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São Paulo São Outros


O site 500px acaba de divulgar o ranking de cidades mais fotografadas em seu banco de imagens. Das 25 cidades, São Paulo ficou em 18º lugar. Um vislumbre do que pode te esperar na próxima viagem nesta lista de cidades mais fotogênicas.

As informações foram conseguidas através dos dados de GPS das fotos na base de dados do site, que conta hoje com mais de 6 milhões de usuários. O portal não confirmou a data de início estipulada para o levantamento. Confira!

25. Florença, Itália.

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Foto: Guerel Sahin.


24. Montreal, Canadá.

Arman AyvaArman Ayva

Foto: Arman Ayva.

23. Barcelona, Espanha.

Armen GhArmen Gh

Foto: Armen Gh.
 
 
22. Taipé, Taiwan.

Hanson MaoHanson Mao

Foto: Hanson Mao.
 

21. Vancouver, Canadá.


 Jason Duncan Jason Duncan

Foto: Jason Duncan.


20. Viena, Áustria.

Alexander AignerAlexander Aigner

Foto: Alexander Aigner.


19. Lisboa, Portugal.

Jorge MaiaJorge Maia
Foto: Jorge Maia.
 
 
18. São Paulo, Brasil.

Robson OrtlibasRobson Ortlibas
Foto: Robson Ortilibas.
 
 
17. Kiev, Ucrânia.

Sergey PolyushkoSergey Polyushko
Foto: Sergey Polyushko.
 
 
16. Milão, Itália.

Francesco AlamiaFrancesco Alamia

Foto: Francesco Alamia.
 

15. Seattle, EUA.


Daniel CheongDaniel Cheong

Foto: Daniel Cheong.
 

14. Moscou, Rússia.

Max VysotaMax VysotaFoto: Max Vysota.          
 
 
13. Vestmannaeyjar, Islândia.

 

 Gürkan Gündoğdu Gürkan Gündoğdu

 Foto: Gürkan Gündoğdu.

 

12. Istambul, Turquia.

Samet GülerSamet Güler
Foto: Samet Güler.

 

11. Tóquio, Japão.

Pat CharlesPat Charles

Foto: Pat Charles.

 

10. Amsterdam, Holanda.

Miguel Angel Martín CamposMiguel Angel Martín Campos

Foto: Miguel Angel Martín Campos.
 
 

9. Veneza, Itália.

Aaron ChoiAaron Choi

Foto: Aaron Choi.

 

8. Chicago, EUA.

Stanley Chen XiStanley Chen Xi

Foto: Stanley Chen Xi.

 

7. Cidade do Vaticano, Vaticano.


Nicodemo QuagliaNicodemo Quaglia

Foto: Nicodemo Quaglia.


6. São Francisco, EUA.

Laurent MeisterLaurent Meister

Foto: Laurent Meister.

5. Singapura, Singapura.

 Jonathan Danker Jonathan Danker

Foto: Jonathan Danker.

 

4. Toronto, Canadá.

Tim GawecoTim Gaweco

Foto: Tim Gaweco.

 

3. Londres, Inglaterra.

 kimerajam kimerajam
 
Foto: Kimerajam

 

2.  Paris, França.

Loïc LagardeLoïc Lagarde

Foto: Loïc Lagarde.
 

1. Nova York, EUA.

Anthony FieldsAnthony Fields

Foto:Anthony Fields
 
 
Ruca Souza é jornalista do iPhoto Channel. Atua como fotógrafa na área de still e fotojornalismo. Ruca também tem uma banda de rock: www.rucasouza.com

 


Eram 2h30, mas Gustavo Gomes ainda estava acordado. É que o garoto leva a sério o desafio de escrever: "Mudei os textos umas cinco vezes e ainda achei que não ficaram bons." 
 
Aos 11 anos, o menino se esforçava na madrugada para terminar as quatro colunas que deveria escrever para serem publicadas na "Folhinha". Ele estreia como novo colunista do caderno neste sábado (10), falando sobre diversidade e igualdade. 
 
"No meu colégio tem bastante gente negra, mas acaba tendo preconceito", diz o garoto, que é negro e estuda em uma escola municipal no Itaim Paulista (zona leste de São Paulo). "Uma menina tinha nojo de mim na primeira série, falava que não era para eu tocar nas coisas dela." Ele afirma ainda já ter sido hostilizado pelos colegas por não gostar de futebol e por ser muito estudioso. 
 
O estudante conta que a mãe trabalha como ajudante-geral em uma fábrica, e o pai, que não mora com eles, é mecânico. Na coluna "Ideias....", Gustavo vai falar também de outros assuntos do dia a dia na escola, como a tensão da semana de provas. "O professor tem que dar mais chance para os alunos darem sua opinião na aula, e não ficar falando sem parar", critica. 
 
O garoto chamou a atenção na internet ao discutir sobre racismo em um vídeo que teve quase 395 mil visualizações. Em entrevista à Folha, conta qual foi o melhor dia de sua vida e quais são seus sonhos, entre eles o de escrever um livro que faça mais sucesso que "Harry Potter". Leia abaixo a conversa. 
 
Você já sofreu preconceito?
Já sofri muito preconceito, por ser negro, por ser esperto e por não gostar de futebol. Quando tinha 9 anos, falavam que eu não era homem, que não era macho porque não gostava de jogar bola. O pessoal também ficava me chamando de "nerd", falando que eu deveria usar óculos. Mas acho que não combina com o meu rosto, fica um negócio muito grande. Se bem que acho que vou precisar mais para frente, porque leio muito e fico muito no computador. 
 
O que houve para você achar que estava sendo vítima de preconceito?
As pessoas me xingavam muito de negrinho, de negrinho pastoreiro. Na minha escola tem bastante gente negra, mas acaba tendo preconceito. Já sofri preconceito até de pessoas negras e de pessoas que têm amigos negros. Uma menina tinha nojo de mim na primeira série, falava que não era para eu tocar nas coisas dela. Dizia: "Eu tenho nojo de gente negra". E eu respondia: "Também sou humano, também sou gente, tenho que ser tratado igual". Mas você pode usar o melhor argumento do mundo, e a pessoa não vai ouvir, porque você é negro e ela já está com isso na cabeça. É só uma desculpa para dizer que não gosta de você. 
 
O que você mais gosta de fazer?
Gosto de ler, de conversar e de ficar na internet. Fico procurando curiosidades, principalmente no Fatos Desconhecidos e no Mega Curioso. São os dois melhores sites da internet. Eu fico nisso o tempo inteiro, umas cinco horas por dia. Eles falam sobre coisas que ninguém sabe, tipo que sal também serve para limpar a panela. Se a comida ficar grudada e você jogar sal, ela sai mais rápido. 
 
Qual é sua matéria preferida na escola?
Varia com o professor. No ano passado, eu não tinha matéria preferida, porque só uma professora ensinava todas as matérias e eu não gostava dela. Nesse ano, eu estou gostando mais de português, porque a professora é bem legal. 
 
O que faz um professor ser bom?
O jeito que ele aborda a aula. Tem que bater papo, conversar, perguntar a opinião. Tem que dar mais chance para os alunos falarem na aula, e não ficar falando sem parar. 
 
Qual foi a coisa mais legal que você já fez?
A coisa mais divertida que eu já fiz foi uma viagem para Santos. Nunca tinha ido para a praia, foi maravilhoso! A melhor coisa foi dar uma cambalhota completa junto com a onda. Eu tinha uns seis anos, não lembro de nada antes disso, minha vida começou na primeira série. Por ter aquele valor sentimental de ser a primeira vez, foi um divisor de águas na minha vida. É como se fosse antes e depois da cambalhota: a.C. e d.C. 
 
Qual é o seu maior sonho? Meu maior sonho?
Nossa, eu sou muito sonhador. Na verdade muito iludido mesmo. Sei lá, conhecer o Barack Obama... Quero escrever um livro que faça mais sucesso que 'Harry Potter', que consiga ter tanto fã quanto ele. Já está no meu planejamento de vida. Mas ainda não sei sobre o que vai ser. 
 
O que quer ser quando crescer? 
Estou superindeciso entre ser escritor, psicólogo e arquiteto. Faz um ano que estou nessa indecisão. 
 
Qual é a parte mais legal de ser o novo colunista da "Folhinha"? 
É uma coisa bem alucinante, porque, um ano atrás, se alguém falasse que eu ia escrever uma coluna na Folha, eu ia falar: "Aham, senta lá". E nesse tempo virei colunista e escrevi um livro de poemas. Vou lançar no dia 17 de outubro, aqui na biblioteca da escola. São poemas sobre tudo, desde café até planetas. 
 
Tem alguma coisa sobre a qual você queria escrever, mas não escreveu? 
Sobre música. Sempre quis dar a minha opinião, mas eu definitivamente não consigo escrever sobre música. Já tentei, mas saiu tão ruim que nem levei para as crianças e para a professora lerem. Não mostrei para ninguém. Até rasguei. Fico triste, porque eu gosto muito de ouvir e de cantar. 
 
Acha que toda criança pode escrever um bom texto? 
Acho que sim, só precisa de esforço. Não pode falar "eu não consigo". Se você quer alguma coisa, tem que se esforçar. Acho que falta compromisso, não só entre as crianças, mas entre as pessoas. Elas acham que aquilo ali é só uma tentativa, se distraem com qualquer coisa. Tem que terminar. Você tem que se empenhar naquilo e colocar como projeto principal, e não deixar em segundo plano. 
 
O que recomendaria para quem quer ser um colunista como você? 
Recomendo que se esforce, que não deixe para escrever no último minuto. Coloque o melhor de si, revise o máximo que puder e veja se outros acham bom, além de você. Não é só escrever e mandar.
 
Se você quer ser um colunista como Gustavo, é só mandar um texto de mil caracteres para [email protected], com nome, idade e "Ideias" na linha de assunto. O autor muda a cada mês e deve ter até 12 anos. O conteúdo é livre, você pode falar sobre brincadeiras, games e outros temas.
 
Júlia Barbon na Folhinha da Folha de S.Paulo.
 


Em 2015, a Educação Infantil na Cidade de São Paulo comemora 80 anos de história. Para celebrar a trajetória, iniciada em 1935 com a criação dos Parques Infantis por Mario de Andrade, na época diretor do Departamento de Cultura da cidade, a Secretaria Municipal de Educação (SME), em parceria com o Instituto Alana, realiza a partir de outubro uma série de ações por toda a cidade. Dentre elas, um Congresso Comemorativo, uma programação especial aberta ao público no Parque do Ibirapuera e atividades promovidas pelas Diretorias Regionais de Educação (DREs).

Para iniciar a programação especial, a Prefeitura de São Paulo vai iluminar, a partir da noite desta segunda, 5 de outubro, cinco pontos da cidade com a cor laranja âmbar: o Viaduto do Chá, a Ponte das Bandeiras, a Biblioteca Mario de Andrade, a Estátua do Borba Gato e o Monumento às Bandeiras. A iluminação especial também poderá ser vista pelos paulistanos nos dias 6, 16 e 17 de outubro. O projeto conta com apoio da Secretaria de Serviços.

Também nesta segunda, 5 de outubro, entre 18h e 21h30, e no dia 6 de outubro, das 8h às 17h30, será realizado no Auditório do Anhembi o Congresso Comemorativo “80 anos da Educação Infantil Paulistana: participação, escuta e diálogos sobre as infâncias”. O evento, que contará com a participação de 4.500 professores, gestores e profissionais que atuam nas unidades de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino (RME), promoverá debates e divulgará boas práticas educativas realizadas nas escolas. 

No dia 17 de outubro acontecerá a celebração “80 anos da Educação Infantil Paulistana no Parque Ibirapuera”. Entre 9h e 13h30, educadores e educadoras que atuam nas unidades de Educação Infantil da RME e do Instituto Alana promoverão oficinas culturais e uma feira de trocas de brinquedos para cerca de 4 mil participantes, entre profissionais da RME, bebês e crianças e seus familiares e responsáveis. A programação será aberta e gratuita, o que possibilita aos moradores da cidade de São Paulo a oportunidade de conhecerem de perto projetos e ações que fazem parte da rotina dos alunos da RME.

Desde o começo deste ano, uma série de atividades já acontecem nas 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) para marcar a data. Clique aqui e conheça as ações que se estendem até o fim do ano.

Abaixo, a programação do Congresso Comemorativo:

5 de outubro – 18h às 21h3018h: Acolhimento

19h: Apresentação cultural
19:30h : Abertura solene com participação de autoridades.
20h: Conferência: A Educação Infantil Paulistana no contexto nacional, com a Prof. Ms. Célia Serrão (Universidade Presbiteriana Mackenzie)
21h30: Encerramento

6 de outubro – 08h às 17h30

8h às 9h – Credenciamento
9h às 10h – Conferencias simultâneas.

Participantes:
Profª. Drª. Ana Lucia Goulart de Faria (Unicamp);
Profª. Drª. Marina Célia Moraes Dias (USP);
Profª. Drª. Márcia Gobbi (USP);
Prof.ª Ms. Maria Cristina de Campos Pires;
Profª. Drª. Mônica Pinazza (USP);
Profª. Ms. Renata Dias (SME/CEU Alvarenga);
Profº Rafael Ferreira Silva (SME/Núcleo Étnico Racial);
Prof.ª Ms. Sonia Larrubia Valverde (SME/DOT-EI).
10h às 12h30 – Mesas-redondas/oficinas

Mediadoras:
Profª. Ms. Ana Paula Ferreira da Silva (Universidade Presibiteriana Mackenzie) ;
Prof.ª Cinthia Bettoi Pais (SME/DRE IP);
Profª Rosangela Gurgel Rodrigues (SME/DOT-EI);
Prof.ª Shirley Maria de Oliveira (SME/CEI Suzana Campos Tauil);
Profª Vera Tomasulo Bruno (SME/DRE PJ);
Prof.ª Ms. Waldete Tristão (USP)
12h30 às 14h – Almoço

14h às 16h30 – Mesas-redondas/oficinas.
Mediadoras:
Prof.ª Ms. Bruna Ribeiro (Assessora SME/DOT-EI);
Prof.ª Ms. Fernanda Borsato (SME/Núcleo Étnico Racial);
Prof.ª Ms. Márcia Cordeiro;
Prof.ª Ms. Maria Cristina de Campos Pires;
Prof.ª Ms. Silvana Lapietra Jarra.

16h30 às 17h30 – Mesa de encerramento.
Profª Drª Maria Malta Machado Campos.
 
Fonte: Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.


 

Quem entra na casa do jornalista Alex Branco, 60 anos, logo percebe que ali mora alguém com um estilo de vidaque destoa do urbano tradicional. No quintal, ele mantém um tanque com três carpas e mais de 40 pequenos peixes da espécie kinguio. Uma pequena ponte que atravessa o tanque leva a um banco de madeira que, à sombra de umaárvore da rua, cria o cenário perfeito para uma leitura ou uma esticada nas pernas no fim da tarde.

Mas o tanque é só o cartão de visitas da casa de Branco, um pedacinho rural no bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo. Desde os 25 anos de idade, o jornalista é um hortelão urbano.

Hoje, cultiva mais de 100 espécies vegetais, espalhadas por vários cantos, corredores e paredes de sua casa. A filosofia dele é simples e é aplicada com afinco: “O objetivo é aproveitar todo o espaço e tudo que puder ser plantado ou usado”, diz, apontando um cogumelo espontâneo que nasceu junto a um pé de alface.

 

plantação-morango-horta-urbana-casa-são-paulo-alex-blanco-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)plantação-morango-horta-urbana-casa-são-paulo-alex-blanco-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)

Nos vasos, nascem moranguinhos cultivados sem agrotóxicos, prontos para o consumo (Foto: Lucas Alencar/ Ed. Globo).
 

A horta de Branco é diversa e extensa: uvas, limões, mexericas, caquis, cebolinhas, cerejas, beterrabas, morangos, salsinhas, salsão, rúcula, cenoura, orégano, tomilho, tomatinho, repolho, escarolaalface, capuchinho, taioba, mostarda, lavanda, alcachofra, mamão, pimenta, chuchu, berinjela, espinafre, alho porró, almeirão e couve são apenas alguns dos vegetais cultivados por ele. “Dá para fazer salada todos os dias”, conta, sorrindo.

O jornalista não consegue calcular quanto economiza por mês com o cultivo caseiro, mas garante que suas verduras são “as mais caras do planeta, mas as mais felizes”. “Não produzo em escala, para vender, então a produção é cara. É preciso capinar, cuidar, irrigar. Também não uso veneno para acabar com pragas, tento tirá-las na unha.  Dá trabalho, mas o prazer de comer as coisas que eu mesmo produzo não tem preço”, explica Branco.

 

irrigação-gotejamento-horta-urbana-sao-paulo-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)irrigação-gotejamento-horta-urbana-sao-paulo-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)

A irrigação é feita com água de chuva armazenada, distribuída em mangueiras. Tudo foi feito por ele mesmo (Foto: Lucas Alencar / Ed. Globo).

Em tempos de pouca chuva, para conseguir irrigar as inúmeras hortas espalhadas pelo quintal, ele instalou um avançado sistema de irrigação, que capta água da chuva – armazenada em uma caixa d’água – ou retira água de um poço artesiano, também construído por ele mesmo. A água é distribuída por mangueiras, como em um sistema de gotejamento.

Branco calcula que já tenha investido cerca de R$ 2 mil com a compra das bombas, encanamentos e caixa d’águapara o sistema.

Nem ele mesmo sabe de onde veio essa vontade de cultivar e a relação com a terra, mas consegue expressar a importância que o contato natural tem em sua vida: “Plantar, cuidar, ver crescer e colher é um ciclo prazeroso. Já faz parte da minha rotina e, se eu não fizer isso, não vou me sentir completo. Além de terapêutico, essa atividade é essencial para a minha saúde mental”, contou o jornalista, que gasta cerca de oito horas semanais com sua horta.

Animais na casa

galinhas-aves-alex-sao-paulo-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)galinhas-aves-alex-sao-paulo-cidades-verdes (Foto: Lucas Alencar/Ed. Globo)

Filomena e Petrolina são duas das galinhas (um grupo de quatro), que produzem ovos diariamente na casa (Foto: Lucas Alencar / Ed. Globo).

O pedacinho rural no meio da cidade que Alex Branco criou não é composto apenas por espécies vegetais. Nove gatos convivem pacificamente, em harmonia e preguiça com as mudas. Além dos felinos, ele ainda cria sete galinhas, de quatro raças diferentes.

Em um galinheiro suspenso, localizado acima das hortas, também construído por ele, as aves – todas com nomes, de Filomena a Petrolina – produzem uma média de quatro ovos por dia.

Todo o chão do espaço é coberto por palha de arroz, usada por Branco para envolver os excrementos das aves, que depois são depositados junto a restos de comida em um minhocário divido em três andares, que produz húmus e biofertilizante líquido natural, despejados pelo hortelão no solo onde crescem as mudas, reiniciando todo o ciclo. “Nada se perde, nem nada se cria. Tudo se transforma”.


Lucas Alencar e Viviane Taguchi no blog Cidades Verdes.

 


A relação entre a exposição que esteve na Bienal de São Paulo e a que agora se mostra em Serralves, naquela que é a primeira itinerância europeia da bienal brasileira, “é como a de um vinho e uma aguardente: têm sabores diferentes, mas percebe-se a ligação”, diz o escocês Charles Esche, um dos curadores de Como (…) coisas que não existem, que esta sexta-feira se inaugura no Museu de Serralves, onde permanecerá até 17 de Janeiro do próximo ano.

Apresentando 28 artistas e colectivos, dos 75 que puderam ser vistos em São Paulo entre Setembro e Dezembro de 2014, a montagem da exposição em Serralves implicou mostrar cerca de um terço das obras num espaço dez vezes mais pequeno. Uma restrição que se revelou positiva: “Acho que o sabor aqui é mais intenso”, assegura ao Público, Charles Esche, um dos três curadores — os outros são Galit Eilat e Oren Sagiv — responsáveis pela selecção de obras agora mostrada no Porto.

Com uma fortíssima dimensão social e um óbvio desejo de denunciar os efeitos mais negativos da globalização ao mesmo tempo que imagina e pensa outros possíveis, a exposição “conta sensivelmente a mesma história no Brasil e em Portugal”, diz ainda Esche, mas observando que a necessidade de adequar as peças à arquitectura de Siza Vieira gerou diálogos entre determinadas obras que não existiam em São Paulo.

O curador confessa ainda não ter ficado “totalmente satisfeito” com as obras que resultaram de algumas das encomendas feitas para a bienal paulista, e nota que os curadores tiveram agora a possibilidade de escolher a partir de peças que já conheciam.

O texto que Esche e Eilat escreveram para o livro que Serralves editou para acompanhar a exposição — e que se afasta um tanto do catálogo convencional, incluindo não apenas textos críticos, mas contribuições heterogéneas de vários dos artistas representados —, enuncia com invulgar clareza a convicção de que a arte pode mesmo ajudar a mudar o mundo.

Vendo neste início do século XXI “uma época de decepção”, os curadores observam que “os movimentos de oposição estão a ganhar força colectiva, mas terão ainda de apresentar uma narrativa alternativa convincente”, e que, por agora, “a indecisão e o medo dominam tudo e todos”. Mas admitem haver motivos para esperar que “uma grande transformação” venha a “ocorrer mais cedo ou mais tarde”, o que tornaria “urgente” existir, argumentam, “capacidade da imaginação para preparar o terreno”, algo que “a arte no seu melhor pode realizar”.

"Como (...) Coisas Que Não Existem" - Uma Exposição a Partir da 31.ª Bienal de São Paulo.

 

Petição ao Papa

Uma das mais sedutoras obras presentes nesta exposição, com a sua mistura de crítica e humor, é Errar de Deus, uma instalação do colectivo argentino Etcétera que parte da obra de León Ferrari e utiliza algumas das peças deste artista iconoclasta desaparecido em 2013. Ferrari foi censurado na Argentina pelo então arcebispo Jorge Bergoglio, o actual Papa.

Numa sala rodeada por imagens alusivas à devastação dos recursos naturais na América latina, uma bancada vermelha com telefones permite aos visitantes ouvir as conversas de deus com o Papa, Angela Merkel e vários outros interlocutores. Uma ideia inspirada num livro de Ferrari em que este colava trechos bíblicos a notícias de jornais e outros textos, criando diálogos inesperados.

Uma vitrine expõe os divertidos objectos criados por Ferrari, que associam uma estética de brinquedos de bazar a mensagens por vezes bastante violentas, de um Jesus guiando um tanque a Hitler apanhado numa dessas ratoeiras clássicas que aparecem nos desenhos animados de Tom e Jerry ou Speedy Gonzales.

Numa parede, recolhem-se assinaturas para uma petição, a ser entregue ao papa Francisco, pedindo a abolição definitiva do Inferno. Novamente, trata-se de recuperar uma iniciativa original de Ferrari, que escreveu duas vezes a João Paulo II a solicitar-lhe que extinguisse esse local de eternos suplícios. Federico Zukerfeld, um dos elementos do colectivo Etcetera, argumenta que num mundo onde a tortura está ainda hoje tão presente, o Papa deveria decidir se a religião é “um aparelho de guerra e tortura ou uma fonte de libertação”.

A ideia de criar coisas que (ainda) não existem, está bem representada logo na primeira sala do percurso expositivo, onde uma obra da chinesa Qiu Zhijen — enormes mapas que não cartografam apenas lugares, mas também ideias e emoções — convive com uma instalação resultante do trabalho conjunto de crianças e adultos envolvidos num projecto com refugiados palestinianos e moradores de uma favela brasileira.

Noutra sala, uma floresta suspensa de acrílicos figurando um arquivo de documentos da CIA sobre a ditadura brasileira, concebida pela chilena Voluspa Jarpa, dá o tom a várias obras relacionadas com o passado colonial e a heranças das ditaduras latino-americanas.

Com uma forte representação brasileira, mas incluindo também artistas das mais diversas proveniências — da Argentina ao Chile e à Colômbia, de Portugal e Espanha à Itália ou Polónia, de Israel e da Palestina à Turquia ou à China, esta é uma exposição que lida abertamente com os conflitos do presente, da destruição de património no Médio Oriente às tensões russo-ucranianas. Mas Charles Esche prefere falar da sua dimensão “social”, e “não tanto política”, pelo menos em sentido mais estrito, até porque, recorda, o historial de violência na América Latina não é apanágio exclusivo da direita.

Sintomaticamente, o percurso acaba no Inferno, título de um filme de Yael Bartena que mostra a inauguração de uma réplica do templo de Salomão em São Paulo, construída pela Igreja Universal do Reino de Deus com pedras vindas de Israel.

Luís Miguel Queirós no Público.