Casacadabra lança ‘Cidades para Brincar‘, um livro de urbanismo para crianças - São Paulo São

A cidade e seus espaços públicos podem – e devem – ser lugar de aprendizado. Lugares em que se socializa, onde se criam novos encontros, onde se descobrem detalhes ao caminhar. Dois fatores, no entanto, têm jogado para que essas aprendizagens aconteçam cada vez menos: o carro e a falta de políticas para o espaço público.

As crianças (e adultos) de hoje vivem dentro. Dentro de casa, da escola, do carro. Locomovem-se dentro. Brincam dentro. “O chegar não é mais valioso do que a andança”, disse o psicopedagogo Francesco Tonucci durante a Ludantia, primeira Bienal de Educação em Arquitetura para a Infância e Juventude, que aconteceu agora em maio, na Espanha.

Tonucci abre os olhos para o caminhar na cidade. E por que não deixamos o carro e vamos a pé? Entre muitas respostas, está o segundo fator de que falo acima: o que nosso espaço público permite que façamos?

Muito pouco, em alguns lugares. Mas muito mais do que costumamos pensar. Ter consciência da importância do espaço público para a qualidade de vida é essencial para nos levar a questionar a falta de políticas públicas para um espaço saudável. Essa consciência pode começar desde cedo, ainda criança. É isso que o “Casacadabra: Cidades para Brincar”, um livro de urbanismo para crianças, quer transmitir: ao falar sobre cidades com crianças, o livro fala de novas e diferentes possibilidades de espaços públicos, apontando detalhes e relações às vezes escondidos em meio à velocidade dos deslocamentos dos dias de hoje.

Cantinho do Céu, em São Paulo, Brasil. Ilustração:Luísa Amoroso.Cantinho do Céu, em São Paulo, Brasil. Ilustração:Luísa Amoroso.

Em plena campanha de financiamento coletivo, o livro parte da apresentação de dez projetos de espaços públicos pelo mundo. A variedade de lugares, de tipologias e de construção foi pensada para mostrar diferentes maneiras de habitar e de transformar a cidade. Porque espaço público é um conceito muito mais amplo do que normalmente pensamos. É aquele projeto gigantesco como a transformação de uma antiga ferrovia elevada em parque – como o High Line, em Nova York. É uma política pública para inserir um parque em um bairro distante, como o Cantinho do Céu em São Paulo ou o Superkilen em Copenhague.

Escadaria Trinidade do Monte, em Roma, Itália. Ilustração:Luísa Amoroso.Escadaria Trinidade do Monte, em Roma, Itália. Ilustração:Luísa Amoroso.

Mas espaço público é também aquela escadaria feita para conectar que foi apropriada pelas pessoas e se transformou em espaço de encontro, como a escadaria da Praça Espanha, em Roma; é a calçada cheia de movimentos e dança de pessoas com suas atividades distintas a cada hora do dia e da semana, como nos ensina a Avenida Paulista; é a apropriação, pelos vizinhos, de um espaço demolido pela prefeitura e transformado em lugar de jogos, brincadeiras, encontros e com horta comunitária, como o Poço da Figueira, em Barcelona.

Lina, personagem principal, nos parquinhos de Aldo van Eyck. Ilustração: Luísa Amoroso.Lina, personagem principal, nos parquinhos de Aldo van Eyck. Ilustração: Luísa Amoroso.

Cada projeto urbano apresentado no livro tem muito a nos ensinar. Nos ensinam a olhar as cidades de outra maneira, nos ensinam a ver a cidade como lugar de aprendizagem. Finalmente, nos mostram que há prazer e pequenos desafios no espaço urbano.

Assim, quem sabe – acreditamos – nossas cidades do futuro sejam mais humanas e justas.

Ilustração: Luísa Amoroso.Ilustração: Luísa Amoroso.

A segunda edição traz dez espaços públicos construídos pelo mundo:

1. Superkilen, em Copenhague, Dinamarca; 
2. High Line, em Nova York, Estados Unidos; 
3. Cantinho do Céu, em São Paulo, Brasil; 
4. Escadaria Trinidade do Monte, em Roma, Itália; 
5. Parquinhos de Aldo van Eyck, em Amsterdã, Holanda; 
6. Reabertura do rio Cheonggyecheon, em Seul, Coreia do Sul; 
7. Praça dos Desejos, em Medelín, Colômbia; 
8. Praça Imagem do Mundo, em Esfahan, Irã; 
9. Poço da Figueira, em Barcelona, Espanha; 
10. Avenida Paulista, em São Paulo, Brasil

Para contribuir e saber mais, acesse o link da campanha no Catarse.

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Bianca Antunes é jornalista, ex-editora da revista AU, coautora do livro Casacadabra e mestranda do Mundus Urbano pela TU Darmstadt (Alemanha) e Universitat Internacional de Catalunya (Espanha). *Artigo publicado originalmente no seu blog Esquina.

 



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