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Dezoito artistas e coletivos de diversas partes do país apresentam um panorama da criação artística no espaço público brasileiro na exposição ‘Arte para uma cidade sensível‘, aberta ao público no Museu Mineiro, em Belo Horizonte. A curadora é a artista e professora Brígida Campbell, da Escola de Belas-Artes da UFMG.

Com registros de intervenções, instalações e vídeos, a mostra reflete sobre questões urbanas como gentrificação, especulação imobiliária, investimentos e desrespeito ao patrimônio histórico e simbólico. Para Brígida, essas transformações, distorcem, muitas vezes, o caráter público do espaço urbano, transformando-o em mero local de exploração financeira e impedindo a construção de locais de encontro, convivência coletiva e pública.

Entretanto, como a própria curadora lembra, existe um movimento em sentido contrário que busca retomar os espaços públicos como lugar de convívio, de política, de realização pública e coletiva de projetos. Neste sentido, uma série de projetos artísticos vêm sendo realizados no espaço público-urbano brasileiro, sob os mais diversos nomes, como “intervenção urbana”, “arte participativa”, "colaborativa”, “relacional”, “contextual”.

Os trabalhos reunidos na mostra propõem que a arte circule por outros espaços, que não apenas os ambientes tradicionalmente reservados a ela. O objetivo é oferecer referências para novos processos de pesquisa artística, ampliando a compreensão do visitante sobre o papel da arte no imaginário da cidade e na formação da sensibilidade urbana.

Participam da exposição Thislandyourlan, Pierre Fonseca, Piseagrama, Trinca SP, Poro, Gia, Grupo Fora, Grupo Empreza, Ronald Duarte, Paulo Nazareth, Filé de Peixe, Vj Suave, Acidum, Jonathas de Andrade, Comum, Frente Três de Fevereiro, Tupinambá Lambido e Residência Móvel.

Além da exposição, faz parte da programação, uma série de encontros  e palestras com artistas e profissionais do campo das artes visuais.

Serviço

“Arte para uma cidade sensível”
Visitação até 26/11.
Museu Mineiro, Galeria de Exposições Temporárias.
Avenida João Pinheiro 342, no bairro Funcionários.
O local funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, quinta-feira, das 12h às 21h, e sábado e domingo das 12h às 19h.

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Com informações da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais.

O centenário Museu de Artes e Ofícios de Hamburgo, na Alemanha, deu a largada para o ambicioso projeto itinerante "Pure Gold - Upcycled! Upgraded!"

Ele começou no último dia 15 de setembro com uma exposição de peças feitas de reciclagem e upgrade de materiais de quatro continentes. Plásticos, madeiras, panos, borrachas, papéis, ferros, louças e vidros recuperados e rearranjados em 76 peças, por 53 designers, fazem parte da mostra, que deve percorrer 20 cidades em dez anos, um programa do Instituto de Relações Internacionais (IFA) da Alemanha. 

"Nosso tema é de relevância global, mas os países têm abordagens muito diferentes. Seria um mal-entendido ver o upcycling como um novo método universal. Pelo contrário, deve ser enraizado na cultura regional como uma estratégia efetiva. Os objetos exibidos demonstram isso de forma prolífica", diz o curador-chefe da mostra, o professor Volker Albus.

Albus dividiu a curadoria com mais seis curadores, provenientes de Brasil, China, Egito, Índia, Zimbábue e Tailândia, que apontaram trabalhos. "Queremos iniciar um discurso global sobre este importante tópico e não apenas uma determinada mensagem focada na Alemanha ou na Europa", diz Albus.

Poltrona Palmarin (2014), de Ramón Llonch / Artlantique. Barcos de pesca desativados são transformados em móveis contemporâneos, como esta poltrona. A decoração existente na madeira resgatada é cuidadosamente escolhida e combinada em cada design específico. Foto: Divulgação.Poltrona Palmarin (2014), de Ramón Llonch / Artlantique. Barcos de pesca desativados são transformados em móveis contemporâneos, como esta poltrona. A decoração existente na madeira resgatada é cuidadosamente escolhida e combinada em cada design específico. Foto: Divulgação.

Mesa Paan (2012) de Saruta Kiatparkpoom. Restos de aço provenientes de chapas cortadas por estampagem são transformados em móveis e objetos decorativos. Foto: Divulgação.Mesa Paan (2012) de Saruta Kiatparkpoom. Restos de aço provenientes de chapas cortadas por estampagem são transformados em móveis e objetos decorativos. Foto: Divulgação.

Conical Neck Vessel (2012) de Berger-Gentsch. Com ares antigos, essa ânfora é feita com papelão corrugado recolhido em supermercados de desconto. Foto: Divulgação.Conical Neck Vessel (2012) de Berger-Gentsch. Com ares antigos, essa ânfora é feita com papelão corrugado recolhido em supermercados de desconto. Foto: Divulgação.

Mesa Flip Flop (2011), design de Diederik Schneemann. Chinelos descartados são colados e depois cortados, dando origem a objetos e pequenas peças de mobiliário, como essa mesinha auxiliar, sempre marcados pela colorida padronagem. Foto: Divulgação.Mesa Flip Flop (2011), design de Diederik Schneemann. Chinelos descartados são colados e depois cortados, dando origem a objetos e pequenas peças de mobiliário, como essa mesinha auxiliar, sempre marcados pela colorida padronagem. Foto: Divulgação.

-ISH Tray 3 (2014), design Laetitia de Allegri & Matteo Fogale. Jeans usados e desgastados são a matéria-prima para a criação do Denimite, material que pode ser prensado e moldado na forma de tampos de mesa e bandejas. Foto: Divulgação.-ISH Tray 3 (2014), design Laetitia de Allegri & Matteo Fogale. Jeans usados e desgastados são a matéria-prima para a criação do Denimite, material que pode ser prensado e moldado na forma de tampos de mesa e bandejas. Foto: Divulgação.

The Well Proven Chair (2012), design Marjan van Aubel & James Michael Shaw: Aparas de madeira são misturadas com uma bioresina. Foto: DivulgaçãoThe Well Proven Chair (2012), design Marjan van Aubel & James Michael Shaw: Aparas de madeira são misturadas com uma bioresina. Foto: Divulgação

Do Brasil, participam obras dos designers Domingos Tótora e Bruno Jahara, selecionados pela curadora Adélia Borges, responsável pela América Latina. Tótora mostra seu banco feito de pasta de celulose enformada e Jahara, sua montagem de utensílios plásticos industrializados. Borges também indicou o projeto da designer e jornalista argentina Luján Cambariere e do coletivo Ático de Diseño, que usa peças de antiquário para criar um mix de luminária e brinquedo.

Banco Solo (2010), de Domingos Tótora. Feito com massa de papelão e ferro, o banco utiliza o papelão descartado na região de Maria da Fé, MG, onde o designer tem seu ateliê. Foto: Divulgação.Banco Solo (2010), de Domingos Tótora. Feito com massa de papelão e ferro, o banco utiliza o papelão descartado na região de Maria da Fé, MG, onde o designer tem seu ateliê. Foto: Divulgação.

Fruteira da linha Multiplástica Doméstica (2012), design Brunno Jahara. Utensílios plásticos produzidos industrialmente e vendidos em lojas de 1,99, aliados a componentes usados, dão origem às fruteiras dessa série. Foto: Divulgação.Fruteira da linha Multiplástica Doméstica (2012), design Brunno Jahara. Utensílios plásticos produzidos industrialmente e vendidos em lojas de 1,99, aliados a componentes usados, dão origem às fruteiras dessa série. Foto: Divulgação.

O projeto "Pure Gold" não se resume à mostra itinerante. O plano é fazer oficinas com designers em cada local de exibição para registrar técnicas de reparo, reutilização e personalização de produtos, e assim formular "receitas de upcycling". As oficinas alimentarão uma plataforma digital, que funcionará como fórum. "Nosso objetivo é produzir tutoriais em vídeos simples que podem ser filmados com smartphones e colocados na plataforma. Todo mundo interessado em upcycling pode se conectar facilmente e trocar experiências em escala global", diz Axel Kufus, responsável pela plataforma digital.

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Mara Gama é jornalista com especialização em design, roteirista e consultora de qualidade de texto. Artigo publicado originalmente em seu blog na Folha de S.Paulo.

Pequim, Mumbai, Cidade do México, São Paulo. Nas metrópoles dos países em desenvolvimento, a urbanização roubou o espaço da paisagem natural. Áreas verdes e cursos d’água foram tomados pelo concreto.

É o caso da maior cidade brasileira, marcada pelo Tietê, um rio de extensas planícies aluviais, condição que potencializa enchentes ocasionadas pelas tempestades de verão. Impermeabilizada em trechos importantes de escoamento, como os fundos de vale, São Paulo fica a cada dia mais sujeita às cheias de seus rios e córregos.

A arquiteta Pérola Felipette Brocaneli, doutora em paisagem e ambiente pela Universidadede São Paulo, está entre os pesquisadores que apostam em uma solução arrojada: devolver aos rios as várzeas em suas margens. “Não se trata apenas de criar parques ou áreas verdes, mas transformar a lógica estrutural de São Paulo, que deixará de ser viária e passará a ser ecológica”, diz.

Na prática, isso significaria desapropriar os edifícios e afastar as vias pavimentadas que hoje ladeiam o rio Tietê e seus principais afluentes (Pinheiros, Tamanduateí) – um plano ainda utópico,sobretudo quando se nota que, em 2010, canteiros foram derrubados para dar lugar a três novas faixasde asfalto. “Sei que tais possibilidades incomodam. Mas o que deveria ser mais inquietante são aspéssimas condições ambientais e os reflexos disso na qualidade de vida dos paulistanos”, diz Pérola.

Ilustração de Jonatan Sarmento / National Geographic.Ilustração de Jonatan Sarmento / National Geographic.Uma mudança total levaria décadas. O primeiro passo seria a constituição de um parque linear principal, capaz de atuar no amortecimento das chuvas críticas e ser o eixo de um sistema de refrigeração para o município, composto de áreas verdes e úmidas. Esses espaços seriam criados ao longo de rios e córregos que hoje estão inseridos nas porções denominadas pelo poder público de “operações urbanas”. “São áreas residuais, sujeitas a um zoneamento especial, voltadas para a reestruturação territorial de São Paulo”, diz Pérola.

Em vez de direcionar essas áreas de maneira integral para empreendimentos imobiliários, a ideia é destiná-las também à recuperação de antigas zonas úmidas.Uma das propostas é interligar por meio de um corredor ecológico no eixo noroeste-sudeste as serras da Cantareira e do Mar. A umidificação, o controle térmico e a regularização do ciclo hidrológico seriam favorecidos – ou seja, haveria uma regularização do calor e das chuvas acima do normal. Hoje, o vento frio vindo das partes altas não é capaz de refrigerar a cidade porque depara com uma bolha de ar aquecido e seco ao atingir aregião metropolitana – resultado do desmatamento e da impermeabilização das várzeas.

Na renascida São Paulo, a demanda pelos carros particulares tenderia a diminuir, já que as opções de serviço e de lazer estariam melhor distribuídas e o transporte público seria mais eficiente. “Além disso, atrações culturais e praças esportivas fariam parte das novas áreas verdes”, completa Pérola.“São Paulo precisa alterar sua noção de privado. Mais do que recuperar o ambiente, trata-se de criar redes de espaço público.”

Exemplo

Margens do rio Kallang rejuvenescidas com decks de vigia, praça aberta, vegetação. Foto: The Straits Times.Margens do rio Kallang rejuvenescidas com decks de vigia, praça aberta, vegetação. Foto: The Straits Times.Em Singapura, a restauração de 2,7 quilômetros do rio Kallang, que também passava por um canal de concreto, mostrou que é possível ter menos inundações, mais refrigeração natural e oportunidades de recreação na cidade. A revitalização do rio durou três anos e foi concluída neste mês, com 62 hectares reabertos aos moradores de Singapura.

O parque linear do Kallang inclui um playground aquático e um jardim comunitário. As plantas – que não são cultivadas com produtos químicos – ajudam a manter a qualidade da água e acabaram atraindo animais selvagenspara a região.

Este vídeo, com legendas em inglês, mostra o resultado desta transformação!

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Por Thiago Medaglia na National Geographic Brasil.

Evento criado nos mesmos moldes da Oktoberfest de Munique, na Alemanha, desembarca pela primeira vez em São Paulo entre os dias 29 de setembro e 8 de outubro, no sambódromo do Anhembi. A tradicional festival de cerveja, comida e danças típicas de Munique acontece no Brasil há mais 30 anos em Blumenau, Santa Catarina, no mês de outubro.

Fra. Biancoshock é um artista italiano que faz intervenções urbanas críticas e com muito humor. Reinterpretando placas, ou sobrepondo com alguma figura ele traz novos significados e novos pontos de vista sobre aquilo que passa diante de nós todos os dias e para quem não damos a devida atenção. 

Em curiosa série de instalações ao ar livre, o artista transformou caixas de bueiros abandonadas nas ruas de Milão em salas miniaturas apertadas, com obras de arte penduradas, utensílios de cozinha, relógios e paredes de azulejos.