Três novos endereços de preservação da memória paulistana - São Paulo São

Espaços fazem eventos e resgatam história do Carandiru, de automóveis e dos costumes de SP. Imagem: Divulgação.Espaços fazem eventos e resgatam história do Carandiru, de automóveis e dos costumes de SP. Imagem: Divulgação.

Preservar a memória é o objetivo que une três novos e aparentemente distintos espaços culturais de São Paulo. Localizados em diferentes regiões da cidade, todos se propõem a realizar atividades gratuitas ou com baixo custo.

O primeiro dos três abriu em outubro, quando uma casa alugada na Vila Romana, na zona oeste, se transformou no Museu da Imprensa Automotiva (Miau). No mês passado, a Escola Técnica Estadual (Etec) Parque da Juventude voltou às origens com a abertura do Espaço Memória Carandiru, na zona norte. Em maio, por sua vez, a loja Casa da Bóia vai lançar o espaço Casa da Bóia Cultural, no centro.

Museu da Imprensa Automotiva (Miau) reúne cerca de mil itens que mostram a evolução dos veículos no País. Foto: Divulgação.Museu da Imprensa Automotiva (Miau) reúne cerca de mil itens que mostram a evolução dos veículos no País. Foto: Divulgação.

O Espaço Memória Carandiru funciona dentro da Escola Técnica Estadual Parque da Juventude, construída no local onde funcionava o extinto presídio. Foto: Divulgação.O Espaço Memória Carandiru funciona dentro da Escola Técnica Estadual Parque da Juventude, construída no local onde funcionava o extinto presídio. Foto: Divulgação.

Em comemoração aos 120 anos da Casa da Boia, será inaugurado um espaço cultural que terá exposições, acervo histórico, oficinas e palestras. Foto: Divulgação.Em comemoração aos 120 anos da Casa da Boia, será inaugurado um espaço cultural que terá exposições, acervo histórico, oficinas e palestras. Foto: Divulgação.

Dentre eles, o Espaço Memória Carandiru é o mais focado na memória recente, até por sua localização: parte da antiga enfermaria do pavilhão 4 do complexo penitenciário a que dá nome, hoje atual Etec Parque da Juventude. O local reúne 519 objetos coletados entre os anos 1980 e 2002 pela fotógrafa Maureen Bisilliat, curadora da mostra de abertura - que teve uma edição no Museu da Casa Brasileira há três anos. 

De animais em papel machê a imagens de santos e facas, os itens em exposição (e mais de 280 do acervo) foram catalogados por estudantes de Museologia da Etec. “Esses objetos acabam revelando a maneira de viver, a necessidade diária dessas pessoas, até mesmo de produção artística”, comenta a coordenadora, Cecília Machado. A mostra também exibe fotografias e mais de mais de cem horas de vídeos feitos por Maureen e ex-detentos.

O Espaço Memória Carandiru foi instalado no piso térreo, onde havia a enfermaria da penitenciária e ainda preserva traços de sua arquitetura. Foto: Amanda Perobelli / Estadão.O Espaço Memória Carandiru foi instalado no piso térreo, onde havia a enfermaria da penitenciária e ainda preserva traços de sua arquitetura. Foto: Amanda Perobelli / Estadão.

O Espaço Memória Carandiru expõe 519 objetos de ex-detentos do Complexo Penitenciário do Carandiru. Foto: Amanda Perobelli / EstadãoO Espaço Memória Carandiru expõe 519 objetos de ex-detentos do Complexo Penitenciário do Carandiru. Foto: Amanda Perobelli / Estadão

Mediadora do espaço, a estudante Nádia Lima, de 24 anos, comenta que alguns visitantes se surpreendem, por acreditar que o foco seria no Massacre do Carandiru. “Gostam da produção artística deles”, comenta. 

Lembranças

Prestes a completar 120 anos, a Casa da Bóia preserva a memória de forma mais sutil, segundo a diretora da Casa da Bóia Cultural, Adriana Rizkallah, de 56 anos. Segundo ela, a fachada, a máquina de costura e o fogão dispostos na entrada, além dos moldes de peças (quase centenários), já atraem o olhar dos passantes e clientes da loja (de itens de metal e hidráulicos). “A Casa da Bóia está se reinventando para poder continuar, tentando trazer a comunidade que orbita no seu entorno”, explica.

Comandada pela família Rizkallah, a Casa da Boia é também parte da história dos árabes no Brasil. Foto: Divulgação.Comandada pela família Rizkallah, a Casa da Boia é também parte da história dos árabes no Brasil. Foto: Divulgação.

Em maio, o espaço cultural terá acesso externo e a presença de monitores, além de realizar oficinas e reunir o acervo do Museu Rizkallah Jorge, criado pelo marido de Adriana e neto do fundador, Mário Rizkallah, de 66 anos, único dono da Casa da Bóia desde 1997. “Meu pai guardava tudo, e aprendi a guardar também. Aqui foi onde tudo começou”, diz ele, que coleciona até disquetes.

A família Rizkallah vem transformando a loja e o segundo andar do casarão em um espaço cultural aberto ao público. Foto: Divulgação.A família Rizkallah vem transformando a loja e o segundo andar do casarão em um espaço cultural aberto ao público. Foto: Divulgação.

O imóvel de 1909 abriga uma loja com ares de museu e conta um pouco da própria história. Foto: Divulgação.O imóvel de 1909 abriga uma loja com ares de museu e conta um pouco da própria história. Foto: Divulgação.

Suportes digitais antigos também integram o Miau, que reúne itens da imprensa automotiva que vão da primeira revista do tipo no Brasil até máquinas de escrever. O museu nasceu primeiro online, em 2013, e ganhou sede em outubro, quando a casa do jornalista automotivo Marcos Rozen, de 44 anos, já não comportava tudo. Na mostra atual, o saudosismo ganha até uma versão de um drive-in, dentro de um Del Rey original. “O carro traz essa memória afetiva, já vi gente sair daqui com os olhos marejados”, diz ele.

Dedicado desde o nome à imprensa automotiva, Miau mostra também instrumentos de trabalho do jornalista que testa carros, desde os primórdios da profissão. Foto: Murilo Góes / UOL.Dedicado desde o nome à imprensa automotiva, Miau mostra também instrumentos de trabalho do jornalista que testa carros, desde os primórdios da profissão. Foto: Murilo Góes / UOL.

Materiais de imprensa e manuais de proprietário dos carros dos anos 1980 têm ampla ala no Miau. Foto: Murilo Góes / UOL.Materiais de imprensa e manuais de proprietário dos carros dos anos 1980 têm ampla ala no Miau. Foto: Murilo Góes / UOL.

Visitante é recebido por um Omega 1998 e ainda encontra um Opala 1988 transformado em acervo: dentro do sedã icônico Chevrolet, é possível assistir a vídeo publicitário com trajetória. Foto: Murilo Góes / UOL.Visitante é recebido por um Omega 1998 e ainda encontra um Opala 1988 transformado em acervo: dentro do sedã icônico Chevrolet, é possível assistir a vídeo publicitário com trajetória. Foto: Murilo Góes / UOL.

Serviço

Casa da Boia Cultural
R. Florêncio de Abreu, 123, Centro.
Abertura em 14 de Maio.

Espaço Memória Carandiru 
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630.
Agendamento: [email protected] 
Entrada gratuita.

Museu da Imprensa Automotiva (Miau).
Rua Marcelina, 108, Vila Romana.
Sábados e feriados, 13h-18h foras e dom: 11h-17h.
R$ 15.
www.miaumuseu.com.br
www.facebook.com/miaumuseu

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Texto de Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo. Edição São Paulo São.