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No próximo 14 de dezembro o MASP inaugura ‘Tunga: o corpo em obras‘, exposição que reúne cerca de oitenta obras do artista pernambucano, incluindo instalações, objetos e desenhos.

‘Lezart‘. Imagem: Divulgação.Embora apresente trabalhos de diferentes períodos de sua carreira, desde os anos 1970 até sua morte, em junho de 2016, não se trata de uma mostra retrospectiva, mas sim de uma exposição monográfica cujo recorte curatorial tem como foco a maneira como Tunga trabalhou os temas da sexualidade e do erotismo ao longo de sua produção.

Pode-se dizer que o corpo e questões relacionadas à sexualidade atravessam toda a obra do artista, desde o início de sua carreira. Neste recorte curatorial, a sexualidade é compreendida como forma de estabelecer e desenvolver relações, vínculos, transformações e criações entre corpos, seres, matérias e linguagens. As obras que integram a exposição compreendem os mais distintos materiais usados por Tunga, como bronze, cobre, latão, madeira, papel, borracha e maquiagem; bem como fazem referência a diversas áreas do conhecimento, como literatura, filosofia, psicanálise, química, biologia e alquimia.

‘Les bijoux de Madame de Sade‘. Imagem: Divulgação.Organizada de forma não-cronológica pelo espaço do 2º subsolo, a exposição conta com alguns dos trabalhos mais emblemáticos de Tunga, como Vê-nus (1976), Tacape(décadas de 1980 e 1990), a série Eixos exógenos (1986-2000), um conjunto de Tranças (décadas de 1980 e 1990), a série Morfológicas (2014), além de diversos desenhos, muitos deles nunca expostos.

Por ocasião da mostra, o MASP publica um catálogo disponível em português e inglês com imagens das obras expostas, textos dos curadores e ensaios inéditos de Marta Martins e Catherine Lampert, além da republicação de textos históricos sobre a obra de Tunga, de Ronaldo Brito e Suely Rolnik.

‘A cada doze dias e uma carta‘. Imagem: Divulgação.‘Tunga: o corpo em obras‘ encerra o programa anual de 2017 do MASP, dedicado à sexualidade, e que contou com exposições individuais das artistas Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Tracey Moffatt, Guerrilla Girls e dos artistas Miguel Rio Branco e Toulouse-Lautrec, além da mostra coletiva, Histórias da sexualidade, seminários e oficinas em torno do assunto.

A exposição tem curadoria de Isabella Rjeille e Tomás Toledo. A expografia é da Metro Arquitetos Associados.

Tunga

Tunga por trás de uma de suas obras na galeria Pièce Unique, outubro de 2010. Foto: Arquivo PessoalAntônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (1952 / 2016), conhecido como Tunga, foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no Museu do Louvre,  em  Paris. Obras suas estão em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, além de o Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Nascido em Palmares, Pernambuco, Tunga mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou arquitetura e urbanismo. O filho do escritor Gerardo de Mello Mourão iniciou a carreira no começo dos anos 1970.

Serviço

‘Tunga: O Corpo em Obras‘ 
Data: 15 de dezembro de 2017 a 11 de março de 2018.
Local: MASP / 2º subsolo.
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Acessível a deficientes físicos, ar condicionado, classificação livre.

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Com informações do MASP.

Desde o início dos anos 1990, o músico, compositor e produtor Cid Campos centra seu trabalho na área da poemúsica. O CD EMILY é o mais recente projeto do músico, que surgiu deste mesmo caminho de experimentação e musicalização de poesia. 

No pocket show, Cid Campos apresenta uma prévia do trabalho que será lançado no início de 2018. Imagem: Divulgação.

No pocket show de pré lançamento do álbum EMILY, que acontece na Casa das Rosas no próximo sábado, dia 9 de dezembro, às 18h30, Cid Campos apresentará um repertório de músicas compostas para traduções de Augusto de Campos da poeta norte-americana Emily Dickinson, que fazem parte do livro Emily Dickinson Não Sou Ninguém – Poemas (Editora Unicamp). No original I'm Nobody! Who are you? (1891).

Em 2008, quando Augusto de Campos lançou o livro, Cid encantou-se com a delicadeza e a modernidade de seus poemas curtos, repletos de sutilezas e liberdade de expressão, envolvendo-se assim em mais uma série de composições. Inicialmente foram 3 músicas (“Se o meu Riacho é fluente”, “Como se o Mar rompesse” e “Nossa Porção de Noite”), gravadas em seu CD NEM, lançado em 2014, interpretadas por ele em seus shows e por Adriana Calcanhotto em participações especiais e em apresentações que fizeram juntos. Mais adiante, em 2016, Augusto lança o mesmo livro, em nova edição revisada e ampliada. A partir daí, Cid deu continuidade as suas composições, chegando a mais de 20 músicas, criando assim possibilidade para a realização de mais um projeto.

A inspiração

Proveniente de família abastada, Emily Dickinson nasceu em Amherst, Massachusetts, EUA, em 1830 em uma casa construída pelos avós. Morreu na mesma cidade em 1886. Passou sua vida praticamente dentro de casa e no belo jardim que a circundava, onde compensava a sua solidão com extensa correspondência e a criação de seus poemas. Sua obra poética só veio a ser publicada após a sua morte.

Cynthia Nixon como a autora Emily Dickinson no filme "Além das Palavras" e a própria Emily. Imagem: Reprodução.

Hoje, admirada mundialmente, teve a sua biografia adaptada para o filme longa metragem, “Além das Palavras“, dirigido por Terence Davies, com excelente interpretação da atriz de Cynthia Nixon, tendo como fio condutor a própria poesia da escritora. No longa, a poeta é apresentada como uma personagem que, à medida que se afasta da juventude, se torna cada vez mais solitária, embora não abra mão das ideias que tem, consideradas avançadas para as mulheres do século XIX.  Seus poemas eram publicados de forma anônima, por ser mulher. Sua primeira edição crítica completa organizada foi publicada só em 1955, por Thomas H. Johnson em um volume de 1.775 poemas que até hoje é uma das principais referências em estudos e traduções.

O show

Capa do CD, “Emily“ de Cid Campos. Imagem: Divulgação.

O repertório do show reúne músicas, na maior parte bastante intimistas, que vão do blues ao jazz (“Sépala, pétala e e um espinho —” / “Muita loucura faz sentido —” / “Ata-me — eu Canto Assim —” / “Nossa porção de noite” —), passando por várias faces da canção moderna brasileira (”Paz – muita vez — fui encontrar” / “Êxtase — grão por grão —" / ”Ruas sem som serviam”, além da mais experimental “Pouco, mas muito”.

Tudo com vistas à assimilação da elaborada linguagem da poesia pela música, prática rara entre nós, uma especialidade de Cid, exercitada com muito brilho em seus trabalhos anteriores, como Poesia é Risco (com Augusto de Campos), No Lago do Olho, Fala da Palavra, Crianças Crionças, Nem, O Inferno de Wall Street/Profetas em Movimento.

Tendo a produção musical, arranjos, voz, violões nylon e resonator, de Cid Campos, o show conta com a participação dos músicos, Felipe Ávila - guitarra e violão, Moisés Alves - teclado, que também gravaram o CD, além de Fernando Rosa - baixo e Miguel Assis - bateria, trazendo uma sonoridade especial e competente ao trabalho.

As projeções ao vivo, ficam por conta do VJ Fabio Vietnica. O CD EMILY estará disponível para venda no local e também poderá ser encontrado na Tratore - em formato físico ou digital, nas principais plataformas.

Serviço

Emily - Cid Campos.
Quando: 9 de dezembro.
Horário: 18h30.
Local: Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37, Paraíso).
Ingressos: Grátis.
Classificação: Livre.
Duração: 50 minutos.

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Da Redação.

“O menino“ (1917) de Arthur Timótheo da Costa. Acervo / MASP.O MASP anuncia sua programação de exposições para 2018. Narrativas afro-atlânticas irão permear todas as mostras do ano, que contemplam nomes como Aleijadinho, Sônia Gomes, Melwin Edwards, Maria Auxiliadora da Silva, Rubem Valentim e Pedro Figari.

Nove mostras já estão confirmadas, entre coletivas e individuais, todas idealizadas e produzidas pela equipe curatorial e demais núcleos do Museu.

No ano que marca os 130 anos da assinatura da Lei Áurea, uma das últimas estabelecidas pelo Império Brasileiro, que aboliu oficialmente a escravidão, o foco temático a permear toda a programação do MASP trata das histórias e narrativas afro-atlânticas. Essas se referem não só ao processo de escravização das populações africanas em territórios americanos, caribenhos e europeus, mas também às trocas bilaterais – culturais, simbólicas, artísticas, etc. – entre esses povos atlânticos, desde o século 16.

O Brasil é um território chave nessas histórias, pois recebeu cerca de 40% dos africanos que deixaram Rubem Valentim, óleo sobre tela na “Composição 12“. Ano de 1962. Acervo / MASP.seu continente ao longo de mais de 300 anos para serem escravizados desse lado do Atlântico (número correspondente ao dobro dos portugueses que se estabeleceram no país para colonizá-lo). De maneira bastante perversa, o Brasil foi também o último país a abolir oficialmente a escravidão, em 1888.

Assim, uma grande mostra coletiva denominada Histórias afro-atlânticas, co-organizada com o Instituto Tomie Ohtake, está prevista para junho. Ao longo do ano, o programa inclui também exposições monográficas de artistas negros ou que trabalham com representações de temas afro-atlânticos de diferentes origens e gerações.

No primeiro semestre, em março, estão programadas as mostras de Aleijadinho e Maria Auxiliadora da Silva; e em abril, de Emanoel Araújo. No segundo semestre, em agosto, acontecem as individuais de Melvin Edwards e Rubem Valentim; em novembro, Sonia Gomes e Pedro Figari; e em dezembro, Lucia Laguna.

Basquiat cancelado

A respeito da exposição Basquiat afro-atlântico, prevista para ocorrer de março a julho de 2018, o MASP lamenta em divulgar que optou por seu cancelamento, devido ao anúncio de uma monográfica do mesmo artista, com abertura em janeiro, por outra instituição cultural de São Paulo. Apesar de Basquiat afro-atlântico ter sido concebida em 2016 e já contar com a confirmação de importantes empréstimos de grandes instituições internacionais, acreditamos que a realização de duas exposições do mesmo artista, que demandam alto investimento de recursos, no mesmo ano, seria um desserviço à população de São Paulo e um mal-uso de recursos incentivados.

O ciclo em torno das Histórias afro-atlânticas está inserido em um projeto mais amplo de exposições, palestras, oficinas, seminários e atividades do MASP, que atenta para histórias plurais, que vão além das narrativas tradicionais, tais como Histórias da loucura e Histórias feministas (iniciadas em 2015), Histórias da infância (em 2016) e Histórias da sexualidade (em 2017).

Serviço 

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP.“O Velório da Noiva“ (1974). Pintura de Maria Auxiliadora da Silva. Acervo / MASP.
Endereço: Avenida Paulista, 1578, São Paulo.
Telefone: (11) 3149-5959.
Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30).
Ingressos: R$30,00 (entrada); R$15,00 (meia-entrada).
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$15,00 (meia-entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.

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Com informações do MASP.

O fotógrafo carioca Claudio Edinger chama a atenção por suas fotos aéreas e um uso inteligente de foco, criando ambientes que mais parecem saídos de um sonho. Seu trabalho será reunido em um novo livro que tem lançamento marcado para a próxima quarta (29).

Parque Lage, Rio de Janeiro. Foto: Claudio Edinger.

O Cristo redendor em meio a nuvens. Foto: Claudio Edinger.

A obra, intitulada “Machina Mundi - As Engrenagens do Mundo“, é organizada pela Editora Bazar do Tempo e engloba três anos de trabalho do profissional. São fotos das metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro vistos de cima, compostos de maneira a parecerem um enorme maquinário. O truque de Edinger, que fotografa com a ajuda de helicópteros, gira em torno de iluminação precisa e uso radical do foco seletivo, função que permite criar imagens com áreas bem definidas rodeadas por um efeito desfocado. As imagens parecem ter sido captadas pelo próprio olho: o objeto principal se mostra nítido, enquanto o entorno aparece desfocado.

Obelisco do Ibirapuera, São Paulo. Foto: Claudio Edinger.

Entardecer em São Paulo. Foto: Claudio Edinger.

Vista geral do centro de São Paulo. Foto: Claudio Edinger.

O fotógrafo

Filho de pai alemão e mãe russa, carioca radicado em São Paulo, judeu que também é hindu. O fotógrafo nasceu em 3 de maio de 1952, na cidade do Rio de Janeiro, e já fez muita coisa de lá para cá. Cursou economia no Mackenzie, mas a fotografia o levou para outro caminho. 

No decorrer dos 20 anos de permanência nos Estados Unidos, publica 11 livros, entre eles o Chelsea Hotel (1983), e Venice Beach (1985), editados pela Abbeville Press, ambos vencedores do prêmio Leica Medal of Excellence, nos Estados Unidos. Pelo projeto Loucura, sobre o asilo de doentes mentais do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em Franco da Rocha, São Paulo, recebe o Prêmio Ernst Haas, em 1990. Em 1993, é contemplado, em São Paulo, com a Bolsa Vitae de Fotografia para registrar o carnaval brasileiro, e desse trabalho resulta o livro Carnaval, publicado, pela editora DBA Artes Gráficas, em 1996. Nesse ano, volta a morar em São Paulo e continua a expor no Brasil e no exterior durante os anos 2000, como na mostra Madness, em Paris, em 2014. Em 2015, realiza a exposição O Paradoxo do Olhar, que se desdobra, no mesmo ano, em uma publicação.

Uma carreira tão impecável não poderia deixar de ser acompanhada de importantes prêmios como o Prêmio Hasselblad, Prêmio Abril de Fotografia, One of The Year's Best Books (revista American Photo por Old Havana) e Prêmio Ernst Haas. Dentre alguns de seus clientes estão Forbes, AT&T, Life, Nike, The Washington Post e The Rockefeller Foundation.

Edinger é um fotografo em plena atividade, e agora edita mais um livro, com o título “Machina Mundi - As Engrenagens do Mundo“.

Imagem: Reprodução.Serviço

Lançamento do livro: “Machina Mundi - As Engrenagens do Mundo“
Autor: Claudio Edinger.
Quando: Dia 29.
Horário: entre 19h e 22h30.
Local: ARTE 57 - Av. 9 de Julho 5144, Jardim Europa, SP. 

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Da Redação.

Ocupando bibliotecas, praças, espaços culturais e escolas, o 8º Festival do Livro e da Literatura de São Miguel traz atividades par mais de 50 pontos da zona leste de São Paulo. A partir do tema "Letras Pretas: poéticas de corpo e liberdade", a mostra vai discutir o racismo e a equidade racial na produção literária com debates, apresentações musicais, histórias e teatro. 

O eixo condutor das atividades segue uma construção elaborada nas últimas duas edições do festival, como explica o coordenador da programação cultural da Fundação Tide Setubal, Inácio Pereira.

Segundo ele, com a crise política de 2015, foi feita a opção de se discutir democracia e história na perspectiva de diferentes vozes. No ano passado, a programação passou pelas discussões de gênero, e, agora, pelas de raça. “É a questão do povo negro, da identidade da produção literária, refletindo sobre a essência da literatura negra e periférica”, disse.

A fundação organiza o evento, que começou como uma feira do livro e se expandiu, em boa parte, por conta da aproximação com as escolas da região. “É um festival do livro construído de forma colaborativa a partir de uma rede de vários atores locais”, afirmou Pereira.

“As escolas entraram no festival como público em um primeiro momento, começaram a dialogar, depois quiseram participar com os seus projetos”, acrescentou sobre como alunos e professores foram se apropriando do evento.

Assim, os dias de festival se tornam, segundo o coordenador, um momento para que docentes e estudantes conheçam propostas geradas dentro da própria comunidade. “Existe uma troca de experiências das práticas de literatura e mediação dos projetos, somando essas temáticas que são transversais, questão de gênero, equidade racial, democracia, ocupação dos espaços públicos, direito à cidade”, observou.

Ocupando a rua e o simbólico

Tia Nastácia: reprodução do livro ‘As Reinações de Narizinho‘, de Monteiro Lobato. Para elaborar a programação, que também envolve artistas e grupos culturais que trabalham na perspectiva periférica, foi formado um grupo curatorial com artistas, educadores e ativistas. É pensado, desse modo, um festival que não só traga atrações de outros espaços, mas que a produção da comunidade e de fora ocupe a região de diversas formas. “A ideia não é só ocupar a praça, mas também ocupar o simbólico”, disse Pereira.

Como exemplo desse tipo de experimentação, o coordenador citou a releitura feita por um grupo de alunos da personagem Tia Nastácia, de Monteiro Lobato, presente nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo. “A Tia Nastácia dentro da lógica do Monteiro Lobato você não conhece a história da família dela, não sabe se foi casada, se teve netos. Ela uma figura acessória para contar a história de uma família branca”, explicou. Porém, os estudantes, em um esquete montado para o festival, criam um momento em que a cozinheira negra conta a própria história para a boneca Emília.

Mulheres negras

letras pretas“A criança que assistir essa história, quando ela for ver de novo o Monteiro Lobato, com certeza aquela história que ela viu na praça verá com que ela veja Tia Nastácia de uma maneira diferente, humanizada, com família, com filhos, netos”, destaca sobre a importância das reflexões feitas pelos jovens.

A necessidade de recontar a história das mulheres negras, não só de uma perspectiva social e racial diferente, mas desconstruindo estereótipos de gênero tem fomentado diversos grupos culturais na periferia, segundo Débora Garcia, fundadora do Sarau das Pretas. “O nosso corpo sempre foi colocado à disposição do outro: essa coisa da maternidade, da ama de leite, da mulher hipersexualizada. Então, hoje, nós mulheres negras temos uma demanda muito forte de olharmos para nós mesmas”, ressaltou a ativista que também participou da curadoria do festival.

“Nós acreditamos que a literatura é um lugar de fala muito importante, porque historicamente nós não tivemos acesso à escrita formal, a nossa história, as nossas questões sempre foram trazidas pela oralidade”, disse ao lembrar que as mulheres negras ainda sofrem com a falta de escolaridade. “As mulheres negras ainda estão na base da pirâmide social, são as que têm a menor escolaridade, as que acessam aos piores salários e cargos de emprego”, completa.

Por isso, Débora defende a necessidade de narrativas construídas por outros autores e autoras, não somente os homens brancos de boa condição financeira, o que, de acordo com ela, tem sido a regra na literatura ocidental. “Quando nós vamos escrever um texto, nós colocamos mulheres que são complexas, que têm sonhos, que têm compreensão do seu lugar no mundo, não a ver navios. E isso muda tudo, porque nós criamos referências positivas”.

Serviço

8º Festival do Livro e da Literatura de São Miguel
Quando: 8, 9 e 10 de novembro, das 9h às 21h.
Locais: 50 pontos de São Miguel Paulista e arredores.
Programação completa: http://bit.ly/2zfWEjf
Entrada: gratuita e aberta para todos os públicos.

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Por Daniel Mello da Agência Brasil.

O CCMI – Centro Cultural da Música Instrumental, agrega duas salas de espetáculo e um arejado e charmoso terraço. Foto: Divulgação.

O espaço que um dia abrigou uma fábrica de sapatos hoje comporta o CCMI – Centro Cultural da Música Instrumental, que agrega duas salas de espetáculo e um arejado e charmoso terraço. É o que os antigos frequentadores e amantes do lugar chamam de “novo JazzNosFundos”.

Idealizada pelo artista plástico Maximo Levy, a nova casa guarda ainda algumas características de sua arquitetura original, e a decoração é feita com materiais e peças de demolição, além de objetos deixados pelo antigo dono, como fôrmas e prensas de sapatos que formam móbiles e balcões nas áreas de bar.

Como o nome já diz, a Sala JazzNosFundos preserva o DNA da antiga casa, com uma programação que privilegia a música instrumental e o jazz. Instalada no andar inferior do CCMI, a sala manteve sua tradicional miniplateia e, atendendo a pedidos, ganhou ainda pequenas mesas. Há ainda o espaço cativo para quem quer assistir ao show em pé, além do bar, de onde saem cervejas, drinks e petiscos.

Já a Sala do Autor, que fica no piso térreo do CCMI, dá ênfase à música autoral. Nesse ambiente, diferentemente da sala JazzNosFundos, a ideia é apreciar a música em um ambiente silencioso, em que todos possam curtir a qualidade do som e da acústica envolvida.

Programação Especial de aniversário

O JazzNosFundos surgiu como um speakeasy, há onze anos. Foto: Divulgação.

No mês em que comemora 11 anos de atividade na região de Pinheiros, na zona oeste da capital, CCMI/JazzNosFundos tem uma extensa programação com exposição de fotos, canal exclusivo no youtube e shows especiais. De terça a sábado, a casa oferece música de qualidade para um público exigente e fiel.

A programação especial da semana, abre com o show (dia 7) de quatro lendas do jazz - o argentino Hector Costita, os brasileiros Carlos Alberto Alcântara e Luiz Mello e o americano Bob Wyatt. Uma homenagem a eles e toda uma geração que e a sua geração que em mais de quatro décadas de música e sucessos, fizeram da música instrumental um dos pilares da cultura brasileira.

Na quarta (8), os ganhadores de dois Grammy Awards, o Trio Corrente apresenta um show especial. Na mesma noite, em seguida, o show do grande guitarrista Lupa Santiago.

Na quinta (9), noite de muito groove, com o tributo a um dos maiores discos da história do jazz, o Head Hunters de Herbie Hancock assinado pelo pianista Leandro Cabral e, em seguida, show do baterista Cuca Teixeira com seu projeto Groove Reunion que reunirá feras do jazz para uma noite de muito jazz funk.

Sexta (10) é a vez dos shows da cantora Marina de La Riva que mistura a música brasileira e latina e do pianista cubano Pepe Cisneros que apresentará show especial com músicas cubanas da década de 50.    

Sábado (11), dia exato do aniversário da casa, o palco é do bandolinista Hamilton de Holanda com um grande time de músicos: Gabriel Grossi, Daniel Santiago, Thiago Espírito Santo e Edu Ribeiro, a partir das 21h. Às 24h, Arismar do Espírito Santo e Cia encerram a noite. E os ingressos para o show de Hamilton de Holanda garantem a plateia para o show de Arismar.

CCMI/JazzNosFundos

Valores e horários de shows variam de acordo com a atração e o dia da semana. Foto: Divulgação.Como já acontece desde sempre, de terça-feira a sábado, o CCMI costuma receber dois shows, sempre em horários alternados, de forma que o público possa escolher o som que mais lhe interessar levando em consideração o estilo e o horário das apresentações. Em algumas noites entradas também são cobradas isoladamente. Tudo para que o público tenha total liberdade na escolha.

Como a programação das duas salas acontece em horários alternados, o público tem a possibilidade ainda de curtir os dois shows, e, para isso, ganham desconto na compra da segunda entrada. Afinal, uma das propostas que sempre nortearam a casa é oferecer música de qualidade com preços democráticos. Nada mais justo.

Quando surgiu como um speakeasy, há onze anos, o JazzNosFundos apresentava cerca de 16 shows por mês. Hoje, a casa irmã, JazzB, no Centro de São Paulo, e o CCMI elevaram esse número para 60 apresentações mensais, o que faz com que os dois locais tenham se transformado em um polo da música instrumental, referência em curadoria, acústica e qualidade da programação, dentro e fora do Brasil.

Serviço

Aniversário JazzNosFundos
De 11 a 30 de novembro.
Rua Cardeal Arcoverde, 742, Pinheiros, São Paulo - Tel: 11 3083 5975.
Abertura da casa: 19h.
Confira a programação: http://jazznosfundos.net/home.php
Reservas: [email protected]
Exposição de fotos – JazzNosFundos 11 Anos: série de fotos de Ric Pereira fará parte do cenário do espaço Barceloneta, primeiro andar da casa, onde funciona o terraço.
Estacionamento (não conveniado) na Rua João Moura, 1076.
Canal no Youtube.


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Da redação com informações de Manu Vergamini / JazzNosFundos.