Projetos residenciais raros do arquiteto João Vilanova Artigas são tema de livro - São Paulo São

Publicado pela Editora Annablume, o livro Vilanova Artigas. Projetos residenciais não construídos traz novas análises e visões sobre o trabalho do arquiteto paulista João Batista Vilanova Artigas.

Trata-se da pesquisa desenvolvida por Ana Tagliari que se consolidou em sua tese defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

O texto foi adaptado para livro com as várias imagens produzidas pela pesquisa e desenhos originais do acervo da Biblioteca da FAU/USP. Além de Ana Tagliari, assinam o livro Rafael Antonio Cunha Perrone e Wilson Florio.

Imagem: Reprodução.Imagem: Reprodução.
São 32 projetos residenciais não construídos feitos entre os anos de 1945 e 1981 e redesenhados por pesquisadores para uma melhor interpretação da planta, corte e elevação dos projetos de Artigas.

O material original estava disponível na Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e foi estudado por Ana Tagliari, doutora pela FAU, Wilson Florio, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Rafael Perrone, professor da FAU.

“[A pesquisa] Não foi a busca de uma fórmula ou padrão, como muitos desejam identificar, mas a busca incessante de novas e adequadas proposições que marcaram a poética espacial de Vilanova Artigas”, explica Perrone.

Para a construção do livro, também foram feitas maquetes para observar a espacialidade de cada projeto. Segundo os pesquisadores, Artigas buscava a conversa entre os espaços e o favorecimento das relações e convívio humanos.

Vilanova Artigas

João Batista Vilanova Artigas. Foto: Cristiano Mascaro.João Batista Vilanova Artigas. Foto: Cristiano Mascaro.João Batista Vilanova Artigas (Curitiba, 23 de junho de 1915 — São Paulo, 12 de janeiro de 1985) foi um arquiteto brasileiro cuja obra é associada ao movimento arquitetônico conhecido como Escola paulista.[

Embora tenha nascido na cidade de Curitiba, Artigas é considerado um dos principais nomes da história da arquitetura de São Paulo, seja pelo conjunto de sua obra aí realizada, seja pela importância que teve na formação de toda uma geração de arquitetos.

Graduando-se engenheiro-arquiteto pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Artigas se envolveu ainda estudante com um grupo de artistas de vanguarda (dentre os quais destacar-se-ia mais tarde o pintor Alfredo Volpi) conhecido como Grupo Santa Helena, devido ao seu constante interesse pela atividade do desenho — tema cujo estudo viria a se tornar um dos elementos mais presentes em sua obra.

A FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (1961), obra máxima de Artigas. Foto: Divulgação.A FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (1961), obra máxima de Artigas. Foto: Divulgação.Tendo se tornado professor da Escola Politécnica, Artigas fez parte do grupo de professores que deu origem à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU). Tornou-se um dos professores mais envolvidos com os rumos desta nova escola: é de sua autoria o projeto de reforma curricular implantado na década de 1960 que redefiniria o perfil de profissional formado por aquela escola e foi responsável, junto ao arquiteto Carlos Cascaldi, pelo projeto da nova sede da Faculdade: um edifício localizado na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira que leva seu nome e sintetiza seu pensamento arquitetônico. A reforma curricular desenhada por Artigas foi também importante ao definir uma séria de novas possibilidades de prática e atuação profissional aos novos arquitetos, associando a eles áreas como o desenho industrial e a programação visual, a partir da crença de que tal profissional deveria participar ativamente no desenvolvimento de todos os processos industriais requeridos pelo projeto nacional-desenvolvimentista então em voga no país.

O projeto original para a sede do São Paulo FC (1953). Imagem: Divulgação.O projeto original para a sede do São Paulo FC (1953). Imagem: Divulgação.Em 1969, por determinação do regime militar vigente no país, foi afastado da FAU e obrigado a se exilar brevemente no Uruguai, devido à sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro(PCB). Embora tenha vivido no Brasil na década de 1970, foi impedido de atuar plenamente pelo regime. Seu retorno à faculdade se deu em 1979 - fruto do processo de anistia instaurado no país a partir daquele ano - e foi celebrado pelos alunos. Continuaria a lecionar na FAUUSP até sua morte, em 1985, ano em que lhe é atribuído o cargo de professor titular. Ironicamente, neste período de redemocratização, foi professor da disciplina Estudos de Problemas Brasileiros, criada pela ditadura militar e imposta pelo regime às faculdades brasileiras como instrumento de controle ideológico. Durante este curso, subverteu o programa clássico da disciplina e levou à FAU diversas personalidades do mundo artístico, político e cultural, intelectuais de esquerda que também haviam sido perseguidos pelo regime, entre eles o pintor Aldemir Martins, o ator Juca de Oliveira e o então cardeal-arcebispo de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns.

Serviço

Livro "Vilanova Artigas. Projetos residenciais não construídos" 
Autores: Ana Tagliari, Rafael Perrone e Wilson Florio.
Prefácio de Rosa Artigas.
Formato: 21x21 cm, 246 páginas.
Editora Annablume, 2017.

***
Fonte: Jornal da USP.