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Mais de 200 pessoas compareceram na manhã deste sábado (19), no Vão Livre do Masp - Museu de Arte de São Paulo para a audiência pública do programa Rua Aberta, que debateu a abertura da avenida Paulista para pedestres e ciclistas, exclusivamente aos domingos. Os participantes puderam utilizar o microfone para dar suas opiniões sobre o projeto, puderam esclarecer dúvidas com as secretarias municipais envolvidas na ação e fazer críticas a medida.

Em três horas de debates, além da proposta de horário da abertura da via para pedestres e ciclistas, que é das 9 às 17 horas, e o trecho de interdição proposto para o fluxo dos veículos motorizados, da praça Osvaldo Cruz a Rua da Consolação, também foi apresentado um plano para mitigar possíveis efeitos na região. Dentro das mais de 20 falas feitas após a apresentação, apenas cinco foram contrárias a medida, que visa ampliar e promover uma melhor ocupação de espaço público, garantindo novos locais de lazer.

As sugestões feitas na audiência serão avaliadas pela administração municipal, antes da decisão ou início da abertura para pedestres e ciclistas da Paulista. “Daqui para o final do ano, acredito que estará tudo resolvido e teremos um novo paradigma de lazer, sobretudo aos domingos”, disse o prefeito Fernando Haddad durante visita as obras do Hospital Municipal da Vila Brasilândia, na zona norte.

“Acredito que ninguém está contra a abertura da Paulista, ou peremptoriamente contra. As pessoas querem que se leve em conta a situação local, não só da Paulista, mas de qualquer outra via com a finalidade de não prejudicar os moradores ou quem vive nessas ruas”, disse o secretário da Coordenação das Subprefeituras, Luiz Antonio de Medeiros.

“Tivemos duas experiências com a Paulista aberta e fiquei satisfeito de ver, por exemplo, as redes nos postes ou as esteiras no chão, com as pessoas exercendo a cidadania e ocupando o espaço público, mas para isso, precisamos organizar melhor e para isso servem as audiências públicas”, afirmou o subprefeito da Sé, Alcides Amazonas.

Durante a audiência, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que para garantir o deslocamento, a ideia é permitir a travessia de veículos e ônibus no cruzamento da Paulista com a Brigadeiro Luís Antônio e estuda ainda adotar a mesma medida na Augusta. Em relação a alternativas de trajeto, foram apresentadas as ruas Cincinato Braga, São Carlos do Pinhal, Consolação e Alameda Santos, além da 9 de julho, 23 de maio e 13 de maio. Em relação aos hospitais e hotéis, em acordo com eles, serão feitas canalizações por cones autorizando a entrada de veículos. O mesmo será feito com os moradores de prédios que não tem entrada de garagem pelas paralelas, que serão cadastrados previamente pelo município.

“O compromisso que temos com o Ministério Público é fazer as audiências públicas, além de apresentar os estudos do ponto vista da circulação, para depois, tomar uma decisão de abrir em definitivo”, disse Tatto, que acredita que com entrega dos estudos, a via poderia ser aberta já no próximo domingo (27), como marco da Semana da Mobilidade.

“Se essa semana conseguirmos passar todo o material para o Ministério Público, é possível abrir no próximo domingo, até porque tem a Semana da Mobilidade, que poderia ser aproveitada como simbólica e uma marca da cidade. O mundo todo está discutindo o Dia Mundial Sem Carro”, afirmou o secretário.

Favoráveis
Entre os favoráveis a abertura da Paulista para pedestres e ciclistas aos domingos, maioria entre as falas e intervenções na audiência públicas, o argumento é que a medida, além de dar mais opções de lazer e reduzir a poluição, ampliando a saúde, não teria impacto no trânsito e até geraria mais movimento para comerciantes da região.

“Além de ser um espaço importante para que as pessoas interajam entre elas, também é um lugar de lazer. Nossa cidade é carente deste tipo de espaço e o impacto seria positivo, não só nos comércios de alimentos e bebidas, mas entre os hotéis, que estão mais vagos no fim de semana e podem diversificar sua clientela com turismo, além do visitante de negócios”, disse o integrante do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Ciclocidade, Renê Fernandes.

De acordo com um dos coordenadores do coletivo Minha Sampa, o advogado Guilherme Aranha Coelho, uma petição pela internet já reúne mais de 6.000 pessoas favoráveis a abertura da Paulista. Em pesquisa de seu grupo, mais de 40% dos comércios fecham aos domingos na avenida e entre os que abrem no dia, somente 25% são contrários. Segundo ele, os cerca de 15 edifícios residenciais da Paulista tem entrada de carros pelas laterais.

“É uma minoria defendendo um privilégio, então, temos que pensar em um bem coletivo maior”, afirmou, lembrando que Bogotá, na Colômbia, abre 150 km de vias contínuas para pedestres e ciclistas aos domingos.

Contrários

Entre os contrários, a principal crítica está nas dificuldades que os moradores teriam para acessar suas residências e em especial, para receber visitantes aos domingos, além do custo que a estrutura para organizar a abertura para pedestres e ciclistas poderia gerar ao município.

“Precisamos estar preparados para os problemas que o fechamento vai trazer. É preciso preparo para mediar mais um conflito na cidade. Além disso, o fechamento vai demandar equipe, estrutura, mais GCM, mais CET e banheiros. Isso gera custo para um orçamento que é tão comprometido”, afirmou o representante do Conseg Liberdade, Rafael Vitorino.

“A abertura é um ato egoísta, pois não podemos fazer do nosso momento de lazer, um incômodo para terceiros. Fechar a Paulista ou a Brás Leme vai significar empurrar incomodidade para os outros”, disse o morador da zona norte, Eduardo Brito.

Outras subprefeituras
Neste sábado (19) a Prefeitura de São Paulo iniciou uma série de 32 audiências públicas para discutir e debater com os cidadãos as ações do programa “Rua Aberta”. A iniciativa tem o objetivo de abrir para pedestres e ciclistas ruas e avenidas de grande relevância no perímetro de 1 a 3 quilômetros, aos domingos e feriados, das 10h às 17h. Com o impedimento do trânsito de veículos motorizados, a intenção é que as vias recebam atividades artísticas, esportivas, gastronômicas e culturais gratuitas.

Foram três audiências nas subprefeituras de Aricanduva (zona leste), Campo Limpo (zona sul) e Sé (centro), que aconteceu no Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), a partir das 10h, para debater a abertura da avenida Paulista. No domingo (20), serão mais duas audiências nas regiões da Cidade Ademar (zona sul) e Lapa (zona oeste).

“As audiências servem, sobretudo, para fazer mudanças e retificações. Aqui, por exemplo, tivemos muitas sugestões e é preciso tentar resolver essas questões colocadas. Isso não serve só para ouvir as pessoas e depois, não fazer nada. É ouvir as pessoas e realmente buscar soluções para as questões levantadas”, afirmou o secretário Medeiros.

“A cidade que queremos terá o transporte coletivo melhor do que temos hoje. Terá espaços públicos melhor do que temos hoje, mais planejados. Teremos 160 parques, que estão previstos. Terá melhores condições para habitação social. Mas só vamos chegar na cidade que queremos se tivermos políticas públicas que vão neste sentido”, disse o secretário municipal de Cultura, Nabil Bounduki.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.


 
 

A Torre Eiffel faz parte dos monumentos projetados para a Exposição Universal – evento público mundial, também conhecido simplesmente como Expo, de proporções magnânimas – que se tornaram símbolos dos países que sediaram o evento. Entre eles estão o Atomium, em Bruxelas, construído para a Expo 58, e o Skyneedle, na Austrália, na Expo 88.

 

O Portal foi lançado na manhã desta quarta-feira, 16/9 com a presença dos secretários municipais Gustavo Vidigal (adjunto de Relações Internacionais), Artur Henrique (Trabalho), a deputada estadual Leci Brandão (PC do B), a vice-prefeita Nádia Campeão, o secretário Maurício Pestana (Igualdade Racial) e o norte-americano Rodney Williams (Chefe Executivo de Operações da Microsoft Brasil).


O São Paulo Diverso – Fórum de Desenvolvimento Econômico Inclusivo é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que objetiva contribuir para um desenvolvimento socioeconômico mais igualitário na cidade de São Paulo por meio da criação de mais oportunidades para a população afrodescendente.

A iniciativa busca fomenter políticas inclusivas e estimular empresas para a criação de ações afirmativas em sua gestão interna e em suas relações com stakeholders externos. O Fórum também pretende promover uma articulação entre empresas, empreendedores afrodescendentes, e representantes do poder público para a ampliação da oferta de empregos e a criação de novos negócios.

O lançamento do Fórum ocorreu em 2014 e reuniu diversos representantes do setor público e privado, de organizações do terceiro setor e da academia. No evento, foi divulgado relatório “Igualdade Racial em São Paulo: Avanços e Desafios” (ver aqui).  A segunda edição ocorrerá nos dias 04 e 05 de novembro de 2015, com o tema “Investindo na igualdade de oportunidades para descobrir talentos”. O  foco estará na criação de soluções para facilitar o acesso da população afrodescendente às oportunidades já existentes e para apoiar empregadores na criação de  vagas e na identificação e recrutamento de talentos normalmente excluídos do mercado formal.

Acesse o Portal: http://saopaulodiverso.org.br/

 


No fim do século 19, a acanhada capital paulista não era nem sombra da metrópole em que se transformou. “Durante a transição do Império para o regime republicano, São Paulo era provinciana, caipira, uma cidade baixa, de taipa, muito aquém das cidades portuárias e que, de repente, enriquece e passa a exercer protagonismo”, conta a historiadora e artista plástica Beatriz Piccolotto Bueno, que leciona História da Urbanização na Universidade de São Paulo (USP).
 

Em quatro décadas, até 1930, brotaram no Centro edifícios que até hoje simbolizam a cidade, como o Theatro Municipal, Palácio da Justiça, Mercadão e Pinacoteca do Estado. Esses marcos paulistanos têm em comum o fato de levarem a assinatura do lendário Escritório Ramos de Azevedo, aberto em 1886 pelo engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

À exceção da Catedral da Sé, o escritório foi responsável por todos os grandes projetos institucionais de São Paulo até 1928, ano da morte de seu fundador. Um dos grandes destaques é o Theatro Municipal, cuja construção foi autorizada pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) por meio da Lei 643, de 25 de abril de 1903. “Fica o prefeito autorizado a construir, no terreno cedido pelo governo do Estado, o Theatro Municipal, e aprovadas as plantas e orçamento apresentados pelos engenheiros Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi e Claudio Rossi”, diz o texto. A cessão do terreno também foi viabilizada graças a uma iniciativa do Legislativo municipal, que propôs lei para promover uma permuta do espaço com o governo do Estado.

Croquis do Escritório Ramos de Azevedo - Reprodução: Ângelo Dantas/CMSP.

A demanda por atrações teatrais e musicais já era forte na capital. Mas as grandes companhias e atrizes internacionais, como Eleonora Duse e Sarah Bernhardt, não tinham um palco à altura. Muitas vezes, os grupos artísticos partiam direto para Buenos Aires após a temporada no Rio de Janeiro, sem passar por São Paulo. Para resolver esse problema, a CMSP aprovou, de 1895 a 1903, cinco importantes leis de incentivo ao setor.

Uma dessas leis, a 336 de 1898, previa isenção de impostos, pelo período de 50 anos, a teatros construídos mediante concorrência pública. A intenção era suprir a falta do Teatro São José, que ficava no Centro e pegou fogo naquele ano. Um acordo entre empreendedores chegou a ser firmado, mas caducou e ninguém aproveitou o benefício.

Em 1903, com a aprovação da Câmara, o escritório estava automaticamente designado para erguer o tão sonhado Theatro Municipal. A obra, planejada para ser um ícone de modernidade, abrangeria não só o teatro, mas também a escadaria lateral e a fonte, que fariam a transição entre a obra e o Parque do Anhangabaú. Os croquis mostram todos os detalhes internos, indicando até mesmo as banquetas de veludo e os espelhos nos banheiros femininos. As ferragens e o mobiliário foram depois executados pelo Liceu de Artes e Ofícios, do qual Azevedo foi professor e diretor. “Cada profissional, de diferentes áreas, que olhasse o mesmo desenho já teria todas as informações necessárias”, observa o engenheiro Paulo Villares, bisneto de Ramos de Azevedo.
 
Iniciada em junho de 1903, a construção do Theatro durou oito anos e consumiu 4,5 milhões de tijolos e 750 toneladas de ferro. Enquanto duraram os trabalhos, Ramos de Azevedo despachou diariamente em um gabinete montado no canteiro de obras, para acompanhar tudo de perto.

Dedicar-se pessoalmente a um projeto era algo raro para o arquiteto, que, além da atuação em sua empresa e no Liceu, também trabalhou de 1900 a 1921 na Escola Politécnica de São Paulo, onde foi um dedicado professor e diretor. Ainda assim, a engrenagem montada permitiu que o escritório entregasse 4 mil obras completas (do projeto à execução) até 1980, quando encerrou suas atividades. Vários trabalhos eram executados simultaneamente e os prazos eram respeitados. O prédio dos Correios e Telégrafos, no Vale do Anhangabaú, por exemplo, levou apenas dois anos para ser finalizado, do projeto à construção. “Ramos não se tornou uma grande grife por acaso”, diz Beatriz Bueno.“As obras de Ramos no Centro começaram a ser feitas nos últimos anos do Império e deram a cara de São Paulo nas três primeiras décadas do século seguinte”, diz o guia de turismo Laercio Cardoso de Carvalho (veja no final da página o roteiro pelos edifícios assinados por Ramos de Azevedo, no Centro). Para Beatriz, “os projetos possuem estilo eclético; conectados às tendências mundiais de arquitetura da época, têm muita qualidade e são pensados tridimensionalmente, para serem vistos de longe, criando grandes perspectivas”. Além dos prédios públicos, foram vários trabalhos privados: dos 50 palacetes erguidos no período áureo da Avenida Paulista, 11 foram assinados pelo grupo de Azevedo, entre eles a sobrevivente Casa das Rosas.
 
 Ramos de Azevedo (Centro), com a equipe que idealizou o Theatro Municipal. Arquivo: CMSP.
 
Da Taipa à Metrópole 
 
Nascido na capital paulista em 8 de dezembro de 1851, Ramos de Azevedo mudou-se para a Bélgica para estudar engenharia e arquitetura na Universidade de Gante. Voltou ao Brasil em 1878 e trabalhou em Campinas (SP) por alguns anos. Casou-se em 1880 com Eugênia Lacaze, com quem teve Francisco, Lúcia e Laura (avó de Paulo Villares). Seis anos depois, criou em São Paulo o primeiro entre os modernos e o mais duradouro escritório de arquitetura que a capital já teve.

A historiadora Beatriz Bueno, também curadora de uma exposição sobre o escritório, conta que Azevedo foi mais um grande empreendedor do que um notável desenhista: “O melhor dele era o gerenciamento, a visão”. Para garantir a qualidade e a agilidade, o empresário contratou grandes talentos da arquitetura e engenharia. Os funcionários, que chegaram a 500 em 1890, trabalhavam em pequenas equipes, organizadas de acordo com a especialidade e em plena sincronia. “Ramos de Azevedo imprime um padrão taylorista, uma cadeia produtiva impecável, com chefe de seção, de turma, do cálculo, de obras, hierarquias muito claras e as chefias respondendo pela qualidade do trabalho entregue”, explica Beatriz. “Ao final da tarde, os trabalhadores da obra e o pessoal de desenho conversavam sobre o resultado do dia e planejavam a jornada seguinte, numa escala industrial”, completa a professora.
 
Para segurar a clientela, além de qualidade, às vezes era oferecido também o financiamento das obras, com ressarcimento posterior. Prova disso é o parecer favorável da Comissão de Obras da Câmara Municipal, em 17 de junho 1893, ao “pagamento da terceira e última prestação devida ao engenheiro Ramos de Azevedo pelo contrato celebrado com a intendência para reforço do prédio nº 19, à Rua 15 de Novembro”.

Carismático, sociável e comunicativo, o arquiteto “era muito respeitado pela burocracia”, segundo Beatriz. Mais do que respeito, Azevedo desenvolveu interesse pela carreira política. Numa sessão especial, em 22 de junho de 1904, a CMSP anunciou sua eleição como “senador do Congresso estadual”, com 28.265 votos. Exerceu a função por um ano e meio. Em 1917, filiou-se à Liga Nacional de São Paulo, formada por membros da elite paulistana que lutavam pelo voto secreto obrigatório, entre outros aperfeiçoamentos do sistema político. “Ele estabeleceu redes de sociabilidade muito importantes mas, na verdade, sua credibilidade tinha menos a ver com as relações que ele possuía do que com a seriedade que ele imprimia ao escritório”, explica a especialista da USP.

Francisco Ramos de Azevedo morreu em 12 de junho de 1928, no refinado Grand Hôtel La Plage, no Guarujá (SP), outro projeto com a assinatura de sua empresa. Foi enterrado no primeiro cemitério público municipal, o da Consolação, onde também está eternizada a marca de seu escritório, que projetou o portal de entrada do local.

Em meio século de atividade, ligou o seu nome de modo imperecível à cidade de São Paulo”, disse na CMSP o vereador Alexandre Albuquerque, em sessão após a morte do arquiteto. No mesmo discurso, o parlamentar registrou que “em todos os grandes monumentos da nossa terra”, estava gravado, à época, o nome de Azevedo. “Poucas, muito poucas, serão as ruas de São Paulo em que não encontrem edifícios criados e erigidos por este grande arquiteto”, ressaltou. Lembrou, por fim, que graças a Azevedo a cidade rústica havia se transformado num lugar de modernos edifícios, feitos com ferro e concreto: “Foi o obreiro que, com suas próprias mãos, demoliu uma aldeia e construiu uma metrópole”.

Fonte: Câmara Municipal de São Paulo. Por Gisele Machado. Colaborou Leandro Uliam.


A partir do próximo mês de outubro, pelo menos dois dos cinco ônibus para o serviço de City Tour de São Paulo devem estar em funcionamento.

O trajeto foi definido, julho deste ano, passando por 11 pontos: Estação da Luz, Mercado Municipal, Praça da República, Estádio do Pacaembu, Av. Paulista - MASP e Casa das Rosas, Parque do Ibirapuera, Centro Cultural de São Paulo, Liberdade, Patteo do Collegio e Theatro Municipal.

Os ônibus de dois andares estão recebendo os ajustes finais na garagem da Sambaíba Transportes Urbanos, na zona Norte de São Paulo, que vai operar os veículos que são elétrico-híbridos produzidos pela Volvo com carroceria Viale Sunny DD, da Marcopolo. Veículos destas marcas já fazem serviços turísticos em locais como o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Além de veículos de dois andares, haverá de um pavimento. O valor da passagem deve ser fixado em R$ 30 ou R$ 35.

O projeto de um ônibus turístico na cidade de São Paulo é de 2011, na gestão do então prefeito Gilberto Kassab, quando havia uma previsão da passagem custar R$ 70.

A falta de um serviço deste tipo era motivo de críticas por parte da população. Há ônibus de City Tour há mais tempo, por exemplo, em Curitiba, Manaus, Brasília e Campo Grande.

Com informações de Adamo Bazani em seu Blog Ponto de Ônibus.

 


Em 2015, o paulistano está mais na rua. E em praças, escadarias, jardins. Ocupado, o espaço público, sucateado nas últimas décadas, torna-se atraente de novo. Tanto para os empresários de olho nos consumidores quanto para o cidadão que quer um parquinho legal para o filho brincar e conhecer outras crianças.
 
A sãopaulo ouviu coletivos e pessoas por trás de iniciativas que pensam o espaço público como forma de experimentar a cidade. Além disso conversou com Nabil Bonduki, 60, secretário Municipal de Cultura de São Paulo, para saber como o poder público observa o assunto. Veja entrevista abaixo.

sãopaulo - O filósofo Antonio Negri argumenta que deveríamos ver a metrópole como uma fábrica para a produção do comum. Como direito à cidade a ideia parece interessante e sedutora. Esse ideal é muito distante?
Nabil Bonduki - Eu acho que estamos caminhando aqui em São Paulo. Mas historicamente, pelo menos nos últimos 50 anos, nós fizemos um processo contrário. Processos que levaram à progressiva privatização do espaço público e da vida cotidiana. As pessoas passaram a frequentar locais privados e o espaço público passou a ser visto como abandonado e perigoso. Com outras políticas e outra mentalidade estamos tentando transformar esse cenário. Não vai ser fácil, mas é um processo em curso.

Há um mapeamento de tudo que está sendo realizado na cidade nesse sentido?
Não sei se alguém da Prefeitura tem isso de maneira estruturada porque as iniciativas são coordenadas por subprefeituras. É muita coisa. Teria que centralizar em alguém. Seria interessante. Segundo coletivos entrevistados, o diálogo com as subprefeituras melhorou muito. Alguns reclamam, no entanto, que passam muitos projetos superficiais.

É preciso mais cuidado? Os projetos são avaliados por cada subprefeitura.
Não posso falar de todos. Depende de cada caso. A Secretaria de Cultura tem apoiado várias ações no Largo da Batata, como o Carnaval de rua, o aniversário de Pinheiros e outras ações. Claro que não tem que aprovar tudo. Não dá pra aprovar uma ação se não tem recurso, por exemplo. Ou uma atividade às duas da manhã em área residencial e que complica o trânsito. Mas há uma disposição de viabilizar a ocupação do espaço público. A princípio havia uma tendência de proibir.

Qual o próximo passo?
Avançou-se muito nos últimos dois anos. Mas ainda são iniciativas restritas se considerar o tamanho da cidade. Existem 71 parklets implantados ou em processo de implantação na cidade. É muito, mas insignificante se pensar no tamanho de São Paulo. Ainda há uma concentração de atividades no centro e na zona oeste. Precisamos levar experiências piloto de alguns poucos lugares para outros lugares além da Paulista, por exemplo. É uma etapa difícil. Porque quanto mais a gente vai para a periferia, observa que é mais estreito, as casas não tem garagem. Tudo isso dificulta.

Em que fase estamos no processo de resgatar a cidade como espaço de convívio, de encontro?
Nós estamos numa fase ainda de disputa simbólica sobre o que se quer pela cidade. Muita coisa está acontecendo. O fechamento do Minhocão para carros aos sábados foi aprovado no início do mês, a inauguração da ciclovia na avenida Paulista em junho, o fechamento da via para carros aos domingos também deve ser adotado. Mas não acho que esteja consolidado, pelo contrário, há manifestações contrárias a isso. Vou dar um exemplo: o Minhocão lota de pessoas e bicicletas, tem feiras. No entanto, boa parte da população é contra o fechamento e à demolição integral do elevado. Há visões em disputa.

Natália Albertoni na Folha de S.Paulo.