Quarta Revolução Industrial é tema de exposição gigante e ao ar livre na Avenida Paulista - São Paulo São

A UGT, União Geral dos Trabalhadores chega em 2018 à sua quarta edição da Exposição de Maio na Paulista, que celebra o 1º de Maio, com o tema “A Quarta Revolução Industrial”.

Voltada para o futuro, a maior exposição ao ar livre da América Latina e entre as maiores do mundo ocupará um quilômetro da ciclovia da principal via da cidade. Desde a esquina da Rua Augusta, estendendo-se imponente até a Alameda Campinas, a mostra traz ilustrações inéditas e de produção exclusiva dos artistas Carla Caffé e Guto Lacaz em 30 painéis de 12 m². A ilustração é a grande novidade na curadoria artística da DOC Galeria, de Monica Maia e Fernando Costa Netto, após três edições apresentando fotografias.

“Com esta exposição, a UGT quer mostrar que tem um futuro chegando, que pode ser bom ou não para o trabalhador. A linguagem que optamos em 2018 não foi a fotografia, mas o desenho, a arte de dois grandes artistas brasileiros”, diz o presidente Ricardo Patah.

A primeira grande Exposição de Maio na Paulista, aconteceu em 2015 e teve como tema os “30 Anos de Redemocratização do Brasil”; a segunda, Máquina a vapor, siderurgia, o mundo se acelera. Imagem: Guto Lacaz.Máquina a vapor, siderurgia, o mundo se acelera. Imagem: Guto Lacaz.em 2016, celebrou os “100 Anos do Samba”; a terceira, realizada em parceria com o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a OIT – Organização Internacional do Trabalho, apresentou os “17 Objetivos para Transformar o Mundo”, que podem mudar a cara do país, como a erradicação da pobreza, igualdade de gênero e educação de qualidade. Estas edições foram vistas por 15 milhões de pessoas entre 2015 e 2017 e aguarda-se um público de cerca de 5 milhões de visitantes únicos para 2018.

“As ilustrações trazem reflexões sobre os processos históricos transformadores gerados nas três Revoluções Industriais e no momento atual”, segundo André Guimarães, da Maná Produções, responsável pela instalação. 

O designer Guto Lacaz usa seu traço bem-humorado para descontruir imagens clássicas como a de Isaac Newton e a maçã ou O Pensador de Rodin. Já a ilustradora e artista gráfica Carla Caffé trabalha numa espécie de timeline com olhar feminino, a eterna submissão da mão-de-obra da mulher e sua participação no mercado de trabalho, desde a escravidão até os dias atuais.

Era digital, computadores, internet. Imagem: Guto Lacaz.Era digital, computadores, internet. Imagem: Guto Lacaz.Tema do mais recente Fórum Mundial em Davos, a Quarta Revolução mostra a tendência à automatização total das fábricas, com o intuito de levar a produção à absoluta independência da mão de obra humana, diferente das revoluções anteriores. Estima-se que 40% dos postos de trabalho perdidos não serão substituídos, mas simplesmente eliminados. Nos anos 70, a Inglaterra tinha 7 milhões de britânicos trabalhando na indústria, que representava 40% do PIB do país. Atualmente são apenas 2,3 milhões de britânicos nas fábricas e a indústria representa 10% do mesmo PIB. No entanto, de lá pra cá a riqueza da região aumentou quatro vezes. Cai o peso da produção industrial, aumenta em outros setores, como o de serviços.

A Quarta Revolução é uma nova fase da revolução tecnológica que já vem transformando a forma como trabalhamos. Em sua escala, alcance e complexidade, é um movimento diferente de qualquer outro que o ser humano tenha experimentado anteriormente, com consequências catastróficas. 

Ao mesmo tempo em que representa avanços reais, aumenta o desemprego, a pobreza, a desigualdade na Imagem: Carla Caffé.Imagem: Carla Caffé.distribuição de renda e todo tipo de perplexidade que essa tríade é capaz de produzir, como violência nos grandes centros e insegurança geopolítica. Ou se reinventa, como já estão pensando os magnatas da internet, Mark Zuckerberg e Bill Gates, que propõem a governos a criação de uma renda básica universal para todos os cidadãos, acreditando que o emprego como o concebemos hoje deixará de existir.

A sociedade e os trabalhadores têm que priorizar essa nova relação entre pessoas e robôs, nos dilemas éticos e sociais. Essa é a discussão que a União Geral dos Trabalhadores traz para a Avenida Paulista em Maio de 2018. Não é um evento que propriamente comemora o Dia do Trabalho, mas que coloca na pauta do 1º de Maio este assunto da maior importância e urgência para a sociedade.

Serviço

Exposição de Maio na Paulista - A Quarta Revolução Industrial
De 9 de maio a 9 de junho.
Ilustrações de Carla Caffé e Guto Lacaz.
Ciclovia da Av. Paulista, entre Rua Augusta e Al. Campinas.
Realização: UGT – União Geral dos Trabalhadores.

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Da Redação com informações da Vicente Negrão Assessoria.