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São Paulo São Exemplos

Em 2016, Barcelona lançou uma estratégia inovadora para combater a poluição causada pelo tráfego de veículos na cidade: os superquarteirões. A tática sustentável foi detalhada no plano de mobilidade e prevê que 60% do espaço das ruas em que hoje circulam carros seja devolvido aos cidadãos. Por lógica, a priorização de ambientes para pedestres leva à redução do tráfego de carros.

 

Em Copenhage, as pessoas que optaram por um meio de transporte alternativo (265.700 pessoas) superaram as que circulavam de carro (252.600 pessoas). Foto: Getty / iStockphoto

Em Copenhagen, o trânsito é outro. Na capital dinamarquesa circulam mais bicicletas do que carros, tanto que, numa iniciativa pioneira, a cidade vai instalar painéis eletrónicos para controlar o congestionamento das ciclovias.

Para facilitar a vida de quem, todos os dias, pedala na cidade, os sinais – que vão custar à cidade mais de 500 mil euros – pretendem informar sobre todo o tipo de trabalhos na via, eventos relacionados com esta modalidade, distâncias, filas e o nível de trânsito. Quando as ciclovias estiverem congestionadas, tal como nas estradas, os sinais sugerem rotas alternativas.

Serão instalados inicialmente cinco painéis informativos em pontos estratégicos da cidade, especialmente os locais críticos dos cerca de 390 km de ciclovia da capital. As placas que serão instaladas vão permitir que os ciclistas que, diariamente, invadem a cidade escolham “as ciclovias com menos congestionamento”, adiantou Morten Kabell, responsável pelo departamento ambiental e de tecnologia da cidade.

“Há uma necessidade de melhorar as acessibilidades para o número crescente de ciclistas que agora começam, em alguns pontos, a lutar por um lugar na ciclovia”, afirmou Kabell à Danmarks Radio.

A capital da Dinamarca bateu, pela primeira vez, o recorde de usuários de bicicletas em novembro do ano passado, isto quer dizer que as pessoas que optaram por um meio de transporte alternativo (265.700 pessoas) superaram as que circulavam de carro (252.600 pessoas). De casa para o trabalho, da escola para o parque, os habitantes da cidade circularam mais de 1,4 milhões de km em duas rodas no ano de 2016.

Nos últimos 20 anos, o tráfego de bicicletas aumentou 68% e, com este aumento, crescem também os investimentos nas infra-estruturas de suporte a este meio de transporte. Estima-se que este tráfego cresça 25% até 2025.

Copenhagen já conta com 17 pontos para circulação exclusiva de bicicletas, e os gestores pretendem fazer crescer este número, assim como reforçar a sinalização e aumentar a rede de ciclovias já existente.

A cidade oferece também uma app, a i bike cph, que permite o planejamento das rotas, assinalando aquilo a que chamam “rota verde”, um circuito mais calmo e que ocupa cerca de 60 dos 390 km de ciclovia da capital.

Todos países da União Europeia terão mais obesos até 2030, menos a Holanda. Por qual motivo a população é e tende a continuar magra mesmo comendo tanta batata frita com maionese?

A melhor forma de se locomover pela Holanda é, sem dúvida, de bicicleta. E é isso que faz a maioria – inclusive estrangeiros – ao desembarcar na estação de trem da cidade de Venlo, no sudeste do país, quase na fronteira com a Alemanha.

"De 100 a 200 pessoas, todos os dias, chegam de trem e completam a viagem ao trabalho pedalando", conta Edwin, um holandês de 43 anos, funcionário de uma loja especializada em vendas e consertos de bicicletas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Holanda é o único país da União Europeia que não tende a ver suas taxas de obesidade crescerem nos próximos 15 anos. Até 2030, a população obesa deve atingir meros 8,5% – na Irlanda, por exemplo, a taxa deve chegar a 50%. E isso, acreditam muitos, se deve em parte ao hábito de pedalar.

Os holandeses pedalam mais do que qualquer outro povo na Europa. Em média, são 2,5 quilômetros por dia. Só que, dependendo do peso, é possível queimar apenas em torno de 60 calorias ao trafegar essa distância. E isso, portanto, não seria o único motivo para o resultado apontando pela OMS.

Os holandeses não vão tão frequentemente ao McDonald's ou ao Burger King. Foto: Dillon / DW.

"Acho que é porque os holandeses não vão tão frequentemente ao McDonald's ou ao Burger King", diz Edwin. O que, no fim das contas, também não é verdade.

Brenda, de 22 anos, é um bom exemplo: "Não faço nada em especial. Não me exercito frequentemente, às vezes uma ou duas vezes por semana. E como muito McDonald's ou fast-food, coisas que não são nada boas para a saúde", admite ela, ainda numa idade em que o metabolismo é facilmente capaz de se opor à balança.

Alguns metros depois, Malou, de 54 anos, argumenta a respeito: "Acho que os jovens comem muita batata frita e coisas do tipo. Mas acredito que depois dos 30, 40 anos, eles ficam mais atentos ao que estão comendo. Não é normal comer fast-food algumas vezes por semana. No meu caso, como batata frita uma vez por semana, talvez. Mas não mais do que isso", diz, em meio a uma rua onde, em 100 metros, é possível encontrar quatro locais diferentes para comprar a iguaria.

E o que ela faz para se manter magra?

"Caminho muito. Não uso muito o carro. E, claro, também pedalo muito", diz. Ao longo do Rio Meuse, Sjaak estaciona para uma rápida entrevista. Diz que, naquele momento, acabou de pedalar pelo menos 15 quilômetros. E que, diariamente, percorre entre 10 e 50 quilômetros de bicicleta. Isso aos 68 anos. "Acho bastante normal", diz, ao destacar que grande parte dos amigos, de faixa etária semelhante, costuma fazer o mesmo.

Paul, de 47 anos, dá um tempo na corrida e também concorda em ser entrevistado. Afirma que normalmente corre 15 quilômetros, quatro vezes por semana. Ou seja: 60 quilômetros ao todo, semanalmente.

Outro fator que ajuda os holandeses é o governo, que luta contra os riscos à saúde em vários níveis, particularmente nas escolas e em áreas de menor renda. Foto: Anne / Flickr.Além disso, há o treino de futebol, que ocorre duas vezes por semana, e mais um jogo aos fins de semana, já que a corrida, hoje em dia, para Paul, não é de fato um exercício. O motivo de ele correr, naquele momento, era pelo fato de ter deixado ascooter em uma loja: ele decidiu voltar correndo para casa – 2,5 quilômetros.

Depois desses exemplos, é possível concluir que, na cabeça dos holandeses, a definição de exercício é diferente em termos de frequência e duração – pelo menos em comparação à maioria dos países.

No Instituto Scelta, especializado em pesquisa de alimentos saudáveis, o professor Fred Brouns, da Universidade de Maastricht, argumenta a favor do que havia sido observado nas ruas. "Uma coisa é certa: os holandeses se movimentam muito. Se você olhar para fora, verá ciclistas em todos os lugares. A maioria das crianças vai à escola a pé ou de bicicleta. Essa é uma grande diferença em relação à maioria dos países europeus", reforça.

Outro fator que ajuda os holandeses é o governo, que luta contra os riscos à saúde em vários níveis, particularmente nas escolas e em áreas de menor renda. "Não há efeito algum se você diz, na escola, para beberem água em vez de refrigerantes, mas, no lado de fora, o posto aonde as crianças vão nos intervalos, ter refrigerantes. Ou então na rua seguinte ter um McDonald's, e todo mundo ir lá", diz Brouns.

Os holandeses - e suas crianças - pedalam mais do que qualquer outro povo na Europa. Ainda assim, ele diz que a obesidade é um grande desafio para a Holanda, pois acredita que o problema é maior do que o apresentado pela OMS – e pelo Fórum de Saúde Britânico, que confronta os dados do organismo. "Fui informado de que os dados que eles usaram para a Holanda estão muitos anos atrasados, não são atuais, e que são, na verdade, baseados no que as pessoas pensam que têm comido", argumenta Brouns.

Ainda assim, com estatísticas equivocadas ou não, os holandeses estão fazendo mais e melhor do que outros, principalmente em relação à União Europeia, que enfrenta uma crise de obesidade. "A Organização Mundial da Saúde apresentou os dados como um alerta, por isso as pessoas e os países vão tomar atitudes e trabalhar contra o problema da obesidade, em vez de sentarem-se e esperarem o problema ir embora, porque isso não vai acontecer", conclui o professor.

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Por Conor Dillon, de Venlo para a Deutsche Welle.

Algumas das grandes cidades do mundo querem voltar a acolher seus pedestres. Nesse processo, compreenderam que suas vias elevadas são apenas o símbolo de um progresso mal entendido. Por isso, muitas dessas construções estão sendo transformadas em parques urbanos a vários metros de altura, como o famoso High Line, em Nova York. Seul, na Coreia do Sul, deu na semana passada um passo mais longo, criando em uma delas um viveiro em pleno centro. Mais de 24.000 árvores e plantas compõem esta gigantesca biblioteca botânica ao ar livre chamada Skygarden.