Exemplos - São Paulo São

São Paulo São Exemplos


Uma ex-fábrica de semicondutores da Sony Corporation no Japão foi ​transformada na  maior fazenda ​'indoor' do mundo. Shige Shimamura​, ​​fisiologista de plantas ​e CEO da Mirai Co., parceria da GE Japão, ​realizou seu sonho de água, espaço e energia ​para produzir um sistema ​eficiente de cultivo interior​,​ uma realidade.

Apesar de ter ​começado ​a produção há ​apenas ​um ano, a fazenda já ​produz 10.000 ​pés de alface por dia. Está localizada na província de Miyagi no leste do Japão, área duramente atingida pelo terremoto ​e ​pelo tsunami em 2011.

Em ​seus ​25.000 pés quadrados, quase metade do tamanho de um campo de futebol, a fazenda ​tem 17.500 luzes LED, distribuídos por 18 ​áreas de ​cultivo​,​15 prateleiras elevad​as ​que ​são a chave para o sucesso da iniciativa.

Os LEDs foram desenvolvidos para o projeto pela GE e emitem luz em comprimentos de onda ideais para o crescimento das plantas, ​permitindo​ que​ Shimamura control​e o​s​ ciclos ​da ​noite e dia e​ possa acelerar​ a produção da verdura​.

Ao controlar a temperatura, umidade e irrigação, a fazenda cortou o uso da água para apenas um por cento do necessário utilizado em agricultura convencional ao ar livre. 

"O que precisamos não é apenas a criação de mais dias e noites. Queremos alcançar a melhor combinação de fotossíntese durante o dia e de respiração durante a noite através do controle da iluminação e do meio ambiente", diz Shimamura. 

Os sistemas fazem com que o alface produzido cresça rico em nutrientes e duas vezes e meia mais rápido do que numa fazenda ao ar livre. 

A produção desperdiçada é reduzida em cerca de 50 por cento caindo para apenas 10 por cento da colheita. Isto significa um aumento de 100 vezes na produtividade dos pés por metro quadrado. Os LEDs também duram mais do que as luzes fluorescentes e consomem 40 por cento menos energia.

Sobre a parceria bem sucedida, Shimamura acrescenta: "Eu sabia como cultivar bons legumes biologicamente e queria integrar com o conhecimento de que tem tecnologia para fazer as coisas acontecerem." 

A equipe da GE do Japão foi convencida de que fazendas interiores como esta da província de Miyagi, poderiam ser a chave para resolver o problema de escassez de alimentos do mundo. 

Os parceiros do projeto estão já trabalham na implantação de fazendas interiores semelhantes em Hong Kong e no extremo oriente da Rússia.

Assista o video: https://goo.gl/BTNZ50

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Beverley Mitchell para o Inhabitat.

 

Um novo modal de transporte urbano de massa sobre trilhos, de média capacidade, desenvolvido com tecnologia nacional por uma empresa brasileira, está em implantação no município gaúcho de Canoas, de 350 mil habitantes. O pacote tecnológico do aeromóvel, fabricado pela indústria gaúcha Coester, de características revolucionárias quanto ao custo e à facilidade de inserção nas cidades, foi contratado e a prefeitura fez o primeiro pagamento, de 1,5 milhão de reais, para a parte inicial dos projetos executivos.

As primeiras obras incluem a construção das estações e da via elevada e o remanejamento das redes de eletricidade, telefonia e TV a cabo no trajeto da ferrovia. A etapa seguinte será o desenvolvimento dos veículos e dos sistemas de controle. “Seremos a primeira cidade do Brasil a usar o aeromóvel como transporte de massa”, anuncia o prefeito Jairo Jorge. “É uma solução à altura das exigências de mobilidade e ambientalmente adequada aos novos tempos, com motor elétrico de alta eficiência.”

Três linhas abrangerão os bairros Guajuvira e Mathias Velho, onde mora 70% da população de baixa renda da cidade. A capacidade de transporte diário de 120 mil passageiros, 288 por vagão, iguala-se àquela do sistema de ônibus. Esses funcionarão como alimentadores do modal. A conclusão do projeto, orçado em 800 milhões de reais, está prevista para 2018.

O aeromóvel está longe de ser um salto no escuro. Criado pelo empresário Oskar Coester nos anos 1960, tem uma linha em operação em Porto Alegre desde 1983, outra em Jacarta, na Indonésia, iniciada em 1989, e um ramal de transporte de passageiros do Aeroporto Internacional de Porto Alegre para a rede de transporte coletivo da cidade, instalado em 2013, com 1,5 milhão de passageiros transportados.

O consumo de energia medido em watts-hora por passageiro-quilômetro é metade daquele do VLT, um terço do metrô e um quarto do ônibus. O segredo é a leveza dos trens, possibilitada pela remoção dos motores dos vagões e sua instalação nas estações. O baixo peso permite definir traçados de alta sinuosidade, com curvas em ângulo reto. A pressão necessária para movimentar os vagões com propulsão a ar é surpreendentemente baixa, de 0,07 atmosfera, menos da metade da pressão arterial, de 0,16. O “vento” gerado pelos motores instalados nas estações incide sobre grandes placas na parte inferior dos carros. A pequena pressão aplicada sobre áreas extensas provoca a impulsão. “As composições funcionam como barcos a vela invertidos”, compara o empresário Marcus Coester, diretor da empresa fabricante dos trens. A leveza facilita a tração, flexibiliza o traçado e possibilitará a construção de 14,7 quilômetros, com 22 estações, sem nenhuma desapropriação, feito inédito.

O município assumiu o projeto, mas não pretende se assenhorear dele. “A ideia é contratar um operador por meio de Parceria Público-Privada, com qualidade e baixo custo”, diz o secretário da Fazenda, Marcos Bosio. “Não temos como subsidiar e o aeromóvel terá de cobrir 100% dos custos.”

Um dos instrumentos de custeio será a mudança do plano diretor, com o aumento da área construída condicionado à compra de índice construtivo do município, nas faixas de 500 metros de largura ao longo da ferrovia. A alteração pretende represar a previsível especulação imobiliária e reduzir o risco de expulsão da população de baixa renda a partir da valorização do entorno da nova ferrovia. “Quem pretende fazer um empreendimento imobiliário de até 8 mil metros quadrados em um terreno de 10 mil não pagará nada. Para construir 35 mil, comprará do município o índice construtivo necessário para obter os 27 mil da diferença”, explica Bosio. O dinheiro arrecadado irá para um fundo de mobilidade.

O primeiro efeito do anúncio do projeto foi a decisão do Grupo Multiplan de instalar em Canoas o seu 19º shopping, próximo ao futuro trajeto dos trilhos. A prefeitura negocia com a empresa a execução de várias obras públicas.

Convidado pelo governo dos Estados Unidos para visitar grandes empresas de transportes do país no começo do ano passado, Bosio foi alertado sobre o risco de desenvolver projetos na área, um indicador da preocupação da concorrência internacional com o projeto. Em setembro, o secretário foi ao Japão a convite da Sociedade de Engenharia Mecânica e de duas universidades interessadas no modal e conversou com possíveis fornecedores de sistemas e de componentes, que disputarão com empresas brasileiras.

O aeromóvel é o projeto de maior visibilidade da administração municipal, mas não o único a inovar. Outra iniciativa é a reformulação do sistema de saúde, com a integração e a racionalização da rede. A partir do monitoramento do afluxo a três hospitais e 50 postos do SUS, regula-se o deslocamento de pacientes entre as unidades para evitar superlotações. No pronto-socorro, um painel permite aos acompanhantes saber a etapa de atendimento dos pacientes a cada momento. Aqueles contam com uma sala especial de descanso e o apoio de uma assistente social. 

As possibilidades de visita aos internados foram ampliadas. A taxa de infecção hospitalar caiu de 3,14 ocorrências por pacientes-dia vezes mil, em 2012, para 1,06 neste ano, em consequência do “investimento na capacitação da equipe, melhora dos protocolos de segurança do paciente e assistenciais”, explica o secretário de Saúde, Marcelo Bosio. Com as mudanças na área da saúde, a satisfação dos usuários atingiu 79% entre janeiro e maio, segundo uma pesquisa encomendada pela prefeitura.

A atenção às minorias levou à criação da Rede de Proteção da Comunidade LGBT. “Pensamos em um mecanismo para dar atendimento legal e médico às vítimas de agressões. Vivemos um momento de ódio e retrocesso e os ataques homofóbicos não são violência comum, há crueldade”, afirma Fábulo Rosa, chefe da unidade coordenadora da Diversidade. A ideia é definir políticas públicas específicas para esse público.

Uma ampla consulta possibilitou a criação do ambiente institucional e político favorável à construção, em área da prefeitura, de um presídio estadual diferente, com estrutura para ensino e trabalho. “Os munícipes perceberam que não pretendíamos fazer aqui outro Presídio Central de Porto Alegre, o pior do Brasil”, explica Marcos Bosio.

A estratégia da administração é radicalizar a democracia com base na consulta permanente à população e abertura de informações. O portal da transparência, com 150 mil acessos mensais, apresenta todas as receitas e despesas, contratos, salários dos servidores e diárias de viagens. As informações, atualizadas a cada dois dias, são as mesmas utilizadas pela prefeitura. “O cidadão pode acompanhar a execução das metas e os gastos. É uma proposta de controle direto pelo cidadão, não está restrita às entidades”, explica a controladora-geral Tatiana Antunes Carpter.

O sistema administrativo da prefeitura reúne 13 ferramentas entre orçamento participativo, fóruns virtuais, congressos, conselhos, plenárias, audiências públicas e consultas nas ruas, e abrange indivíduos, entidades sociais e empresas. O público é convocado a opinar e decidir sobre desenvolvimento econômico, saúde, educação, meio ambiente, direitos das minorias e segurança, entre outros assuntos. A participação soma 168 mil indivíduos, nas contas da prefeitura. “Precisamos levar cada vez mais o cidadão para o centro dos governos e dar-lhe poder de decisão sobre os investimentos, as políticas públicas e o projeto estratégico da cidade, do estado e da nação”, diz o prefeito. 

Carlos Drummond, de Canoas para Carta Capital.












 

 

 

 


Em New York, chegam os carrinhos de comida para os vendedores ambulantes, movidos à energia solar. Eles fazem parte de um programa piloto concebido para reduzir as emissões de gases poluentes e dos riscos para a saúde.

O objetivo é fornecer uma alternativa para a preparação da comida e sua comercialização, baseada na energia limpa. Assim, a Big Apple (carinhoso apelido para a cidade de New York) promete ser o melhor lugar do mundo para se comer comida de rua, de nova geração e amiga do meio ambiente. 

Os carrinhos de comida são muito convenientes para as empresas do setor de alimentos, porque permitem o fácil acesso de produtos aos clientes. Porém, os carrinhos podem constituir um risco para a saúde e a segurança pública, por funcionarem, geralmente, com botijões de gás propano. 

Em uma cidade como Nova Iorque, encontra-se pelas ruas, pelo menos, 8.000 carrinhos de comida, e os efeitos negativos sobre o ambiente, dessas cozinhas sobre rodas, pode aumentar o impacto negativo sobre o meio ambiente da cidade, dos moradores e dos turistas. Sem contar que os “automóveis”, também são fontes de emissões de gases de efeito estufa e de poluição do ar.

Pelo menos, 500 novos carrinhos destes deverão chegar a New York até o meio do ano, para um período experimental graças a uma parceria entre a cidade e a MOVE Systems, criadora do MRV 100 cart.

O carrinho possui painéis fotovoltaicos, baterias recarregáveis, um gerador híbrido e uma cozinha móvel projetada para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 60%, e em 95% as de óxidos de nitrogênio, um conhecido poluente da atmosfera, emitido pela combustão.

O projeto-piloto fornecerá gratuitamente 500 MRV 100 carts para os vendedores ambulantes de comida. O custo de um carrinho MRV 100 está entre 15.000 e 25.000 dólares. A ação é considerada um investimento importante para uma cidade mais verde e mais limpa, desta vez valorizando a tão amada comida de rua.

Simone Bastos para Professor Resíduo.

 


Com uma dieta vegetariana, cerca de 90% do que a família come vem do próprio quintal, que funciona como uma espécie de fazenda urbana.

Atualmente, com o consumismo exagerado e a produção desenfreada de alimentos cheios de agrotóxicos e outros itens nocivos à saúde, muitas pessoas tem investido nos alimentos orgânicos.

Esse é o caso de uma família norte-americana que produz mais de 3 toneladas de alimentos orgânicos no próprio quintal, em uma região urbana. A ideia começou em meados de 1980, quando os Dervaes se propuseram a fazer uma revolução sustentável e decidiram iniciar o projeto de uma fazenda urbana.

Morando em uma casa com estilo rústico, localizada a 15 minutos do centro de Los Angeles, na cidade de Pasadena, eles investiram no sistema e ganharam uma agricultura autossuficiente, com uma horta orgânica espalhada nos mais de 1.300 m².

A família mantém uma dieta vegetariana e 90% de tudo o que comem vêm de seu próprio quintal. Além do plantio, o local também conta com um espaço para a criação de galinhas e cabras, de onde eles tiram ovos e leite, e um apiário, usado para a produção de mel.

Apesar de seguirem a metodologia Homestead Urban, onde tudo é orgânico e o excedente é comercializado para a comunidade local, a família não tem um objetivo comercial com a iniciativa e afirma que é apenas uma forma de evitar o desperdício e proporcionar alimentos de qualidade a outras pessoas.

Para incentivar outras pessoas a replicarem em suas casas o projeto, eles têm compartilhado as experiências e oferecido apoio. Além disso, os detalhes do funcionamento da fazenda estão presentes no site da Homestead Urban.

Projeto vai além dos alimentos

Além da segurança alimentar, os Dervaes tomaram outras medidas para garantir que o desperdício seja evitado e os recursos melhor aproveitados. Dessa forma, investem na potencialização da casa com energias alternativas e no uso do biodiesel para abastecer o carro.

Para os próximos anos, a ideia é considerar ainda mais o uso de fontes renováveis para o consumo diário.

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Redação Pensamento Verde.

Famílias ou grupos de amigos levam seu assado para locais públicos em busca de confraternização e espaço.

A brisa persistente e as nuvens espessas que preenchiam o céu de Porto Alegre naquele domingo não dissuadiram Valdecir Monteiro, 53 anos, de armar uma churrasqueira em frente ao prédio onde mora, no Centro. Protegendo-se sob a marquise, espetou com cuidado salsichão, costela e frango, acomodou a carne sobre a brasa, recostou-se na cadeira de praia e observou os sobrinhos correrem atrás de uma pelota surrada enquanto o almoço não ficava pronto.

– Esta é a primeira vez que faço churrasco de improviso na rua. A ideia era fazer na praça, mas achei melhor ficar por perto de casa pra escapar da chuva – diz Monteiro.

Curiosa com a movimentação – e com a fumaça –, Ana Maria de Brito, que mora nas redondezas, foi ver o que acontecia. Ficou para o almoço, com o filho pequeno:

– É bacana esse tipo de confraternização. Hoje, muita gente não tem espaço em casa, ou sequer conhece os vizinhos. E um almoço na rua possibilita esse contato.

No vídeo, saiba como funciona o Piquete da Goetchê: http://goo.gl/RtQSZn


Movimento jovem e democrático


O churrasquinho de Valdecir acena para um movimento que tem ganhado vida na Capital. Diante de residências, sob marquises, na beira do Guaíba, em canteiros, parques ou praças, muita gente tem armado suas assadeiras portáteis e reunido parentes e amigos para preparar, a céu aberto, churrasco. Em obras, o corredor de ônibus da Protásio Alves, por exemplo, vem servindo de cenário para animados encontros. O canteiro da Avenida Goethe, na Capital, serve de galpão para um grupo que se reúne há cinco anos para assar carne e confraternizar.  

O encolhimento dos apartamentos é apenas a camada mais superficial desta tendência, analisa o professor do curso de Ciências Sociais da PUCRS Adão Clóvis Martins dos Santos. Há um movimento, quase instintivo, de resgate de valores como convivência entre as pessoas e com a própria cidade:

– É a volta da população às ruas, antagônica a uma cultura que se formou de se trancar em casa por medo da violência.

Esse movimento, ilustrado por eventos como Serenata Iluminada e Comida de Rua, que ocorrem em parques da Capital, aflorou nos últimos quatro anos em razão da efervescente troca de ideias em redes sociais e de uma certa saturação pela falta de opções de lazer e cultura aos jovens – que geralmente são os protagonistas das churrascadas a céu aberto. Os protestos de junho de 2013 também contribuíram para devolver a sensação de pertencimento à cidade à população, observa Adão.

– Todos são movimentos democráticos: quem está nas redondezas é bem-vindo – sublinha.

Sem impedimento legal

Conforme a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) de Porto Alegre, não há legislação que proíba churrascos nas calçadas e nos parques, desde que não obstruam a circulação de pedestres. E, como as churrascadas são esporádicas, a fiscalização costuma ser tolerante.

O supervisor de Parques, Praças e Jardins da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), Léo Antônio Bulling, recomenda que os assados ocupem churrasqueiras públicas em parques como Knijnik e Harmonia ou nos bairros Lami e Ipanema. Essas estruturas estão afastadas de locais de maior circulação de pedestres ou canteiros que requeiram cuidados.

– A cidade tem locais adequados para o churrasco na rua. Quando é na calçada ou no canteiro, há risco de danificar gramado ou gerar detritos em uma área preservada – diz Bulling.

Não há reclamações em quantidade relevante na secretaria, diz o supervisor, ao avaliar que, em geral, quem faz churrasco a céu aberto costuma demonstrar respeito pela cidade. Não significa que inexistam descontentes.

Thereza de Freitas, 52 anos, mora no terceiro andar de um prédio no bairro Menino Deus, a poucos metros de um bar onde diariamente, às 17h30min, um grupo de amigos se reúne para fazer seu assado. Já se acostumou com a fumaça – sabe que, quando começa a novela das seis, é hora de fechar as janelas –, mas se incomoda com o barulho:

– Com o churrasco, vem a cerveja, as pessoas se animam e, lá pelas tantas, estão berrando.

Bons modos: Como se portar em um churrasco na rua

- Leve sacos de lixo para descartar latinhas, ossos e resto de carvão, por exemplo.
- Não submeta os vizinhos a sua música. Se tiver de ligar o som, que seja baixo.
- Se assar em parque ou praça, certifique-se de que não será perto de uma área de preservação, que possa ser prejudicada pela poluição.
- Se for armar a churrasqueira em frente ao seu prédio, converse antes com o síndico.
- Evite ruas com ampla circulação de pessoas, e escolha horários de pouco movimento.
- Ocupe apenas parte da calçada. Não obstrua o tráfego.

Erik Farina no Zero Hora. Colaboração de Jaqueline Sordi.

 

No início do mês de junho, o Milc publicou um post sobre a responsabilidade das escolas na educação alimentar das crianças e conversamos muito sobre a lancheira da filha de Bela Gil. E desde então chega para nós experiências bem sucedidas de pessoas que resolveram transformar em ganha pão a promoção da saúde via boa alimentação também no ambiente escolar, juntando a necessidade de sobreviver e o desejo de fazer diferença no mundo. A partir desta semana, vamos contar a história de mães (e pais!) que, movidos pela insatisfação com a alimentação consumida pelas crianças na escola, tiram o seu sustento de pequenos (ou médios, tomara que grandes, um dia!) negócios voltados a celebrar a boa alimentação e a saúde desde a infância.

 

Lara Folster, idealizadora da Lanche&CoLara Folster, idealizadora da Lanche&Co                                                                      Lara Folster, idealizadora da Lanche&Co.

Para começar, vamos conhecer Lara Folster: uma micro-empresária que faz mais do que fornecer lanches para cantinas de escolas particulares, ela transformou a cantina num espaço de aprendizado. Além disso é embaixadora em São Paulo do projeto Food Revolution, de Jamie Oliver, e por isso também trabalha voluntariamente numa escola pública: o contrato com as escolas privadas viabiliza o trabalho na escola pública. Isso não é encantador?

Vejamos o que Lara nos diz: “A Lanche&Co é uma iniciativa que tem como meta levar comida de verdade para dentro de escolas particulares de São Paulo. E como embaixadora em SP do projeto Food Revolution, do Jamie Oliver, faço um trabalho voluntário em escolas públicas e outras instituições, contando com financiamento da própria Lanche&Co”. 

A cantinha virou centro de educação alimentar 

A escola é um espaço de educação por si só. As crianças aprendem muitas coisas sobre muitas disciplinas todos os dias, mas nada fazemos mais do que comer. Por isso, Lara acha que a educação alimentar deve estar dentro da matriz curricular, com a mesma importância das aulas de português. Nos alimentamos pelo menos três vezes ao dia (ou quatro, seis), mas o tempo ocupado com a educação alimentar na escola está muito aquém ao que dedicamos à matemática, por exemplo. Afinal somos o que comemos!

É uma mudança de paradigma: precisamos deixar de ver o espaço da cantina escolar como o lugar onde vende comida ruim “porque as crianças gostam” e transformá-lo em um centro de educação alimentar. Se ensinamos que devemos ter uma vida saudável (está na cartilha!), como podemos achar natural que nas prateleiras das cantinas escolares estejam inundadas de produtos de calorias vazias? Refrigerantes, por exemplo: como ainda se comercializa refrigerante em escolas?

 

A Chef Selma, na aula de pães caseiros para os paisA Chef Selma, na aula de pães caseiros para os pais

                                                                                              A Chef Selma, na aula de pães caseiros para os pais.

 

Dificuldades

Lara conta que no início enfrentaram inúmeras resistências: a mudança proposta gerou muitos conflitos, normalmente porque era muito difícil para os pais perceberem que erraram (e erram!) na alimentação do filho por falta de informação suficiente e adequada.

A equipe precisa estar sempre preparada como explicar novamente por que levar a alimentação saudável para dentro da escola: explicar a porque a comida tem que ser feita na hora, porque os os sucos são da fruta, enfim, porque colocar na escola diariamente a comida de verdade!

Algumas famílias têm dificuldade, mesmo em casa, de saber que escolha fazer. A indústria é tão profissional no quesito "como ganhar mais consumidores" que um simples pão caseiro feito na hora com manteiga fica sem graça: “é claro, no começo a criança/adolescente reclama) perto de salgadinhos vazios/cheios de sal/conservantes/aromatizantes/corantes/açúcar coloridos do super herói e da princesa que eles vêem na TV todo dia!” diz Lara.

Mas a equipe tem muitos argumentos:

- está tudo estampado e escrito no rótulo, basta querer ver: parar com adultos e crianças para entender cada item da lista de ingredientes de um produto ultraprocessado pode ser revelador;

- ao lado da comida de verdade tem uma legião de soldados do bem para nos dar aquela força: já existe muita informação boa circulando;

- estão se multiplicando as iniciativas com propósitos de melhorar a alimentação das crianças: Lara e sua equipe usa como inspiração e argumento as marmitas de Bela Gil, as receitinhas do blog As Delicias do Dudu, as Dias com Mafalda e os lanches do Jamie. Estes e outros tem muito a ensinar dentro e fora das escolas;

- a parceria com a família dos alunos: cada criança tem o potencial de promover importantes mudanças na alimentação dos adultos da família e eles ganham o poder da mudança e este é um fator muito importante para essa nova cantina saudável.

Lara nos conta que por mais descrentes que alguns pais tenham ficaram um pouco com a proposta de mudança para a alimentação saudável dentro da escola: “no fim, depois de muito empenho, inúmeras conversas, exemplificações e uma bela equipe de cozinheiras, a comida saudável venceu!”

A primeira escola

Para que qualquer iniciativa feita dentro dos muros da escola ser bem sucedida é necessário que existam pessoas no seu corpo diretivo que abracem a causa da alimentação, para que sejam capazes de sustentar a decisão de mudar diante das resistências dos “clientes”, para que não tenham medo e para que possam ir caminhando no processo de mudança. A escola onde a iniciativa funciona fica na zona norte de SP, o Colégio Wellington, que foi destemida em assumir a proposta a nossa empresa integralmente, mesmo com a resistência de alguns pais.

Além de cantina apenas com produtos naturais, existem os cardápios mensais. No intervalo das aulas, o aluno se serve de comida de verdade, cheia de nutrientes, não precisando comprar lanches todos os dias. A empresa bolou um “combo” contendo frutas que os faz consumi-las todos os dias, já que dificilmente compraria.

No que Lara se inspira

“O ato de se alimentar é político,ecológico. Acreditamos que por meio da alimentação podemos mudar o mundo, criando seres capazes de opinar com mais segurança e verdade, por exemplo. Com nossos parceiros, clientes, equipe e claro, nossos alunos, fazemos a diferença!” ela diz.

Com o sucesso diário da desta experiência, temos certeza que é o ambiente escolar é o lugar perfeito para iniciar esta mudança no padrão alimentar e de saúde da população: uma criança atendida numa escola responsável tem reflexos em todos os familiares, com resultados maravilhosos.

Texto especial para o Milc editado por Mariana Sá a partir de conversa com Lara Folster* 

(*) Lara estudou cozinha natural na Natural Gourmet Institute em NY, mas aprendeu a cozinhar mesmo, em casa, com a avó, a mãe e hoje com seu marido, chef de cozinha. Tornou-se embaixadora do Food Revolution em São Paulo em 2012, um ano após fundar a Lanche&Co, empresa especializada (mesmo!) em fornecer comida de verdade para escolas. A empresa surgiu de uma necessidade pessoal: seu filho mais velho levava lanchinho natural, suco integral sem açúcar e uma fruta pra escola, enquanto a amiguinha do lado tinha refrigerante de cola 600 ml e salgadinho vermelho brilhante picante. Revolução e lei já!

Mariana Sá é mãe de dois, publicitária e mestre em políticas públicas. É cofundadora do Milc e membro da Rebrinc.