‘Quando os ventos sopram cores‘: a retrospectiva de Tikashi Fukushima, pioneiro do abstracionismo - São Paulo São

Com iniciativa e produção do Setor de Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada e curadoria de Leila Kiyomura, jornalista e crítica de arte do Jornal da USP, a exposição exibe a trajetória do artista, com a maioria das obras do acervo da própria fundação, entre gravuras de acervos particulares. Há ainda objetos pessoais do artista que mostram um pouco de sua vida cotidiana. A mostra apresenta também um vídeo elaborado por Leila Kiyomura a partir de sua pesquisa de mestrado sobre o artista, intitulado Tikashi Fukushima: Um sonho em quatro estações.

Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.

Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Nascido em Fukushima, Japão, em 19 de janeiro de 1920, o artista chegou ao Brasil em 24 de fevereiro de 1940, estabelecendo-se no interior de São Paulo e permaneceu no país até seu falecimento em 2001. Ele faz parte da geração de imigrantes japoneses pré-guerra que iniciaram suas atividades na agricultura, mas logo despertaram para as artes plásticas. Um de seus primeiros amigos no Brasil foi Manabu Mabe que na época também sonhava em ser pintor. Seu mestre foi Tadashi Kaminagai com quem trabalhou em sua molduraria no Rio de Janeiro em 1945. Em 1949 muda-se para São Paulo onde abre a molduraria e galeria Fukushima, na praça Guanabara, local que se torna ponto de encontro de artistas, e funda o Grupo Guanabara, com Arcangelo Ianelli, Ademir Martins, Takeshi Suzuki, Manabu Mabe, Tomie Ohtake, o casal Armando e Alzira Pegorari, entre outros, incluindo integrantes do Grupo Seibi. Reconhecido como um dos precursores do abstracionismo no Brasil, Fukushima recebeu diversos prêmios e suas obras integram acervos no Brasil e no exterior.

Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.“Para compreender o pensamento da arte de Fukushima, contei com a pesquisa da especialista em filosofia japonesa, Michiko Okano, buscando uma referência no pensamento milenar Ma”, comenta Leila Kiyomura, curadora da mostra. Segundo ela, Ma é o “entre espaço”, o vazio. “Ele era um imigrante, não se sentia nem japonês, nem brasileiro, vivia e pintava no entre espaço.”

A Fundação Mokiti Okada reúne um dos mais importantes acervos de arte moderna e contemporânea do Brasil. O Setor de Cultura e Arte vem divulgando, desde 2007, o Belo em suas mais diversas manifestações, trabalhando a Arte como instrumento de conhecimento, educação e elevação da espiritualidade, para a formação de uma sociedade harmoniosa. Entre as várias ações do Setor estão as exposições de artes no Centro Cultural do Solo Sagrado de Guarapiranga.
Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Foto: Divulgação/Setor Cultura e Arte da Fundação Mokiti Okada.Inaugurado em 1995, o Solo Sagrado foi construído pela Igreja Messiânica Mundial do Brasil às margens da represa de Guarapiranga, em São Paulo, numa área de 327.500 metros quadrados, prezando pela preservação ambiental e aliando a beleza natural à beleza das construções e jardins criados pela inspiração humana. Hoje, o local é considerado um dos maiores espaços para a contemplação da natureza e meditação existentes no Brasil. 

Serviço

Exposição: Tikashi Fukushima -  Quando os ventos sopram cores.
Quando: até 3 de março.
Solo Sagrado de Guarapiranga: Av. Profº Hermann Von Ihering, 6567 – Jardim Casa Grande (antiga Estrada do Jaceguai), Parelheiros – São Paulo.
A visitação precisa ser agendada pelo telefone (11) 5970-1000.