Exposição ‘Nirvana: Taking Punk to the Masses‘ chega a São Paulo no dia 12 de setembro, depois de passar pelo Rio - São Paulo São

A exposição "Nirvana: Taking punk to the masses" reúne registros que resgatam o surgimento da banda em 1987, o processo criativo e um mural com 21 discos que fazem parte do acervo pessoal do baixista Krist Novoselic.

Nirvana: Dave Grohl (baterista); Krist Vovoselic (baixista) e Kurt Cobain (vocalista, guitarrista) . Foto: Nirvana/Facebook/Divulgação.Nirvana: Dave Grohl (baterista); Krist Vovoselic (baixista) e Kurt Cobain (vocalista, guitarrista) . Foto: Nirvana/Facebook/Divulgação.A mostra será distribuída numa área de aproximadamente 800 metros quadrados, com mais de 200 peças entre instrumentos icônicos, fotos, vídeos, depoimentos, álbuns, objetos pessoais dos integrantes, cartazes, entre outras peças que vão desde a origem do grupo, em Aberdeen, às grandes turnês internacionais.

A exposição conta com 200 itens e seis monitores interativos que exibem cerca de seis horas de material extra em vídeo, captados pela equipe do Museu da Cultura Pop, de Seattle. É um passeio completo pela trajetória da banda, desde os primeiros instintos de genialidade do ainda adolescente Kurt Cobain, em Aberdeen, até a gravação do "MTV Unplugged", lançado após a precoce morte do vocalista e guitarrista do grupo — o violão colorido usado por Pat Smear no registro em Nova York está lá, assim como o baixo acústico de Novoselic. 

Há pequenas diferenças em relação ao material exposto em Seattle, onde a mostra ficou por seis anos. O tradicional cardigan amarelo que Cobain usou em diversos registros da banda — incluindo no acústico para a MTV —, por exemplo, não veio. O curador Jacob McMurray explica que ausências como essa se dão pela não autorização dos doadores para a viagem de alguma peça. Por outro lado, há registros (fotos e setlists originais) dos shows da banda no Brasil, o que não estava na mostra original.

O cantor Kurt Cobain durante as gravações do clipe "Smells like teen spirit", em 18 de agosto de 1991, na Califórnia. Foto: Divulgação. O cantor Kurt Cobain durante as gravações do clipe "Smells like teen spirit", em 18 de agosto de 1991, na Califórnia. Foto: Divulgação.

Não vá esperando uma exibição grandiosa, com diversos corredores e ambientes, como foi, por exemplo, a de David Bowie no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Afinal, a trajetória do Nirvana, por mais intensa e impactante que tenha sido, foi também breve — cinco anos separam o lançamento de "Bleach" (1989), disco de estreia do trio, e o suicídio de Kurt Cobain, em abril de 1994.

Mas, além de itens originais raros, como a primeira guitarra quebrada por Cobain durante um show em 1988 ou a carta assinada por Kirt Hammett, guitarrista do Metallica, dizendo que "Nevermind" era o melhor disco de 1991 (ano em que o Metallica lançou o histórico "Black album") e materiais em vídeo preciosos para fãs e curiosos por música, "Nirvana: Taking punk to the masses" é um passeio intrigante e imperdível também por lados da história de Cobain, Novoselic e Dave Grohl que McMurray fez questão de contar (ou não contar).

Primeira dema gravada do Nirvana, em 1988. O produtor Jack Endino fez uma cópia da gravação e deu para seu colega de banda, o baixista da Skin Yard e dono da C/Z Records, Daniel House. Foto: Divulgação. Primeira dema gravada do Nirvana, em 1988. O produtor Jack Endino fez uma cópia da gravação e deu para seu colega de banda, o baixista da Skin Yard e dono da C/Z Records, Daniel House. Foto: Divulgação. O primeiro é que o Nirvana é fruto de um movimento que vinha acontecendo nos Estados Unidos, especialmente no noroeste do país. Na base da força de vontade de jovens músicos, de produtores e de casa do shows, e do espírito "faça por si mesmo" que protagonizou o início do agora quarentão punk rock, cenas locais iam surgindo em cidades que não tinham, até então, uma tradição musical. É nisso que foca a primeira parte da exposição, batizada de "Construindo a infraestrutura", onde é possível passear, pelo monitor interativo e pelos discos expostos na parede, pelas histórias de Minor Threat, Fugazi, Sonic Youth, Hüsker Dü, entre outros.

Um painel destrincha um pouco melhor essa pluralidade de cenas, mostrando um mapa do noroeste americano e apontando as bandas que saíram de cada cidade (o Nirvana, por exemplo, entra junto com os Melvins em Aberdeen, por mais que a banda tenha se estabelecido como parte da cena grunge de Seattle), enquanto outro lista ingredientes para a formação de uma cena próspera de música local.

Camiseta vestida por Kurt Cobain no clipe "Smells like teen spirit", em 18 agosto de 1991Foto: Brady Harvey / Divulgação.Camiseta vestida por Kurt Cobain no clipe "Smells like teen spirit", em 18 agosto de 1991Foto: Brady Harvey / Divulgação.A outra intervenção do curador se dá ao mostrar que, por mais que a tragédia envolvendo a morte de Cobain e todo o seu fim melancólico por conta dos vícios tenha trazido uma áurea pesada para o grupo, Kurt, Krist e, mais tarde, Dave formaram uma banda jovem, cheia de vida e, acima de tudo, de bom humor, evidenciado por fotos de turnês e por diversas piadinhas feitas principalmente pelo vocalista em pôsteres, setlists e outros materiais da banda trazidos ao Rio. Talvez por isso toda a parte pesada, por assim dizer, tenha sido limada da exposição, o que pode prejudicar a narrativa para alguns — e torna menos justificável a classificação indicativa de 16 anos.

Há, por exemplo, fotos e setlists do show em São Paulo, mas nenhum indicativo do caos que foi aquela apresentação no Hollywood Rock em 1993 — segundo o escritor Charles R. Cross descreveu na biografia "Cobain: Mais pesado que o céu", "a pior apresentação que a banda havia feito", muito por conta da mistura de "bolinhas e bebidas alcoólicas" ingerida por Cobain — ou qualquer outra que chegou a um fim abrupto por um motivo qualquer. O curador justifica que o lado dramático da história de Cobain já foi contada repetidas vezes.

Guitarra Univox Hi-Flyer destruída por Kurt Cobain, durante uma apresentação no Evergreen State Collegge, em Olympia, Washington. Essa foi a primeira a ser quebrada pelo cantor em um palco. Foto: Divulgação.Guitarra Univox Hi-Flyer destruída por Kurt Cobain, durante uma apresentação no Evergreen State Collegge, em Olympia, Washington. Essa foi a primeira a ser quebrada pelo cantor em um palco. Foto: Divulgação.O grande corredor que enfim entra na história do Nirvana traz itens preciosos: fotos dos amigos adolescentes Kurt e Krist; a camisa "Nazi punks fuck off" usada pelo baixista em diferentes ocasiões; o gravador analógico da tia de Cobain usado para gravar o demo de Fecal Matters; a primeira fita de "Kurt Kovain" e Dale Crover (dos Melvins) levada por Jack Endino para a gravadora Sub Pop; o pôster em que Cobain chama a banda de Nirvana pela primeira vez; instrumentos originais (inteiros ou não) usados pelo grupo e figurinos de gravações de clipes; cartas e manuscritos de letras; os dois anjos alados usados na turnê de "In utero" (1993"), último disco da banda; credenciais de shows em estádios; e o ingresso e o setlist da última apresentação, em Munique, um mês antes do suicídio de Cobain.

No fim, há uma sessão interativa em que os fãs podem gravar suas reações enquanto ouvem uma música da banda, visitar um cenário que emula o da gravação do "MTV Unplugged" enquanto assiste a um minidocumentário, ou tirar uma foto que simule a histórica capa de "Nevermind" (vestido, de preferência).

Lista de músicas do Festival Hollywood Rock, no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em São Paulo, Brasil, no dia 16 de janeiro de 1993. O set foi escrito a mão por Dave Grohl. Foto: Divulgação.Lista de músicas do Festival Hollywood Rock, no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em São Paulo, Brasil, no dia 16 de janeiro de 1993. O set foi escrito a mão por Dave Grohl. Foto: Divulgação.Serviço

Exposição "Nirvana: Taking punk to the masses"
Quando: 12 de setembro a 12 de dezembro.
Lounge Bienal – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Ibirapuera, São Paulo – SP.
Passarela Ciccillo Matarazzo – Parque Ibirapuera.
Fone: (11) 5576-7640.
Horários de visitação: de terça a sexta: das 10 horas às 19 horas.
Dias: sábados, domingos e feriados: das 10 horas às 20 horas.
Ingressos: http://www.ingressorapido.com.br
Preços: R$ 25,00 de terça a quinta; R$ 35,00, sexta a domingo.

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Com informações de O Globo e Estadão Conteúdo.

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