‘Maio amarelo‘: gestos simbólicos para reduzir mortes no trânsito fazem mais sentido se acompanhados de ações concretas - São Paulo São

Na reunião do Conselho Municipal de Transportes realizada no último dia 27, foi apresentado o Maio Amarelo, uma iniciativa da ONU, encampada pela prefeitura, pra reduzir mortes no trânsito. São milhares de ações para conscientizar as pessoas para a questão da segurança durante o mês de maio.

Como analisar isso?

É impossível ir contra qualquer iniciativa que ajude São Paulo a reduzir a barbárie do nosso trânsito. Ao contrário, há que aplaudir que a prefeitura invista recursos em ações que ajudem a termos menos mortes e atropelamentos, mas é difícil abraçar integralmente um programa que parece tão focado nas ações de comunicação. Haverá filmes na TV, camisetas, eventos e “conscientizações”. Nada de errado com isso, mas são ações que talvez gerem pouquíssimos resultados concretos.

Os gestos simbólicos são importantes e eu torço para que o próprio prefeito apareça nos jornais pintando uma faixa de pedestre ou tentando atravessar a rua. Isso sim seria um gesto que sinalizaria uma Prefeitura preocupada com as mortes no trânsito e não uma Prefeitura que celebra o aumento de velocidade nas marginais como se fosse uma conquista social.

Mas há também uma notícia de ação concreta, que pode ser mais promissora.  Na mesma reunião, Sérgio Avelleda, Secretário de Mobilidade e Transportes, tratou do programa Pedestre Seguro. É um pacote de ações que devem entrar no plano de metas:

– ampliação de áreas “calmas” (40km/h).
– melhoria de acesso de pedestres ao transporte público.
– redução no tempo de espera em semáforos.
– fiscalização ​nas travessias.
– sensibilização dos motoristas.

O programa deve fazer parte do plano de metas da prefeitura, que ainda está sendo consolidado e pode ser de fato um gesto concreto pela segurança dos pedestres. Vamos acompanhar e torcer para que a força dos gestos simbólicos seja de fato acompanhada pelos atos concretos.

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Mauro Calliari é administrador de empresas, mestre em urbanismo e consultor organizacional. Artigo publicado originalmente no blog Caminhadas Urbanas do Estadão.