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A Prefeitura de São Paulo abriu nesta última quarta-feira (14) três licitações para contratar as empresas de ônibus que vão operar o serviço na capital pelos próximos 20 anos. A licitação é aberta mais de dois anos após a previsão inicial, que era julho de 2013, mas que acabou suspensa após os protestos de junho daquele ano contra o aumento da tarifa de ônibus.

A abertura das licitações foi comunicada nesta quarta no Diário Oficial do município. Nesta quinta-feira (15), os editais de licitação estarão disponíveis no site da Secretaria de Transportes. Os envelopes devem ser abertos no mês de novembro.

A contratação vai alterar todo o sistema de ônibus da capital e interessa aos 10 milhões de passageiros que usam os ônibus na cidade todos os dias. A Prefeitura quer que o processo seja concluído antes do final da gestão do prefeito Fernando Haddad.

Na terça-feira (13), o prefeito disse em entrevista pelo Youtube que o Tribunal de Contas do Município (TCM) poderá pedir um prazo extra para analisar os documentos da concorrência e que "essa licitação exige a paciência devida, porque é um contrato de 20 anos".

O TCM já suspendeu diversas licitações da Prefeitura de São Paulo na área de transportes, como a construção de corredores de ônibus e a compra de radares.

Haddad disse nesta quarta-feira que foram criadas "condições máximas de competição" nas licitações. "Os lotes foram divididos de uma tal maneira que uma pessoa com uma frota de 100 veículos poderá participar da licitação", disse o prefeito. "Não se tornou impossível hoje, como era no passado, participar", afirmou. Veja algumas regras que os editais devem trazer se for mantida a proposta colocada em consulta pública em junho:

Divisão das linhas
O novo serviço de transporte será dividido em linhas estruturais, regionais e locais. As nove áreas da capital paulista que hoje têm como marca uma determinada cor nos ônibus passarão a ter diferentes configurações dependendo do tipo de linha.

A rede “estrutural” será responsável por linhas que ocuparão as maiores avenidas da cidade e que ligarão os bairros da cidade e vão conectar a periferia ao Centro.

A cidade terá também uma rede que será chamada de “articulação regional”, que vai ligar bairros e centralidades de interesse regional e ainda bairros ao Centro sem passar pelas grandes avenidas do município. Além disso, uma rede de distribuição local atenderá a população nas ruas menores dentro dos bairros.

Viagens
A Prefeitura prevê aumentar a oferta de viagens em 17% e o número de assentos disponíveis em 14%.

Garagens
As atuais garagens usadas pelas empresas de ônibus serão desapropriadas. Segundo o prefeito Haddad, as empresas vencedoras da nova licitação poderão ser responsáveis pelo processo de desapropriação.

Opinião do usuário
A opinião do usuário deverá ser considerada na remuneração das empresas. Ela vai ser considerada ao lado de quesitos como passageiros transportados; cumprimento regular das viagens e disponibilidade da frota. As ganhadoras da licitação serão aquelas que ofereceram valores mais atrativos pela realização do serviço.

Remuneração das empresas
A Prefeitura de São Paulo prevê gastar R$ 7 bilhões por ano com o serviço. A previsão é que a taxa interna de retorno das empresas em relação ao investimento feito seja de 9,97%, menor que os 15% do atual contrato.

Centro de controle
Tudo será controlado eletronicamente por dispositivos instalados nos ônibus e por um centro de controle (CCO) a ser construído pelas empresas.

Auditoria
Após junho de 2013, a Prefeitura de São Paulo fez uma auditoria dos contratos de ônibus.  A empresa de consultoria Ernst&Young, contratada para o trabalho, concluiu que a Prefeitura de São Paulo tem potencial de economizar 7,4% dos gastos do atual contrato.

Márcio Pinho /  G1 São Paulo.

 

 
A inauguração do primeiro jardim vertical em um prédio vizinho ao Elevado Costa e Silva, o Minhocão, no último mês, despertou o interesse de novos empreendedores para apoiar o projeto. Nesta quarta-feira (14), o prefeito Fernando Haddad recebeu a visita de representantes da empresa Tishman Speyer, que se propuseram a converter R$ 12 milhões, oriundos de compensação ambiental, para a implantação de novos jardins verticais no corredor verde do Minhocão. A estimativa é que até 40 empenas cegas [paredes lisas e externas de edifícios, sem abertura a iluminação, ventilação e insolação] sejam beneficiadas com o projeto.
 
Jardim vertical em prédio vizinho ao Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Foto Cesar Ogata / Secom.
 
O jardim vertical é uma estrutura capaz de sustentar e manter vegetações em superfícies verticais. Eles podem ser aplicados em muros, paredes e empenas cegas, pois se adaptam tanto em espaços internos como externos.

“O procedimento agora é obter a autorização dos condomínios para a instalação das empenas e a apresentação do projeto de cada empena para ser aprovado pelo Verde [secretaria]. Eles [condomínios interessados] têm que apresentar um projeto, os técnicos têm que avaliar o tipo de muda, as especificações de cada empena, tem uma série de questões técnicas, mas da parte da empresa a disposição é máxima em fazer ali o quanto antes”, afirmou o prefeito.

Além de melhorar a paisagem urbana, os jardins são capazes de contribuir na filtragem da poluição do ar, reduzindo em até 30%, e diminuem em até 7ºC a sensação térmica do edifício onde estão instalados, além de beneficiar também o seu entorno. As plantas auxiliam também no controle da umidade e representarem uma significativa barreira acústica. Não há riscos de infiltração para os locais onde o jardim está instalado.
 

Patrocínio para manutenção dos jardins

Para auxiliar os moradores dos condomínios beneficiados após o primeiro ano de implantação dos jardins verticais, o prefeito também afirmou na tarde desta quarta que pretende regulamentar nos próximos dias um termo de compromisso permitindo que outras empresas realizem a manutenção dessas estruturas em troca da assinatura do patrocínio institucional dos locais. Esse termo será semelhante ao que é utilizado para a preservação de praças, permitindo a exibição das marcas das empresas responsáveis pela conservação.“Ela [empresa] ganha um espaço institucional de assinatura para o período após o vencimento do Termo de Compensação Ambiental. Então essa questão da manutenção também estará resolvida. O condomínio terá mais segurança de que poderá contar com o auxílio da Prefeitura, porque nós já temos também empresas nos procurando para manter os jardins verticais mediante essa contrapartida”, afirmou Haddad.

Jardins Verticais

Publicado em março deste ano, o Decreto n° 55.994 permite a conversão da compensação ambiental em obras e serviços ambientais, jardins verticais e coberturas verdes. Os recursos para a implantação dos jardins virão da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA), por meio dos Termos de Compensação Ambiental (TCA) com as incorporadoras. A medida fez parte do conjunto de ações da Prefeitura para revitalizar a região, como a extensão do horário de abertura do Minhocão para pedestres e ciclistas aos finais de semana e a inauguração de 4,1 km de ciclovia na avenida Amaral Gurgel. O primeiro condomínio beneficiado pelo projeto do jardim foi o Edifício Huds, localizado na rua Helvetia. 

A estrutura, que começou a ser montada no dia 4 de julho e foi concluída em setembro, conta com 302 m² de vegetação instalada na empega cega do edifício, a maioria do mural composta por espécies nativas da região.De acordo com o preço público fixado pela Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o valor do metro quadrado é de R$ 891,03. Nesta primeira intervenção, o valor será de R$ 253.943,55, conforme a metragem do condomínio. A empresa responsável pela implantação do projeto é a W Torre, que fará a manutenção do local por seis meses e depois disso a Prefeitura assumirá o investimento.

Os jardins verticais exigem pouca manutenção, pois o sistema de irrigação é automatizado, e pode ser retirado posteriormente, sem que a superfície original seja danificada.O edital de chamamento público foi aberto em maio deste ano e, até o momento, a Prefeitura analisa tecnicamente o pedido de dez condomínios que mostraram interesse em participar. A escolha dos edifícios é feita pela Câmara Técnica de Compensação Ambiental (CTCA) e se dará a partir de alguns critérios, como o fato de a nova área verde proporcionar redução da poluição sonora e do calor no entorno.

Para se candidatar, os condomínios que possuam empenas cegas que estejam localizadas a uma quadra do Minhocão deverão enviar uma carta de intenção na sede da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, localizada na Rua do Paraíso, 387/389 - térreo, das 9h às 16h.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.


O site 500px acaba de divulgar o ranking de cidades mais fotografadas em seu banco de imagens. Das 25 cidades, São Paulo ficou em 18º lugar. Um vislumbre do que pode te esperar na próxima viagem nesta lista de cidades mais fotogênicas.

As informações foram conseguidas através dos dados de GPS das fotos na base de dados do site, que conta hoje com mais de 6 milhões de usuários. O portal não confirmou a data de início estipulada para o levantamento. Confira!

25. Florença, Itália.

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Foto: Guerel Sahin.


24. Montreal, Canadá.

Arman AyvaArman Ayva

Foto: Arman Ayva.

23. Barcelona, Espanha.

Armen GhArmen Gh

Foto: Armen Gh.
 
 
22. Taipé, Taiwan.

Hanson MaoHanson Mao

Foto: Hanson Mao.
 

21. Vancouver, Canadá.


 Jason Duncan Jason Duncan

Foto: Jason Duncan.


20. Viena, Áustria.

Alexander AignerAlexander Aigner

Foto: Alexander Aigner.


19. Lisboa, Portugal.

Jorge MaiaJorge Maia
Foto: Jorge Maia.
 
 
18. São Paulo, Brasil.

Robson OrtlibasRobson Ortlibas
Foto: Robson Ortilibas.
 
 
17. Kiev, Ucrânia.

Sergey PolyushkoSergey Polyushko
Foto: Sergey Polyushko.
 
 
16. Milão, Itália.

Francesco AlamiaFrancesco Alamia

Foto: Francesco Alamia.
 

15. Seattle, EUA.


Daniel CheongDaniel Cheong

Foto: Daniel Cheong.
 

14. Moscou, Rússia.

Max VysotaMax VysotaFoto: Max Vysota.          
 
 
13. Vestmannaeyjar, Islândia.

 

 Gürkan Gündoğdu Gürkan Gündoğdu

 Foto: Gürkan Gündoğdu.

 

12. Istambul, Turquia.

Samet GülerSamet Güler
Foto: Samet Güler.

 

11. Tóquio, Japão.

Pat CharlesPat Charles

Foto: Pat Charles.

 

10. Amsterdam, Holanda.

Miguel Angel Martín CamposMiguel Angel Martín Campos

Foto: Miguel Angel Martín Campos.
 
 

9. Veneza, Itália.

Aaron ChoiAaron Choi

Foto: Aaron Choi.

 

8. Chicago, EUA.

Stanley Chen XiStanley Chen Xi

Foto: Stanley Chen Xi.

 

7. Cidade do Vaticano, Vaticano.


Nicodemo QuagliaNicodemo Quaglia

Foto: Nicodemo Quaglia.


6. São Francisco, EUA.

Laurent MeisterLaurent Meister

Foto: Laurent Meister.

5. Singapura, Singapura.

 Jonathan Danker Jonathan Danker

Foto: Jonathan Danker.

 

4. Toronto, Canadá.

Tim GawecoTim Gaweco

Foto: Tim Gaweco.

 

3. Londres, Inglaterra.

 kimerajam kimerajam
 
Foto: Kimerajam

 

2.  Paris, França.

Loïc LagardeLoïc Lagarde

Foto: Loïc Lagarde.
 

1. Nova York, EUA.

Anthony FieldsAnthony Fields

Foto:Anthony Fields
 
 
Ruca Souza é jornalista do iPhoto Channel. Atua como fotógrafa na área de still e fotojornalismo. Ruca também tem uma banda de rock: www.rucasouza.com

 


Eram 2h30, mas Gustavo Gomes ainda estava acordado. É que o garoto leva a sério o desafio de escrever: "Mudei os textos umas cinco vezes e ainda achei que não ficaram bons." 
 
Aos 11 anos, o menino se esforçava na madrugada para terminar as quatro colunas que deveria escrever para serem publicadas na "Folhinha". Ele estreia como novo colunista do caderno neste sábado (10), falando sobre diversidade e igualdade. 
 
"No meu colégio tem bastante gente negra, mas acaba tendo preconceito", diz o garoto, que é negro e estuda em uma escola municipal no Itaim Paulista (zona leste de São Paulo). "Uma menina tinha nojo de mim na primeira série, falava que não era para eu tocar nas coisas dela." Ele afirma ainda já ter sido hostilizado pelos colegas por não gostar de futebol e por ser muito estudioso. 
 
O estudante conta que a mãe trabalha como ajudante-geral em uma fábrica, e o pai, que não mora com eles, é mecânico. Na coluna "Ideias....", Gustavo vai falar também de outros assuntos do dia a dia na escola, como a tensão da semana de provas. "O professor tem que dar mais chance para os alunos darem sua opinião na aula, e não ficar falando sem parar", critica. 
 
O garoto chamou a atenção na internet ao discutir sobre racismo em um vídeo que teve quase 395 mil visualizações. Em entrevista à Folha, conta qual foi o melhor dia de sua vida e quais são seus sonhos, entre eles o de escrever um livro que faça mais sucesso que "Harry Potter". Leia abaixo a conversa. 
 
Você já sofreu preconceito?
Já sofri muito preconceito, por ser negro, por ser esperto e por não gostar de futebol. Quando tinha 9 anos, falavam que eu não era homem, que não era macho porque não gostava de jogar bola. O pessoal também ficava me chamando de "nerd", falando que eu deveria usar óculos. Mas acho que não combina com o meu rosto, fica um negócio muito grande. Se bem que acho que vou precisar mais para frente, porque leio muito e fico muito no computador. 
 
O que houve para você achar que estava sendo vítima de preconceito?
As pessoas me xingavam muito de negrinho, de negrinho pastoreiro. Na minha escola tem bastante gente negra, mas acaba tendo preconceito. Já sofri preconceito até de pessoas negras e de pessoas que têm amigos negros. Uma menina tinha nojo de mim na primeira série, falava que não era para eu tocar nas coisas dela. Dizia: "Eu tenho nojo de gente negra". E eu respondia: "Também sou humano, também sou gente, tenho que ser tratado igual". Mas você pode usar o melhor argumento do mundo, e a pessoa não vai ouvir, porque você é negro e ela já está com isso na cabeça. É só uma desculpa para dizer que não gosta de você. 
 
O que você mais gosta de fazer?
Gosto de ler, de conversar e de ficar na internet. Fico procurando curiosidades, principalmente no Fatos Desconhecidos e no Mega Curioso. São os dois melhores sites da internet. Eu fico nisso o tempo inteiro, umas cinco horas por dia. Eles falam sobre coisas que ninguém sabe, tipo que sal também serve para limpar a panela. Se a comida ficar grudada e você jogar sal, ela sai mais rápido. 
 
Qual é sua matéria preferida na escola?
Varia com o professor. No ano passado, eu não tinha matéria preferida, porque só uma professora ensinava todas as matérias e eu não gostava dela. Nesse ano, eu estou gostando mais de português, porque a professora é bem legal. 
 
O que faz um professor ser bom?
O jeito que ele aborda a aula. Tem que bater papo, conversar, perguntar a opinião. Tem que dar mais chance para os alunos falarem na aula, e não ficar falando sem parar. 
 
Qual foi a coisa mais legal que você já fez?
A coisa mais divertida que eu já fiz foi uma viagem para Santos. Nunca tinha ido para a praia, foi maravilhoso! A melhor coisa foi dar uma cambalhota completa junto com a onda. Eu tinha uns seis anos, não lembro de nada antes disso, minha vida começou na primeira série. Por ter aquele valor sentimental de ser a primeira vez, foi um divisor de águas na minha vida. É como se fosse antes e depois da cambalhota: a.C. e d.C. 
 
Qual é o seu maior sonho? Meu maior sonho?
Nossa, eu sou muito sonhador. Na verdade muito iludido mesmo. Sei lá, conhecer o Barack Obama... Quero escrever um livro que faça mais sucesso que 'Harry Potter', que consiga ter tanto fã quanto ele. Já está no meu planejamento de vida. Mas ainda não sei sobre o que vai ser. 
 
O que quer ser quando crescer? 
Estou superindeciso entre ser escritor, psicólogo e arquiteto. Faz um ano que estou nessa indecisão. 
 
Qual é a parte mais legal de ser o novo colunista da "Folhinha"? 
É uma coisa bem alucinante, porque, um ano atrás, se alguém falasse que eu ia escrever uma coluna na Folha, eu ia falar: "Aham, senta lá". E nesse tempo virei colunista e escrevi um livro de poemas. Vou lançar no dia 17 de outubro, aqui na biblioteca da escola. São poemas sobre tudo, desde café até planetas. 
 
Tem alguma coisa sobre a qual você queria escrever, mas não escreveu? 
Sobre música. Sempre quis dar a minha opinião, mas eu definitivamente não consigo escrever sobre música. Já tentei, mas saiu tão ruim que nem levei para as crianças e para a professora lerem. Não mostrei para ninguém. Até rasguei. Fico triste, porque eu gosto muito de ouvir e de cantar. 
 
Acha que toda criança pode escrever um bom texto? 
Acho que sim, só precisa de esforço. Não pode falar "eu não consigo". Se você quer alguma coisa, tem que se esforçar. Acho que falta compromisso, não só entre as crianças, mas entre as pessoas. Elas acham que aquilo ali é só uma tentativa, se distraem com qualquer coisa. Tem que terminar. Você tem que se empenhar naquilo e colocar como projeto principal, e não deixar em segundo plano. 
 
O que recomendaria para quem quer ser um colunista como você? 
Recomendo que se esforce, que não deixe para escrever no último minuto. Coloque o melhor de si, revise o máximo que puder e veja se outros acham bom, além de você. Não é só escrever e mandar.
 
Se você quer ser um colunista como Gustavo, é só mandar um texto de mil caracteres para [email protected], com nome, idade e "Ideias" na linha de assunto. O autor muda a cada mês e deve ter até 12 anos. O conteúdo é livre, você pode falar sobre brincadeiras, games e outros temas.
 
Júlia Barbon na Folhinha da Folha de S.Paulo.
 


Nos vitrais, a pintura complementa o colorido dos vidros, serve para a criação de sombras e tonalidades, para o aprimoramento das formas, para a modulação da luz. A arte do vitral desenvolveu-se enormemente durante o período medieval, momento em que, com a afirmação do gótico como expressão da arquitetura, as composições de vidros coloridos passaram a vedar grandes superfícies das igrejas e, além das funções decorativas, ganharam funções pedagógicas, ensinando aos fiéis, por meio de imagens, a vida de Cristo, dos Santos e passagens da Bíblia.
 
Entre os séculos XIV e XVI, os vitrais passaram a ser utilizados como formas de iluminação dos ambientes e a pintura dos vidros adotou a perspectiva, o que tornava os vitrais semelhantes aos quadros. Sua utilização ampliou-se dos espaços públicos, em especial das igrejas, para os ambientes privados, como palácios e sedes de corporações. As representações neles contidas se estenderam, então, para a heráldica, para as epopeias, para as caçadas e para a mitologia. No Estado de São Paulo, a utilização de vidros coloridos e pintados, montados em perfis de chumbo para decoração e iluminação de ambientes, correspondeu à fase moderna do desenvolvimento da arte de produzir vitrais.
 
Na capital, ampliou-se a partir da virada do século passado, com a expansão de novos bairros, a monumentalização dos edifícios públicos e o requinte arquitetônico das residências. Até hoje vitrais de edifícios públicos paulistanos, como os do Palácio da Justiça e do Mercado Municipal, causam admiração pela proporção, beleza e integração com o projeto arquitetônico. Representando temas históricos ou referentes às funções públicas dos edifícios, as imagens formam um conjunto das representações que, a partir do fim do século anterior, criaram e reafirmaram um perfil de São Paulo diante do Brasil. 
 
Sob esse ponto de vista, os vitrais, além de peças de arte, constituem importantes documentos históricos. Eles nos falam do forjar de ideias que se tornaram referência e moldam nossa relação com o passado e com o presente, justificando papeis e responsabilidades sociais. Produtos materiais de cultura, parte de nosso patrimônio histórico e objetos de fruição de beleza, os vitrais expressam por meio do poder das imagens a tradição, a excelência econômica e cultural de São Paulo, o trabalho, a determinação e o progresso. 
 
Outras possibilidades de criação do vitral podem ser observadas no Mercado Municipal de São Paulo, 1933, que apresentam um tom quase jornalístico a temática dos vitrais. Ali aparece o homem flagrado no momento de seu trabalho: alimentando animais de criação, colhendo café, transportando bananas, tocando o gado. Cenas da agricultura, avicultura, pecuária, mostrando agricultores trabalhando de forma bem rudimentar, numa época anterior à mecanização. Tudo retratado dentro de um realismo fotográfico no que diz respeito à paisagem, à proporção e à profundidade dos elementos representados, buscando a autenticidade das informações. 
 

Cenas do cotidiano da vida no campo na década de 30.
 
 

Plantação de café.

 

Agricultores trabalhando na lavoura.


 

A colheita e o transporte de bananas.

 

Boiadeiro conduzindo a manada de bois através do rio.
 
Os 5 vitrais que retratam cenas da vida no campo, estes foram criados por Conrado Sorgenicht Filho que já tinha a tradição na família, cuja técnica foi trazida da Alemanha no século XIX pelo seu pai, Conrado Sorgenicht.

Conrado Sorgenicht (filho) andou pelas fazendas do interior do Estado de São Paulo, acompanhado de seu filho Conrado (neto), que já trabalhava no ateliê desde 1922, fotografando lavouras para registrar as ferramentas utilizadas, os meios de transporte, os animais de pequeno porte sendo criados soltos. Inspirados nestas fotos, o vitral foi criado. A criação dos vitrais levou 5 anos. Os vitrais foram restaurados no final dos anos 80 por Conrado Sorgenicht Neto.

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Professora Dra. Regina Lara Silveira Mello / Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas.