‘Pure Gold‘: mostra na Alemanha reúne criações com reciclados do mundo todo - São Paulo São

O centenário Museu de Artes e Ofícios de Hamburgo, na Alemanha, deu a largada para o ambicioso projeto itinerante "Pure Gold - Upcycled! Upgraded!"

Ele começou no último dia 15 de setembro com uma exposição de peças feitas de reciclagem e upgrade de materiais de quatro continentes. Plásticos, madeiras, panos, borrachas, papéis, ferros, louças e vidros recuperados e rearranjados em 76 peças, por 53 designers, fazem parte da mostra, que deve percorrer 20 cidades em dez anos, um programa do Instituto de Relações Internacionais (IFA) da Alemanha. 

"Nosso tema é de relevância global, mas os países têm abordagens muito diferentes. Seria um mal-entendido ver o upcycling como um novo método universal. Pelo contrário, deve ser enraizado na cultura regional como uma estratégia efetiva. Os objetos exibidos demonstram isso de forma prolífica", diz o curador-chefe da mostra, o professor Volker Albus.

Albus dividiu a curadoria com mais seis curadores, provenientes de Brasil, China, Egito, Índia, Zimbábue e Tailândia, que apontaram trabalhos. "Queremos iniciar um discurso global sobre este importante tópico e não apenas uma determinada mensagem focada na Alemanha ou na Europa", diz Albus.

Poltrona Palmarin (2014), de Ramón Llonch / Artlantique. Barcos de pesca desativados são transformados em móveis contemporâneos, como esta poltrona. A decoração existente na madeira resgatada é cuidadosamente escolhida e combinada em cada design específico. Foto: Divulgação.Poltrona Palmarin (2014), de Ramón Llonch / Artlantique. Barcos de pesca desativados são transformados em móveis contemporâneos, como esta poltrona. A decoração existente na madeira resgatada é cuidadosamente escolhida e combinada em cada design específico. Foto: Divulgação.

Mesa Paan (2012) de Saruta Kiatparkpoom. Restos de aço provenientes de chapas cortadas por estampagem são transformados em móveis e objetos decorativos. Foto: Divulgação.Mesa Paan (2012) de Saruta Kiatparkpoom. Restos de aço provenientes de chapas cortadas por estampagem são transformados em móveis e objetos decorativos. Foto: Divulgação.

Conical Neck Vessel (2012) de Berger-Gentsch. Com ares antigos, essa ânfora é feita com papelão corrugado recolhido em supermercados de desconto. Foto: Divulgação.Conical Neck Vessel (2012) de Berger-Gentsch. Com ares antigos, essa ânfora é feita com papelão corrugado recolhido em supermercados de desconto. Foto: Divulgação.

Mesa Flip Flop (2011), design de Diederik Schneemann. Chinelos descartados são colados e depois cortados, dando origem a objetos e pequenas peças de mobiliário, como essa mesinha auxiliar, sempre marcados pela colorida padronagem. Foto: Divulgação.Mesa Flip Flop (2011), design de Diederik Schneemann. Chinelos descartados são colados e depois cortados, dando origem a objetos e pequenas peças de mobiliário, como essa mesinha auxiliar, sempre marcados pela colorida padronagem. Foto: Divulgação.

-ISH Tray 3 (2014), design Laetitia de Allegri & Matteo Fogale. Jeans usados e desgastados são a matéria-prima para a criação do Denimite, material que pode ser prensado e moldado na forma de tampos de mesa e bandejas. Foto: Divulgação.-ISH Tray 3 (2014), design Laetitia de Allegri & Matteo Fogale. Jeans usados e desgastados são a matéria-prima para a criação do Denimite, material que pode ser prensado e moldado na forma de tampos de mesa e bandejas. Foto: Divulgação.

The Well Proven Chair (2012), design Marjan van Aubel & James Michael Shaw: Aparas de madeira são misturadas com uma bioresina. Foto: DivulgaçãoThe Well Proven Chair (2012), design Marjan van Aubel & James Michael Shaw: Aparas de madeira são misturadas com uma bioresina. Foto: Divulgação

Do Brasil, participam obras dos designers Domingos Tótora e Bruno Jahara, selecionados pela curadora Adélia Borges, responsável pela América Latina. Tótora mostra seu banco feito de pasta de celulose enformada e Jahara, sua montagem de utensílios plásticos industrializados. Borges também indicou o projeto da designer e jornalista argentina Luján Cambariere e do coletivo Ático de Diseño, que usa peças de antiquário para criar um mix de luminária e brinquedo.

Banco Solo (2010), de Domingos Tótora. Feito com massa de papelão e ferro, o banco utiliza o papelão descartado na região de Maria da Fé, MG, onde o designer tem seu ateliê. Foto: Divulgação.Banco Solo (2010), de Domingos Tótora. Feito com massa de papelão e ferro, o banco utiliza o papelão descartado na região de Maria da Fé, MG, onde o designer tem seu ateliê. Foto: Divulgação.

Fruteira da linha Multiplástica Doméstica (2012), design Brunno Jahara. Utensílios plásticos produzidos industrialmente e vendidos em lojas de 1,99, aliados a componentes usados, dão origem às fruteiras dessa série. Foto: Divulgação.Fruteira da linha Multiplástica Doméstica (2012), design Brunno Jahara. Utensílios plásticos produzidos industrialmente e vendidos em lojas de 1,99, aliados a componentes usados, dão origem às fruteiras dessa série. Foto: Divulgação.

O projeto "Pure Gold" não se resume à mostra itinerante. O plano é fazer oficinas com designers em cada local de exibição para registrar técnicas de reparo, reutilização e personalização de produtos, e assim formular "receitas de upcycling". As oficinas alimentarão uma plataforma digital, que funcionará como fórum. "Nosso objetivo é produzir tutoriais em vídeos simples que podem ser filmados com smartphones e colocados na plataforma. Todo mundo interessado em upcycling pode se conectar facilmente e trocar experiências em escala global", diz Axel Kufus, responsável pela plataforma digital.

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Mara Gama é jornalista com especialização em design, roteirista e consultora de qualidade de texto. Artigo publicado originalmente em seu blog na Folha de S.Paulo.