Em livro, estudo global mostra como o desenho das ‘células urbanas‘ pode promover cidades mais saudáveis - São Paulo São

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À medida que as áreas urbanas se desenvolvem, cada cidade forma uma lógica estrutural única. Com esta estrutura geralmente concebida de forma ad hoc, termos políticos como "área metropolitana" e "vizinhança" nem sempre são úteis ao analisar e comparar o desempenho das cidades. Na busca de novas ferramentas analíticas, Robin Renner desenvolveu um sistema de classificação anatômico em seu novo livro Urban Being: Anatomy & Identity of the City. Através de uma investigação reflexiva sobre as áreas urbanas existentes em todo o mundo, usando imagens de satélite e experiências pessoais, o Urban Being oferece uma visão de como as redes de transporte e as paisagens das ruas podem ser melhor organizadas para promover um ambiente metropolitano saudável.

Imagem: Robin Renner / Cortesia.Imagem: Robin Renner / Cortesia.

A análise de Renner varia de macro-regiões que podem, até mesmo, cruzar fronteiras do país para os espaços definidos entre as estradas arteriais nas cidades, que ele chama de "células urbanas". Como os bairros e as unidades em que os habitantes residem, as células urbanas são importantes quando se examina a identidade e a eficiência de uma cidade. Elas são definidas tanto por suas propriedades físicas quanto pelas ações que ocorrem dentro delas. Abaixo está uma pequena amostra de como Renner analisa as células urbanas no livro.

Estrutura celular

A forma de uma célula urbana depende de dois fatores principais: topografia e transporte. As condições topográficas, como as montanhas do Rio de Janeiro e os canais de Amsterdã, criaram células de diferentes densidades. Em Los Angeles, por exemplo, a rede de rodovias e estradas - referidas como artérias principais - reúne a cidade de forma que comprime o centro e se expande na periferia para formar grandes células residenciais. Essas formas, por sua vez, têm um efeito sobre os tipos de edifícios e funções que normalmente são hospedados nessas células.

Célula em Bloco

Imagem: Robin Renner / Cortesia.Imagem: Robin Renner / Cortesia.

A menor tipologia de células urbanas é a célula em bloco, que é um elemento singular rodeado pelas principais artérias do tráfego. Devido ao alto tráfego de automóveis e pedestres, os arranha-céus comerciais normalmente se concentram aqui. A natureza agitada dessas células desencoraja o desenvolvimento de programas mais silenciosos, como viver e estar. Exemplos de sub-centros de células em bloco são os distritos financeiros em Los Angeles, Melbourne, Taipei e Xangai.

Célula Linear

Uma célula linear geralmente é criada quando uma artéria principal é dividida em duas ruas unidirecionais, causando vias mais estreitas e amigáveis para os pedestres. Junto com fatores como o tráfego lento de automóveis e o transporte público as células lineares são centros comerciais importantes. Copacabana é um exemplo de uma célula linear que há muito tempo tem sido utilizada como destino de compras no Rio de Janeiro.

Célula Central

Imagem: Robin Renner / Cortesia.Imagem: Robin Renner / Cortesia.

A maior célula do núcleo é a célula central. Esta célula é frequentemente a origem da cidade e o centro físico. As células centrais têm maior densidade de tráfego pedonal, portanto, possuem uma grande concentração de lojas e restaurantes. Uma vez que estas células têm muitas vezes pouca infraestrutura de automóveis, o transporte público desempenha um papel importante no movimento das pessoas para o centro. Cidades como Stuttgart e Munique possuem células centrais fortes que conectam comércio e pedestres.

Célula Funcional

A maneira como uma célula é usada também determina seu tamanho e padrão de tráfego. As funções celulares podem variar ao oferecer apenas as condições básicas de vida para a inclusão de usos mais diversos, como parques e comércio. As células com prioridade na acessibilidade para pedestres geralmente apresentam habitação residencial e as células com tráfego pesado de automóveis favorecem negócios e indústrias.

Célula Residencial

Imagem: Robin Renner / Cortesia.Imagem: Robin Renner / Cortesia.

As células residenciais bem-sucedidas apresentam tráfego interno lento que permite ruas focalizadas. Árvores, parques de localização central, supermercados e escolas aumentam a qualidade de vida dos residentes nesta célula. Embora a célula residencial deva fornecer uma área de estar silenciosa, não deve estar completamente desconectada do resto do núcleo urbano. Esta conexão é fornecida principalmente através das estradas principais e dos centros de transporte público encontrados ao longo delas. Renner define que o tamanho ideal para as células residenciais está entre 400 e 800 metros com base em exemplos como Polanco na Cidade do México e Providencia em Santiago.

Célula Industrial

Imagem: Robin Renner / Cortesia.Imagem: Robin Renner / Cortesia.

Devido ao seu acesso a rodovias, estradas de ferro ou rios, grandes células centrais são propícias para a indústria. O crescimento de uma cidade historicamente está relacionado ao sucesso de suas exportações industriais e ainda é um fator vital em sua força. De acordo com Renner, o transporte público deve ser introduzido em células industriais para que os trabalhadores possam ter um trajeto diminuído e dependerem menos dos carros. A empresa de petróleo e gás de Edmonton é um exemplo de uma célula industrial que se formou por sua proximidade com trilhos de trem.

Urban Being: Anatomy & Identity of the City agora está disponível nas editoras da Niggli aqui ou da Amazon aqui.

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Por Annalise Zorn no Arch Daily. Tradução de Camilla Sbeghen.