‘A Serpente‘, montagem inédita do último texto de Nelson Rodrigues estreia em São Paulo - São Paulo São

O Teatro Arthur Azevedo recebe uma montagem inédita do derradeiro texto de Nelson Rodrigues. Com direção de Lavinia Pannunzio, “A Serpente” estreia no dia 16 de março, e fica em cartaz até 22 de abril.

No elenco de “A Serpente“: Patrícia Gordo, Liz Reis, Ygor Fiori, Valdir Rivaben e Ana Negraes. Foto: Lenise Pinheiro.No elenco de “A Serpente“: Patrícia Gordo, Liz Reis, Ygor Fiori, Valdir Rivaben e Ana Negraes. Foto: Lenise Pinheiro.No elenco de “A Serpente“: Patrícia Gordo, Liz Reis, Ygor Fiori, Valdir Rivaben e Ana Negraes. Foto: Lenise Pinheiro.

Lançada em 1980, poucos meses antes de Nelson Rodrigues (1912-1980) falecer, 'A Serpente' é considerada o texto mais curto do autor, com apenas um ato de duração. A obra foi escrita num leito de hospital, entre um tratamento e outro. Sabendo que essa seria sua última peça, Nelson ao escrever não relia o texto pois não sabia se a doença o deixaria terminar.

Em sua primeira direção de um texto de Nelson Rodrigues – Lavínia já havia se envolvido com Rodrigues anteriormente: a primeira em “Vestido de Noiva”, quando viveu a cafetina Madame Clessi na montagem de Eric Lenate, e a segunda em “Boca de Ouro“, com direção de Gabriel Vilela - a diretora pensou na encenação de “A Serpente”, para a Cia. Círculo dos Comediantes, com tema central na morte. “O fim de si mesmo, do outro, com o outro, para o outro”, explica ela. 

Dirigida por Lavinia Pannunzio, montagem inédita tem curta temporada a partir do dia 16. Foto: Lenise Pinheiro.

A ambientação, portanto, é fúnebre, e o mesmo espaço se transforma de sala de jantar a um necrotério – tudo preto com detalhes em vermelho. “Decidi por um lugar em que se depure, em que se celebre e em que se beba a morte”, justifica Lavinia. O texto fala sobre duas irmãs recém-casadas que vivem com os maridos sob o mesmo teto. A relação entre eles começa a ruir já na primeira cena do espetáculo, quando um dos casamentos demonstra ares de fracasso. “Cada um é a cobra do Paraíso do outro.”

A diretora (foto) explica por que a serpente é um animal tão simbólico em diversas culturas. “É fascinante pelo fato de ela transitar entre terra e água, trocar a pele, se renovar, além do risco que implica o contato com ela”. Embora no cristianismo o animal seja associado à culpa e ao sofrimento, a serpente simboliza a totalidade da existência. “A serpente está presente na cosmogonia de todos os povos, evocando sabedoria, conhecimento, iluminação, renovação e equilíbrio da vida”, afirma, citando como exemplo a mitologia grega.

Lavínia Pannunzio no papel da cafetina Madame Clessi na montagem de “Vestido de Noiva“, 2013. Foto Marcelo Villas Boas.Lavínia Pannunzio no papel da cafetina Madame Clessi na montagem de “Vestido de Noiva“, 2013. Foto Marcelo Villas Boas.

Lavínia Pannunzio no papel da cafetina Madame Clessi na montagem de “Vestido de Noiva“, 2013. Foto Marcelo Villas Boas.

Na peça, a serpente simboliza os dois extremos. “A separação, o adultério, a preservação da virgindade, o incesto. Todas essas coisas aprisionam os personagens e os colocam num inferno cristão de culpa máxima”, explica a diretora. “Então há a perda do Paraíso, sim, mas há também amores de ordem mítica, ancestral, para além da compreensão da religião cristã.” 

Serviço

A Serpente
Autor: Nelson Rodrigues
Direção: Lavínia Pannunzio.
Elenco: Patrícia Gordo, Liz Reis, Ygor Fiori, Valdir Rivaben e Ana Negraes.
Teatro Arthur Azevedo – sala multiuso. 
Av. Paes de Barros, 955, Mooca, Zona Leste. Tel. 2604-5558.
De 16/3 a 22/4.
6ª e sáb., 21h. Dom., 19h. Grátis.
70 min. +16 anos. 

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Da Redação com informações da Secretaria Municipal de Cultura.



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