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O Plano Diretor Estratégico de São Paulo (PDE), cuja sanção do prefeito Fernando Haddad completa um ano nesta sexta (31), mostra resultados positivos e aspectos que ainda exigem implementação.

Como relator da lei aprovada pela Câmara, busquei, em sintonia com o Executivo, garantir a autoaplicabilidade dos instrumentos urbanísticos e a explicitação dos objetivos e intervenções estratégicas das políticas urbanas, muitas já em implantação pela prefeitura, para gerar rapidamente os impactos esperados.

Dentre os avanços, está a alteração da lógica de mobilidade, priorizando o transporte coletivo e os modos não motorizados. Com baixo investimento, democratizou-se o espaço viário com a criação de faixas exclusivas de ônibus e de uma rede cicloviária, cujo destaque é a ciclovia da avenida Paulista.

Mas o estímulo à mobilidade sustentável exige uma nova dinâmica imobiliária. O Plano Diretor propôs, e já está valendo, o adensamento ao longo dos eixos de transporte de massa, evitando-se uma verticalização dispersa que estimula o uso do automóvel. Ademais, propôs aproximar a moradia e o emprego, estimulando o uso residencial no centro expandido e a criação de empregos nas áreas carentes.

O debate sobre o zoneamento, já no Legislativo, deve se pautar por esses aspectos, radicalizando as propostas do PDE e deixando em segundo plano a polêmica sobre corredores em zonas exclusivamente residenciais. A verticalização dispersa nos miolos dos bairros pode ser ainda mais restrita enquanto nos eixos de transporte coletivo é necessário conter a especulação.

Nesse sentido, o excelente trabalho que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano vem fazendo, notificando proprietários de imóveis ociosos e subutilizados a dar função social, deve priorizar os eixos de transporte para conter a valorização excessiva dos terrenos.

A habitação foi prejudicada pela queda do investimento federal e da arrecadação da outorga onerosa –o Plano Diretor exigiu que 30% desses recursos fossem aplicados na compra de áreas bem localizadas.

O quadro econômico requer ações heterodoxas, propostas no PDE, como a utilização ou compartilhamento de áreas públicas subutilizadas, o apoio à autogestão e regulamentação do Serviço Social de Moradia, com formas alternativas de acesso.

A elaboração do Plano da Mata Atlântica, a criação dos parques Chácara do Jóquei e Tietê e as ações na zona rural, como o polo de ecoturismo em Parelheiros e a regulamentação da compra de alimentos orgânicos para a merenda escolar, são avanços no meio ambiente.

Mas há muito a fazer, como implementar o pagamento por serviços ambientais e viabilizar outros 160 parques propostos, que o PDE protegeu transformando-os em zona especial de preservação ambiental. Em curso, a regulamentação do Fundo Municipal de Parques contribuirá para isso. 

A proteção de espaços culturais ameaçados, como os teatros e cinemas de rua, avançou com a isenção de impostos municipais e com a regulamentação da área de proteção cultural. A ocupação e valorização do espaço público para o lazer e a cultura é uma realidade sentida nas praças, nos parklets e no Minhocão. 

Muito foi feito em apenas um ano, mas temos muito pela frente. O horizonte temporal do PDE é de 15 anos, atravessando esta e as próximas três gestões. A continuidade desse processo é essencial para não retroceder no projeto de cidade e de cultura urbana definidos pelo Plano Diretor. 

Nabil Bonduki, 60, professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, é secretário municipal de Cultura de São Paulo. Foi o relator do Plano Diretor Estratégico na Câmara Municipal

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Artigo publicado na Folha de S.Paulo.

 


Na última quinta-feira, dia 23, no SESC Consolação, aconteceu a apresentação do estudo IRBEM, Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município, projeto da UNICEF em parceria com os Institutos Alana e C&A, Rede Nossa São Paulo, IBOPE, Instituto Paulo Montenegro, Visão Mundial e o SESC. O evento contou com a presença da Primeira-Dama Ana Estela Haddad e o Secretário Municipal de Direitos Humanos Eduardo Suplicy.

De acordo com Maurício Broinizi Pereira, representante da Rede Nossa São Paulo, “a pesquisa é inédita e surpreendente, tanto no que toca o que foi abordado  quanto as suas respostas.” Com dados sobre educação, cultura, segurança pública, meio-ambiente e outros, a pesquisa IRBEM conversou com 805 crianças e jovens de 10 a 17 anos, entre os dias 13 e 30 de Junho de 2015.

Os indicadores da pesquisa apontaram inúmeras situações nas quais as crianças e jovens de São Paulo se sentem ou não se sentem confortáveis no dia-a-dia. Entre alguns parâmetros, estão: entre os meninos, a principal atividade que realizam é jogar futebol e, entre as meninas, é ajudar nas tarefas da casa; para esses jovens, o que menos os satisfaz é o modo com que as pessoas se relacionam na cidade e o respeito às diferenças de outras pessoas, como cor, credo e raça, e o que mais satisfaz os jovens entrevistados é a relação que têm com seus familiares e seus colegas de escola.

Entre os dados que satisfazem os jovens, também se encontra o nível de conhecimento sobre as coisas ensinadas pelos professores nas escolas e as condições da casa em que vivem. O acesso à internet está em primeiro lugar entre os afazeres satisfatórios entre os jovens, educação em segundo e relações humanas em terceiro.

Segundo Raniere Pontes da Rede Nossa São Paulo, “as crianças e os jovens têm prioridade absoluta e não devem ser enviados para a cadeia (em menção à redução da maioridade penal)”. Isabela Henriques do Instituo Alana também reafirmou a fala de Pontes acrescentando “é responsabilidade de todos assegurarem a proteção das crianças” e nada melhor para fazer isso do que saber o que elas pensam.

Em uma roda de conversa promovida com os jovens Beatriz, Jonathan e Rodrigo da UNICEF, da Viração e da Plataforma de Centros Urbanos, a Primeira-Dama Ana Estela Haddad e o Secretário Suplicy debateram sobre redução da maioridade penal, segurança pública e acesso à internet nas salas de aula. “A pesquisa mostra que o machismo ainda é muito presente”, disse Ana Estela em referência ao fato de que as meninas se atêm mais ao trabalho doméstico do que os meninos.

          

                                                                           Fotos: Cesar Ogata / SECOM.

Ainda sobre os outros temas, a coordenadora da São Paulo Carinhosa afirmou “[a redução da maioridade penal] é um imenso retrocesso ao ECA. O Congresso tem que ouvir o jovem e temos que assegurar e cuidar da infância e da juventude”. Em relação ao acesso à internet nas salas de aula, discutido pelo jovem Rodrigo que alegou não gostar da proibição, a Primeira-Dama pontuou “os professores devem usar a tecnologia a favor do ensino. A população mais velha deve perder o medo da tecnologia uma vez que 76% dos jovens estão conectados. Os professores deveriam romper a barreira para acompanhar a geração internet”. 

 

Marisa Villi do Instituto Paulo Montenegro, criado para executar projetos de responsabilidade social, ressaltou a importância de programas como a São Paulo Carinhosa para o desenvolvimento de uma geração que é o futuro e disse que a política pública exerce “cuidados especiais para mudar o que não conseguimos mudar nas gerações passadas”.


Segundo Silvio Kaloustian, representante da UNICEF em São Paulo, “a escuta de crianças é fundamental para criar elementos para o desenho de políticas públicas. Acompanhamos e reconhecemos o esforço da Prefeitura em priorizar a primeira infância, contemplando as demandas das crianças”.

O evento teve abertura e encerramento com o grupo de rap Matéria Rima.

 Isabela Campos Palhares no São Paulo Carinhosa.

A primeira coisa que o dono de algum estabelecimento pensa quando vê o seu local grafitado é em arrumar os danos. E a primeira coisa que um grafiteiro pensa quando vê uma parede limpa, especialmente as que continham desenhos seus, é em pegar o spray e correr para marcar mais uma vez o seu território.

Em Londres, a “guerra” de gato e rato entre o grafiteiro Mobstr e os responsáveis pelo muro de um provável depósito na Dace Road virou uma série de fotos hilariantes.

Em seu site, o artista conta que da primeira vez que pintou aquele muro, em julho de 2014, percebeu que a solução usada pelo proprietário foi a de pintar de vermelho escuro a parte grafitada. O experimento segue até Mobstr pintar “fora da linha vermelha”, o que obriga uma mudança tática de limpeza da tinta para a lavagem com jato de pressão – e leva o diálogo a um outro nível.

O “diálogo” segue até uma solução mais radical, elogiada até pelo grafiteiro. É possível conferir a conversa, e saber mais no site do Mobstr (http://mobstr.org/home2.html), no Instagram (https://instagram.com/m.obstr/) ou ver a situação atual no Google Mapshttps://goo.gl/ndYs03

Fonte: Inspirad.

Foi o que meu amigo aprendeu com a mãe muitos anos antes de cruzar a África de bicicleta e escrever um belo livro sobre a travessia.

“Você precisa conhecer o Colcci”. Deve ter sido a frase que mais repeti durante os quatro anos de faculdade. Não era por acaso. Colcci era o apelido do meu amigo Alexandre Costa Nascimento, cujos pais eram donos de uma loja da grife homônima em nossa cidade, Araraquara.

Desde muito cedo, talvez entre os 13 e os 14 anos, sabia que na cadeira ao lado, num grupo que um professor de matemática apelidou de "Nata Podre" da sala - nós, os bagunceiros que, ele jurava, jamais chegariam a lugar algum - estava um amigo para toda a vida. Eu já era doido por futebol e ele, por Fórmula 1, e usávamos nossas carteiras de fórmica para desenhar e montar previsões para a escalação ou o grid de largada do fim de semana.

Anos depois, começamos a estudar jornalismo, e sempre citava suas ideias, compartilhadas por e-mail ou nas crônicas e artigos impressos trazidos na bagagem, aos novos colegas de classe. “Você precisa conhecer o cara”. Era uma forma de me conformar com algo que, no fundo, jamais me conformei: desde 1999, quando estávamos no meio do colegial, ele morava em Curitiba. Nosso contato, desde então, eram as visitas a nossa cidade-natal e a São Paulo, para onde me mudei em 2002. Nas boas e não raras viagens até a capital paulista, ele muitas vezes ficava em casa, e praticamente se tornou um integrante da turma paulistana.

Também na mesma época, começamos a trabalhar em jornal diário, e perdi as contas de quantas vezes abri a Gazeta do Povo numa banca de jornal para conferir as manchetes. Sabia quando a reportagem principal tinha a assinatura dele – como quando ele calculou a distância entre “países” de IDH distintos separados em poucos quilômetros pela região metropolitana de Curitiba.

Quando nos reencontrávamos, retomávamos nossas ideias como quem havia se falado todos os dias desde sempre. Era como tirar o pause de uma longa fita K7 (somos desse tempo).

Na escola, na faculdade e na vida adulta, o Colcci era, e ainda é, o amigo das ideias fixas. Uma vez encucou que a capital paranaense era ligada por túneis subterrâneos construídos pela comunidade alemã que, acuada por Getúlio Vargas, temia ser bombardeada durante a Segunda Guerra. Ele pesquisou e cavou fundo, literalmente, para levantar a história. Antes mesmo da faculdade ele já havia encucado de estudar a história da maçonaria e do Subcomandante Marcos, de quem eu jamais tinha ouvido falar até então. Foi o Colcci quem me apresentou também a autores como Marcelo Rubens Paiva e Gabriel Garcia Marquez.

Uma dia ele comprou uma bicicleta e começou a pedalar. No dia seguinte, pedalou um pouco mais. No outro, ainda mais. A cada nova quilometragem ele percebia que pedalar nunca seria só diversão ou deslocamento. Era também ação política. Luta por espaço. Por um direito. Certa vez por pouco não foi atropelado; o motorista do automóvel o derrubou e provocou estragos na bicicleta. Ao chegar em casa, ele lançou as palavras “atropelei” + “ciclista” no Twitter e bingo: o agressor correra às redes para se gabar do feito. Flagrado e “printado”, o autor da barbeiragem teve de pagar os reparos e pedir desculpas, com medo de sofrer um processo.

Com o Colcci é assim: quando encuca, vai até o fim. Em 2012, já conhecido como jornalista e militante do blog Ir e Vir de Bike (http://irevirdebike.com.br/), ele botou na cabeça que atravessaria a África pedalando com outros 50 ciclistas de várias nacionalidades no chamado Tour d’Afrique do ano seguinte. Até então, nenhum brasileiro havia tentado a travessia (saiba mais aqui: http://tourdafrique.com/ )

Como sempre, ouvi e apoiei – como se ele tivesse me falado que iria buscar pão e já voltava. Não sei se por descaso de quem já começa a olhar a vida atrás dos próprios muros ou se por saber, de antemão, que se ele havia botado a ideia na cabeça ele iria até o fim – e, pelo menos para nós, que já o conhecíamos, não havia nada de novo naquela busca dele por novidades – passei os meses seguintes sem jamais me dar conta do que era atravessar um continente inteiro de bicicleta.

Talvez inconscientemente imaginasse que andar de norte a sul da África fosse simplesmente deslizar de cima pra baixo, pela força gravitacional, como numa ladeira – sem jamais imaginar o esforço humano e a profusão de encontros que essa “descida” embutia.

Um dia recebo em mãos o livro “Mais que um leão por dia – A saga do primeiro brasileiro a pedalar 12 mil quilômetros pela África”. O autor: Alexandre Costa Nascimento. O Colcci. “Obrigado por fazer parte dessa história”, ele me escreveu, como se estendesse as mãos para que eu pulasse na garupa.

De saída, eu, que testemunhei de perto a sua maior dor, me fixo na dedicatória que serviria como linha-mestra de toda a narrativa: “À minha mãe, Sônia Beatriz, que me deixou como herança o ensinamento de que as viagens que realizamos e os livros que lemos são os únicos tesouros que não perdem valor com o tempo e que ninguém, jamais, poderá nos roubar”.

Quando abri o livro, não imaginava que começaria, eu também, a pedalar por um continente desconhecido. O que vi, ali, não foram as impressões ou um diário de bordo de alguém já conhecido e que, por ser tão próximo, já não poderia me surpreender. O que encontrei foi um trabalho de descrição e pesquisa - social, política, econômica e geográfica - dignas das grandes reportagens - o que na faculdade chamávamos de jornalismo literário. O Colcci já era repórter desde que desenhava ao meu lado na carteira e, ainda que tivesse lido, até então, muito da sua produção, eu ainda não sabia o quanto ele era capaz de transformar vivência em paixão, e paixão em histórias.  

Não eram quaisquer histórias, mas a história que começa nas pirâmides do Egito, nos hábitos culturais e religiosos do Cairo, passa pela Praça Tahir, pelo Saara e segue rumo. “Na rotina, nada é sempre igual”, escreve.

Conheci de perto, assim, a paranoia militar de uma ditadura de orientação islâmica do Sudão, onde a mutilação genital é recorrente e a hospitalidade, por incrível que pareça, é marcante. Lá, acompanhei o esforço dele para omitir a profissão de jornalista para não correr riscos ao tirar fotos ou se aventurar num garimpo do país.

Atravessei uma ponte de 50 metros sobre um riacho e descobri que é possível encontrar, do outro lado da fronteira, na Etiópia, um mundo de nacionalidade, língua, governos, religiões e costumes completamente diferentes. Conheci Bahir Dar, cidade considerada a Amsterdã da África; passei às pressas pelo Quênia em um momento de tensão pré-eleitoral e risco iminente de conflito; degustei o melhor café do mundo – em um dos capítulos, ele consegue explicar o rombo da balança comercial e parte da situação de miséria do país a partir da história do café e da chegada dos solúveis amargos e importados aos lares quenianos.

Passei pelo Malauí, país de impressionantes 406 bicicletas pra cada mil habitantes, e conhecei o drama dos albinos, marginalizados e caçados, literalmente, por quem acredita que as partes mutiladas de seus corpos são sinais de sorte.

Conheci os estragos da corrupção na economia da Zâmbia e atravessei a menor fronteira do mundo até a Naníbia, a caçula das nações africanas. Visitei por ali cachoeiras, cataratas, vales até finalmente chegar à Cidade do Cabu, na África do Sul, e reconhecer as cicatrizes doapertheid, regime do qual ouvíamos falar na aula de geografia da professora Cláudia. Ao todo foram 11 países, 530 horas sobre a bike, 11.667 quilômetros, 121 dias de expedição e uma série de perrengues no caminho: indisposição gástrica com as iguarias mais exóticas, sede, cansaço, lama, vento, banheiro a céu aberto, tempestade de areia, mosquitos, câmaras e pneus furados, tombos, perdas de equipamento, perda de peso (10 kg, ao todo), desidratação, diarreia, inflamação no tendão, herpes, resfriado, gripe, mordida de filhote de pastor, infecção na pele, corte no pé, picadas, pedradas, pauladas, bosta de burro disparadas por crianças nas ruas, e claro, animais de todas as espécies cruzando a estrada. Não fazia ideia do que era pedalar mais de 150 quilômetros num mesmo dia e o quanto cabia de dor, esforço, solidariedade e superação de uma ponta a outra. Agora sei.

E só soube de tudo porque, diferentemente dos ciclistas competidores, premiados ao fim de cada etapa, o autor foi até a África justamente para perder tempo à beira da estrada, apreciar os passeios, babar na paisagem, anotar e jogar conversa fora com os grandes novos amigos – uma rede de camaradagem formada por ciclistas italianos, holandeses e até um americano fã do Tea Party, cada um com uma forma distinta de ver e encarar a maratona e o mundo (muitos deles são perfilados ao fim de cada capítulo), assim como os personagens encontrados no caminho, como um ciclista amador que pedalava com uma perna só e os garotos que faziam fila para jogarem bola ao verem sua camisa do Brasil. De alguma forma, fiquei amigo deles também.

Ao fim da leitura, percebi que não tinha ideia do que eram os países da África até então. Mais que isso, descobri o quanto eu ainda precisava conhecer e ainda não conhecia o meu amigo. Ao menos com o livro posso agora dizer aos leitores, e não apenas aos amigos de faculdade: vocês precisam conhecer o Colcci. Todos precisamos. Pois ele tem razão quando diz que as viagens e os livros são os únicos tesouros que ninguém nos tira. Os amigos das páginas e das estradas também.

PS: Até as últimas páginas, não sabia se o meu amigo conseguiria ou não o tão sonhado EFI (Every Fabulous Inchi), o certificado concedido pela organização do Tour D’Afrique de que o ciclista percorreu todos os polegares do fabuloso solo africano sem ajuda dos veículos de apoio – muitos, devido a cansaço, doenças e outros incidentes, tiveram de pedir carona e perderam a premiação. A resposta é contada ao fim do livro. Não há spoiler para os amigos.

Matheus Pichonelli em Carta Capital. 

 

Jeffrey Milstein é um dos fotógrafos mais publicados e premiados do mundo. Tem um portifólio vastíssimo com destaque para fotos tiradas do alto de cidades, portos, navios e aeroportos.

Visite a galeria e conheça a sua rica produção, que inclui coleções como Los Angeles vista de cima, os carros antigos de Havana, os trailers de Palm Springs, as ruas no Egito, na Índia e em Cuba etc.

A última coleção são as fotos de Nova Iorque vista de cima, a primeira cidade que ele fotografou há mais de 50 anos, quando ainda era adolescente, voando em um Cesna.

Agora, do alto de um helicóptero e com equipamentos de última geração para fotografias aéreas, Jeffrey produziu imagens incríveis da Big Apple. Confira os detalhes na matéria do DailyMail Online: "New York from 2,000ft: Photographer captures stunning aerial images of the Big Apple as you’ve never seen it before". Aqui: http://goo.gl/2Ta00E

Indo a Nova Iorque, visite a galeria Benrubi, onde ele está expondo até o dia 22 de agosto de 2015.

Jurandir Craveiro em seu Blog do Jura.


Pesquisa constatou que cidadão é aberto para aspectos sexuais, mas sustenta pensamento conservador em temas coletivos.

Abertura para liberdades sexuais e conservadorismo para propostas de promoção de igualdade social. Foi com um perfil complexo que o paulistano se apresentou em uma pesquisa inédita da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), que será lançada no próximo mês e que traçou o perfil sociopolítico do cidadão da capital.

Ao mesmo tempo em que 70% dos 1.288 entrevistados acenaram positivamente para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, 30% concordaram que, de alguma forma, a ditadura militar é melhor do que a democracia.

O paulistano, além de defendem valores individuais, crê na meritocracia. São 92% que acreditam que homens e mulheres devem receber salários equivalentes, mas 53% entendem que programas como o Bolsa Família estimulam a preguiça e que pessoas de baixa renda tenham mais filhos.

"Tem um senso comum que se difundiu que São Paulo seria mais conservadora que o resto do País, mas isso é mais complexo. O que a gente percebeu é que o paulistano é mais progressista nas liberdades sexuais, mas, quando a gente olha as questões de direitos sociais, de igualdade, há um conservadorismo", explica o economista William Nozaki , que é o coordenador da pesquisa.

O levantamento, intitulado "Conservadorismo e Progressismo na Cidade de São Paulo", foi feito na segunda semana de junho deste ano, durante oito dias, por meio de um questionário com 70 perguntas. Segundo Nozaki, ele foi motivado pelo quadro de polarização que começou a se espalhar no País e na capital principalmente após as manifestações de junho de 2013 e do segundo turno das últimas eleições presidenciais.

"O que constatamos é que não é correto fazer qualquer tipo de associação entre ser conservador e de direita e ser progressista e de esquerda. Há uma mistura noções de conservadorismo e progressismo no centro e na periferia da cidade que não cabem em um esquema engessado."

Contrastes. 

Ainda de acordo com a pesquisa, que tem 95% de confiança e margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, 74% são a favor do respeito às diferentes expressões religiosas, 42% afirmam que os Direitos Humanos têm como objetivo a defesa de bandidos, 54% aceitam novas configurações familiares e 62% são a favor da redução da maioridade penal.

"A tradição e a modernidade se encontram na cidade, mas as ideias estão sistematicamente mudando. Isso revela que há uma complexidade ligada a um cosmopolismo e a um amplo acesso a possibilidades culturais e sociais encontradas em São Paulo. A cidade é permeada pela diversidade e pelas desigualdades", diz o pesquisador e professor da FESPSP Rodrigo Estramanho de Almeida.

Almeida diz que o estudo favorece não só ao entendimento do perfil do paulistano, mas também às novas formas de elaboração de políticas públicas e pode nortear movimentos organizados da cidade e educadores.

Paula Felix no Estadão.