram uma pesquisa com cerca 900 mulheres no estado do Texas. A pergunta era simples: qual de suas atividades diárias te faz mais feliz? Assim eles descobriram, por tabela, o que nos faz menos felizes: deslocamento no horário de manhã (atrás até mesmo de trabalhar ou limpar a casa). Ou seja, a ida para o trabalho. O trajeto noturno ficou no terceiro lugar de piores atividades diárias.

2. Você nunca vai se acostumar

Acostumamos com tudo na vida, menos com o deslocamento diário. "Você não pode se adaptar a isso, porque é totalmente imprevisível", disse o psicólogo da Universidade de Harvard, Daniel Gilbert. É ruim sempre, mas pode piorar.

3. Vai ser melhor se você caminhar ou pedalar

Uma pesquisa realizada em Montreal, no Canadá, revelou: pessoas que se deslocam caminhando ou andando de bicicleta são mais felizes do que as dirigem ou enfrentam o transporte público. Aproveite as ciclofaixas e seja mais feliz.

Casais que enfrentam juntos o deslocamento diário tendem a estar mais satisfeitos em seus relacionamentos. Foto: The Huffington Post.4. Trajetos longos podem acabar com seu casamento

Um estudo realizado na Suécia, com mais de 2 milhões de pessoas casadas, revelou que casais que enfrentam longos deslocamentos diários - mais de 45 minutos de carro - têm 40% mais chance de se divorciar do que casais que não enfrentam essa rotina desgastante.

5. Mas o seu relacionamento pode ser mais feliz se vocês forem na mesma direção

Contrapondo o último fato científico, outro estudo, com mais de 400 casais americanos e chineses, revelou que os que enfrentam juntos o deslocamento diário tendem a estar mais satisfeitos em seus relacionamentos. Muito amor no metrô. 

6. O tempo que você usaria se exercitando é gasto em deslocamento

Não só exercícios, mas quem gasta muito tempo com o deslocamento diário também perde tempo precioso de sono. De acordo com uma análise dos dados extraídos de cinco anos do American Time Use Survey, "Cada minuto gasto em deslocamento está associado a uma redução de 0,0257 minutos de tempo de exercício; 0,0387 minutos o tempo de cozinhar; e uma redução do tempo de sono 0,2205 minutos."

7. Você está perdendo tempo, literalmente

Quando comparadas com passageiros "extremos" - cujo tempo total de deslocamento diário é superior a três horas -, as pessoas que trabalham de casa dormem 44 minutos a mais e gastam 63% mais tempo se exercitando. O trajeto médio - 50 minutos - não tem um impacto tão terrível, mas ainda assim resulta em 11 minutos de sono perdidos.

8. Conversar pode ser a solução

Estudo revelou que o fato de conversar faz o trajeto se tornar menos desgastante. Foto: iStock.O psicólogo da Universidade de Chicago, Nicholas Epley, sugeriu que passageiros de Chicago conversassem com estranhos durante o deslocamento. O estudo revelou que o fato de conversar faz o trajeto se tornar menos desgastante.

9. Há pelo menos uma coisa boa sobre o deslocamento diário

Para algumas pessoas, a volta para casa é um momento de descontração e libertação do estresse do trabalho. Ler um livro e ouvir música são as melhores coisas pra se fazer após um longo dia de trabalho.

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Por Fernando Bumbeers na Revista Galileu.

São Paulo passou por um rápido crescimento a partir do século 19. A produção cafeeira no interior paulista impulsionou o crescimento e a importância política da cidade. A chegada de imigrantes, da ferrovia e o capital acumulado do café permitiram o início da industrialização. Também foi a época de construção de prédios icônicos e a modernização da paisagem paulistana. Surgiram novas centralidades que até hoje estão presentes no cotidiano dos moradores da cidade, como o Centro Novo e a avenida Paulista.

Carros transitando pela Avenida São João, São Paulo, década de 1930. Arquivo Nacional.Naquele momento, São Paulo passou por dois movimentos ao mesmo tempo: expansão e verticalização. Transpor o vale do rio Anhangabaú era uma necessidade e para isso foram construídos o primeiro Viaduto do Chá, em 1892, e o Viaduto Santa Efigênia, em 1913. Na região conhecida hoje como Centro Novo, que corresponde ao distrito da República, ocorreram uma série de intervenções que visavam modernizar e embelezar a cidade.

Símbolo de modernidade e responsável pela formação de um novo eixo cultural e comercial é o Teatro Municipal, inaugurado em 1911. Sua construção estimulou o crescimento do Centro Novo, ampliando-se comércio e serviços, como hotéis luxuosos,  a exemplo do antigo Hotel Esplanada, e dos desativados Hotéis Central e Britânia. Localizados na avenida São João, estes foram erguidos na década de 1910 com arquitetura eclética inspirada no barroco francês. Em 1925 foi fundada a Biblioteca Municipal de São Paulo, hoje Biblioteca Mário de Andrade, importante referência cultural dessa área. Seu edifício atual, na rua da Consolação, inaugurado em 1942, é um belo exemplar de arquitetura art déco. Passou por restauro e ampliação finalizada em 2012. Esta intervenção apresenta um aspecto interessante: nela é possível distinguir o original e o novo, isto graças ao uso de materiais diferenciados.

Final da construção da Biblioteca Mário de Andrade, no final da década de 1930. Arquivo/AE.

Outro marco no desenvolvimento do Centro Novo é a Praça da República. Sua história se inicia no século 18, quando era chamada de Praça das Milícias e utilizada para treinamento militar. No século seguinte foi palco de touradas e cavalhadas. Recebeu o nome atual em 1889, após a Proclamação da República. Logo depois, em 1894, foi construída a Escola Normal Caetano de Campos, de arquitetura típica das escolas da Primeira República. Desde 1978 o edifício abriga a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, e hoje a escola funciona no antigo prédio do Colégio Porto Seguro, na Praça Roosevelt. Ameaçado de demolição para obras do Metrô, na década de 1970, sua preservação como patrimônio cultural paulista se deveu a uma mobilização exemplar de antigos alunos e professores.

No início do século 20, com a expansão da cidade, foram propostos diversos projetos urbanísticos que objetivavam organizar seu crescimento. Entre os mais conhecidos há o Plano Bouvard, de 1912, e o Plano de Avenidas, da década de 1940. No primeiro havia o desejo de embelezamento da cidade e previa, para isso, a urbanização do Vale do Anhangabaú transformado-o num parque. Com o passar dos anos foi sendo descaracterizado e sua forma atual é resultado de um concurso para nova intervenção urbanística, realizada na década de 1990. Já o Plano de Avenidas, implantado pelo urbanista e prefeito Prestes Maia, visava modernizar e preparar a cidade, em meados do século 20, para receber o novo modelo de transporte que se intensificava: o automóvel. Abriu e alargou diversas avenidas, entre elas as Avenidas Ipiranga, São Luís, Dona Maria Paula e Senador Queiroz.

Avenida Ipiranga no final da década de 1940, vista do canto da Rua 24 de Maio, olhando para o sul. Foto: Acervo Folha da Manhã. O Plano de Avenidas foi importante na consolidação da região da República, Consolação e uma parte da Bela Vista como uma centralidade comercial e verticalizada. Incentivou-se, também, a construção de galerias comerciais, edifícios de uso misto e torres altas ao longo das vias arteriais. É desta época um prédio icônico como o Esther, construído em 1938 na Praça da República, considerado um dos primeiros edifícios modernistas de São Paulo. Também é relacionada ao Plano de Avenidas a construção do Edifício Viadutos, de 1956, na confluência dos Viadutos Nove de Julho e Jacareí.

Próximos do Edifício Esther, e do expressivo conjunto de prédios da Avenida São Luís, estão outros dois marcos da paisagem paulistana: o Copan, projeto de 1951, e o Edifício Itália, inaugurado em 1965. Compuseram com a torre cilíndrica do antigo São Paulo Hilton Hotel, de 1971, uma imagem que se tornou ícone da São Paulo Moderna dos anos 1970-80.

Vista panorâmica para a região do Centro Novo na década de 1970. Foto: Edison Aquino / Acervo PMSP.

Ainda no ideário da verticalização e modernização da cidade, uma quadra próxima à rua da Consolação guarda três edifícios, que contam um pouco a trajetória do modernismo paulistano, de autoria do arquiteto Oswaldo Bratke. O primeiro é o Jaçatuba, de 1942, a sua fachada principal é côncava e adaptada ao terreno triangular onde foi construído. Poucos anos depois, em 1949, no ABC o arquiteto trabalhou em um terreno regular, mas manteve uma fachada côncava, como se buscasse conversar com o vizinho Jaçatuba. E o Edifício Renata Sampaio Ferreira, de 1956, já na fase consolidada do modernismo. É composto por um volume horizontal com a área comercial, e no volume vertical situam-se as salas de escritório.

Uma das características da legislação vigente na época era indicar a integração entre o edifício, a rua e entorno. Ao caminhar pela Avenida Ipiranga e arredores é possível notar que a maioria dos prédios apresenta térreo comercial e marquise, além de galerias, elementos que convidam a entrar e oferecem abrigo. Nesta avenida e arredores se estabeleceu uma área de lazer e cultura, que ficou conhecida como Cinelândia, e um bom exemplo é o Hotel Excelsior e o antigo Cine Ipiranga, erguidos em 1941.

O território do distrito da Consolação possui origem anterior aos planos urbanísticos modernizantes. A atual rua da Consolação era o caminho que ligava o centro ao bairro de Pinheiros e à cidade de Sorocaba. Este caminho partia de um local antigo e importante para a cidade: o Largo da Memória. No início do século 19, este ponto marcava o encontro dos caminhos vindos do sul do país e do interior de São Paulo. Lá há o monumento mais antigo da cidade, o Obelisco do Largo da Memória, erguido como parte do projeto de reformulação do largo, em 1814. Mas a rua da Consolação só recebeu seu nome definitivo após a construção da primeira Igreja de Nossa Senhora da Consolação, de 1801 (a igreja atual começou a ser construída em 1909).

Largo da Memória em 1862, nota-se a presença do Obelisco da Memória. Foto: Militão Augusto de Azevedo / Acervo PMSP

Neste momento essa região ainda era pouco ocupada e afastada da cidade, e assim, em 1858 foi inaugurado o Cemitério da Consolação. No cemitério há desde o mausoléu da Família Matarazzo até as sepulturas de Tarsila do Amaral e Mário de Andrade. Além de lápides esculpidas e projetadas por Victor Brecheret e Ramos de Azevedo. Com o passar do tempo, foram instaladas chácaras na rua da Consolação, posteriormente parceladas para a abertura de vias e construção de edifícios. Entretanto, há alguns remanescentes desta época que demonstram a forma de morar da elite daquele momento. Por exemplo, a Chácara Lane, do final do século 19, integrante do acervo do Museu da Cidade de São Paulo, e a Casa Amarela, antiga residência, hoje ocupada, do começo do século 20.

A proximidade ao Centro e ao local de moradia das elites levou o bairro da Consolação a concentrar alguns imóveis de uso educacional. Um deles é a Escola Estadual Marina Cintra, representante da arquitetura escolar da década de 1930. Outro é o antigo prédio do Instituto “Sedes Sapientiae”, inaugurado em 1942, projeto do arquiteto Rino Levi, e que atualmente abriga um campus da PUC. Estas duas instituições possuem características arquitetônicas protomodernas, que, grosso modo, pode ser entendida como uma arquitetura preparatória para o modernismo. Apresentam elementos modernos como pilotis, grandes janelas e a preocupação com a funcionalidade. Porém conservam ornamentos de inspiração art déco, como a geometrização de elementos da natureza e volumes curvos.

Com o crescimento da cidade, as famílias de elite se mudaram para outros lugares que se tornaram mais acessíveis com a construção do Viaduto do Chá. Um deles foi o espigão da Paulista, a área mais alta da cidade, logo transformada em avenida. Inaugurada em 1891, com vias largas, pavimentadas e áreas ajardinadas, rapidamente passou a ser local de manifestação cultural. Nela ocorriam corridas de carro e corsos de carnaval. Nos arredores da Paulista se formaram bairros como Paraíso, Cerqueira Cesar, Bela Vista e Jardim Paulista. Possuem origem no loteamento de chácaras vizinhas à Paulista e se aproveitaram da infraestrutura e comércio proporcionado por ela.

Muitos palacetes dessa primeira ocupação da Paulista foram demolidos e em seus terrenos erguidos os imóveis atuais. Mas é interessante notar que as edificações remanescentes não mantiveram o uso original. Demonstrando que prédios históricos podem ser adequados para as necessidades contemporâneas. Por exemplo, o Palacete Franco de Mello, de 1905, abrigará o Museu da Diversidade e o Hospital e Maternidade Humberto I, de 1904, passa por restauro e funcionará como hotel, centro cultural e de compras. A Casa Daphnis de Freitas Valle, de 1928, hoje abriga uma funerária, e a Casa das Rosas, de 1935, um espaço cultural. O local mais antigo da Paulista, o Parque Tenente Siqueira Campos, o Parque Trianon, de 1892, conservou, no entanto, seu uso inicial. Nele há remanescentes de mata atlântica, um conjunto escultórico e a casa da administração original.

O Palacete Franco de Mello, de 1905 na Avenida Paulista. Foto: São Paulo Antiga.

Após a crise de 1929 a economia cafeeira entrou em declínio e os palacetes foram vendidos a construtoras. Estas aproveitaram uma de lei promulgada em 1936 que autorizava a construção de edifícios residenciais na Paulista. Foram erguidos prédios para as classes média e alta, normalmente em linguagem modernista. Por exemplo, o Edifício Anchieta da década de 1940, financiado pelo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI) e localizado na esquina da rua da Consolação com a Paulista. No térreo dele funciona o tradicional Bar Riviera, um lugar de reunião da classe artística e intelectual.

Em 1952 foi autorizada a construção de edifícios não residenciais na avenida Paulista, fato que transformou a história da região. Inaugurado em 1956, o Conjunto Nacional é um dos primeiros prédios de uso misto da Paulista. Foi um projeto inovador na época devido ao grande porte e a mistura de vários usos (comercial, corporativo e residencial). Também impulsionou na área uma série de outros empreendimentos como restaurantes, cinemas e lojas. Neste momento a Paulista se consolidava como um centro comercial, pois recebia tanto investimentos públicos como privados.

Avenida Paulista na década de 1960. Foto: Acervo Folha da Manhã.As construtoras encontraram na avenida um local que possuía infraestrutura, comércio e grandes terrenos para a construção de edifícios corporativos. Então, a partir da década de 1960, foram construídos edifícios modernos para grandes empresas com características marcantes e distintas. Por exemplo, o prédio do extinto Banco Sulamericano, de 1963, com sua estrutura modulada e planta livre, que permite paredes sem função estrutural. Há também o edifício sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), da década de 1970. Com um volume inusitado e que o transformou em um dos marcos referenciais da região.

A Paulista também é conhecida por ser um local de manifestação da população e abrigar instituições artísticas. Um local que reúne essas duas funções é o edifício brutalista do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), de 1968. Nesta vertente buscava-se a verdade dos materiais, ou seja, deixar a estrutura e os materiais expostos, evidenciando como o edifício foi construído. Outro local cultural, localizado na rua da Consolação mas próximo à Paulista, é o Cine Belas Artes, inaugurado na década de 1950. É um dos poucos cinemas de rua que permaneceu em funcionamento, e desde o início se dedicou a uma programação cinematográfica de qualidade.

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Fonte Blog do DPH / PMSP. 

Mesmo pequenas caminhadas estão associadas a menor mortalidade, informa pesquisa publicada no “American Journal of Preventive Medicine” nesta quinta-feira (19). Segundo o estudo, quem não puder fazer o que é exigido por diretrizes de saúde pública, pode colher algum benefício.

Atualmente, diretrizes recomendam pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana (ou 75 minutos de atividades intensas), mas poucos são os adultos que seguem a recomendação. Por isso, cientistas estão testando se recomendações menores poderiam surtir algum efeito.

Segundo o estudo, se o indivíduo conseguir atingir o mínimo recomendado duas vezes no mês (ou seja, conseguir caminhar cerca de duas horas semanais em pelo menos duas semanas no mês), ele atinge uma redução da mortalidade em 20%.

Para chegar a esse número, pesquisadores analisaram dados de cerca de 140 mil participantes de um estudo de prevenção do câncer. Após corrigir dados para outros fatores de risco (como obesidade e cigarro), eles encontraram que mesmo uma caminhada de menos de duas horas semanais contribuiu para uma redução na mortalidade geral por todas as causas.

Caminhadas foram mais fortemente associadas com uma redução de mortalidade por doenças respiratórias, com um risco de morte aproximadamente 35% menor.

Em segundo lugar, estão mortes por doenças cardiovasculares (com um risco 20% menor). Em terceiro, está o risco de câncer, que contou com uma redução de 9%.

A pesquisa foi liderada pela pesquisadora Alpa Patel, epidemiologista associada à American Cancer Society, nos Estados Unidos. Alpa realiza pesquisas sobre como o estilo de vida pode impactar a prevenção do câncer.

Ela encoraja que médicos recomendem que pacientes façam o que for possível de atividade física.

"Em 2030, o mundo vai ter o dobro de adultos com 65 anos ou mais", diz Alva Patel. "Médicos devem encorajar pacientes a caminhar, mesmo que em quantidades menores à recomendada", diz.

“Walking in Relation to Mortality in a Large Prospective Cohort of Older U.S. Adults“ - o artigo completo em inglês.


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Fontes: G1 / Bem EstarAmerican Journal of Preventive Medicine.

Foi na Vila Mariana que o modernismo arquitetônico brasileiro começou a tomar forma. Lá, o arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik construiu a primeira casa com essa linguagem, conhecida como Casa Modernista da rua Santa Cruz, para residir com a família. Não menos pioneiro foi o jardim da residência, projetado por Mina Klabin, esposa do arquiteto.

Embora o modernismo arquitetônico seja uma marca do bairro, a história dessa região e da vizinha Saúde remonta a 1782, quando ambas faziam parte da mesma sesmaria. O primeiro nome da região foi Cruz das Almas, em referência à grande cruz erguida em memória de dois tropeiros assassinados por ladrões nas proximidades da atual rua Afonso Celso. A localidade tomou importância pois lá passava a “estrada do Vergueiro” —hoje uma rua com o mesmo nome—, parte do então novo caminho para Santos no século 19.

A origem do nome Vila Mariana, recebido em 1887, tem duas versões. A primeira diz que o construtor alemão Alberto Kuhlmann deu o nome de sua esposa, Mariana, a uma das estações da linha férrea do ramal que ele mesmo construiu na região para transportar a carne do futuro matadouro para o centro da cidade. A outra versão diz que a denominação vem da junção dos nomes Maria e Ana, respectivamente mulher e mãe de Carlos Petit, tenente-coronel da Guarda Civil, delegado, juiz de paz e vereador da cidade, que morava na região.

Outro bairro vizinho e com origem parecida é Moema. Assim como os demais bairros da região, teve origem no Sítio da Traição, chácara cortada pelos trilhos de bonde que ligava São Paulo ao então município de Santo Amaro.

No fim do século 19, a área foi ocupada por chácaras menores de imigrantes ingleses e alemães. Mais tarde, durante a década de 1930, o bairro recebeu indústrias e atraiu imigrantes russos e lituanos. Nas ruas Normandia e Gaivota há um conjunto de casas tombadas pelo Conpresp que preservam esse momento da história do bairro. O nome Moema foi dado somente em 1987, após um abaixo assinado dos moradores da região. Antes disso, o distrito era conhecido como Indianópolis.

No fim do século 19, imigrantes vindos do norte da Itália formaram pequenas chácaras no local, que ficou conhecido como Colônia. Com a construção da estrada de ferro que ligava São Paulo a Santo Amaro, no final do século 19, foi erguido o matadouro da Vila Mariana, em substituição ao anterior, do Largo da Pólvora, área que havia se tornado muito urbanizada. O matadouro funcionou até 1927 e hoje abriga a Cinemateca Brasileira.

Antigo Matadouro, atual Cinemateca Brasileira. Foto: Aurelio Becherini / PMSP

No início do século passado, a rua Domingos de Morais, uma das mais importantes do bairro, era ponto de encontro de escritores, políticos, membros da elite econômica e artistas. A Vila Mariana mantém parte dos casarões centenários que conservam essa memória, como um palacete eclético em estilo mourisco que abriga hoje um hostel, mostrando que o uso é um dos fatores que mais contribuem para a manutenção de imóveis históricos.

Com a chegada do século 20, o bairro foi tomando características arquitetônicas modernistas, rompendo com o eclético e os múltiplos estilos que representavam a elite cafeeira e seu anseio de se mostrar cosmopolita. As novas elites intelectuais urbanas começavam a ditar suas regras nos costumes da cidade e, justamente por ser frequentada pelos intelectuais da época, a Vila Mariana teve um papel pioneiro nessa transformação.

Vila Mariana e seu conjunto de imóveis modernos

Em 1928, Gregori Warchavchik construiu a Casa da Rua Santa Cruz, com uma abordagem tão vanguardista que teve dificuldade em obter aprovação na prefeitura: precisou de um projeto “falso”, com ornamentos, para receber permissão de construção. No ano seguinte, o arquiteto projetou a Vila Modernista da rua Berta. Em 1932, nessa mesma rua, Warchavchik projetou a residência de Lasar Segall, o pintor, escultor e gravurista lituano que integrou a vanguarda artística brasileira. Desde 1967, o imóvel é sede do museu dedicado ao artista.

Teatro João Caetano. Foto: Sylvia Masini.

A Vila Mariana também foi escolhida para abrigar a sede do Instituto Biológico, um impressionante edifício art déco cuja construção começou em 1928 e terminou em 1945.  Foi projetado pelo engenheiro Mário Whately para ser um centro de pesquisas agrícolas sobre o café. No início da década de 1950, foi erguido no bairro o Teatro João Caetano, um edifício modernista construído como parte do Convênio Escolar, um grande programa de construção de edifícios educacionais da época. O nome do teatro foi dado em homenagem ao ator e encenador brasileiro que fundou a primeira companhia de atores nacionais.

A Vila Mariana manteve seu pioneirismo arquitetônico ao receber, em 1960, o Conjunto Jardim Ana Rosa. O projeto dos arquitetos Abelardo de Souza, Eduardo Kneese de Mello e Salvador Candia, composto por nove edificações que ocupam um quarteirão, propunha o adensamento residencial como parte da solução da crise habitacional gerada pela explosão demográfica paulistana. Foi uma das maiores concentrações residenciais planejadas em São Paulo na época, ensejando uma forma moderna de moradia, com um boa inserção na cidade e usando técnicas de construção inovadoras.

Instituto Biológico de São Paulo, Foto: Bel Rocha, 1994.Também na região, no distrito de Moema, estão residências da expressiva arquitetura brutalista paulista, ou do que se convencionou chamar escola paulista, com estrutura em concreto armado e paredes de bloco de cimento, projeto de forte teor social: a casa Rosa Okubo, de 1964, e a Casa Paulo Bittencourt Filho, de 1972, ambas do arquiteto Ruy Ohtake e tombadas pelo Conpresp.

O modernismo arquitetônico não só teve na Vila Mariana seu início, com a Casa da Rua Santa Cruz (ela é hoje administrada pelo Museu da Cidade de São Paulo), mas também sua consolidação, com a criação do Parque do Ibirapuera e seu conjunto de edificações projetado por Oscar Niemeyer e equipe. O complexo foi construído para as comemorações do IV Centenário da cidade. Com seus 1,58 km² de extensão, erguido sobre um terreno alagadiço, foi inicialmente uma aldeia indígena, depois serviu de pasto para os animais do Matadouro da Vila Mariana. O parque possui vários equipamentos, tais como a Fundação Bienal, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil, a OCA, o Pavilhão das Culturas Brasileiras, o Auditório Ibirapuera e o Planetário. Também parte do complexo, mas fora dos limites do parque, estão o Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Monumento às Bandeiras, obra do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, e o conjunto do Obelisco e Mausoléu do Soldado Constitucionalista, onde estão os despojos dos ex-combatentes da Revolução de 1932.

Casa Rosa Okubo. Foto: Of Houses.Saúde: bairro-jardim

A área que hoje compreende a Saúde também fazia parte da antiga Cruz das Almas e só foi elevada a distrito em 1925. O povoamento se formou em torno da Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, de 1917, que deu origem a seu nome. Havia nele um bosque (na área hoje conhecida como Bosque da Saúde), com parque de diversões infantil, o que mobilizava os paulistanos nos finais de semana. Em 1930, a área foi loteada pela Companhia City. Porém, o crescimento da Saúde ganhou força mesmo foi com a chegada do metrô em 1974, o que facilitou o fluxo de pessoas para a região.

Parte do loteamento inicial teve o planejamento idealizado pelo engenheiro Jorge de Macedo Vieira com base no conceito de bairro-jardim (daí o nome Jardim da Saúde), com muitas áreas ajardinadas e arborizadas, visando atrair as classes mais altas. O conceito nasceu com o inglês Ebenezer Howard e buscava resolver a pobreza e a insalubridade das moradias populares da Inglaterra pós-revolução industrial, bem como mitigar a poluição causada pela industrialização. O Jardim da Saúde ficou dividido em quatro bolsões residenciais perpassados por corredores comerciais e de serviços. Essa característica singular tornou o lugar importante na urbanização da então periferia paulistana, o que levou ao seu tombamento como área de preservação urbanística e ambiental.

Capela Cristo Operário. Foto: Gabriel Zellaui / PMSP.

Outro projeto da região surgiu a partir da iniciativa do frei dominicano João Batista Pereira dos Santos de criar uma cooperativa de produção de móveis chamada Unilabor, com autogestão operária e lucros partilhados entre os funcionários. O projeto se inspirou nos princípios do grupo católico Economia e Humanismo francês, dos anos 1940, que propunha o envolvimento da Igreja na criação de soluções efetivas para as desigualdades sociais geradas pelo sistema capitalista industrial. Integrava o projeto a Capela do Cristo Operário. Concluído em 1950, o pequeno templo apresenta uma arquitetura com elementos coloniais e a simplicidade das edificações rurais. Abriga um grande volume de obras de arte concebidas por artistas plásticos do modernismo brasileiro, tais como Alfredo Volpi, Geraldo de Barros, Roberto Burle-Marx entre outros.

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Fonte Blog do DPH / PMSP.