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A segunda edição da Pauliceia Literária está mais política e um pouco menos policial. O festival bienal trará a São Paulo, a partir desta quinta (24), escritores de destaque da literatura nacional e internacional contemporânea. Criado com o intenção de ser uma espécie de Flip – a festa literária de Paraty – paulistana, o evento teve a primeira edição, em 2013, norteada pela literatura policial.
 
O festival é organizado pela Associação dos Advogados de São Paulo. Neste ano a temática continua presente –como na homenagem a Luiz Alfredo Garcia-Roza, um dos principais nomes da literatura policial no Brasil –, porém em menor escala, cedendo espaço para debates mais diversos.
 
A política é pano de fundo de mesas como a que reunirá, na sexta (25), às 17h, o cubano Leonardo Padura e o argentino Martín Kohan, sob o tema "Estado de Exceção". 
 
"Acho que não há uma tônica dominando, mas é difícil pensar literatura sem a questão politica estar presente", diz o jornalista Manuel da Costa Pinto, curador desta edição e colunista da Folha. 
 
"Padura e Kohan falam de uma experiencia traumática como os regimes de exceção, mas a política aparece inevitavelmente em outros debates." 
 
Costa Pinto cita a mesa com o moçambicano Mia Couto e o angolano Agualusa, da qual será mediador. "Eles foram convidados por uma questão literária, mas vêm de países de descolonização muito recente, o que foi determinante para a literatura." Os ingressos para este encontro estão esgotados. 
 
Destaques da programação 
 
Quinta-feira (24) 
 
11h - Abertura Adriano Schwartz e Patrícia Melo debatem a obra de Luiz Alfredo Garcia-Roza, homenageado neste ano.
15h - Memória da ficção, ficção da memória O casal Ruy Castro e Heloisa Seixas fala sobre "O Oitavo Selo", no qual Seixas mistura ficção e realidade para narrar os confrontos de seu marido. 
 
Sexta-feira (25) 
 
17h - Estados de Exceção O cubano Leonardo Padura e o argentino Martín Kohan falam sobre os resquícios de ditaduras no presente. 
 
Sábado (26) 
 
11h - Guetos Poéticos A argentina Tamara Kamenszain e o gaúcho Leandro Sarmatz debatem poesia no último dia do evento. 
 
Serviço
Paulicéia Literária.
Quando: 24, 25 e 26/9.
Onde: Associação dos Advogados de São Paulo, r. Álvares Penteado, 151.
Quanto: de R$ 15 a R$ 32, ingressos pelo site do evento.
 
 


Para falar do trabalho de Ugo Giorgetti, a escritora Rosane Pavam usa dois termos bem precisos, ambos começados por agá - história e humor. Ao termo humor, ela ajunta um adjetivo também muito apropriado: “frio”. E eis aí seu livro O Cineasta Historiador - O Humor Frio e o Filme Sábado, de Ugo Giorgetti (Ed. Alameda), que será lançado nesta segunda, 21, na Livraria Martins Fontes. O livro, acompanhado do DVD de Sábado, custa R$ 48. Rosane é editora de Cultura da revista Carta Capital. Ugo Giorgetti, considerado o grande retratista de São Paulo no cinema, é cronista do Estado (escreve aos domingos na seção de Esportes).
 
O Cineasta Historiador tem origem na dissertação de mestrado defendida por Rosane Pavam na USP. Ela foi orientada por um especialista em humor, o historiador Elias Tomé Saliba (autor de Raízes do Riso, obra fundamental sobre o assunto), que também escreve o prefácio do volume. Na capa, uma foto significativa, e igualmente bem escolhida - em tom sépia, vemos o famoso Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu paulistano e durante décadas símbolo da modernidade de uma capital que, até o final do século 19, não passava de uma província.
 
O Martinelli nasceu sob o signo da pujança ítalo-paulistana. Depois decaiu. Nos anos 1970, já degradado, foi objeto do olhar agudo de Ugo Giorgetti em seu documentário Edifício Martinelli, no qual mostrava a fauna humana que lá se instalara. O velho edifício, e este filme, são matrizes para Sábado, também ambientado num prédio outrora de luxo, e agora decadente, ficção que Ugo filmou em 1995, e agora tornado objeto de reflexão acadêmica.
 
O filme ambienta-se num edifício decadente, que conserva um último signo do luxo de outrora - seu vistoso elevador. Esta “locação” é requisitada por uma equipe publicitária para nela gravar um comercial. O filme possui cenas hilárias, como a multidão de famélicos que avança sobre os alimentos trazidos para a equipe de filmagem, o churrasco dos moradores na laje do prédio e, em especial, a do elevador que enguiça, prendendo em seu interior personagens bastante heterogêneos. Quem são? A dondoca vivida por Maria Padilha e dois agentes funerários (Otávio Augusto e o compositor Tom Zé) que vieram de rabecão buscar o “morto”, interpretado por Gianni Ratto.
 
Há de tudo um pouco em Sábado, mas sobretudo um estudo irônico do complicado convívio das diferenças sociais no Brasil. Tudo é exposto sob o signo do que Rosane Pavam resume no conceito definidor de “humor frio”, tirado do escritor siciliano Luigi Pirandello (em O Humorismo) e que define o tipo de graça que busca mais a reflexão que a gargalhada. Riso frio, porém cortante. A inteligência agradece.

Serviço
Lançamento do livro 'O Cineasta Historiador'.
Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, 509. 
Hoje, a partir das 18h30.
 
Luiz Zanin Oricchio em O Estado de S.Paulo. 



A Editora Patuá irá lançar nesta segunda dia 21 de setembro, o livro “Petit-Fours na Cracolândia”, de Marina Bueno Cardoso. Trata-se de um livro de crônicas não datadas desta autora paulistana, mas que cabe em qualquer grande cidade. 

O livro traz um recorte de São Paulo que vai da Sala São Paulo ao Jardim Shangri-la, passando pelos Jardins e seus ambulantes. Também há crônicas sobre situações com personagens ilustres, como José Mindlin e Carlito Maia e Dartiu Xavier da Silveira. Num ritmo poético a autora narra um olhar para a cidade que cabe em qualquer metrópole.

Também com fino humor e ironia, Marina dá um tom risível para as igrejas que curam, os funerais luxuosos, o non sense dos casamentos e um sequestro num salão de cabelereiro.

Abaixo o Prefácio de Ignácio de Loyola Brandão                                                                              

"Se você acha que todos odeiam dentistas, não conhece Marina. Veja o que ela diz: “Passada no dentista. Motorzinho bom, fecho os olhos”. Se pensa que uma mulher não pode ser conquistada no Jardim da Luz, entre aqui. Se acredita que não existe um homem feliz em São Paulo, se engana. Marina descobriu um. Minha gente, tudo depende do olho e da mente e da alma. Aqui está uma nova cronista a fazer recortes de uma cidade, uma sociedade. Ela segue e colhe, captura, conquista, agarra pessoas, situações, momentos inusitados.

Descobre, sim, vejam só, uma camélia fúcsia a gargalhar flores.

Descobre sorrisos numa cidade sisuda.

Porque procura sempre poesia, alegria. Eu tinha certeza de que o lirismo desaparecera até me deparar com Marina, que revitalizou a palavra, os gestos, movimentos, ações. Ela recolhe personagens entre os anônimos, os humildes, os desgraçados, os tarados, os infelizes, solitários, humilhados, fodidos, esquecidos, miseráveis, esfomeados. Com compaixão.

Marina conhece a cidade, o mundo, ouve, conversa, fala, recolhe, engole, cala, consente, perturba-se, critica, ama, admira, detesta, sorri, chora, grita, peripatética.

São Paulo ganha com este livro uma nova cronista, uma observadora de lupa, binóculo, câmera na mente, no estômago, no coração, no sexo. Ligada, focada, numa panorâmica de 360 graus.

Marina, observadora, apaixonada, tarada, alucinada. Ela é da cidade, a cidade é dela, e, de repente, vemos tudo com outro jeito de olhar, enlouquecer, desatinar e amar.

Faltava um minuto para entregar o texto, recebi um e-mail de Marina:

"Ontem, fui a Tatuí, onde recebi o Primeiro lugar na categoria Crônicas, com a crônica que dá nome ao livro “Petit-Fours na Cracolândia”. Foi o 10º Prêmio Paulo Setúbal de Contos e Crônicas, organizado pela Prefeitura de Tatuí, onde Paulo nasceu. Fiquei muito feliz.Agora é com os leitores."

Serviço
Onde: Mezanino do Bar Balcão Rua Melo Alves, 150
Horário: a partir das 19h.
O livro será comercializado apenas pelo site: www.editorapatuá.com.br

Fonte: Assessoria de Imprensa.

 

 
A partir de 24 de setembro o Instituto Moreira Salles de São Paulo exibe a mostra 'Alice Brill: impressões ao rés do chão', com imagens da fotógrafa alemã falecida em 2013 que migrou com a família para o Brasil aos 14 anos fugindo do nazismo e trocou a fotografia pela pintura na década de 1960.

São cerca de 90 fotografias, além de revistas, publicações e outros materiais que apresentam sua trajetória fotográfica no Brasil. Seu acervo, com cerca de 14 mil negativos, pertence ao IMS desde 2000.
 

A exposição, com fotografias produzidas nas décadas de 1950 e 1960, apresenta o olhar humanista da fotógrafa sobre várias cidades brasileiras. Como uma crônica, seu olhar percorre um período de intenso desenvolvimento, mas sem mascarar contradições e dificuldades.

Alice registrou belas imagens de São Paulo, mas também o descontentamento de seus habitantes. Além de fotografar outras capitais, como Rio de Janeiro e Salvador, acompanhou também a comitiva da Fundação Brasil Central, em que deputados visitaram regiões do Centro-Oeste do país para acompanhar obras em andamento.

A mostra ficará em cartaz até 10 de janeiro de 2016 e inclui também retratos dos amigos Alfredo Volpi, Roberto Burle Marx, João Vilanova Artigas, Francisco Rebolo e Rino Levi, além de imagens produzidas para revistas como a Habitat, editada por Lina Bo Bardi.

Alice Brill (Colônia, 1920 – Itu, 2013)

Nasceu em Colônia e, aos 14 anos, mudou-se para o Brasil, em fuga do nazismo. Em 1940, frequentou o Grupo Santa Helena, associação informal de pintores paulistas. Ganhou uma bolsa de estudos em 1946 e, com ela, deu continuidade à sua formação na New Mexico University (Albuquerque) e na Art Student’s League (Nova York). De volta ao Brasil, trabalhou na revista Habitat, documentando arquitetura e artes plásticas. Participou da 1ª Bienal de São Paulo (1951), realizou dezenas de exposições de artes plásticas e fotografias no Brasil e no exterior e dedicou-se à crítica de arte, tendo artigos publicados no jornal O Estado de S. Paulo e reunidos no livro Da arte e da linguagem (Perspectiva, 1988). Em 2005, o Instituto Moreira Salles organizou a retrospectiva O mundo de Alice Brill. Desde o ano 2000, sua coleção de 14 mil negativos está sob a guarda do IMS.

Serviço
"Alice Brill: impressões ao rés do chão"
Visitação de 24/9/15 a 10/01/16.
De terças a sextas das 13h às 19h.
Sábados, domingos e feriados (exceto segundas), das 13h às 18h.
Entrada franca. 
Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar / Higienópolis.

Fonte: Instituto Moreira Salles.

 
Desde 2001, o Indie Festival traz para o país algumas dezenas de importantes filmes produzidos mundo afora. A mostra é, muitas vezes, uma das poucas oportunidades para assistir a essas produções, que levam o status de independentes e raramente entram no circuito comercial brasileiro. 
 
Neste ano, o festival, que começa nesta quarta (16) e vai até 30/9, vai exibir no CineSesc 45 filmes de 20 países. Integram a programação longas de diretores renomados como "Cemitério do Esplendor", de Apichatpong Weerasethakul, o romeno "O Tesouro", de Corneliu Porumboiu, e "Eu Sou Ingrid Bergman", de Stig Bjorkman, lançado no ano do centenário do nascimento da atriz. 
 
As retrospectivas trazem dois cineastas nascidos na antiga União Soviética — Kira Muratova e Sharunas Bartas. Muratova, nascida na Moldávia (região anterior da Romênia), estará presente com 11 filmes. O premiado diretor lituano Sharunas Bartas apresenta oito longas, entre eles "Paz para Nós em Nossos Sonhos", lançado no Festival de Cannes. 
 
Indie Festival 2015 no CineSESC - Rua Augusta, 2075. Os ingressos para as sessões custam R$ 12.

Fonte: Guia Folha.


Representante do Japão na 56.ª Bienal de Arte de Veneza, a artista Chiharu Shiota faz sua primeira exposição na América Latina, com curadoria da historiadora Teresa Arruda, a partir do dia 12, no Sesc Pinheiros. A exemplo da sala veneziana, ela ocupa com suas instalações um andar inteiro na unidade do Sesc, além do teto sobre as escadas rolantes e a parede externa da fachada do prédio.
 
Em Veneza, ela construiu uma instalação labiríntica imersiva com 50 mil chaves que pendem de uma teia de fios vermelhos. Em São Paulo, ela usa os fios da mesma cor para sustentar 300 pares de sapatos (na fachada) e 200 malas (sobre as escadas rolantes). Os fios pretos ela reservou para tecer uma teia na terceira instalação, formada por 6 mil cartas manuscritas por voluntários brasileiros, que também doaram sapatos. As malas vieram de Berlim, de navio. São usadas e foram compradas pela artista em feiras populares. 
 
Pelo título escolhido por Chiharu não é difícil concluir que sua primeira individual brasileira, Buscando o Destino, fala de viagem, embora de uma viagem interior. A primeira das três instalações, Além dos Continentes, é uma representação metafórica da trajetória pessoal de cada um dos doadores brasileiros que enviaram pares de sapatos gastos com as marcas de passagem pelo mundo, caso também das malas usadas (o título da instalação dá nome à mostra).
 
A terceira e última instalação, Cartas de Agradecimento, como sugere o título, são mensagens escritas por voluntários, que expressam gratidão. Elas podem ser lidas pelo público e têm um apelo emocional comumente ausente nesse gênero de arte, incorporado ao vocabulário contemporâneo nos anos 1960 para definir obras ambientais de vida efêmera. “Nunca pretendi oferecer ao público uma mensagem racional”, observa a artista. “Antes, sempre desejei criar uma impressão emocional, permitindo às pessoas que sintam primeiro o impacto visual para depois refletir sobre a obra.” 
 
O direito à interpretação é livre e legítimo. Alguém poderá, por exemplo, ver nas duas centenas de malas uma parábola sobre a onda migratória que sacode a Europa, embora Chiharu, ao contrário dos artistas conceituais, não use as peças de suas instalações como objetos indutores de conceitos. Eles são reais, não representações. Quando ela montou a instalação Além dos Continentes em Osaka, pediu aos doadores que enviassem junto aos pares de sapatos uma história qualquer que justificasse a doação, recebendo de um deles um depoimento forte: o calçado já não tinha mais utilidade para o homem; ele perdera a esperança de se livrar da cadeira de rodas. 

Foto:Rudy Ricciotti.
 
Nascida em Osaka há 43 anos, Chiharu Shiota começou sua carreira como pintora, mas logo descobriu que o espaço bidimensional era limitado para sua ambição. Aos 24 foi para Hamburgo, estudando primeiro na Hochschule für Bildende Künste e, depois, na mesma escola, só que em Braunschweig. Aprendeu performance com Marina Abramovic, mas, como não é tão liberada como a professora sérvia, arranjou um jeito de lidar com gestos expansivos por meio das teias de fios que sustentam objetos em suas instalações monumentais. Elas lembram vagamente o trabalho da brasileira Edith Derdyk, com uma diferença: a última, efetivamente, faz desenhos no espaço com suas linhas, enquanto Chiharu traça uma trama que enreda o visitante numa narração poética sobre objetos ordinários.
 
Os objetos não são simples objetos nessas instalações, eles desenvolvem histórias ligadas por fios.” Tanto nas artes visuais como na literatura, o fio – é só lembrar de Ariadne e Teseu – é um elemento de conexão entre os seres. No caso da obra da japonesa, o fio vermelho se diferencia do preto porque o último, na tradição oriental, está ligado à tinta com que os calígrafos desenham, unindo pontos no espaço. 
 
As chaves sustentadas pelos fios vermelhos sobre dois barcos rústicos, na Bienal de Veneza, evocam tragédias pessoais e coletivas de parentes da artista mortos em tsunamis e terremotos. “Mesmo no teatro, esses fios podem sugerir a exclusão de corpos que antes estiveram ligados aos objetos”, conclui a artista, que executou há dois para a ópera Tristão e Isolda, de Wagner, em Kiel, na Alemanha, um dramático cenário em que os cantores eram enredados como moscas numa teia. Não sem razão, ela já foi chamada de “mulher aranha”. Discreta, ela não comenta o apelido. 
 
Serviço
'Em Busca do Destino'.
Sesc Pinheiros. R. Paes Leme, 195; 3095-9400.
3ª a sáb., 10/21h. Dom., 10/18h.
Abre 12/9.

Antônio Gonçalves Filho / O Estado de S.Paulo.