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Esta exposição busca, a partir das canções praieiras do compositor baiano, trazer para o público a atmosfera idílica e o tempo expandido que este gênero musical inventado por Dorival Caymmi conseguiu perpetuar no imaginário coletivo do brasileiro. Para construir este território poético guardado pelabrisa do mar, pelo barulho das ondas, pela maciez da areia, pela malemolência da paisagem marítima, a exposição agrega à produção do músico outros artistas que se pautaram pela contemplação sugerida por este cenário primeiro na memória do país.
 
Aprendendo com Dorival Caymmi - Civilização PraieiraAprendendo com Dorival Caymmi - Civilização Praieira

Cartaz da exposição. Reprodução do site.
 

O curador da mostra e do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, selecionou artistas de gerações e origens geográficas diferentes para montar um quadro parcial do que poderia ser uma civilização praieira. “Assim, além de músicas e material visual sobre Caymmi, as 33 paisagens do marinheiro-feito-pintor José Pancetti tomam a dianteira na construção imagética de um espaço de imanência, no qual a noção de progresso faz pouco sentido. O mobiliário do carioca Sergio Rodrigues, que na década de 1950 quis fazer sua loja Oca com os pés na areia, e as ideias de Flávio de Carvalho sobre uma arquitetura, um design e uma moda ajustados para o homem dos trópicos, completam o núcleo em torno do qual se forma a exposição”, explica Miyada. Documentos, ideias, imagens e obras de outros artistas completam o percurso marcado pelo caráter sinestésico proposto pelo curador.

Além de poder ouvir as músicas de “Canções Praieiras (1954) ao longo de todo o espaço, o visitante é recebido com três autorretratos: um de Caymmi (1974) e os outros de Pancetti (1948 e 1940); fotos de Pierre Verger que, entre outras imagens, trazem um retrato de Caymmi (1946) e Pancetti pintando na areia da lagoa do Abaeté (1946-1950); capas dos dois discos, uma das quais (Caymmi e o Mar) feita pelo fotógrafo Otto Stupakoff; e o livro “Cancioneiro da Bahia”, de Caymmi.

 

'Caymmi e o Mar' (1957). Foto: Otto Stupakoff.

Dedicado ao Abaeté, clássico cenário caymminiano, um segmento da mostra reúne telas de Pancetti, fotos de Alice Brill, Marcel Gautherot e Pierre Verger.O conjunto mais robusto das obras de Pancetti, contudo, encontra-se em uma grande parede curva com cerca de 20 pinturas, formando um horizonte estendido pelas telas de Patrícia Leite “Ato III” (2014), “Revoada” (2014) e “Atalaia (2013). Esse panorama pode ser contemplado pelo público a partir das cadeiras de Sergio Rodrigues (Poltrona Mole, 1957) e Flávio de Carvalho (FDC1, 1939), nas quais é permitido sentar-se e contemplar a mostra. As duas fotos de Cao Guimarães da série “Gambiarras”(21001/2012)dilatam a atmosfera praiana, assim como a foto de Otto Stupakoff, que registra a Poltrona Mole no mar, já que inesperadamente as ondas tomaram a areia, e os estudos de Sergio Rodrigues para a sua confecção.

Dão continuidade ao percurso a obra de Paulo Bruscky “Abra e cheire: Este Envelope contém Cheiro da Praia de São José da Coroa Grande” (1976) que dialogam com outras obras de Pancetti; vídeos de Nelson Felix “Método Poético para Descontrole da localidade” (2008/20013) e “Gênesis” (1985/2014); fotos da Fazenda Capuava, feitas por Nelson Kon (2012), local onde nasceu a cadeira FDC1 de Flávio de Carvalho, além de fotos do próprio artista publicadas com seu traje de “homem dos trópicos”, bem como trechos de “A Cidade do Homem Nu”, texto que versa sobre uma cidade criada para os trópicos e que se tornou mote para convidar os artistas Leda Catunda, Cristiano Lenhardt, Cadu, Rafael RG, Bel Faleiros e Fabio Moraisa criarem uma nova obra (em suporte tamanho A1, típico de projetos de arquitetura) para a mostra.

Um dia antes da abertura de “Aprendendo com Dorival Caymmi: Civilização Praieira”, 1 de março, os músicos Arthur Nestrosvski e Guilherme Wisnik darão uma aula show sobre o compositor que será filmada e transformada em vídeo a ser também exposto. E, para que o público possa mergulhar ainda mais neste universo praieiro, o Instituto Tomie Ohtake preparou uma brochura para os visitantes acompanharem a exposição, com muitos textos sobre os artistas, suas histórias, obras e produções.  

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Fonte: Instituto Tomie Ohtake.


Após temporada no Centro Cultural São Paulo no ano de 2015, a Trupe Dunavô está de volta com o seu espetáculo Refugo Urbano! A trupe reestreia o seu espetáculo em março, no Espaço Parlapatões, localizado na Praça Roosevelt.

Em sua primeira temporada, Refugo Urbano arrebatou o público, esgotando ingressos na Sala Jardel Filho (a maior do Centro Cultural São Paulo, com cerca de 320 lugares) e atraiu os olhares da crítica especializada em teatro infantil, recebendo duas indicações para o Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem, nas categorias Melhor Atriz (Gabi Zanola) e Prêmio Sustentabilidade, categoria na qual foi premiado. Em uma votação especial, organizada para eleger os melhores do ano, o espetáculo foi eleito pelos leitores do Guia Folha como Melhor Espetáculo Infantil do Ano de 2015.

 

Exibindo refugourbano105.jpgExibindo refugourbano105.jpgCena de Refugo Urbano da Trupe Dunavô. Foto: Patricia Nagano.

“Refugo Urbano” conta a história de dois palhaços vindos de universos particulares e completamente distintos, que a partir de um encontro improvável, passam a conviver e lidar com suas diferenças. Pamplona e Claudius se encontram em um beco esquecido da cidade, e a partir desse encontro, o inexplicável abre espaço para que essas duas personagens se reinventem pelo convívio e o atravessar dos afetos. O divertido convívio em meio ao improvável, é fio condutor da obra, construída sob a ótica dos seres “invisíveis” que habitam as grandes cidades.

“Chamamos ‘invisíveis’ tudo aquilo que está ao nosso redor, mas que preferimos ignorar a existência, por não ser agradável aos olhos ou porque nos habituamos a ficar em nossa bolha individual”, diz Gislaine Pereira, integrante da Trupe DuNavô. “O que ambicionamos foi criar uma obra capaz de dialogar com todos os cidadãos, propondo uma reflexão sobre o que há nas ruas e qual é a nossa capacidade de ressignificar o que nossos olhos já se habituaram a ignorar”, ela complementa.

Gabi Zanola (Pamplona), indicada como Melhor Atriz, conta um pouco sobre este trabalho: “O que aproxima Refugo Urbano do público é sua humanidade! O espetáculo é cheio das mais sinceras tolices humanas, que podem ser bem engraçadas ou muito dolorosas e cruéis! Refugo Urbano é uma permissão de dois mundos muito diferentes, que se deixam levar juntos para um mesmo propósito, o que os torna iguais. A partir da solidão e da individualidade de cada mundo, esses dois palhaços tão distintos, e ao mesmo tempo tão iguais, criam um universo único!

Para a execução desse projeto, a trupe contou com um time de peso! Entre os parceiros, estão nomes como Ronaldo Aguiar, recentemente premiado por seu trabalho em Simbad – O Navegante, que atuou como preparador corporal, contribuindo para que o espetáculo buscasse com maior intensidade os movimentos e brincadeiras circenses. Outro convidado especial do projeto foi o ator Rani Guerra, do Grupo Esparrama, que atuou como responsável pela preparação de boneco.

O responsável pela dramaturgia é Nereu Afonso, que já atuou como professor de teatro, na conceituada escola de Philippe Gaulier e no Conservatório de Arte Dramática de Champigny-sur-Marne (França). E quem assina a direção é Suzana Aragão, que já trabalhou com nomes como Teatro da Vertigem, atuou no espetáculo Folias Galileu com direção de Dagoberto Feliz, no Galpão do Folias, dirigiu espetáculos da Cia. Orbital, Núcleo Dois Tempos de Teatro,  Grupo de Teatro da Universidade São Judas e, atualmente, é Formadora Residente da SP Escola de Teatro no curso de Humor.

Refugo Urbano é uma fábula que traz para o palco o resultado dos experimentos anteriores da trupe, pesquisando a máscara do palhaço e realizando intervenções urbanas, onde entraram em contato com a realidade das ruas do centro de São Paulo e de algumas periferias. Com esse espetáculo, a Trupe aprofunda suas pesquisas em torno do tema do refugo urbano, colocando sobre essa realidade outra perspectiva, explorando o que há de mágico na fria e crua realidade de quem vive à margem na sociedade.

Com brincadeiras circenses, corpo cômico, malabarismo e o divertido jogo do palhaço, a Trupe DuNavô diverte e surpreende o público com uma possível história de amor.

Mais informações na página da Trupe Dunavô no facebook: www.facebook.com/DuNavo

Serviço
Temporada: de 5 a 27 de março - Aos sábados e domingos, às 17h.
Duração: 55 minutos.
Local: Teatro Parlapatões.
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158 - Consolação, São Paulo – SP - (11) 3258 4449.
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 30,00 inteira / R$ 15,00 meia-entrada
Meia Entrada: Aposentados, Idosos acima de 60 anos, moradores da Praça Roosevelt , estudantes, professores rede publica , classe artística.
Os ingressos podem ser adquiridos no site: www.ingressorapido.com.br (sujeito à taxa de conveniência)

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Com informações da assessora de imprensa Luciana Gandelini.


Na contramão de um período da ditadura militar brasileira marcado pela forte censura de produções culturais e intelectuais, nasce a pornochanchada brasileira no eixo Rio-São Paulo. O gênero cinematográfico contava histórias lotadas de hedonismo, sacanagem e foi mais uma das provas de que o brasileiro sempre foi chegado numa zoeira grande. Mesmo com um regime ultraconservador, dito como o grande protetor da moral e da família, milhares de brasileiros foram aos cinemas para assistir a clássicos da pornochanchada produzida pela Boca do Lixo, em São Paulo, e pela Boca da Fome, que se concentrava em terras cariocas.

Entretanto, o gênero também sofreu com a censura. Esse foi o tema escolhido pela cineasta Fernanda Pessoa para ser abordado na forma de uma videoinstalação que será aberta amanhã (23) para o público no Museu de Imagem e Som, em São Paulo. Fernanda passou quatro anos debruçada sobre centenas de documentos oficiais da censura e resgatando inúmeras cenas que foram cortadas pelo pente fino da comissão do regime militar que definia o que o público brasileiro poderia ver nas telas de cinema.

A cineasta optou por se concentrar no auge da produção das pornochanchadas nos anos 70 para tentar entender como a ditadura atuava sobre essas obras — que mais chamavam atenção pelas cenas eróticas do que pelo tom "pastelão" das histórias. Foram cerca de 150 filmes analisados; dentre eles, foram selecionados alguns trechos vetados para figurarem na instalação juntamente com seus respectivos documentos oficiais emitidos pelos censores da época. A exposição Prazeres Proibidos tomará conta do espaço do MIS - Museu da Imagem e do Som até o dia 27 de março.

Antes da abertura oficial da instalação, pedimos para Fernanda contar um pouco sobre sua extensa pesquisa em relação ao tema e como a censura funcionava no país na época do regime militar.

VICE: Quando começou a surgir o seu interesse pelo tema? 
Fernanda Pessoa: Me formei em cinema na FAAP e passei um ano trabalhando na filmoteca da faculdade, no acervo de fotografia de filmes brasileiros. Quem é o diretor e a pessoa que organiza tudo lá é o Máximo Barro, que foi montador de muitos filmes da Boca do Lixo. A maioria do material na filmoteca era dele, e grande parte dos filmes eram da década de 1970. Tudo da Boca do Lixo e pornochanchada, basicamente. A partir disso, consegui ver muito filme para conseguir catalogar as fotos e acabei adquirindo um repertório muito grande de pornochanchada, que é uma coisa que acaba ficando um pouco de lado, porque é uma coisa um pouco renegada na história do cinema. Apesar de que, hoje em dia, esteja rolando uma revisitação histórica ao tema. Por mais que tenham coisas ruins, foi um período em que nós tivemos uma mini-indústria do cinema. Foram filmes muito vistos e que o público teve uma resposta muito grande. O que me fez pesquisar mais sobre o assunto e me interessar mesmo é essa contradição presente no gênero: estávamos durante uma ditadura militar ultraconservadora, defensora da moral e da família, e de repente o cinema mais produzido e visto é a pornochanchada. Totalmente o inverso disso.

 


Como aconteceu essa popularização da pornochanchada no país? 

A pornochanchada é completamente contemporânea à ditadura. É uma coisa muito louca. Em dezembro de 1968, baixou o AI-5; e, em metade de 1969, apareceu o primeiro filme do gênero. E, na abertura democrática nos anos 1980, ela começa a degringolar porque é taxada como filme de sexo explícito. Então, com a abertura democrática, ela some por completo, tendo uma duração bem exata com a ditadura. Quando os militares entraram no poder, existia projeto de cultura nacional pensado para o país, especialmente com a existência da Embrafilme. Com isso, os filmes que tinham uma visão mais politizada ou que traziam uma visão mais pejorativa do Brasil segundo os militares, como o Cinema Novo e o Cinema Marginal, acabaram saindo de cena. Os cineastas foram perseguidos e impedidos de fazer filmes. Nesse momento, surgiu uma oportunidade de fazer uma coisa nova. A Boca do Lixo já existia e já havia produzindo algumas coisas do Cinema Marginal– e acabou conseguindo oferecer uma estrutura para essa demanda cinematográfica.

Como surgiu o nome "pornochanchada"?
O nome do gênero vem da estrutura das chanchadas que eram filmes de comédia muito comuns nos anos 50. No Rio de Janeiro, havia muito dessas chanchadas cariocas que falavam dos playboys cariocas, de Copacabana, das paqueras, mulheres e tudo mais. Assim, eles misturaram isso com o erotismo. No começo, foi de forma leve, com mulheres de biquíni e nada muito chocante. Só que essa mistura começou a dar certo, o público respondia muito bem a essas películas. A resposta foi tão grande que começam a surgir subgêneros. A cidade de São Paulo começa a fazer esses filmes, e nisso eles descobrem que não era por causa da comédia que dava certo: era por causa do erotismo mesmo. Assim, foram surgindo outros subgêneros, também chamados de pornochanchadas, que são pornôs aventuras, pornô western, pornô drama... na Boca do Lixo, começa-se a criar uma mini-indústria, conseguindo produzir muita coisa. O próprio Davi Cardoso, que se proclamou o rei da pornochanchada de São Paulo, chegou a produzir muita coisa mesmo. Ele fechava um filme pronto para a exibição e já falava qual era o próximo filme só com o título para conseguir dinheiro para o financiamento. Foi por aí que rolou esse boom do gênero.

Quando foi que o regime começou a prestar mais atenção nesse tipo de cinema? 
Acredito que foi nos anos 1970, quando os filmes começaram a ser produzidos em maior escala. Que é também quando foi trocado o esquema de censura do regime militar. Antes era o Serviço de Censura que fazia esse tipo de trabalho que se transformou na Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP). Os dois eram a mesma coisa; na verdade, só mudou o nome. A censura dos filmes da pornochanchada tem uma coisa bem típica da ditadura militar. Dependendo de quem era o diretor da divisão de censura da época, era mais ou menos fácil aprovar um filme. Tinha essa coisa meio precária que existiu um pouco na nossa ditadura, o que prova que nem tudo foi tão organizado como a gente imagina.


O que costumam dizer muito é que o teor da censura dependia muito do humor e do dia que o censor estivesse passando. 

Exato. Esses documentos que analisei mostram muito isso. Todo filme passava por um grupo de três censores que assistam ao filme e emitam um parecer que explicava a mensagem que o filme passava, o valor educativo dele, um monte de coisa. E eles falavam o que tinha de ser liberado ou não, ou se ele precisava de cortes para conseguir ser exibido. Cada censor tinha uma visão diferente também, vale lembrar. Então, por exemplo, se os três censores decidiam pela não exibição do filme, o produtor pedia um reexame. Aí ele voltava e era examinado por outros três censores – e acabava sendo liberado. Então, dependia muito de quem estava analisado. Óbvio que existiam alguns padrões para serem analisados, já que os censores tinham aulas sobre isso.

Eles tinham aulas para aprender a censurar? 
Sim, eles tinham que passar por várias disciplinas. Eram cursos de treinamento promovidos para censor federal ministrados por alguns professores na Academia Nacional de Polícia. Os censores tinham aula de filosofia, psicologia, aulas de técnicas do cinema para entender mais sobre a linguagem do cinema também. E eles tinham uma aula de segurança nacional, que era onde havia um teor mais politizado mesmo, já que era lá que eles aprendiam a reconhecer possíveis [histórias que] tivessem conteúdos comunistas infiltrados nos filmes. No que diz respeito à pornochanchada, não tem tanto essa questão da segurança nacional, é mais uma questão de censura moral. Eles usavam muito mais a parte de psicologia para conseguir explicar como aquele conteúdo poderia subverter o espectador adulto com ideias erradas.

 

Quais eram as coisas que a censura mais pedia para cortar? 
Uma coisa que eles quase sempre cortavam eram palavrões. Eram, inclusive, umas coisas meio bestas, tipo "bunda, "filho da puta", piadinhas de duplo sentido. No tocante às imagens, variava muito com a época. No começo dos anos 70, eles cortavam praticamente qualquer coisa. Por exemplo, tinha uma época [em que] podia mostrar um peito de lado, mas não podia mostrar dois peitos de lado. Só que, conforme o passar do tempo, os próprios diretores vão dando passinhos a mais nos seus filmes. No final de 79, os filmes já trazem cenas mais explícitas. Tem uma cena, por exemplo, de um filme do Ody Fraga, que mostrava uma menina fazendo xixi em cima de um carro. Um tipo de cena que jamais seria liberada no começo dos anos 1970. Os próprios diretores começaram a fazer planos para serem cortados como uma forma de moeda de troca. Já que praticamente a maioria dos filmes sofriam algum tipo de corte, eles sabiam que, se tivesse um plano ousado, ele seria cortado, e o resto acabaria passando. Assim, eles perceberam que dava pra ousar aos poucos.

Portanto, rolava uma certa gambiarra por parte dos diretores para lidar com a censura? 
Quando o filme era muito cortado, os censores costumavam optar pelo veto completo do filme, já que ele acabaria sendo incompreensível por causa disso. Isso acontecia muito em uma primeira passagem do filme pela censura. Com isso, os diretores e produtores da época tinham de enfrentar uma verdadeira batalha para a liberação do filme. Eram inúmeras cartas trocadas, explicando que o filme era pra maiores de idade, que o público tinha capacidade de entender o que estava sendo mostrado. Alguns filmes realmente passavam por um reexame, no qual [ele] era aceito depois de ver que o filme não era de fato subversivo. A maioria das vezes, eles conseguiam liberar. No fim, esse sistema acabava sendo mesmo uma burocracia gigante.

Como era o processo de mandar a película para ser analisada? 
Bom, nenhum filme brasileiro poderia ser exibido sem o certificado de censura. Então, o filme acabava de ser feito, e uma cópia era enviada à comissão para que os censores assistissem aos filmes e emitissem os pareceres. Assim, o filme era devolvido ao produtor para fazer os cortes necessários e passava de novo por uma revisão que certificava que os cortes foram feitos de maneira correta. Quando o filme estava com os todos os cortes, eles emitiam um certificado de censura que trazia em anexo uma lista das cenas que não foram aprovadas.

 


Havia a possibilidade de alguns produtores nutrirem uma amizade com os censores para facilitar na liberação dos filmes?

Pelo que consegui ver nas cartas, não. Era tudo num tom muito formal e até um pouco na defensiva. Tem uma carta do Jece Valadão que usei para a instalação [em] que ele escreve que é um dos grandes nomes do cinema nacional e que contribuiu muito para a cultura brasileira. Isso é o que eu consegui ver pelos documentos, pelo menos.

Quantos documentos você chegou a analisar? 
Nossa, foram muitos. Assisti a mais de 150 filmes; e, [de] quase todos os filmes a que assisti, fui procurar os respectivos documentos emitidos pelo regime militar. Acho que foram quase 400. Meu foco principal foi encontrar os filmes do gênero na versão integral, sem os cortes. Eu tive de ficar vendo cada filme que encontrava com a lista de cortes na mão e os pareceres para ver se ele foi adulterado.


Os censores chegavam a pedir a destruição dos trechos cortados? Como foi o processo de resgatar esses filmes? 

Normalmente, os produtores enviavam uma cópia para a comissão de censura; então, eles não faziam as alterações direto no original. Só o que acontece é que muitos desses produtores não tinham muitas condições para catalogar essas películas, ainda mais que o material delas é uma coisa muito complicada de estocar. E a nossa história do cinema não tinha a noção de que era importante guardar isso para o futuro. São filmes difíceis de achar: não consegui encontrar nem metade do que eu tinha na minha lista. Alguns filmes, o Canal Brasil digitalizou; outros, consegui diretamente com o produtor. Porém, existem filmes inteiros que foram perdidos. Foi uma pesquisa muito longa e trabalhosa que durou quatro anos para reunir o que queria. Primeiro, tive de juntar todos os filmes que consegui achar. Uns, peguei na cinemateca do RJ; outros, no YouTube, já que teve gente que gravou alguns filmes que passaram na televisão e subiram lá. Consegui ver que algumas obras que passaram na televisão depois do período do regime foram exibidas sem cortes por causa dos produtores que enviaram uma cópia integral. A maioria acabou sendo suprimida, mas consegui reunir algumas versões integrais – e eram esses planos vetados que me interessavam.

E os diretores do gênero chegaram a ser perseguidos pelo regime militar? 
Acho que todos, em maior ou menor escala. Só que esses diretores acabaram ficando no meio de tudo isso. A ditadura realmente não gostava deles, e a crítica e os intelectuais de esquerda achavam os filmes de extremo mau gosto, malfeitos e despolitizados. A direita e os militares odiavam, porque era uma visão de um Brasil muito libertino. Era um limbo mesmo – e, quem gostava, era o público mesmo, que acabava sempre vendo os filmes.


E como foi a montagem da instalação, e o que você quer passar para o visitante? 

Essa videoinstalação vem do resultado de uma residência de um ano que fiz no MIS, onde consegui fazer uma imersão no tema. Uma preocupação bem grande que eu tive foi obviamente ter um lado estético, artístico, na instalação, mas também tem um lado mais didático para que o público consiga entender o que está sendo posto ali. Eu sempre soube que queria colocar esses documentos de censura, porque acho que é algo que a gente ainda precisa olhar até hoje. Eles estão aí, e qualquer um pode ter acesso a eles no Arquivo Nacional. Quis mostrar esses arquivos também porque eles são uma coisa muito legal de se ver, pois é possível ver a personalidade do censor por trás deles. Me diverti muito lendo os pareceres: tem censor que quase escrevia uma peça literária ao analisar uma obra. Então, comecei a pensar que queria fazer uma espécie de imersão ao espectador, criar um trajeto nisso, porque é um assunto longo e complexo. Eu queria que o visitante pudesse ter essa experiência da censura e sentir como se ele tivesse entrando em um lugar proibido e extremamente burocrático.

Serviço
Prazeres Proibidos
Quando: 23 de fevereiro a 27 de março.
Horário: 10h a 20h (terça a sexta-feira); 9h a 21h (sábados); e 11h a 19h (domingos e feriados).
Onde: Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo.
Entrada Gratuita.

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Marie Declercq na VICE Brasil. Todas as fotos, cortesia do M.I.S.

 


Dignidade, beleza, respeito, autoconfiança. Como uma espécie de ação afirmativa, este ensaio de Chico Max combate a forma tantas vezes humilhante e degradante com que os imigrantes são tratados.

O fotógrafo captou os retratos na Missão Paz, um centro de acolhimento de migrantes, imigrantes e refugiados em São Paulo (missaonspaz.org). Max conta que praticamente não houve produção: as pessoas foram fotografadas exatamente como se encontravam naquele instante.

Em fevereiro, o ensaio deve ser exposto na Universidade de Coimbra, em Portugal. Em janeiro, a exposição ganhou a Estação da Luz, na capital paulistana. Vitalem, Miguel, Ndeye, Badmus, Eduardo, Emmanuel, João, Mireille, Eloim, Yusia, Yara e outros retratados puderam ser vistos no turbilhão de gente, integrados entre os passageiros deste mundo cheio de catracas.

 

Vilatem, do Haiti Vilatem, do Haiti

Vilatem, do Haiti.

 

2 Miguel do chile2 Miguel do chile

Miguel, do Chile.

 

3 Nyde do Senegal3 Nyde do Senegal

Ndeye, do Senegal.

 

8 Mireille e Eloim do Congo8 Mireille e Eloim do Congo

Mireille e Eloim, do Congo.

 

9 Yusia e Yara da Síria9 Yusia e Yara da Síria

Yusia e Yara, da Síria.

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Amália Safatle no Página22 da FGV.

 
"Entenda porque Monteiro Lobato dizia que os paulistas comiam comida caipira escondidos e socialmente comiam comida francesa", diz Carlos Alberto Dória o sociólogo que vai ministrar junto com o professor de gastronomia Luiz Máximo, mais um curso para que se aproxime mais e mais das origens de nossa culinária caipira.

Começamos em janeiro um mergulho em profundidade em torno da formação da cozinha caipira, reconstruindo a cozinha guarani que, em parte, herdou.
 
Agora, nos debruçaremos sobre a cozinha caipira propriamente dita, isto é, aquela que surge entre os séculos XVI e XVIII na região do Sertão do Leste (vales do Paraíba e do rio Doce e sul de Minas) e segue os passos de bandeirantes e tropeiros. Tem por base tanto a cultura guarani como a do colonizador já adaptado à região. Seu elemento fundamental é o milho e seus derivados, especialmente a farinha de milho.
 
O curso visa familiarizar o aluno com a história e as práticas da cozinha caipira e procurar entender como se cria o seu imenso desprestígio no século XX - quando “caipira” passa a ser um adjetivo que desqualifica tudo a que é aplicado (pessoas, música, culinária, habitação, etc).
 

'Amolaçao Interrompida'. Pintura: José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899). Acervo Pinacoteca do Estado.
 
O curso terá 14 horas de duração, em 4 aulas. São seus principais tópicos:
 
1. A definição de “caipira” e as teorias sobre a sua formação. O território da cozinha caipira: a expansão bandeirante e os itinerários tropeiros. Continuidades e rupturas com o modelo da cozinha guarani.
 
2. Construção do “núcleo duro” da cozinha caipira. Os sítios: o milho, a mandioca, o feijão, a abóbora, o porco, a galinha o pomar e a horta. A variante caiçara. As formas de conservação alimentar. As tecnologias adotadas pela cozinha caipira: os fogões, o monjolo, as fecularias.
 
3. As classificações e capitulos da culinária caipira. Variações de receituário. 4. Laboratório de preparações tradicionais de modos modernos. Preparação de pratos e degustações em almoço caipira.
 
Docentes: Carlos Alberto Dória e João Luiz Máximo
 
Serviço
Datas e horários: 2, 4, 5 e 6 de março 2 e 4 de março: das 20 às 23 horas 5 e 6 de março: das 9 às 13 horas.
Valor: R$ 700,00 (o pagamento poderá ser parcelado no cartão).
Local: Rua Aquiramum, 12 - Alto de Pinheiros CEP: 05446-030.
*Os interessados podem acessar a página do sociólogo no Facebook.
 
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Carlos Alberto Dória é bacharel em Ciências Sociais pela USP, com doutorado e pós-doutorado na Unicamp, tendo estudado o darwinismo no Brasil. Possui também vários livros publicados sobre sociologia da alimentação: Estrelas no céu da boca; A culinária materialista; Formação da culinária brasileira; e-BocaLivre.
 
João Luiz Máximo é professor de História da Gastronomia em cursos de graduação e pós graduação. É especialista na área de História da Alimentação e Gastronomia.
 


Se você sofre da mesma síndrome do gato Garfield, personagem dos quadrinhos de Jim Davis, que vive “miando” a frase “I hate mondays” (eu odeio segundas-feiras), saiba que há solução para isso. Para quem odeia este dia, porque sabe que vai começar tudo de novo (compromissos, trabalho, estudos, trânsito, entre outras perturbações) e acaba entrando em um looping que aparenta ser perene, os shows do músico Roberto Sion, que acontecem nesse mal-afamado dia da semana, na Central das Artes, sempre às 21h, garantem a cura contra o tédio.

Sion, recebeu o Música em Letras em seu apartamento no bairro do Sumaré, em São Paulo, para uma entrevista seguida de um ensaio na Casinha, estúdio do contrabaixista Itamar Collaço, no bairro Vila Gomes, zona oeste da capital.

Leia a seguir trechos dessa entrevista e assista, no final do texto, aos vídeos que o Música em Letras captou durante o ensaio do saxofonista com o grupo que irá tocar com ele na próxima segunda-feira (15).

Primeiros sopros

Roberto Sion, 69, toca desde 11 anos de idade. Estudava piano em Santos, litoral de São Paulo, onde nasceu. O saxofonista contou que, com apenas 14 anos, tocou com o regional do violonista Antonio Rago (1916-2008) em uma rádio de Santos. No mesmo ano, subiu a serra e fez seu primeiro show de jazz em São Paulo no prédio da Folha de S. Paulo, onde havia um auditório, no lugar em que hoje se encontra uma pequena parte do parque gráfico do jornal. “Toquei com uma rapaziada de Santos. Subimos para São Paulo exclusivamente para isso. Foi meu primeiro show de jazz. Lembro direitinho.”

Psicólogo formado pela Unicamp aos 25 anos, Sion enveredou pela música quando se mudou para Boston, nos Estados Unidos. A razão? Estudar na Berklee College of Music. Lá, teve aulas com Joseph Viola (1920-2001), fundador do departamento de sopro da renomada escola, instrumentista excelente, e professor de vários saxofonistas reconhecidos mundialmente.

Entre outros professores de Sion, figuram o japonês Ryo Noda, 68, exímio saxofonista que escreveu várias obras para o saxofone clássico; o norte-americano Lee Konitz, 88, saxofonista do estilo cool e post-bop; e Joseph Allard (1910- 1991), norte-americano, professor de sax e clarinete da Juilliard School, New England Conservatory e da Manhattan School of Music, entre outras instituições de ensino.

Sion voltou para São Paulo e estudou mais música ainda, especialmente composição, análise e arranjo. Os professores, só feras: Damiano Cozzella (arranjador), Olivier Toni (maestro) e o músico e esteta H. J. Koellreutter (1915-2005). Tocou e gravou com Deus e o mundo. Entre tantos, acompanhou Toquinho e Vinicius de Moraes (1913-1980) em vários shows dentro e fora do país.

Entre os anos 1980 e 1990, Sion se dedicou ao grupo Pau Brasil. Um projeto que envolveu uma longa pesquisa aliada a muitos ensaios em busca de uma linguagem musical brasileira bem estruturada. Uma proposta nova que fugia da forma tema-improvisação-tema. Os temas eram mais voltados para a rítmica brasileira, com mais arranjos elaborados e menos solos improvisados. Uma espécie de jazz brasileiro de câmara. Um sucesso até hoje. Quando o grupo se reúne, os shows ficam lotados.

Na discografia de Sion há 11 “bolachas”. Todas ainda excelentes para serem consumidas, pois seus prazos de validade nunca expiram.

O músico Roberto Sion e o baterista Vitor Cabral ensaiando no estúdio Casinha, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)O músico Roberto Sion e o baterista Vitor Cabral ensaiando no estúdio Casinha, em São Paulo (Foto: Carlos Bozzo Junior)

O músico Roberto Sion e o baterista Vitor Cabral ensaiando no estúdio Casinha, em São Paulo. Foto: Carlos Bozzo Junior.

Orquestra Jovem Tom Jobim

A partir de 2001, Sion abarcou e cuidou da Orquestra Jovem Tom Jobim da EMESP (Escola de Música do Estado de São Paulo), como maestro titular até 2014. “Houve uma mudança muito grande na escola e me desliguei”, disse o maestro afirmando que essa mudança favoreceu uma nova etapa em sua vida. “Da orquestra trago a sensação do dever cumprido, com muito orgulho”, falou Sion que durante esse período desenvolveu um trabalho profundo e sério com relação a repertório, arranjos sinfônicos e artistas convidados. Entre os que “atacaram” com a orquestra estão Elza Soares, Rosa Passos, Mônica Salmaso, Chico Pinheiro, Germano Mathias, Dominguinhos e Hermeto Pascoal.

Sion reconhece que também se desenvolveu musicalmente enquanto liderava a orquestra. “Quando você doa, você recebe, né? Escrevi muito arranjo em situações de urgência, em vários estilos. Mas, em termos pedagógicos, praticamente dei prosseguimento a um trabalho que eu já fazia em big bands, transposto para orquestra”, disse o músico que nesse período estudou com mais afinco as cordas, embora já soubesse escrever para elas. “Fui aprender principalmente como trabalhar as cordas que são os instrumentos mais difíceis da afinação. Por exemplo, fazer transposições de corais de Bach para a orquestra toda te traz harmonias muito puras e muito bonitas. Você é quem dá o senso tonal para isso. Aprendi bastante nesse aspecto”, disse o maestro que com a orquestra também trabalhava a improvisação, além de ter levado seus integrantes a conhecerem vários outros maestros.

Sion é compositor, flautista, saxofonista, clarinetista, arranjador, e tem o título de doutor em música pela UNICAMP (Universidade de Campinas). “Fiz esse doutorado durante quatro anos pensando em um dia, talvez, me colocar em uma universidade”, falou o músico que disponibiliza para o internauta do Música em Letras a gravação de seu arranjo sinfônico para canto e orquestra da música “Estrada Branca”, de Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes, apresentado em seu doutorado: https://goo.gl/c30aZ6

Shows das segundas-feiras

Sion e o contrabaixista (acústico e elétrico de seis cordas) paulistano Itamar Collaço, 57, se conhecem há quase 30 anos. Foram companheiros tocando na noite de São Paulo, em muitas casas. A Baiúca foi uma delas. Quando Sion foi diretor de música popular do festival de Campos de Jordão, Collaço era professor no evento. Tocaram juntos várias vezes, mostrando aos alunos a que vieram. “Temos uma cumplicidade tocando”, falou Sion.

Por abarcarem o mesmo nível musical e terem uma amizade sólida, o duo é perfeito. “Sinto um imenso prazer de tocar com o Collaço”, disse Sion, que sempre contribui com a música por meio de trabalhos estruturados e bem arranjados. Haja vista o duo que Sion registrou com o sanfoneiro Toninho Ferragutti em “Oferenda”, um primor de disco.

“O lance agora é só tocar”, falou o maestro que nesta segunda-feira (15), promete muito improviso em cima de temas autorais como “J.T. Meireles” e “Terra Natal”, o primeiro feito em homenagem ao saxofonista e amigo carioca, João Theodoro Meirelles (1940-2008).

O maestro convidou o trompetista Daniel D’Alcântara e o baterista Vitor Cabral para aliarem seus sons aos dele e aos do contrabaixo de Collaço. Do trompetista, tocam a maravilhosa “Maestrina”. (Veja vídeo no final do texto)

Sion aproveita para destacar no show o belo som e a admirável musicalidade de Daniel D´Alcântara, 41, tocando o tema “I Remember Clifford”, do saxofonista tenor Benny Golson, 86, escrito em memória ao espetacular trompetista Clifford Brown (1930-1956), morto precocemente em um acidente de carro. “Nessa música vou para o piano. Quero ouvir o Dani”, falou Sion. (Assista o vídeo aqui).

O baixista Itamar Collaço e o maestro Roberto Sion, que se apresentam na Central das Artes (Foto: Carlos Bozzo Junior)O baixista Itamar Collaço e o maestro Roberto Sion, que se apresentam na Central das Artes (Foto: Carlos Bozzo Junior)

O baixista Itamar Collaço e o maestro Roberto Sion, que se apresentam na Central das Artes. Foto: Carlos Bozzo Junior.

Surpresa

Uma surpresa no show da noite do dia 15: Sion apresentará uma de suas alunas de improvisação e harmonia, uma cantora de Bauru, interior do Estado, que segundo ele é um verdadeiro talento. Luciana Nobrega, 23, é amante de “scat singing” (cantar vocalizando sílabas) e obviamente do jazz. Dela se ouvirá “What a Difference a Day Makes”, popularizada por Dinah Washington (1924-1963); “Dindi”, de Tom Jobim (1927-1994) e Aloysio de Oliveira (1914-1995); além de “Estamos Aí”, de Durval Ferreira (1935-2007) e Maurício Einhorn.

Na noite de 22 de fevereiro, o saxofonista Sion se apresenta ao lado do guitarrista Marcus Teixeira, autor do tema “Bluelelli”, escrito em homenagem ao contrabaixista Paulo Paulelli, integrante do Trio Corrente. Além deste tema, ambos tocam a valsa “Nadana”, composta por Sion em 1972, nos Estados Unidos. “O Marcus é um tremendo improvisador”, falou Sion.

Na noite de 29, em que o maestro toca com o pianista Nelson Ayres, estão garantidos alguns hits já gravados por ambos, como “Conversa de Botequim”, de Noel Rosa (1910-1937) e Oswaldo Gogliano,o Vadico (1910-1962), além de “”All the Things You Are”, de Jerome Kern (1885-1945) e Oscar Hammerstein II (1895-1960), entre outras. De autoria de Ayres, “Mantiqueira” e “Caminho de Casa” devem deixar a sala repleta de boa música. “Eu e o Nelson beiramos os 70 anos, mas cheios de vontade de viver para tocar. Não desistimos”, falou o músico que se apresentará tocando flauta e sax soprano.

Esta é uma ótima oportunidade de ouvir um som com muita cancha. Um som que não é careta, porque Sion e todos os músicos dos shows arriscam. Todos gostam de tocar o que “pinta” na hora, mas com consciência de quem estuda e respeita bastante a música. Um som maduro. Excelente para quem está cansado de ouvir apenas um monte de notas emitidas a esmo. Bom para limpar a mente e deixá-la com a alma plena de música da mais alta qualidade. “Estou nessa fase de tocar o meu melhor”, disse Sion. Aproveite!

Ah, uma dica. Segunda-feira é o dia em que Sion se dedica a dar aulas. “Gosto de segunda-feira. É dia de aulas e gosto de dar aulas. Aprendi a não ficar grilado com essa coisa de segunda-feira. Isso é mais um condicionamento. Para mim, o dia também é bom por lembrar coisas boas. Segunda-feira era o dia em que tocava com a big band que eu tinha com o Nelson Ayres, no Opus 2004”, disse o professor que atende a solicitações de aulas de flauta, saxofone, arranjos ou improvisação por e-mail.

Serviço
Shows de Roberto Sion 
Quando: dia 15 de fevereiro, segunda-feira, com o trompetista Daniel D’Alcântara; dia 22, com o guitarrista Marcus Teixeira; dia 29, com o pianista Nelson Ayres.
Horário: Sempre às 21h.
Onde: Central das Artes, r. Apinagés, 1081, Sumaré, São Paulo, tel. (11) 3865-4165
Quanto: R$ 30.

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Carlos Bozzo Junior em seu Música e Letras.