Exemplos - São Paulo São

São Paulo São Exemplos


O Ceret Renasceu! Sim, quem frequentou o Parque nos últimos anos vai entender porque desse renascimento. O Ceret que antes estava meio que esquecido, abandonado em termos de preservação e por isso também pelos moradores, passou a ser um dos mais concorridos e admirados de São Paulo.

As mudanças nos últimos 3 anos foram inúmeras. Com uma administração dedicada e séria por parte do Sr Moahamed Mourad e a participação da iniciativa privada, o Ceret é outro e é outro já começando pelo Visual.

Uma das mudanças mais impressionantes e de impacto não só no parque como também na região, foi a retirada do Muro que circulava o Ceret, a integração com o bairro foi surpreendente.

O que antes era um Muro Branco com Arame Farpado passou a ser um gradil com plena visibilidade para o parque, toda aquela natureza que antes se escondia atrás do muro parece que se expandiu e o melhor, se integrou perfeitamente a região. Tudo ficou mais bonito, mais agradável e o movimento nas calçadas com as pessoas caminhando triplicou. Aquela Parte da Eleonora Cintra ganhou vida.

O Projeto foi uma parceria do Ceret, a Prefeitura de São Paulo com a Porte Engenharia e Urbanismo (empresa com sua sede no Tatuapé) que doou toda a extensão e instalação do Gradil, Ficou Maravilhoso! Outra vantagem do novo gradil, foi a ampliação do número de acessos ao parque.
 
Mas também de nada adiantaria poder enxergar o Parque e ter um parque mal cuidado, então foi posto em prática um plano de revitalização e urbanismo no Ceret. A Iluminação antiga foi trocada, postes mais baixos e em menor distância entre si foram instalados e assim foi possível também estender o horário de funcionamento. A Segurança foi reforçada com o aumento do efetivo e a instalação de sistema de monitoramento com câmeras trouxe mais tranquilidade e segurança para os frequentadores.

A Equipe de manutenção passou a ser interna e não terceirizada, os reparos e manutenção passaram a ser realizada diariamente, possibilitando a realização de vários projetos de paisagismo

Para quem gostava de levar os filhos para brincar tudo ficou bem melhor. O playground foi reformado e novos brinquedos foram acrescentados. Foi também criado um espaço com brinquedos especiais e próprios para crianças com deficiência com a colaboração do Fundação Sergio Contente.

A Criação de Espaços conforme a necessidade dos moradores foi um dos grandes acertos da Administração. Foram realizadas obras e mudanças baseadas nas necessidades dos moradores e frequentadores.

Um exemplo disso foi a criação do Espaço Pet, um espaço com toda estrutura para quem quer passear com seu cãozinho, aproveitando todo o clima do Ceret. O Resultado foi imediato e o local está sempre cheio.

São muitas as mudanças. A Parte esportiva também vem sendo recriada com qualidade, As quadras estão sendo reformadas, as quadras de tênis ganharam mais estrutura, foi criado um campo de Rugby para treinamento e disputa de campeonatos, quadra de bocha, espaço para Slackline entre outros e muitas novidades ainda estão para chegar (uma das mais esperadas é a Pista de Skate e Patins que vamos falar mais disso em breve).

Se deu resultado todo esse trabalho e esse esforço?

Bom, vamos aos números: O Movimento do Ceret aos sábados passou de 2mil para 15mil pessoas.

E Essa é a resposta de que quando se quer fazer algo melhor, se faz! É difícil mas possível, ainda mais quando o poder público e a iniciativa privada trabalham juntos para o melhor para todos.

E os moradores e frequentadores Agradecem!

Fonte: Portal Viva Tatuapé.

 

 
A França tem enfrentado problemas com os altos níveis de poluição atmosférica e já implementou o rodízio de veículos na capital Paris. Agora, o país aprovou uma lei que obrigada os prédios a terem telhados verdes ou placas solares. Dá para notar que as políticas sustentáveis estão ganhando espaço por lá.

A principal vantagem dos painéis solares é diminuir o uso de energia elétrica, pois utilizam a luz do sol para produzir energia para a população. Já os telhados verdes formam um isolamento de calor e ruído, reduzindo a necessidade de aparelhos de refrigeração durante o calor e aquecimento para o inverno. Além disso, bloqueiam as partículas de poeira, purificando o ar, e retêm água da chuva, reduzindo problemas de escoamento durante chuvas fortes.

Os ativistas ambientais franceses queriam que todos os prédios fossem obrigados a utilizar vegetação no telhados, inclusive os residenciais. Mas os parlamentares concluíram que a medida seria muito cara para o consumidor residencial e criaram a lei do uso de painéis solares ou telhados verdes apenas para empresas e zonas comerciais.

Veja abaixo algumas fotos desses telhados que, além de deixarem os lugares mais bonitos, são excelentes para aumentar as áreas verdes nas grandes metrópoles.

O Brasil poderia se inspirar nesta ideia, não?

 

Imagem via Wikimedia Commons

 


Imagem via Reforma Fácil



Imagem via Ekko ideias



Imagem via Ekko ideias



Imagem via Shutterstock

Fonte: Redação Hypeness

 

 

A prefeitura de Los Angeles, Califórnia (EUA), teve a ideia de cobrir seus principais reservatórios de água com milhões de bolas de plástico pretas, as chamadas "shade balls". A ação faz com que a água mantenha-se limpa, impede o crescimento de algas e diminui a velocidade de evaporação.

Na última segunda-feira, foram inseridas 20 mil bolas, somando-se as outras 95 milhões que já se encontravam nos reservatórios da cidade, finalizando a última etapa do projeto de proteção à qualidade da água, que contou com o investimento de 34,5 milhões de dólares.

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Imagem: abc7.com/

A última parcela foi liberada no reservatório de Sylmar, para ajudar a melhorar a qualidade da água e evitar a evaporação. A idéia foi concebida em 2007 em um esforço para impedir que o reservatório de ser contaminado com bromato, uma substância formada quando produtos químicos na água reagem com a luz solar. As bolas são uma solução de custo relativamente baixo além de prevenir a evaporação da água.


Assista o video: http://goo.gl/6iE1W4

Fontes: The Guardian e Hypeness.
 

 

“Quando cheguei aqui hoje, passou um filme na minha cabeça. Estive diversas vezes aqui com meu pai e sabia do sonho dele de um dia ver a Vera Cruz recuperada. Eu vinha aqui com ele e com o Abílio Pereira de Almeida, o cineasta que trouxe meu pai e o apresentou ao Franco Zampari, o dono da companhia.”

Assim André Luiz Mazzaropi, filho do lendário Amácio Mazzaropi, o eterno Jeca Tatu, comemorou o anúncio da revitalização da Vera Cruz, realizado na última semana, em São Bernardo do Campo, em um dos galpões-sede da companhia que entrou para a história como a primeira tentativa de realizar uma cinema em escala industrial no Brasil. 

Assista o video na TV Cartahttps://youtu.be/e53x2Ol9hUU

O evento contou com a presença de diversos nomes do cinema e de autoridades como o ministro da cultura Juca Ferreira, o diretor da Ancine Manoel Rangel, o secretário municipal de cultura, Nabil Bonduki, o diretor da SP Cine, Alfredo Manevy, o secretário de cultura de São Bernardo do Campo,  Osvaldo de Oliveira Neto, e o prefeito da cidade, Luiz Marinho, entre outros. A reestruturação do complexo será possível graças a um contrato firmado entre a Telem, empresa de infra-estrutura para o entretenimento, que venceu a licitação aberta para administrar por 30 anos a Vera Cruz, por meio de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico).

“As obras começam já nesse mês e serão investidos ao todo R$ 158 milhões. Vamos revitalizar os dois estúdios, que têm cada um 2,8 mil metros quadrados. Um se manterá no tamanho atual e o outro vai ser transformado em diversos estúdios menores. Além disso, hoje a parte externa do complexo tem diversas instalações que serão incorporadas e otimizadas. Haverá a reforma do teatro que já existe, construção de um cinema, uma incubadora de empresas, restaurante e do acervo Vera Cruz, sem contar que investiremos em equipamentos, formação de profissionais, entre outras atividades que ficarão a cargo da prefeitura da cidade. É uma parceria muito equilibrada”, explicou o diretor Comercial da TELEM, Fernando Fontes ao TelaTela.

Diante das novidades, André Mazzaropi, ressaltou a importância não só econômica mas também simbólica da Vera Cruz. O ator e produtor, que interpretou o filho do Jeca nos quatro últimos filmes do Jeca Tatu, contou ainda que seu pai fazia questão de sempre parar para visitar os estúdios, mesmo depois de fechados, no final dos anos 70. “Ele já estava doente e morava em São Paulo, para que a gente pudesse cuidar dele. Quando íamos viajar para a praia, na Praia Grande, ele sempre pedia para desviar um pouco e parar aqui. Os seguranças o conheciam, abriam os estúdios para ele. E ele chorava, pois sabia da importância da Vera Cruz para a história dele”, acrescentou André.

Foi na Vera Cruz que Mazzaropi rodou seu primeiro filme, Sai da Frente, em 1952. Em 1953, também pela companhia, realizou Candinho, de 1953, que lhe deu fama nacional. “Candinho é quando nasce o Jeca, ali nasce o grande personagem do cinema do Mazzaropi. Até hoje eu canto a música do filme nos shows que eu faço. E ao ver hoje a Vera Cruz renascer é uma grande emoção”, completou o ator e produtor.

 

Cena de 'Sai da Frente' - Arquivo: Cia. Cinematográfica Vera Cruz.

História 

Vale lembrar que o projeto da Vera Cruz, criado em 1949 por Zampari e por Ciccilo Matarazzo, que também criaram o lendário TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), sobreviveu bem até começar a enfrentar graves questões administrativas.

Antes de fechar suas portas em 1972, produziu diversos clássicos do cinema nacional, comoCaiçara, Cangaceiro, Tico-Tico no Fubá, Sinhá Moça, Nadando em Dinheiro, Uma Pulga na Balança. Além disso, revelou nomes como Anselmo Duarte, Eliana Lage, Tônia Carrero, Renato Consorte e o próprio Mazzaropi. Em seus estúdios, já mais recentemente, também foram rodados longas como Carandiru, Garotas do ABC e Sábado.

André Mazzaropi observou que a iniciativa transcende o cinema e aposta em novas mídias e na iniciativa privada para garantir seu sucesso. “É o poder do audiovisual, dos sistema digitais, que hoje imperam em todo o mundo. “E ver isso realizado em uma parceria com a iniciativa privada, que é o que meu pai fazia, botava o dinheiro dele, produzia cinema, trazia o resultado e dava continuidade. É isso que a Telem vai fazer. Isso é muito bom”, observou André.

A análise do produtor resume bem os objetivos da prefeitura de São Bernardo e da Telem. “Temos um tripé de ações, que passa por um curso de formação de mão de obra qualificada. Já estamos na terceira turma. Além disso, teremos uma incubadora de empresas, que dará o estímulo a quem sai da escola e também a quem está no mercado e pode encontrar profissionais”, explica o secretário de cultura Osvaldo de Oliveira Neto.

Segundo ele, a nova Vera Cruz é um projeto que desenvolve uma cadeia econômica sustentável na cidade. “Nós garantimos com o projeto, que é totalmente sem ônus à população, que também tem a Telem com sua expertise de mercado. A possibilidade deste embrião vingar e tomar conta da cidade é o nosso desejo”, completa o secretário.

Independência do poder público

Mais que polo de infraestrutura, um dos grandes desafios do projeto é tornar novamente a Vera Cruz um polo criativo nacional que caminhe sem depender apenas do poder e gestões públicas. “Precisamos de uma indústria audiovisual que tem um dinamismo que não pode ficar na burocracia que muitas vezes há no poder público. O desenho feito aqui para uma concessão pública era justamente que a prefeitura conseguisse a revitalização desse espaço sem os entraves burocráticos, mas garantisse à população sua formação, seu diálogo junto a uma incubadora de empresas”, esclareceu Osvaldo.

Manter e revitalizar o valor simbólico da Vera Cruz é outro desafio e será encarado tanto pela prefeitura quanto pela Telem. “Os estúdios têm uma história, importância simbólica. Pense que eles resistiram ao tempo. Este ponto tão central da cidade poderia ter se transformado em prédios, mas permaneceu. Pena que não se modernizou, por vários motivos. E hoje temos finalmente a oportunidade de modernizar a estrutura. Temos muita vontade de ver a Vera Cruz funcionando de uma nova forma. É muito bom trazê-la de volta para o mercado”, comenta Fernando. “Tudo isso, o cinema, o teatro, vão se tornar um complexo que vão trazer de volta a história da Vera Cruz, vão trazer vida. Em 2016, já teremos isso tudo funcionando, além de alguns estúdios pequenos”, adiantou Fernando. Vale lembrar que a Telem possui know how na gestão de complexos audiovisuais como os Estúdios Quanta, um dos principais centros nacionais de produção audiovisual, e dos Estúdios Paulínia.

TV a cabo e mercado aquecido

Para Fernando e Osvaldo, apostar no futuro do audiovisual é outro trunfo do projeto. “Vai ser uma estrutura muito interessante e diferente do que havia no passado. Até por conta das novas mídias. Antigamente era só cinema. Aqui não. Vai ter Televisão, internet, TV na internet, além de shows, eventos. Essa flexibilização que não havia é que vai trazer negócios para cá”, aposta o diretor da Telem.

Para Fernando, a Lei do Cabo, que prevê que 30% da programação veiculada pelas emissoras de TV por assinatura sejam de programação nacional, é um dos motivos pelos quais a demanda pelos estúdios e estruturas do novo polo em São Bernardo será grande. “Todas as leis que vêm para incentivar o mercado audiovisual são importantíssimas e ajudam a colocar o mercado como ele está hoje, muito aquecido. Hoje temos os cinco estúdios da Quanta na Vila Leopoldina com ocupação total até o fim do ano. É esta procura que nos faz acreditar e apostar na Vera Cruz”, completou o diretor comercial.

“Quando isso volta para a cidade, e as pessoas entendem que isso é importante, participam, vêm para o cinema, o teatro, trabalhar nos estúdios, isso muda muito. Traz a cultura para cá. Em pouco tempo, vamos ver uma diferença aqui na cidade. E que se expanda para o ABC todo”, finalizou Fernando.

Flavia Guerra no Tela Tela em Carta Capital.

Flavia é jornalista especializada em cinema, atuou por mais de 15 anos como repórter de O Estado de S. Paulo. É colunista do canal Arte 1. No cinema, foi assistente de direção do curta 'O Caminhão do Meu Pai' (pré-finalista do Oscar) e dirigiu o documentário 'Karl Max Way'.

 

Há um tempo atrás, Chris Bruntlett, designer e entusiasta da bicicleta como meio transporte, desenvolveu uma lista de 12 ideias fáceis de implementar que ajudariam a tornar as cidades, lugares mais amigáveis ​​para as crianças.

Entre essas idéias ele imaginou, por exemplo, que as crianças deveriam ter espaços mais seguros para andar de bicicleta e assim poderiam se relacionar com ela desde os primeiros anos de vida.

Levando em conta esta proposta como referência, pode-se dizer que o sistema que acaba de ser lançado em Paris avança com a ideia. Isso acontece porque o sistema de bicicletas públicas na cidade, o Velib, reconhecido como um dos melhores e o terceiro maior do mundo, acaba de lançar o P'tit Velib, um sistema de bicicletas públicas para as crianças considerado o primeiro de seu tipo.

Há sete anos, Paris lançou o Velib, o seu primeiro sistema de bicicletas públicas. Desde então, ele tem sido muito bem avaliado. A cidade tem uma bicicleta para cada 97 habitantes e são feitas 38,4 viagens diárias de bicicleta por 1.000 habitantes, o que fez com que o sistema fosse escolhido um dos sete melhores do mundo do gênero.

Em função disso, as autoridades francesas passaram a incentivar ainda mais o uso de bicicletas como meio de transporte. Tanto que, no início deste ano, a Prefeitura anunciou, um plano voltado para os adultos, que vai passar a pagar aos cidadãos que usam a bicicleta para ir trabalhar.

E por isso, a fim de incluir as crianças, foi lançado o sistema P'tit Velib na tentativa de fazer com que elas adotem a bicicleta desde os primeiros anos de vida e, assim, passem a incluí-la na sua rotina como um hábito que as motiva a "ser verde" de várias maneiras. Esta iniciativa é a primeira de seu tipo no mundo segundo a Prefeitura de Paris.

 

Estações do P’tit Velib. Fonte: P’tit Velib.

 

As 300 bicicletas para crianças estão disponíveis nos postos que eram anteriormente apenas Velib. Estão a disposição perto dos Bosques de Bolonha e Vincennes, que tem florestas e trilhas e, nas 'zonas 30' com este limite de velocidade - lugares mais calmos para que elas possam começar a se familiarizar com o meio. Atualmente, já existem cinco lugares na cidade, mas serão incluídos mais pontos e bicicletas durante este verão, depois da avaliação dos primeiros meses de operação.

Os modelos das bicicletas são para crianças entre 2 e 8 anos e, no momento da locação, elas são entregues, obrigatoriamente, com um capacete, o que não acontece com os adultos. Outra diferença é que as bicicletas devem ser solicitadas e devolvidas na mesma estação.

Modelos de bicicletas do P’tit Velib. Fonte: P’tit Velib.

 

O custo para alugar uma bicicleta para crianças é de US$ 20 por dia e para adultos, custa 39 dólares por ano. No entanto, existem opções mais baratas para o uso por um dia ou por meio dia. Apesar do aluguel para as crianças ser bem maior do que para os adultos, o exemplo que Paris está dando é bastante inspirador para aquelas cidades que já têm seus próprios sistemas de bicicletas em desenvolvimento.

Constanza Martínez Gaete no Plataforma Urbana.

 


Residências com até 40 m² proporcionam estilo de vida mais ecológico e menos consumista, dizem adeptos; movimento enfrenta barreiras legais.

Quem caminha pela rua Hamlin, no nordeste de Washington, pode confundir a construção de madeira nos fundos de uma espaçosa residência com uma casa de bonecas. Mas há poucos meses o caixote se tornou o lar da geógrafa Lee Pera, de 37 anos. Assista ao vídeo.

Pera levou três anos para construir a casa, erguida sobre rodas e que soma 13 metros quadrados, área equivalente à de uma caminhonete de cabine dupla.

Ela diz que, em vez de aprisioná-la, morar naquele espaço lhe proporcionou mais tempo livre e uma vida social mais intensa. Antes, Pera morava num apartamento e não tinha acesso a áreas externas.

"Adoro chegar em casa à tarde e sentar na varanda, e também adoro ter um armário menor. É muito bom não ter que pensar em tantas opções", ela afirma à BBC Brasil.

Rodeada por árvores e estacionada no quintal da casa de amigos, a residência de Pera é composta por varanda, sala, cozinha, banheiro e um "loft" com cama de casal. A geógrafa pertence a um grupo crescente de americanos que, embora escolarizados e com boas perspectivas profissionais, têm optado por viver em casas minúsculas sobre rodas.

Muitos querem evitar passar décadas em trabalhos indesejados em troca de salários que permitam saldar os empréstimos da casa própria. Outros buscam um estilo de vida mais simples e ecológico, livre do consumismo que marca a vida nos subúrbios americanos. Outros ainda, como o casal Guillaume Dutilh e Jenna Spesard, querem poder viajar sem sair de casa.

Acompanhados por sua cadela Salies, eles já percorreram 31 mil quilômetros (dez vezes o trajeto de Porto Alegre a Manaus) desde que começaram a viajar pela América do Norte, há quase um ano.

O trio, que mantém o blog "Tiny House, Giant Journey" (casa minúscula, jornada gigante), está agora no Alasca. Em comum, quase todos construíram suas casas - ou ao menos parte delas - com as próprias mãos, orientados por livros, blogs e fóruns na internet.

O movimento das casas minúsculas ("tiny houses") foi retratado no documentário "Tiny", exibido no Netflix, e no reality show "Tiny House Nation", veiculado na TV americana.

O movimento considera minúsculas casas com até 400 pés quadrados (37 metros quadrados). Não há dados sobre quantos americanos moram nessas residências.

 

Ambiente interno de uma das casas minúsculas de Washington; crise de 2008 impulsionou essa alternativa de moradia.
Foto: Tiny Revolution.

Fetiche e confusão

Autor de um dos mais populares blogs sobre microcasas (tinyrevolution.com), Andrew Odom diz que hoje há um "fetiche e muita confusão" em torno do tema nos Estados Unidos.

Segundo ele, muitos dos que têm se mudado para casas minúsculas buscam soluções rápidas para problemas pontuais, como dívidas, e ignoram a essência do movimento, que "tem a ver com uma transição espiritual, mental e física".

"A menos que a pessoa dê os passos internos necessários para separar desejo e necessidade e se libertar de uma sociedade materialista, a mudança não será bem sucedida", afirma à BBC Brasil.

Pessoas de vários lugares - inclusive muitos americanos pobres - vivem em espaços apertados há milênios, mas Odom diz que muitos no país só passaram a considerar a opção a partir da crise econômica de 2008.

A crise começou com o colapso do setor imobiliário americano. Famílias endividadas contraíam empréstimos para investir em casas na esperança de ganhar com a constante valorização dos imóveis. Quando a bolha estourou, os preços despencaram, bancos quebraram e muitos perderam os bens.

Para Odom, o episódio mostrou que a estabilidade financeira dos Estados Unidos é incompatível com o sistema imobiliário atual, em que famílias contraem pesadas dívidas para ter onde morar.

Ele diz que, mais baratas, as microcasas poderiam solucionar parte do problema - a dele custou US$ 12 mil (R$ 41 mil), ou 3,6% do preço de uma casa americana média. A partir de US$ 10 mil é possível encomendar uma casa minúscula pronta pela internet.

Ainda assim, muitas prefeituras não permitem que pessoas morem integralmente nessas unidades.

Para Carey Carscallen, diretor da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade Andrews, em Michigan, outra barreira à disseminação do movimento é o número de residentes que uma microcasa comporta. Para ele, ela pode abrigar um morador ou, no máximo, dois. A partir daí, a convivência ficaria muito difícil.

Carscallen orientou seus alunos num projeto em que tiveram de construir duas casas minúsculas. Durante o experimento, ele diz ter sido procurado por muitas pessoas que pediam ideias para erguer suas próprias unidades.

Para o professor, microcasas são ideais para jovens profissionais "que acabaram de sair da faculdade e ainda não acumularam muita coisa".

 

Evitar dívidas 'eternas' do financiamento habitacionale busca por estilo de vida mais simples. Foto: Tiny Revolution.

 

Frustração e desistência

Nem todos conseguem migrar para espaços tão pequenos. Em julho, o site Business Insider citou três casos de pessoas que desistiram de viver em microcasas.

Um casal sucumbiu aos frequentes vazamentos e crescentes custos de manutenção; um morador não conseguiu autorização da prefeitura para viver no local; e um casal se sentiu muito isolado na área em que pôde se instalar.

Andrew Odom concorda que casas minúsculas não são para todos. Hoje ele divide a residência de 23 metros quadrados com a mulher e a filha de três anos, mas reconhece que um dia terá de se mudar para um lugar maior.

O que não significa que morará numa casa típica de subúrbio. Para ele, uma residência com dois quartos e 70 metros quadrados - ainda bem pequena para padrões locais - deverá ser suficiente.

"Vamos avaliar quais são nossas necessidades e nos ajustar".

Fonte: BBC Brasil.