Em exposição, Theodor Preising, o fotógrafo que registrou a urbanização de São Paulo - São Paulo São

O retrato do projeto magnânimo de uma cidade prestes a se transformar em uma grande metrópole; a construção de um parque industrial e a verticalização de seu centro histórico, acompanhados por um crescimento populacional inédito: esta foi a São Paulo registrada pelas lentes do fotógrafo alemão Theodor Preising (1883-1962).

Seu trabalho, ainda pouco reconhecido, mas crucial para a documentação de toda uma época, agora é celebrado pela exposição São Paulo: Sinfonia de uma Metrópole, mostra que o Centro Cultural Fiesp recebe de 25 de janeiro a 25 de março de 2018, com entrada gratuita.

Com curadoria de Rubens Fernandes Junior e concepção da Brazimage, a exposição reúne cerca de 61 imagens em preto e branco na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp, registradas entre 1925 e 1940, além de revistas e cartões postais da época. A mostra traz ainda trechos do filme São Paulo, sinfonia da metrópole (1929), que inspirou o nome da exposição. Exercício de vanguarda cinematográfica brasileira, o documentário cultua a modernidade então recém-chegada à capital paulista.

A chegada de imigrantes japoneses no Porto de Santos. Foto: Theodor Preising / Divulgação.A chegada de imigrantes japoneses no Porto de Santos. Foto: Theodor Preising / Divulgação.A exposição apresenta ao público um panorama documental da cidade durante a primeira metade do século XX. A chegada dos imigrantes ao Porto de Santos e às hospedarias paulistanas, o carnaval de rua da década de 1930, o lazer sediado pelo antigo Sport Club Germânia - hoje Clube Pinheiros -, e a passagem dos dirigíveis Zeppelin e Hindemburg pela capital são alguns dos ensaios de Preising que poderão ser conferidos de perto.

As colheitas do café e do algodão no interior do Estado, razão da riqueza que sustentava a elite paulistana, também foram temas de seus registros. Sua versatilidade técnica e qualidade estética possibilitou formar um amplo inventário criativo e documental sobre o Estado, oferecendo ao público uma visão privilegiada sobre a formação da capital no período entre as duas guerras.

Perspicaz, o fotógrafo teve sensibilidade aguçada ao entender que o momento era de transformação, não somente do espaço urbano, mas também das relações sociais. A cidade se modernizava com a clara intenção de atrair novos investidores.

Theodor Preising - Uma figura a ser revelada

Theodor Preising (1883­-1962).Theodor Preising (1883­-1962).Nascido em 1883, em Hildesheim, Alemanha, Theodor Preising foi fotógrafo nas frentes de combate da Primeira Guerra Mundial. Tal experiência, combinada à difícil situação econômica alemã no período pós-guerra, foi fundamental para a sua decisão de emigrar.

Em 1920, viaja à Argentina com a ideia de estabelecer residência. Insatisfeito, chega ao Brasil em 1923 - mora primeiro no Guarujá, e depois em São Paulo, onde monta seu laboratório. Uma das suas primeiras atividades empreendidas por aqui foi a de comercializar máquinas fotográficas, acessórios e cartões postais no Grande Hotel de Guarujá.

A partir de 1924, depois de já instalado na capital, começa a produzir cartões postais e álbuns de várias cidades do Brasil, atividade então inovadora e fundamental para a distribuição das imagens do país mundo afora. Além de São Paulo, as cidades de Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Petrópolis, Salvador, Curitiba, Joinville e Fozdo Iguaçu também tiveram seu dia-a-dia registrado pelas lentes do fotógrafo. Esta produção se estende até o início da Segunda Guerra Mundial, quando o governo proíbe os estrangeiros dos países do Eixo de fotografar nos espaços públicos. Preising se volta, então, às culturas de café e de algodão no interior de São Paulo e do Paraná.

No início da década de 1930, colabora com a revista The National GeographicMagazine e com o jornal O Estado de S. Paulo. Foi um dos primeiros profissionais a introduzir no Brasil as câmeras de pequeno formato, como a Leica e a Contax, o que lhe permite realizar ensaios fotográficos com agilidade e precisão não muito comuns para época.

Em 1936, juntamente com Benedito Junqueira Duarte, fotografa para a Revista S. Paulo, publicação do governo paulista que se tornou a grande experiência modernista de revista ilustrada no país. Trabalha ainda no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) durante o governo de Getúlio Vargas e na Universidade de São Paulo. Preising deixou um acervo com mais de 16 mil negativos, que hoje pertencem ao seu bisneto Douglas Aptekmann, e é representado pela Galeria Utópica.

Apesar de ainda pouco reconhecido pela história da fotografia nacional, Theodor Preising é um nome fundamental da iconografia paulistana. Em 2004, sete de suas fotografias foram integradas à 13ª edição da Coleção Pirelli/Masp de Fotografia.

Sobre o filme São Paulo - sinfonia da metrópole

O documentário nacional realizado em 1929 por Rodolf Rex Lustig e Adalberto Kemeny apresenta a ideia de progresso e ordem social, construída cena a cena, a partir da combinação de mosaicos visuais de uma cidade em desenvolvimento, que tinha como espelho as principais capitais europeias. Os diretores tomaram como inspiração o filme alemão Berlim: sinfonia da metrópole, de 1927, de Walter Ruttmann.

Com montagens elaboradas, o filme traz uma sequência de cenas do cotidiano, do começo ao fim do dia: crianças nas escolas, operários nas fábricas, trabalhadores nas ruas e policiais trabalhando pela segurança do trânsito e dos transeuntes.

Serviço

Exposição São Paulo: Sinfonia de uma Metrópole.
Local: Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp (Av. Paulista, 1313 / em frente à estação Trianon Masp do Metrô).
Período: de 25 de janeiro a 25 de março de 2018.
Horários: de terça a sábado, das 10h às 22h; domingos, das 10h às 20h.
Classificação indicativa: livre.
Agendamentos escolares e de grupos: 3146-7439.
Grátis.
Mais informações em www.centroculturalfiesp.com.br

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Da Redação com informações do Centro Cultural Fiesp.