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Londres poderá se tornar a primeira cidade ‘parque nacional‘ do mundo (National Park City) até 2019, segundo planos estabelecidos pelo prefeito da cidade. Sadiq Khan reservou um fundo de investimento verde de 9 milhões de libras para ajudar a melhorar os espaços verdes para a comunidade ao lançar sua estratégia preliminar para o meio ambiente da capital.

O financiamento ajudará a tornar mais de 50% da área da capital verde até 2050. No geral, atualmente, 47% de Londres já tem espaço verde.

As propostas incluem: 

  • Proteger e aumentar a quantidade de parques e espaços verdes;
  • Assegurar que os empreendimentos tenham mais telhados e paredes verdes (cobertos de grama e plantas para ajudar a aumentar a qualidade do ar) e jardins de chuva (pequenos espaços verdes que ajudam a prevenir inundações);
  • Proteger e aumentar os habitats de vida selvagem;
  • Há também planos para enfrentar a poluição do ar e fazer de Londres uma cidade "sem carbono" (produzindo uma rede zero de emissões de carbono) até 2050.

Ao lançar o projeto, em agosto último, Sadiq Khan disse: "Londres é o lugarde espaços verdes que eu quero proteger, investir e melhorar, na medida em que visamos nos tornar o primeiro parque nacional do mundo. Também queremos aumentar a quantidade de vegetação na cidade, instalando muitos telhados verdes e tornando as nossas ruas mais verdes".

Sobre os planos, um "mapa do desafio" irá destacar áreas que devem ser priorizadas para o investimento em infraestrutura verde.

O Projeto do escritório WATG

Melhorar a qualidade de vida, aumentar a presença de animais selvagens e conectar ainda mais as pessoas com a natureza: estes são os objetivos principais do Green Block, projeto do escritório WATG Landscape Architecture para Londres.

Imagem: Divulgação/ WATG Landscape Architecture.Imagem: Divulgação/ WATG Landscape Architecture.A iniciativa partiu do explorador e geógrafo Daniel Raven-Ellison, que quer transformar a capital na primeira cidade ‘parque nacional‘ do mundo. O prefeito londrino Sadiq Khan lançou uma campanha para levar, a longo prazo, o verde para mais de 50% da cidade. Atualmente, 47% da cidade já possui espaços verdes.

O planejamento, então, ficou nas mãos do WATG e o produto final é o Green Block, um material de construção vivo, modular, com sementes de flores e reserva de irrigação e que não requer manutenção.

Segundo os profissionais, os usos são diversos: desde as faixas de carros e ciclovias até restaurantes, lojas e fachadas de prédios.

“É seguro dizer que todos nós podemos imaginar um futuro com carros elétricossem motoristas, o que se traduz em menos carros na estrada e menos estacionamentos e faixas. O Green Block devolve o espaço das estradas e volta para os cidadãos de Londres”, explica John Goldwyn, vice-presidente do escritório.

Imagem: Divulgação/ WATG Landscape Architecture.Imagem: Divulgação/ WATG Landscape Architecture.Espera-se que o Green Block, atualmente em fase de protótipo, seja finalizado em 2018. Mais longo, o processo para se tornar um parque nacional continuará nos próximos anos.

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Da redação com informações da BBC News (Inglês).

Um túnel ferroviário antigo que se tornou o túnel mais longo do mundo para ciclistas, uma ciclovia construída em torno de um aeroporto e vias circundantes de rios urbanos são alguns dos casos que o jornal britânico The Guardian destacou como sendo as melhores infra-estruturas cicloviárias em cidades.

Ao contrário de seleções anterioes, esta foi feita a partir do envio de imagens dos leitores que consideraram a infra-estrutura segura e poderia servir de exemplo para outras cidades. Aqui estão alguns desses casos e os detalhes de cada um.

1. Amberes, Bélgica.

Túnel Santa Ana. Amberes - Antuérpia. Foto: Riot Gibbon / Guardian Witness.Túnel Santa Ana. Amberes - Antuérpia. Foto: Riot Gibbon / Guardian Witness.

O Túnel Santa Ana foi feito entre 1931 e 1933 para ligar a Cidade Velha, com os novos bairros de Antuérpia. Sua construção foi realizada a 32 metros de profundidade sob o rio Escalda, e com um diâmetro pensado para comportar a passagem de uma ambulância ou outro veículo de emergência. O túnel é para pedestres e ciclistas. Para estes últimos há um limite de velocidade de 5 km/h.

2. Amsterdam, Países Baixos.

Bicicletário em Amsterdam, Países Baixos. Foto: Mother Root / Guardian Witness.Bicicletário em Amsterdam, Países Baixos. Foto: Mother Root / Guardian Witness.

Uma das imagens mais comuns de Amsterdam são os seus estacionamentos cheios de bicicletas. E, de acordo com dados oficiais, na capital dos Países Baixos, existem 881.000 bicicletas, três vezes maior do que o número de 263.000 automóveis de passageiros.

3. Bangkok, Tailândia.

Ciclovia do Aeroporto Suvarnabhumi. Foto: Blackadder55 / Guardian Witness.Ciclovia do Aeroporto Suvarnabhumi. Foto: Blackadder55 / Guardian Witness.

Em março do ano passado, o Aeroporto Suvarnabhumi abriu uma ciclovia de 23,5 quilômetros que foi construída em torno dele. Como a ciclovia é gerida pelo Airports Authority of Thailand, a única exigência para que o ciclista possa trafegar é que apresente uma cópia do passaporte. A ciclovia é de duas mãos, dividida em sessões, mostra a distância percorrida e é dotada de banheiros bem equipados para o usuário.

4. Bath, Reino Unido.

Bath, Reino Unido. Foto: Mannand / Guardian Witness.Bath, Reino Unido. Foto: Mannand / Guardian Witness.

O grupo Bath Two Tunnels começou em 2007, a recuperar um túnel ferroviário antigo para transformá-lo em um local de passeio para os cidadãos. Depois de alguns anos de trabalho, depois de discutir com as comunidades próximas e conseguir as autorizações, túneis de 1.672 metros de comprimento cada um, foram inaugurados em 2013 com a autorização de utilização para trabalhadores, ciclistas e pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, esses túneis deram origem a um circuíto de 20 quilometros que ligam o centro da cidade de Midford a Monkton Combe ao sul de Bath, passando pelo Aqueduto Dundas, uma construção histórica construída a partir de 1797, que se liga a duas estradas nacionais.

5. Brisbane, Austrália.

Brisbane, Australia. Foto: Bob Russell / Guardian Witness.Brisbane, Australia. Foto: Bob Russell / Guardian Witness.

The River Loop é um das rotas mais conhecidas para ciclismo de Brisbane. Tem um total de 36 km de extensão construídos em torno do rio Brisbane. Ele também permite alcançar a praia Streets Beach, a única praia na Austrália que está no centro de uma cidade, além de desfrutar dos cafés e restaurantes de South Bank .

6. Calgary, Canadá.

Calgary, Canadá. Foto: Pimpal / Guardian Witness.Calgary, Canadá. Foto: Pimpal / Guardian Witness.

A cidade de Calgary é atravessada pelos rios Bow e Elbow, e também por 60 pontes que têm um papel importante na ligação dos seus cidadãos. 

7. Glasgow, Escócia.

Ciclovia e passagem de pedestres em Glasgow, Escócia. Foto: Oldtymer / Guardian Witness.Ciclovia e passagem de pedestres em Glasgow, Escócia. Foto: Oldtymer / Guardian Witness.

Este túnel, com um espaços delimitados para os pedestres e ciclistas, está localizado na passarela que liga o Scottish Exhibition and Conference Centre a estação ferroviária.

8. Perth, Austrália.

Mais de 100 km de ciclovias em Perth, Austrália. Foto: Zhonde / Guardian Witness.Mais de 100 km de ciclovias em Perth, Austrália. Foto: Zhonde / Guardian Witness.

Em setembro do ano passado, o site Mother Nature Network (MNN), escolheu as 10 cidades mais amigáveis ​​do mundo com a bicicleta, por conta da qualidade da infra-estrutura cicloviária e respeito dos motoristas para com os ciclistas. Na lista, Perth figurou em sexto lugar. Mas com os novos planos do Governo, a situação será ainda melhor, pois estão desenvolvendo um plano para adicionar mais 100 quilômetros de ciclovias às já existentes.

9. Zoetermeer / Bleiswijk, Holanda. 
Túnel de ciclismo moderno em Rotterdam, Holanda. Foto: ID8409168 / Guardian Witness.Túnel de ciclismo moderno em Rotterdam, Holanda. Foto: ID8409168 / Guardian Witness.

Na ciclovia de Zoetermeer para Bleiswijk, na Holanda do Sul, há três túneis construídos sob rodovias, entre os quais se destaca o Catedral Bike da foto. Ele tem esse nome porque é o maior dos três, com 16 metros de largura, 6,5 metros de altura e 53 metros de comprimento.

10. San Sebastián, Espanha.

Túnel em San Sebastián, Espanha. Foto: Ander Gortazar Balerdi / Guardian Witness.Túnel em San Sebastián, Espanha. Foto: Ander Gortazar Balerdi / Guardian Witness.

Com dois quilômetros de extensão, este túnel para ciclistas se tornou o maior do mundo em 2009. A isso se soma o fato de que permitiu recuperar parte da antiga linha ferroviária Bilbao-San Sebastián e assim fazer a ligação com os bairros de Amara e Ibaeta que não podiam ser alcançados por bicicleta.

11. Sidney, Austrália.

Passarela e ciclovia na margem do Rio Parramatta Foto: Dom Schuster / Guardian Witness.Passarela e ciclovia na margem do Rio Parramatta Foto: Dom Schuster / Guardian Witness.

A partir do centro de Sydney, os ciclistas podem viajar 26 quilômetros através de ciclovias segregadas para chegar ao início de uma rota ao longo do rio Parramatta. Então, pode-se visitar a Reserva Eric Primrose ou o Parque George Kendall, lugares que valorizam uma rota mais natural e onde se pode cruzar até com animais silvestres. Uma vez no subúrbio de Meadowbank, pode-se tomar uma balsa com a bicicleta e voltar para o centro de Sydney.

12. Vancouver, Canadá.

Vancouver, Canadá. Foto: Bob Biker / Guardian Witness.Vancouver, Canadá. Foto: Bob Biker / Guardian Witness.

Somente entre 2008 e 2011, as viagens de bicicleta em Vancouver aumentaram em 40 por cento. Por esta razão, o município lançou um plano para construir infra-estrutura mais segura para os ciclistas. Assim, ciclofaixas foram feitas segregadas dos veículos a motor e os cruzamentos foram pintados com cores diferenciadas.

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Fonte: The Guardian. O artigo original (Inglês).

Os prefeitos de Los Angeles, Cidade do México, Londres e Cidade do Cabo estão entre o grupo de 12 líderes urbanos que prometeram comprar apenas ônibus de emissões zero a partir de 2025 e fazer grande parte de suas metrópoles livre do uso de combustível fóssil, promovendo a caminhada, ciclismo e transporte público e limitando o uso de veículos particulares.

As 12 cidades - incluindo também Paris, Copenhaguen, Barcelona, ​​Quito, Vancouver, Milão, Seattle e Auckland - têm uma população somada de aproximadamente 80 milhões segundo estimativas. No acordo, os líderes apontaram para a poluição atmosférica local, bem como para as mudança climáticas.

"A poluição atmosférica causada por gasolina e veículos a diesel está matando milhões de pessoas em cidades do mundo", disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em um comunicado. "As mesmas emissões também estão causando mudanças climáticas".

Os prefeitos fazem parte da rede C40 Cities, um grupo de lideranças climáticas que existe há dez anos e que agora inclui 91 cidades em todo o mundo. A C40 Cities ajudou a estabelecer um diagnóstico para a ação climática a nível das cidades que foi apresentado em 2015 no Acordo Climático COP21 em Paris.

O plano faz eco a um lançamento semelhante divulgado recentemente pela cidade de Madri, que prevê uma "zona de zero emissões" no centro da cidade, que mede cerca de 4,5 quilômetros quadrados, em que apenas os residentes, o transporte público e os veículos de emissão zero poderão circular.

O pacto das 12 cidades não define como serão as zonas de emissão zero, mas criará uma linha de tempo, que os prefeitos prometerem assegurar que "uma grande área de nossa cidade seja zero em 2030." Dentre as várias maneiras de planejar para atender a esse objetivo, incluem-se taxas crescentes de caminhada, ciclismo e uso de transporte público, reduzindo o número de veículos poluentes nas ruas da cidade, a busca de veículos de emissão zero para as frotas da cidade e colaboração com fornecedores, operadores de frotas e empresas para acelerar as mudanças.

De acordo com o jornal The Independent, a cidade de Londres atualmente possui a maior frota de ônibus elétrico das 12 cidades envolvidas no acordo. Os fabricantes de ônibus elétricos incluem Volvo, Mercedes-Benz Daimler e Proterra - que, como noticiou a Ong Next City em setembro, recentemente definiu sua intenção de produzir em escala, ao invés de apenas um modelo, com o objetivo de expandir seu mercado.

Dezenas de prefeitos, da rede C40 e além, se uniram para apoiar os objetivos delineados no acordo climático de Paris. Nos Estados Unidos, um grupo de prefeitos assinou duas cartas abertas pedindo que o Trump permaneça no acordo climático. Depois que esse esforço falhou, prefeitos em todo o país, inclusive em Indianápolis, Nova York e Madison, lançaram planos para manter os objetivos climáticos de Paris.

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Por Rachel Dovey no Next City 
(Inglês).

A qualidade do transporte público é um problema em vários países e não é novidade que nas listas, o Brasil é incluído como problemático. Mas, hoje vamos tratar de mostrar de lugares que podem nos servir de inspiração. Listado pelo site Inhabitat, confira abaixo as cidades consideradas Top Five, dotadas dos melhores sistemas de transporte público do mundo.
 
5º lugar: Moscou (Rússia).

Apesar de inaugurado há quase oitenta anos, em 1935, o sistema da capital russa é um dos mais pontuais do mundo. Mais de 8 milhões de passageiros utilizam diariamente o sistema ferroviário de Moscou, que tem 305 km de extensão.


4º lugar: Paris (França).

 

Independentemente de em que lugar de Paris você esteja, é possível encontrar uma estação de metro a cada 500 metros: são pelo menos 300 espalhadas pela cidade, interligando todas as áreas. E, para que as pessoas possam completar seus trajetos da melhor forma possível, a capital francesa tem ainda um sistema de aluguel de bicicletas com 1.400 estações.


3º lugar: Londres (Inglaterra).


A cidade do Big Ben tem o maior e mais antigo metrô do mundo. O Metropolitano de Londres, ou London Underground, que começou a operar em 1863, ainda hoje é um dos mais eficientes, com 268 estações e cerca de 400 km de extensão. Além disso, a capital inglesa conta com uma vasta rede de ônibus, trens na superfície e bondes suburbanos que garantem a mobilidade diária da população londrina.

2º lugar: Nova York (Estados Unidos).

 

Na maior cidade dos EUA, as possibilidades de locomoção são muitas: ônibus, trem, metrô, bicicletas, balsas e até faixas exclusivas para pedestres que fazem da cidade, um dos melhores lugares do mundo para se deslocar utilizando o transporte público. Todos os sistemas funcionam 24 horas por dia, para atender toda a demanda da cidade.

 

1º lugar: Tóquio (Japão).

 
 

A capital japonesa é uma das maiores cidades do mundo e tem o sistema de transporte mais complexo – e completo – do mundo: ônibus, metrô, balsas, VLTs, BRTs, diversas formas de locomoção somam cerca de 10,5 bilhões de viagens por ano. Com uma rede tão extensa, o sistema de transporte público é a espinha dorsal da cidade e a primeira opção da população para se deslocar.

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Com informações da Inhabitat e CicloVivo. Fotos: iStock by GettyImages.

Paris continua firme na luta para se tornar uma cidade mais amigável para pedestres e ciclistas. Desde 2015, a prefeitura instaurou oficialmente o Dia sem Carro, proibindo a circulação de veículos em alguns pontos da cidade e abrindo as ruas para os pedestres. Em 2015, uma das principais avenidas da cidade, a Champs-Élysées, foi aberta para pedestres e, no ano passado, cerca de 50% do território parisiense foi fechado para os carros, favorecendo o transporte ativo na capital francesa. Em 2017, o plano da prefeitura foi mais ambicioso: fechar 100% do território da cidade para a circulação de veículos, com exceção do anel periférico. O mapa abaixo mostra a evolução do perímetro aberto para pedestres desde 2015:

Veículos como táxis, caminhões de bombeiros e ambulâncias ainda puderam circular dentro da capital, mas com velocidade máxima permitida de 30 km/h. No entanto, foram definidas áreas exclusivamente “pedestrianizadas”, ou seja, territórios onde até mesmo esses veículos estavam proibidos de circular, salvo raríssimas exceções. Essas áreas foram totalmente abertas aos pedestres e ciclistas, que circulavam tranquilamente pelas ruas. Como nas edições anteriores, a Avenida Champs-Élysées foi um dos principais pontos que atraiu a população, mesmo em um domingo nublado e com chuvas ao longo do dia. O início oficial do Dia sem Carro foi às 11h da manhã, e cerca de 30 minutos depois do fechamento para os carros, a avenida já se encontrava totalmente ocupada pelas pessoas: pedestres passeando, fazendo exercícios, crianças andando de bicicleta ou patinete e músicos de rua animando o local. Uma grande festa ao ar livre.

Avenida Champs-Élysées às 11h30 da manhã, logo após o início oficial do Dia sem Carro. Foto: Laura Azeredo.Avenida Champs-Élysées às 11h30 da manhã, logo após o início oficial do Dia sem Carro. Foto: Laura Azeredo.

Outra região da capital francesa que foi totalmente aberta para a circulação de pedestres foi o bairro Marais, um dos principais bairros comerciais da cidade. A chuva não afastou turistas e moradores que curtiam o local no horário do almoço, circulando tranquilamente pelas vias totalmente liberadas dos automóveis.

Mesmo com a chuva, pedestres aproveitavam para circular tranquilamente pelas ruas do Marais. Fotos: Laura Azeredo.Mesmo com a chuva, pedestres aproveitavam para circular tranquilamente pelas ruas do Marais. Fotos: Laura Azeredo.

Conversando com pedestres no local, eles descreveram a iniciativa da prefeitura como “sympa”, ou seja, simpática, agradável. Alguns relataram que, mesmo nas ruas onde havia circulação de veículos, todos estavam respeitando a velocidade máxima permitida de 30km/h e muitos estavam parando para pedestres atravessarem, mesmo quando o sinal estava aberto para veículos. Outra observação feita por pedestres que circulavam no bairro foi que as ruas estavam mais silenciosas, sem barulhos de motores e buzinas, apenas de pessoas conversando e passeando.

O silêncio das ruas foi um dos apontamentos feito por pedestres que circulavam pela cidade neste dia. Foto: Laura Azeredo.O silêncio das ruas foi um dos apontamentos feito por pedestres que circulavam pela cidade neste dia. Foto: Laura Azeredo.

O turístico bairro Montmartre também teve parte do seu perímetro aberto exclusivamente para pedestres, sem circulação de veículos. A região apresentava, como de costume, muitos turistas andando pelas ruas, no entanto, sem precisar ocupar somente as estreitas calçadas. Guardas de trânsito orientavam os motoristas sobre o acesso restrito ao local, permitindo o acesso somente a moradores que apresentavam um comprovante de residência, uma exigência da prefeitura.

Turistas circulando no espaço por onde geralmente passam veículos e guardas de trânsito orientando motoristas sobre o acesso restrito ao local. Fotos: Laura Azeredo.Turistas circulando no espaço por onde geralmente passam veículos e guardas de trânsito orientando motoristas sobre o acesso restrito ao local. Fotos: Laura Azeredo.

Apesar de ter restrição parcial aos veículos, o entorno do canal Saint-Martin foi majoritariamente ocupado por ciclistas, que pedalavam tranquilamente pela avenida Quai de Valmy e lamentaram que o dia não estava com sol, mas que isso não os impediu de sair para pedalar. Os automóveis que circulavam pela região respeitavam o limite de velocidade, convivendo harmonicamente com os ciclistas e pedestres que estavam no local, mesmo sob a chuva.

No Quai de Valmy, próximo ao canal Saint-Martin, ciclistas predominavam na avenida e conviviam em harmonia com os veículos que andavam em baixa velocidade. Fotos: Laura Azeredo.No Quai de Valmy, próximo ao canal Saint-Martin, ciclistas predominavam na avenida e conviviam em harmonia com os veículos que andavam em baixa velocidade. Fotos: Laura Azeredo.

Segundo o secretário de transportes de Paris, Christophe Najdovski, o principal objetivo da “Journée sans ma voiture” é ser um dia “lúdico e pedagógico”. A ideia é conscientizar a população sobre o uso excessivo do automóvel e sua consequência para a poluição do ar, mostrando que há outras formas de se deslocar dentro da cidade, que conta com uma das melhores redes de transporte público da Europa. Em todas as edições, o Dia sem Carro apresentou uma queda significativa no índice de poluição atmosférica, e não foi diferente em 2017: houve uma queda de 35% no índice, segundo medições realizadas pela Airparif. Quanto ao ruído, medições da Bruitparif confirmaram uma redução de 54% de ruído na região da Avenida Champs-Élysées (-2,7dB).

Circular tranquilamente pelas ruas de Paris foi uma realidade no Dia sem Carro. Foto: Laura Azeredo.Circular tranquilamente pelas ruas de Paris foi uma realidade no Dia sem Carro. Foto: Laura Azeredo.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, participou de diversas atividades que aconteceram no dia, aproveitando para pedalar pelas ruas da capital, convidando os moradores a descobrir a cidade livre dos automóveis. Meses antes do evento, a prefeitura já vinha realizando esforços de modo a informar aos moradores e turistas como funcionaria o dia, investindo em publicidade e informativos distribuídos pela cidade.

Painel publicitário informando sobre o Dia sem Carro na capital parisiense e placas orientando os motoristas nas áreas com restrição de acesso para automóveis. Fotos:Laura Azeredo.Painel publicitário informando sobre o Dia sem Carro na capital parisiense e placas orientando os motoristas nas áreas com restrição de acesso para automóveis. Fotos:Laura Azeredo.

No entanto, mesmo com informes prévios e preparativos para este dia, a iniciativa da prefeitura sofreu críticas por parte da população. Como ocorreu nas edições anteriores, alguns cidadãos foram contra a medida, considerando a iniciativa “muito radical”. Com a circulação de veículos liberada somente no anel periférico da cidade, muitos motoristas aderiram à “operação escargot”, uma ação organizada por associações da sociedade civil que defendem a circulação motorizada, propondo aos motoristas que andassem em velocidade muito reduzida, prejudicando a circulação de veículos nas vias periféricas.

Em mais um Dia sem Carro em Paris, a prioridade foi dos pedestre. Foto: Laura Azeredo.Em mais um Dia sem Carro em Paris, a prioridade foi dos pedestre. Foto: Laura Azeredo.Apesar das críticas, sem dúvida a cidade atingiu seu objetivo de ter um dia lúdico e pedagógico. Numa cidade dominada por carros, como tantas outras, foi possível ter um domingo totalmente fora do comum, com ruas tranquilas para caminhar e pedalar, com pessoas que não se deixaram intimidar pela chuva que insistia em cair. Ao observar ruas ocupadas por pedestres e ciclistas, foi possível vislumbrar uma cidade mais agradável, silenciosa e calma, sem o trânsito e a correria cotidiana característica da capital francesa. Ao ver a Champs-Élysées, uma das avenidas mais famosas do mundo, exclusiva para o transporte ativo, foi possível, acima de tudo, ter esperança. Neste dia, Paris provou que caminha, cada vez mais, na direção para se tornar uma cidade para pessoas.

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Por Laura Azeredo no The City Fix Brasil.